Fortaleza Nobre | Resgatando a Fortaleza antiga : Junho 2010 [notification_tip][/notification_tip]
Fortaleza, uma cidade em TrAnSfOrMaÇãO!!!


Blog sobre essa linda cidade, com suas praias maravilhosas, seu povo acolhedor e seus bairros históricos.


quarta-feira, 30 de junho de 2010

Praça do Ferreira - De beco do cotovelo à Coração de Fortaleza


PRAÇA DO FERREIRA - VISTA PANORÂMICA

Falaremos do principal logradouro de nossa Capital. Durante todo o Século XX, a Praça do Ferreira, que partindo do antiquíssimo Beco do Cotovelo, foi transformada em uma praça que a princípio foi chamada de Feira Nova. Teve também a designação de Largo das Trincheiras; em 1859 Praça Pedro II e depois de urbanizada em 1902 na gestão do intendente Guilherme Rocha recebeu o nome de Jardim Sete de Setembro, que não era na verdade o nome da praça, mas da parte urbanizada, pois antigamente cada praça tinha um nome e seu jardim tinha outro. Em 1881, após a morte do Boticário Antônio Rodrigues Ferreira, a Câmara Municipal deu ao logradouro o nome de Praça do Ferreira em sua homenagem, mas em 1890 o Conselho da Intendência achou por bem retirar os nomes de pessoas de todas as ruas, avenidas e praças da cidade, recebendo as ruas numeração e as praças nomes como a Praça Municipal, novo nome da nossa Praça do Ferreira, mas durou pouco e no mesmo ano volta a velha nomenclatura.

A vista antiga foi publicada no livro "Brasil", do fotógrafo Peter Fuss, editado em Berlim com o apoio do Touring Club do Brasil, em 1934 e mostra a Praça do Ferreira vista de cima do Excelsior Hotel no sentido sudeste, vendo-se, além da Coluna da Hora, bancos e jardins, o canto do cruzamento da Rua Pedro Borges com Rua Floriano Peixoto, que tem na esquina a loja "A Cearense", vizinha à Padaria Lisbonense.

Além da Praça do Ferreira a vista mostra coisas interessantes como - direcionando-se a visão da esquerda para a direita - vemos as costas do prédio da Companhia Telefônica, por trás dela um circo armado, a Praça dos Voluntários com o velho prédio do Liceu do Ceará; mais ao longe a Igreja da Piedade e o Colégio Dom Bosco; o Colégio Cearense do Sagrado Coração; a Igreja do Coração de Jesus; o prédio do Pio X; o mosteiro dos frades capuchinhos; o prédio da Associação dos Chauffeurs do Ceará; o quartel da Polícia Militar e mais distante os morros de Paupina, Ancuri e Itaitinga.

A foto atual, tirada do mesmo local, mostra quase o mesmo ângulo já com muitas diferenças, ocorridas nesses 76 anos. Queremos aqui agradecer a gentileza do Dr. Janos Fusezzi Júnior, cônsul da Hungria, herdeiro de Emílio Hinko e residente no 3º andar do Edifício Excelsior, sem a qual não nos seria possível conseguirmos a foto atual do mesmo ângulo da antiga. O fotógrafo foi Osmar Onofre.

As lojas que circundam a praça já são outras excetuando-se a "Leão do Sul", que ali está desde a década de 1920. À distância já vemos pouca coisa, pois os prédios de concreto armado ou "cidade vertical" formam um tapume que nos impede ver o que víamos antes, mas na brecha entre os edifícios vemos ainda a Igreja do Coração de Jesus - que já não é mais a antiga que ruiu em 1957 e foi demolida - e nada mais. Os prédios que nos impedem de ver a paisagem são o Edifício Portugal, que fica no primeiro quarteirão da Rua Pedro Borges; por trás dele o edifício do INAMPS (antigo IPASE), na Praça dos Voluntários; o Palácio da Imprensa (edifício Perboyre e Silva, da ACI), o da Seguradora Brasileira e o Edifício Raul Barbosa, que foi sede do Banco do Nordeste de Brasil - BNB.

