Fortaleza, uma cidade em TrAnSfOrMaÇãO!!!


Blog sobre essa linda cidade, com suas praias maravilhosas, seu povo acolhedor e seus bairros históricos.


quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Ceará Sporting Club



A ideia de fundar o Ceará Sporting Club veio no dia 2 de junho de 1914, pelos jovens Luís Esteves Júnior e Pedro Freire, durante um encontro à tarde no Café Art Noveau, que funcionava na Praça do Ferreira. Neste encontro, eles resolveram convidar mais alguns amigos para discutirem a ideia e se reunirem à noite, na residência de Luís Esteves - localizada na Rua Tristão Gonçalves, 6.



A empolgação tomou conta de todos e logo foi providenciada a ata de fundação do, até então, Rio Branco Foot-ball Club. Participaram do histórico encontro 24 pessoas que, por unanimidade, escolheram Gilberto Gurgel como presidente. Além dos três fundadores já citados, tomaram parte do evento: Newton Rola, Walter Barroso, Bolívar Purcel, Aluísio Mamede, Orlando Olsen, Raimundo Padilha, Ninito Justa, Meton de Alencar Pinto, Gotardo Moraes, Arthur de Albuquerque, Cincinato Costa, Carlos Calmon, Eurico Medeiros, José Elias e Rolando Emygdio.

Para ajudar na aquisição do primeiro material, composto de camisas lilases e calções brancos, o grupo juntou dois mil e duzentos réis. No ano de seu surgimento, o Rio Branco disputou um campeonato, que foi organizado pelos próprios clubes da época. Na partida final, realizada em 22 de outubro, o Rio Branco conquistou o título, vencendo o Rio Negro por 1x0, gol assinalado por Olsen. Naquele dia, os campeões formaram da seguinte maneira: Aldo, Garcia e Speedy; Célio, Carlito e Gotardo; Abreu, Pinto, Meton, Olsen e Ninito.

Exatamente um ano depois da sua fundação, uma assembléia geral se reúne com dois objetivos: escolher um novo nome para a equipe e eleger a nova diretoria. Por consenso, a agremiação passou a se chamar Ceará Sporting Club. Sua indumentária também mudou: calções brancos e camisas brancas com listas verticais pretas. No dia 10 de junho de 1915, o jornal Diário do Estado - do Partido Conservador Cearense - trazia na página dois, da edição de número 150, a novidade.


NOVA DIRETORIA - Eis a íntegra da notícia, mantendo-se a grafia utilizada na época:

“Hontem, às 19 horas, effectuou-se a posse da nova diretoria do Ceará Sporting Club (antigo Rio Branco), a qual havia sido eleita para reger os destinos desta futurosa sociedade na presente temporada sportiva. Depois da cerimônia de posse, foram distribuídas várias bandejas de bebidas finas entre as pessoas presentes, ouvindo-se então vários e amistosos brindes entre as comissões dos clubes que se fizeram representar. A nova directoria do Ceará ficou assim organizada: presidente: Nelson Gurgel do Amaral; vice, Meton Pinto; thesoureiro, Artur Braun; secretário, R.H. Justa; directores: Gothardo Moraes, Célio Moraes, R. S. Garcia, José Elias Romcy e Carlos de Alencar Pinto. A nova directoria continuou o dificílimo e espinhoso cargo de treiner (treinador) e capitain geral ao conhecido e competente footballer José Braga Abreu”.

O mesmo jornal já havia publicado, dez dias antes, sobre a reunião que seria responsável pelo nascimento da primeira entidade gestora do futebol cearense: “Reunir-se-à domingo, 30 do corrente, a primeira sessão preparatória para a instalação da Liga Metropolitana Cearense de Foot-Ball, a qual será presidida interinamente pelo distincto footballman Alcides Santos”. Até bem pouco tempo, dizia-se que a Liga jamais existira. No entanto, documentos históricos comprovam o contrário. Vale salientar que a entidade funcionou até 1920 sem jamais ganhar personalidade jurídica. Ela seria substituída pela Associação Desportiva Cearense (ADC) em 1920. A exemplo da sua antecessora, a ADC também não existia de direito, até 1936 quando, enfim, teve seus estatutos publicados, exatamente no dia 29 de janeiro daquele ano.