PRAÇA DO FERREIRA DE 1940 E DE 1991

A praça do Ferreira em 1850 era apenas um largo de areia frouxa com alguns cajueiros rodeada de casebres beira-e-bica onde se destacavam apenas os sobrados do Comendador Machado, construído em 1825 e o do Pacheco, de 1831, que depois foi sede da Municipalidade. O prédio do Ensino Mútuo ficava na esquina onde hoje fica a Caixa Econômica Federal.

Havia na praça o "Beco do cotovelo", com casas em diagonal, que foi derrubado por Antônio Rodrigues Ferreira, o boticário que chegou a governar a cidade como presidente da Câmara Municipal. Por isto hoje a praça tem seu nome. A praça foi Feira-Nova, Pedro II, da Municipalidade e é do Ferreira desde 1871.

Em 1902 foi urbanizada pelo então intendente Guilherme Rocha que nela fez o Jardim 7 de Setembro. Já existiam os cafés nos quatro cantos. Em 1920 a praça sofreu nova reforma, desta feita na administração de Godofredo Maciel, que retirou os quiosques e mosaicou toda a praça, fazendo vários jardins e colocando um coreto sem coberta. Em 1923 foi colocado outro coreto, este coberto. Em 1933 Raimundo Girão derrubou o coreto e levantou a Coluna da Hora. Em 1949 Acrísio Moreira da Rocha construiu o Abrigo Central. Em 1966 José Walter sem nenhuma consulta popular derrubou a Coluna da Hora e o Abrigo Central e construiu uma praça grosseira, que foi imposta ao povo que nunca a aceitou. Depois a praça foi reconstruída em 1991 pelo prefeito Juraci Vieira Magalhães.

As fotos são: a primeira é de 1934, quando o Excelsior Hotel e o Edifício Granito eram novinhos em folha, os bancos da praça eram extensos, o Edifício São Luiz ainda não havia sido iniciado, funcionando em seu lugar a Casa Amadeu, e o quarteirão da Rua Guilherme Rocha ainda existia. A Segunda foto é da década de 1940, quando o edifício São Luiz já estava em construção, mas o quarteirão da Guilherme Rocha já não existia e o Abrigo ainda não havia sido construído e os bancos da praça já eram menores.

A terceira foto é da época da odiosa
Praça do José Valter, de caixotes enormes de concreto e foi batida por Nirez.

RUA MAJOR FACUNDO NA PRAÇA DO FERREIRA

A foto antiga data do início do século passado. Mostra uma cidade pacata, com todas as características de uma cidade de interior, com a tranquilidade de seus habitantes e seu comércio com pouco movimento. Ruas calçadas com pedras toscas, esgotos cobertos com tábuas, trilhos dos bondes de tração animal, calçadas irregulares tanto na largura como na altura, ausência do meio-fio, postes de madeira, alguns de ferro, combustores de iluminação a gás carbônico e ausência completa de carros.

Trata-se do quarteirão da Rua Major Facundo na Praça do Ferreira, aquele onde hoje fica o Cine São Luiz. Na esquina ficava o "Maison Art-Nouveau", logo após a Agência de Loterias Nacionais, seguindo-se "O Menescal" e outras lojas que não é possível identificar na foto. A "Maison" surgiu em 1907, era café, bar, confeitaria além de vender artigos para copa e cozinha. O proprietário era Augusto Fiúza Pequeno e José Rola. Foi por trás desta loja que funcionou, em 1908, o primeiro cinema da Fortaleza, o cinematógrafo do italiano Victo Di Maio. No mesmo local estiveram depois a "Maison-Riche", o Restaurante Chic, A Pernambucana, a "Broadway", a Rouvani e hoje está a Tok-Discos.

A Segunda foto é da praça do prefeito José Walter, quando ainda havia passagem de carro pela Rua Major Facundo. Nada do que existia na foto antiga existia mais a não ser o céu e o subsolo, ambos já bastante poluídos. Já existia a Tok-Discos, seguida de estabelecimentos comerciais dos mais variados.

A terceira foto, colhida pela objetiva de Osmar Onofre, mostra uma praça bem melhor que a da segunda foto, com este calçadão para os pedestres e os postes da nova iluminação. A poluição continua e por falar em poluição, o centro de Fortaleza está um inferno em poluição sonora. Além das lojas vendedoras; de discos, os alto-falantes nas lojas em geral chamando os clientes e os odiosos carros com serviços de som e o que não entendemos, o serviço de alto-falantes nos postes com o falso nome de "FM Centro", autorizado pela Prefeitura que assim rasga o próprio Código de Obras e Posturas.

PRAÇA DO FERREIRA - JARDIM SETE DE SETEMBRO

A Praça do Ferreira era antigamente o "Beco do cotovelo" cortando o campo em diagonal. O resto era uma grande área de areia de tabuleiro com alguns cajueiros, rodeado de pequenas casas, destacando-se apenas os sobrados do comendador Machado e do Pacheco. Nascido em 1801, chega em 1825 a Fortaleza como caixeiro de Antônio Caetano de Gouveia, o boticário Antônio Rodrigues Ferreira, que fundou uma botica que era onde fica o Duda's Burger.

Em 1842 foi eleito presidente da Câmara Municipal e como tal aumentou as ruas de Fortaleza dando-lhes um traçado antes defeituoso.

Acabou com o "beco do cotovelo" criando a praça que no início foi chamada de Feira Nova e hoje tem o seu nome. Ele morreu em 1859, sendo sepultado no Cemitério de São Casimiro, onde hoje é a estação central da RFFSA, sendo seus restos trasladados em 1880 para o Cemitério de São João Batista. Em 1871 a praça passou a denominar-se Praça do Ferreira.

Em 1902 houve a primeira urbanização da praça, com a construção de um jardim cercado de colunas entremeadas de grades de ferro ocupando pequeno espaço em frente ao hoje Cine São Luiz. É deste jardim que trazemos a foto mais antiga, vendo-se, ao fundo, de costas, o Café Elegante, que ficava de frente para o cruzamento da Rua Pedro Borges com Rua Floriano Peixoto.

O jardim inaugurou-se no dia 7 de setembro de 1902 e passou a denominar-se "Jardim 7 de Setembro". Era realmente um belo jardim, como pode ser visto na foto.

A Segunda foto é da praça de terrível mau-gosto implantada em 1967 pelo então prefeito José Walter Cavalcante, cheia de blocos de concreto que servia de trincheiras no caso de uma revolta.

A terceira foto é mais atual e felizmente a administração de Juraci Magalhães em 1991 demoliu o "monstrengo" e construiu a atual praça.

Saiba mais: No passado, foi cercada por mongubeiras que serviam para amarrar animais que traziam do Interior as mercadorias para abastecer o comércio local. Vendia-se de tudo nas calçadas: frutas, camarão seco, pente fino, calças de mescla, espelhinhos, toalhas de rosto, retoques de algodão, e nylon, pó de arroz e revistas velhas. Deste núcleo central, o arquiteto Adolfo Hebster constituiu a malha urbana da cidade.

Hoje, a Praça do Ferreira ainda funciona como centro de encontros, passeios e comércio. Camelôs com seus CDs e DVDs, vendedores com carrinhos de lanche, amadores, músicos e artistas são alguns dos personagens que cruzam o espaço atemporal da praça. Também há aqueles que preferem sentar, conversar ou tirar uma soneca nos intervalos do trabalho, sentados nos bancos da praça sob a sombra das árvores e o som do barulho do centro da cidade.

O lugar sofreu uma série de reformas ao longo do tempo. Dentre elas, em 1932, o coreto foi substituído pela Coluna da Hora, com seu relógio que servia de orientação para toda a cidade. Sua inauguração foi no início de 1934, sendo demolido em 1969. Porém, em 1991, foi inaugurada a versão moderna da Coluna da Hora com a última reforma da praça.