NA PRIMEIRA DÉCADA UM CAMPEONATO

Até hoje, a maior façanha do Ceará foi a conquista do pentacampeonato de 1915 a 1919, sob a égide da Liga Cearense Metropolitana de Futebol (LCMF), a primeira entidade gestora do desporto local. Ao lado do Stela, Rio Negro e Maranguape e sob a chancela da Liga Cearense Metropolitana de Futebol, o Ceará disputa o primeiro campeonato em solo cearense.

A final ocorreu em 07 de novembro de 1915. O Diário do Estado trouxe a seguinte manchete acerca da esperada decisão: "O Stela Foot-ball Clube o Ceará Sporting Club disputam amanhã o título de campeão do Ceará no campo do Bemfica".

ENCERRAMENTO – Leia um trecho da matéria: "Terá logar amanhã no campo do Bemfica, propriedade do Stella Foot-Ball Club o último match de foot-ball que encerrará a temporada do presente anno, no qual lidarão as poderosas equipes do Ceará Sporting Club e Stella Foot-Ball Club, devendo o jogo ser de uma animação sem igual, visto os dois contendores disputarem um custoso objecto de arte, que será offerecido pelo vencido ao vencedor".


"A Victória difficil será de disputar, pois ambos os teams se acham ultimamente constituídos, adiantando contudo que o Ceará Sporting tem uma magnífica linha de ataque que será bem dominada pela defeza do Stella F.C . Os teams estão assim formados: Stella: Gilberto; Oscar Cabral, Oscar Loureiro, Carlos Alberto, João Gentil (capitão), Clovis Hollanda; Riquet, Clodoveu, J. Bruno, Walter Barroso, Walter e Olsen. Ceará: Aldo; Meton, Garcia, Ninito, Silveira, Rola; Abreu, Pacatuba, Humberto (capitão), Gotardo e Guilherme".

ASSISTÊNCIA - Na edição de 09 de novembro de 1915, o Diário do Estado relatou a vitória do Alvinegro da seguinte forma: “Effectuou-se domingo último no field do bairro do Bemfica o anuciado jogo de foot-ball entre as poderosas equipes do Stella Foot ball Club e Ceará Sporting Club. A numerosa assistência que enchia as archibancadas do Stella teve incontestavelmente a magnífica oportunidade de assistir ao lindo jogo desses fortes elevens, cheio de phases e lances lindos”.


“Terminou esse interessante match com o resultado favorável ao Ceará, que conseguiu marcar mais um goal do que o seu adversário. O primeiro foi shutado por Humberto Ribeiro, capitão do Maranguape Foot-ball club, e o segundo, resultado de um oportuno passe do forward Guilherme Augusto, phayer do Rio Negro, foi marcado por Pacatuba, também do Maranguape. O único goal do Stella foi shoot de Pedro Riquet, um dos magníficos forwards do poderoso e sympathisado Stella. Actuou como referee o senhor Lucio Bauerfeldt, que foi imparcial nas suas deliberações”.

PERMISSÃO - Como se pode notar, na época o regulamento permitia que os times que fossem eliminados emprestassem seus jogadores aos classificados para as fases seguintes - fato que se prolongou até meados da década de 30. Em 1916, o Vozão novamente conquista o título. Desta feita, o Ceará vence o Maranguape, na final realizada no dia 06 de agosto de 1916, por 2x0, gols de Walter Barroso.

Os campeões formaram-se com: Gotardo e Meton; Padilha, Ninito e Silveira; Walter Barroso, Rola, Bolívar, Orlando e Mamede. Em 1917, no dia 8 de dezembro, o Vovô volta ao Prado, local dos certames anteriores, para enfrentar o Stella, na final do campeonato. Pelo placar mínimo, o Ceará derrota seu adversário e conquista o tricampeonato. A equipe jogou com Aldo: Garcia e Gotardo; Célio, Carlito e Braga; Walter Barroso, Meton, Olsen, Mamede e Braun.

PRIMEIRO TETRA - Em 1918, a história volta a se repetir. O time de Luís Esteves e Pedro Freire faz a final contra Fortaleza. Pela quarta vez consecutiva, prevalece, então, a supremacia do Alvinegro, que dobra o adversário na final por 2x0, gols de Walter Barroso e Enoch.

Na emocionante partida, realizada no dia 17 de dezembro de 1918, o Vovô foi a campo com Aldo; Garcia e Gracho; Célio, Carlito e Ninito; Walter Barroso, Meton, Mamede, A. Braun e Enoch. Em 1919. Todas as demais equipes têm um único objetivo: quebrar a hegemonia do Mais Querido e evitar a conquista do pentacampeonato. E o Fortaleza quase consegue.