Sobre Antônio Ferreira Rodrigues: O Boticário Ferreira, nasceu em Niterói em 1801 e por volta de 1925 conhece a Antônio Caetano de Gouveia, Cônsul de Portugal, o qual o trouxe para o Ceará, como seu caixeiro. Com 21 anos de idade e com adiantada prática de Farmacologia, obtida na sua terra natal e suas receitas salvaram a mulher de seu protetor, que o ajudou a obter da Junta Médica de Pernambuco licença para montar uma botica e se estabelecer. Em pouco tempo, o boticário Ferreira tornou-se popular pela sua caridade e sociabilidade. Em 1927 casou-se mas nunca teve filhos. Envolveu-se na política e viu-se continuamente eleito para a Câmara Municipal. Dedicou-se inteiramente a política de Fortaleza, durante os 18 anos que foi vereador e procedeu ao levantamento da planta urbana da cidade de Fortaleza. Construiu algumas praças, alargou ou ratificou o alinhamento de outras, deu grande impulso a Santa Casa de Misericórdia e realizou tantas obras de importância para a cidade que é considerado o seu primeiro urbanista. Demoliu o Beco do Cotovelo construindo ali a grande praça que levaria o seu nome. Morreu em 1859, aos 60 anos.


Crédito: Fortaleza de Ontem e de Hoje, Arrudeia Ceará

Hotel Central


Hotel Central - Em estilo neoclássico esta construção pertenceu ao comerciante Plácido de Carvalho

A foto antiga é de antes de 1908 e foi colhida do "Álbum de Vistas do Ceará - 1908" publicado por iniciativa da firma Boris Frères & Cia., que o mandou imprimir em Nice, França. Foram dois álbuns, um maior, vertical, e outro menor, horizontal.
O prédio ainda existe quase da mesma forma. Foi outrora o Hotel Central e depois abrigou várias repartições estaduais, entre elas o Departamento de Estatística, a Codagro - Posto de Revenda, a Febemce hoje no local, funciona o Casarão dos Fabricantes.

A foto antiga mostra à frente do prédio do hotel, o que serviu por muitos anos à Secretaria da Fazenda e que depois foi a Biblioteca Pública e que também, por muitos anos, deu abrigo ao Museu Histórico do Ceará. Depois foi demolido e em seu local, na administração Paulo Sarasate, foi levantado o Fórum Clóvis Beviláqua, já implodido. Em frente existia um posto de venda de gasolina que na década de 60 incendiou-se queimando toda a fachada do Fórum que teve de ser reformada.

Ao tempo da primeira foto, a Sé era a antiga, que foi demolida em 1938. A Segunda foto foi tirada de uma das escadarias da nova Catedral e vê-se a praça que rodeia o templo com suas palmeiras e cercado.

A foto mais recente, de Osmar Onofre, mostra as palmeiras já crescidas e a ausência do prédio do Fórum Clóvis Bevilaqua que foi implodido. A catedral nova, por ser bem maior que a antiga, ocupa o espaço da esquerda, onde também vemos uma guarita do estacionamento. A parte de cima do quartel do 9º Batalhão, depois 23º Batalhão de Caçadores e hoje sede da 10ª Região Militar, aparece na primeira foto e na segunda surge o Fórum Clóvis Beviláqua, mas a atual nada pode mostrar por ficar escondido.
As outras diferenças são de pavimentação, iluminação, urbanização e veículos.


Foto da década de 50/60 quando na época funcionou a Bolsa de Mercadorias do Ceará, tendo como primeiro presidente Jaime Machado da Ponte. Arquivo Nirez


Crédito: Portal do Ceará/Arquivo Nirez

terça-feira, 29 de junho de 2010

Casa do Português - Vila Santo Antônio de José Maria Cardoso



 A casa em foto de 1979 de Nelson Bezerra.


"Nos quarteirões da Avenida João Pessoa alguns casarões antigos resistem ao tempo e guardam fragmentos da história do bairro. Dentre todos eles, merece destaque a Casa do Português, símbolo de ostentação quando foi construído em 1950.  A casa - na realidade Vila Santo Antônio- pertencia a José Maria Cardoso , um rico comerciante português, dono de madeireira fornecedora de lenha para a Light e para os trens da RVC ( Rede de Viação Cearense). Por mais que a família crescesse, jamais ocupou todos os espaços do casarão e isso entristecia o proprietário. Cardoso ficou mais desesperado ainda com o suicídio de seu filho, que saltou do alto da casa que o velho português construíra. Para o velho, o sonho acabou.


Foto da década de 60 - Acervo de Pedro Leite

Postal da casa na década de 50. 