PENTA - A equipe fundada por Alcides Santos, ganha o 1º turno. Assim, na decisão do returno, precisaria apenas do empate para ser campeã. Ao Ceará, somente a vitória interessava, pois lhe daria o penta, haja vista que, no critério de desempate - que levavam em consideração os pontos conquistados em toda a competição - ele ficaria à frente do rival.

E o triunfo veio no dia 30 de novembro daquele ano, por 2x1, numa virada espetacular, ocorrida nos minutos finais do jogo. Humberto Ribeiro marcou para o Fortaleza, mas Walter Barroso fez os dois gols da histórica conquista. Os pentacampeões jogaram com: Aldo; Garcia e Gotardo; Célio, Moraes, Braga e Aloísio; Walter Barroso, Mamede, A. Braun, Enoch e Cearense.

Campo do Prado em tarde de jogo entre Ceará e Maguary, em 05 de junho de 1927


DOIS TETRAS MARCARAM A HISTÓRIA RECENTE

O Ceará voltaria a colocar a mão na taça no ano de 1922, quando se comemorava o centenário da Independência do Brasil. Além desse fato em si, a conquista foi importante, pois serviu para evitar que o seu rival conquistasse o tricampeonato. O Alvinegro importou diversos atletas do Pará. Dois deles se destacaram: Pau Amarelo e Vitório. Na partida final, acontecida em 18 de outubro, o Vovô goleou o Fortaleza por 4x1, dois gols de Pau Amarelo, um do Abreu e outro do Deca. Clodomir descontou para o rival. O time campeão formou com: Aldo; Gotardo e Meton; Saracura, Vitório e Cantuária; Walter Barroso, Abreu, Deca, Pau Amarelo e Braun.



Em 1939, o clube enfrenta o seu maior jejum sem títulos: seis anos. O campeonato desse ano só se encerraria no dia 11 de fevereiro de 1940, com a goleada de Porangabuçu sobre o Tramways, por 6x2, dois gols de cada: Aníbal, Farnum e Biinha (2). César e Zé Walter descontaram para o adversário.


Ceará Sporting Club 1958 - Crédito da foto


Nos início dos anos 60 veio a conquista do tricampeonato. O esquadrão preto e branco tinha nomes inesquecíveis, que levaram o clube à vitória seguidamente em 1961/62/63: George, William, Alexandre, Benício, Mauro Calixto, Ivan Carioca, Gildo, Charuto, Carlito, Carneiro e Aloísio Linhares, dentre outros.


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1968 c/ Nando - irmão de Zico (primeiro agachado da direita p/ a esquerda) 


Depois deste tricampeonato viria um novo período sem ganhar títulos. Foram sete anos sem dar a volta olímpica no velho Estádio Presidente Vargas. A demora, todavia, seria compensada com a célebre final em 1971, ocorrida em três de agosto. Em campo novamente os dois maiores rivais do futebol local.


Ceará Sporting Club 1972 - Campeonato Brasileiro - Crédito da foto

O Fortaleza vencia a partida por 2x1, dois tentos de Mimi. Carlindo havia assinalado para o Vovô. A torcida do Fortaleza já fazia a festa quando, nos minutos finais, foi marcada uma falta na entrada da área. O atacante Vitor colocou com rara felicidade a bola no fundo da meta do Tricolor e acabou com o jejum. Inconformada, a torcida do Fortaleza derrubou o alambrado do PV e o árbitro Armando Camarinha sequer reiniciou a partida.


Acabava o sofrimento da galera alvinegra, que deixou o PV numa alegria repetida somente sete anos depois, quando, comandado por um histórico tricolor, o técnico Moésio Gomes, o Ceará comemoraria no Castelão o seu segundo tetracampeonato. As circunstâncias foram parecidas.

Time do Ceará em 1972 ou 1973 - Em pé: Mauro Calixto, Mauro Cruz, Pedrinho, Nagel, Joãozinho e Carlindo; Agachados: Lima,Erandir, Victor, Edmar e Da Costa. Crédito da foto

Depois do tri, em 1975/76/77, o Vozão parte para o tetra. As coisas, contudo, não acontecem como os alvinegros imaginavam. O time perdeu o turno inicial para o Fortaleza. O presidente Eulino Oliveira tomou uma decisão inusitada e muito questionada: convidou para dirigir tecnicamente o Vovô, no segundo turno, Moésio Gomes, o Paim, um dos mais importantes nomes da história leonina. A jogada de mestre surtiu efeito.

Moésio foi o grande articulador da vitória. Montou um esquema impecável, reeditando o seu consagrado quadrado de ouro, formado pelo trio do meio de campo e mais o atleta Tiquinho. A vitória consagradora surgiu no dia 28 de dezembro, diante de 47.340 pagantes.


Ceará Sporting Club 1981 - Crédito da foto

Foi Tiquinho quem, aos 45 minutos do segundo tempo, fez o gol solitário do jogo, que foi imortalizado pela narração de Gomes Farias. Sem dúvida, é o gol mais reproduzido em toda a história do futebol cearense e quiçá brasileiro. Naquele dia, Moésio mandou a campo: Sérgio Gomes; Júlio, Artur, Darci e Dodô; Edmar, Erasmo e Amilton Melo; Jangada, Ivanir e Tiquinho.

TERCEIRO TETRA - O Ceará voltaria a repetir o mesmo feito 21 anos depois. No período de 1996 a 1999, um novo tetra é registrado na sua história. Desta feita, sem o dramatismo do anterior. Basta lembrar que, na final acontecida no dia 21 de julho de 1999, o adversário foi o novato e já extinto Juazeiro Empreendimentos. O placar de 0x0 garantiu a conquista.

ZEZINHO - Em 2004, ao impedir o tricampeonato do Fortaleza dentro de campo, o Alvinegro voltou a dar alegria a sua galera. Certos do título, os dirigentes do Leão chegaram a convocar a torcida para uma carreata no dia seguinte. Eis que, na partida final do returno, realizada no último dia 17 de abril, aos 44 minutos do segundo tempo, o atacante Zezinho faz um gol de placa no Castelão, e o time, idealizado por Pedro Freire e Luís Esteves, ganha o returno. Na sequência, numa manobra considerada a mais imoral do futebol cearense, o Fortaleza, que se negou a disputar as finais marcadas pela Federação, conseguiu no tapetão o título daquele ano. O documento no qual o Fortaleza se negara a ir para as disputas foi roubado de dentro da Federação Cearense de Futebol (FCF) e até hoje o assunto não foi esclarecido.

Em 2006, não houve tapetão que desse jeito. O rival se preparava para conquistar o seu primeiro tetracampeonato - contando com o vergonhoso título do tapetão, no ano anterior. Só que, nos jogos finais, foi atropelado pelo Alvinegro. Com duas vitórias por 1x0, o Vozão acabou com o sonho do adversário e mostrou que "tetra é luxo" e uma prerrogativa do time detentor da maior torcida do Estado.

A Evolução dos Escudos

1914 - 1915



Primeiro escudo oficial do Ceará Sporting Club, ainda com o nome de Rio Branco Foot-Ball Club, usado por apenas um ano. Mudaria suas cores pela dificuldade de se obter uniformes com as cores do símbolo.

1915 - 1954



Continha sete listras alternadas em branco e preto, além de trazer as iniciais CSC: Ceará Sporting Club. Foi envergado na camisa Alvinegra nas conquistas do pentacampeonato (1915-1919), no título do Centenário da Independência do Brasil em 1922 e em outros títulos importantes.

1955 - 1969



Era inspirado no escudo do Santos Futebol Clube (SP) e continha uma bola na parte superior, o nome "CEARÁ", além de nove listras alternadas em branco e preto. Foi um dos escudos que mais trouxe glórias ao Alvinegro cearense, como o tricampeonato (1961-1963) e a conquista do Norte/Nordeste em 1969.




1969

Este escudo foi utilizado em alguns jogos no ano de 1969. Além deste, neste mesmo ano o Ceará também utilizou camisas com um outro escudo escrito "CEARÁ" na diagonal e fundo branco. Até o final da década de 60, o Ceará, assim como alguns outros clubes, também chegou a jogar sem nenhum escudo na camisa alvinegra.


1970 - 2003



Trazia em destaque o nome do clube, "CEARÁ", além de nove listras alternadas em preto e branco. Com este escudo o Vozão venceu os dois tetracampeonatos que ostenta (1975-1978; 1996-1999), além de conquistar a melhor colocação de um time cearense em campeonatos nacionais: 7ª colocação em 1985. Conquistou também o vice-campeonato da Copa do Brasil em 1994, participando da Taça da Confederação Sul Americana de Futebol (Conmebol) em 1995, sendo a única equipe do estado, até os dias atuais, a disputar uma competição internacional.