A Casa do Português parece um navio e lembra a história dos navegantes portugueses que desbravaram os mares, que nas palavras de Fernando Pessoa, “tanto do teu sal são lágrimas de Portugal.
Hoje as lágrimas são de abandono do lugar."


Acervo Eônio Fontenele



A casa é ponto de referência de quem mora ou passa todos os dias pela Avenida João Pessoa, no bairro Damas. Data de 1950, quando começou a ser construída.


Foto da década de 70. Acervo IBGE

Foto Any Lima

Chamam-na de Casa do Português. Três andares. Duas rampas laterais que davam aos automóveis acesso aos terceiro e quarto andares. Grades de ferro pesado circundam a frente e o lado esquerdo da casa, hoje, cor verde-musgo se misturando com ferrugem como se a casa, que muitos dizem parecer com um navio, estivesse no fundo do mar, sob o ranger dos motores de ônibus da avenida preta João Pessoa.


O português José Maria Cardoso


Reportagem da década de 50 - Acervo Renato Pires

O antigo era português realmente. Deu seu próprio nome, junto ao de um santo, a casa: Vila Santo Antônio de José Maria Cardoso. Sua família, por mais que se espichasse, não completava os cômodos do segunda andar, o único que realmente ocupou. Ainda em vida, alugou os outros dois acima para o empresário Paulo de Tarso, então dono da Boate Portuguesa. Quando morreu, em 1966, aos 72 anos, foi como um rasgo no casco da casa que já não era muito aprumada. No local, depois da boate, abrigou a sede da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Ceará (Ematerce) de 1965 a 1984, e logo depois: uma oficina, um estacionamento e um cortiço.

A casa então foi vendida em um leilão.



Os atuais proprietários deixaram o aviso de não informar endereços e telefones. Nenhuma reforma foi feita e não há sinais de que algum plano esteja sendo tramado. Comenta-se que seu José Maria Machado (atual dono) queria fazer um shopping, mas os sócios dele não gostaram da ideia.  Salvando a quadra, o terceiro andar e o terraço estão com os escombros espalhados por todo o chão e as paredes pichadas.


A casa em 1954 - Arquivo Nirez

Inauguração da Boite Portuguesa em 1962 - Arquivo Nirez

O edifício está em processo de tombamento, aberto em janeiro de 2006 pela Fundação de Cultura, Esporte e Turismo (Funcet), por isso mesmo está protegido de reforma que o desfigure ainda mais ou de uma possível demolição. "Alguns arquitetos contestam que aquele edifício seja um patrimônio da cidade, mas ele tem uma arquitetura diferente, é um referencial de espacialidade. As pessoas que se utilizam do espaço tem uma referência nele. É também uma referência da cidade, na década de 60 ele foi postal de Fortaleza", diz Ivone Cordeiro, diretora do Departamento de Patrimônio Histórico-Cultural da Funcet.


Foto da casa publicada no Jornal O Povo em 26 de dezembro de 1970.


O processo deveria ter sido concluído em abril ou maio desse ano, segundo Ivone. Até agora nada foi pensado para o prédio e não se têm planos de uma possível reforma. Em 2005, os arquitetos Napoleão Ferreira e Mário Roque tiveram a ideia de transformar a casa em Centro Cultural. A proposta era a de um centro que integrasse a cidade e o estado com a cultura portuguesa. "A ideia é dar vida aquilo. A cidade está devendo à sua memória. Para mim aquilo é uma arquitetura que impressiona. É sem sombra de dúvida um marco urbano", reafirma Napoleão, professor do curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de Fortaleza (Unifor).

Crédito do texto: Jornal O Povo



O trânsito na Avenida João Pessoa é caótico. Pessoas apressadas, estudantes, trabalhadores, moradores do lugar de nome bucólico: Bairro Damas. O presente de concreto, fumaça da via urbana não lembra o passado não tão distante em que o local era um espaço verde de inúmeros sítios, ideal para os que buscavam tranqüilidade e ar puro. O nome Damas é uma homenagem às famílias aristocráticas que construíam ali suas chácaras, afastadas do tumulto do centro da cidade de Fortaleza, que se modernizava e aformoseava mas que perdia o charme provincial.



A Casa do Português é ponto de referência. O prédio, de propriedade particular, é uma construção ousada de 1950 que já abrigou a sede da Ematerce e a Boate Portuguesa - Diário do Nordeste.

Registro em cores dos anos 60 - Carlos Augusto Rocha Cruz

Em 1931 surgiu no Damas o “Ideal Clube”, frequentado pela elite econômica da cidade. Os aristocratas se divertiam no clube que tinha quadra de tênis, piscinas e rinque de patinação. A “mundiça”(ralé) ficava no sereno, no lado de fora, excluída dos esportes requintados das elites. O Ideal Clube ficou no bairro até a década de 60 quando foi transferido para o Meireles.

A principal rota que cruzava o Bairro Damas era a estrada Fortaleza-Porangaba, feita de areia batida. A poeira era intensa com o tráfego de boiadas, carroças e alguns poucos automóveis. Em 1929 o então presidente Washington Luis mandou revestir a estrada de concreto que foi batizada com seu nome. Deposto pela “Revolução de 30”, os novos donos do poder e os “revolucionários de véspera” mudaram o nome do lugar para João Pessoa, em homenagem a um dos líderes do movimento.


Foto Any Lima

A cidade cresceu e os problemas urbanos se manifestaram no Bairro Damas. Com a nova realidade, a Avenida João Pessoa ficou conhecida como “avenida da morte” devido ao grande número de acidentes registrados na via de mão dupla. Em 1982, quando a avenida passou a ter sentido único, com o contra-fluxo apenas para transporte coletivo, o número de acidentes diminuiu mas o local ainda é perigoso.


Foto Any Lima

No bairro, o destaque é a casa do português e ainda hoje, o velho casarão estranho com rampa de garagem localizada no teto, é ponto de referência de quem mora ou passa todos os dias pela Avenida João Pessoa.

Texto do professor Evaldo Lima



Comentário de Cristina Cardoso ( Uma suposta neta do português) ao texto do Evaldo Lima:

"A historia contada é uma inverdade, realmente esse casarão foi construído para netos e bisnetos eu como neta do português cheguei a morar no casarão até a morte do meu avô eu tinha seis para sete anos e convivi com os meus pais até catorze anos quando eu vim para São Paulo com minha mãe. Meu pai José Maria Cardoso Junior (filho único  de José Maria Cardoso e Antonia Gaía Cardoso, faleceu no ano de 1984, a morte dele foi causada por insuficiência respiratória devido ao tabagismo e não por suicídio  por favor se ñ sabe da historia da família Cardoso não faça comentários mentirosos, se tem curiosidade de saber sobre a realidade da família, em meados de novembro de 2010 sera lançado o livro contando tudo sobre a família Cardoso.O livro se chamará A Casa do Português (momentos de alegrias e tristezas da família) atenciosamente Cristina Cardoso"



Fatos Históricos


Em 13 de junho de 1953, é inaugurada a Vila Santo Antônio, construída por José Maria Cardoso, na Avenida João Pessoa nº 5094, ficando conhecida como a Casa do Português, toda de concreto armado, três andares com subida de carro até o teto.


Nela foram gastos 29 mil sacas de cimento, 540 toneladas de ferro, 180 milhões de tijolos e 40 mil latas de cal.

Depois foi ocupada por várias repartições públicas, começando pela Ancar.

Lá esteve também a Boate Portuguesa.



Em 30 de junho de 1962, inaugura-se a Boate Portuguesa, na Vila Santo Antônio, conhecida como Casa do Português, na avenida João Pessoa nº 5094.

Ficarei aguardando esse livro, deve ser bem interessante...






Fotos internas da casa feitas pelo Renato Pires:














Em conversa com uma neta do português, ela me contou algumas coisas interessantes sobre a família e a casa:


"Olá Leila!
Bom, meu pai era filho único, José Maria Cardoso Júnior. Eu, Maria Mirian Araújo Cardoso, filha e neta, porque meu pai me adotou aos cinco meses de nascida. Ele era casado com Francisca Nila Araújo, minha mãe. Meu finado avô José Maria Cardoso, o português, eu me lembro que era muito rígido com meus irmãos. A sua mulher, Antonia Gaya Cardoso, minha avó, sempre o respeitou. E depois que ficou viúva, saimos para morar na avenida João Pessoa, nas casas de meu avô. Se eu não me engano, ele tinha 32 casas de aluguel. Ele deixou toda a herança para o seu único filho, meu pai, o qual me criou com muito amor e carinho. Meu pai se casou três vezes, eu sou da terceira família, mas éramos unidos e todos no mesmo prédio/casarão. Depois vivemos na João Pessoa
, 5174. Na casa da esquina, minha avó com os outros irmãos no meio da quadra. 

Vivi no casarão até os seis anos, nunca fui até o final dele. Antes tinha uma praça na frente do prédio de mármore e globos iluminados em toda sua volta, era fascinante. Na entrada do casarão (abaixo) era uma capela, a qual meu avô rezava as missas. 

Vivemos uma vida luxuosa, tínhamos chofer, um Ford Landau, três empregadas, uma cozinheira, arrumadeira, uma lavadeira, um fotografo só da família, também um sitio...
Depois meu pai alugou o casarão para ANKA. Era assim que ele dizia.
Meus irmãos:  Maria do Socorro, Maria das Graças, Francisco e José (eram gêmeos e paralíticos, morreram adultos), Maria José e Paulo, Antônia Gaya, Cleia Simone, Francisco Jorge e Francisca Nila que é a Cristina (já citada), porque meu pai queria Francisca e minha mãe Cristina, então a chamamos de Cristina.
Um dia, Antônia, adolescente, resolve morar em São Paulo. Minha mãe logo veio atrás, porque não vivia sem ela e nos levou para São Paulo enganando a gente, dizendo que voltaríamos, mas isto nunca aconteceu... Meu pai e ela se distanciavam mais um do outro e quela vida que tínhamos se acabou como uma ventania passageira, todo aquele luxo se foi.
Quem mora em São Paulo é Simone, Antônia e Cristina. Jorge e eu, em Goiânia. 

Hoje somos todos trabalhadores e lutamos para ter algo melhor, mas riqueza só em sonho e até hoje eu queria saber para onde foi tudo aquilo. Virou pó? Minha mãe faleceu já faz 8 anos e meu pai faleceu em Fortaleza, somente com duas pessoas no seu enterro, Tanit do Nascimento minha ex cunhada e seu ex marido, meu irmão Francisco Jorge.

O dinheiro não é tudo. Meus pais nos ensinaram a ter dignidade e ser honesto, que é o mais importante. O dinheiro não trás felicidade e sim a desigualdade. Assim aprendemos a valorizar cada centavo que entra em nosso bolso e aprendemos que nada cai do céu.

Leila eu vi o vídeo, que dor no coração, eu chorei ao ver a reportagem. Meus irmãos venderam em 1985 e me enviaram Cr$
 1.200. Meu avô José Maria não queria que vendesse, era para usufrutos da família. O advogado do meu pai na época era o doutor Waldizar, ele era advogado da família e fazia todas as transações. Ele conheceu bem a família, não sei se ainda vive. 

Meu pai faleceu de insuficiência respiratória no dia 11 de agosto, se eu não me engano 1984 ou 85. Essa história que ele se matou porque a mulher o traiu é mentira! Minha mãe sempre o respeitou, ela faleceu aos 97 anos." 


Mirian Cardoso


Em outra ocasião, eu perguntei sobre a veracidade da notícia de que a partir de 1994, a casa foi ocupada por dois dos nove herdeiros: Paulo Vicente Cardoso e Maria das Graças Moura Cardoso, e por José Alberto Gomes, amigo dos legatários, que em 2002 ainda morava nesse local. 

Sua resposta:

"É verdade, minha ex cunhada Tanit do Nascimento Cardoso morou um tempo no prédio, não me lembro a data, foi logo após a morte de meu pai. A Graça e o Paulo (meus irmãos), moraram no prédio. A Graça que vendeu o prédio. Assim eu ouvia minha mãe falar. Não sei quem comprou, eu acho que tem um grande mistério nisto tudo. Este dinheiro nunca foi abençoado para ninguém, está todo mundo na mesma!"




Mirian Cardoso


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