2003 - hoje



Atual símbolo do clube, reestilizado pelo publicitário Orlando Mota (Mota Comunicação), o novo escudo Alvinegro modernizou-se, ganhando a data da fundação do clube "1914", além das cinco estrelas na parte superior do escudo representando o pentacampeonato estadual (1915-1919). Traz o preto como tom principal, mas não deixa de lado o branco, simbolizado pelas listras. Fez tanto sucesso que foi "adotado" pela torcida antes mesmo de tornar-se oficial.

Mascote

Para muitos o apelido Vovô é devido ao fato do Ceará Sporting Club ser o mais velho clube do estado.


Um depoimento de Aníbal Câmara Bonfim, um dos fundadores do América Futebol Club, conta a real história. Segundo o dirigente americano, os meninos alvi-rubros costumavam treinar no campo do Ceará. Nesta época, o presidente do Ceará, Meton de Alencar Pinto, de forma alegre, começou a tratá-los de meus netinhos. Ao encontrar com os garotos do América no campo alvinegro, Meton saía sempre com a mesma brincadeira: “Vamos, meus netinhos, vamos aprender bem para açoitar o Fortaleza. Mas respeitem o Vovô aqui”.

Dessa forma, o apelido ficou eternizado e quando alguém fala no Vovô, não há nesse país quem goste de futebol, que não associe ao Ceará Sporting Club, embora o Vovô também seja usado como mascote pelo Coritiba. Essa figura simpática que é o Vovô foi desenhado ao longo dos anos de várias formas. O colaborador Marcos Medina solicitou e o diretor de arte alvinegro José Lívio desenhou um Vovô feliz, representando a alegria de ser ALVINEGRO.


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Crédito: Site Oficial

sábado, 27 de agosto de 2011

TV Ceará Canal 2 - a pioneira 2ª Parte



Leia a primeira parte  AQUI




No tempo em que Fortaleza só tinha uma emissora de televisão, a TV Ceará, a história era assim: quando ligávamos para reclamar devido a algum problema de transmissão, sugeriam-nos a mudança de canal. Coisas da molecagem alencarina!


Mas, molecagem à parte, a TV Ceará ao entrar no ar em 1960 mudou os costumes do povo cearense.


Operador de câmera - Anos 60

Sua grade de programação era genuinamente local e criativa. Inicialmente, sua transmissão iniciava à seis da tarde e não 'botava' nem até a meia-noite. Aliás, às oito tinha o “Boa noite, garotada”, que era uma chamada para os pais mandarem a meninada dormir.


Arquivo Assis Lima

Havia o “Noticiário Relâmpago”, apresentado por Narcélio Limaverde, e o Repórter Cruzeiro, que era o telejornal padrão do Canal 2. Existiu um que era o Cândido Colares narrando as notícias e o Mino ilustrando.


Arquivo Assis Lima


Marcus Miranda, o Praxedinho


Tinha, também, programas como “7 Dias em Destaque”, o qual conferia jangadinhas para as personalidades que se destacavam na semana; “Comédia da Cidade” e “Vídeo Alegre”, com o bom humor do Renato Aragão - Américo Picanço foi um dos seus primeiros pares -, assim como o “Aí Vem o Circo” e “Risos e Melodias”. 

Renato Aragão (à direita) em esquete na TV Ceará, no início dos anos 60. Foi na emissora cearense que Didi apareceu pela primeira vez na TV, no programa "Vídeo Alegre", no dia 30 de novembro de 1960

Renato Aragão em esquete nos anos 60 

De 1963 a 1965, o sucesso de audiência era o programa “Dois na Berlinda”, com Marcus Miranda no papel de “Praxedinho”.

Programa "Punhos de Campeão" na TV Ceará

Dos programas musicais, tinha o da Terezinha Silveira cantando num, e noutro, o “TV Juventude”, do Paulo Limaverde, que uma vez ingressou no estúdio montado numa lambreta. Nele, certa vez, se apresentou o infante Guto Benevides, dançando twist. E os de auditório? Quantos bons artistas o “Show do Mercantil”, levado ao ar aos sábados e comandado pelo Augusto Borges, apresentou e promoveu? Não dá pra contar. Ainda teve o "Porque Hoje é Sábado" e "Gente que a Gente Gosta", do Gonzaga Vasconcelos.

Augusto Borges comandava o "Show do Mercantil".

Programa TV Juventude

E as telenovelas? Deixavam os telespectadores de olhos grelados no João Ramos, Emiliano Queiroz, Ary Sherlock, Karla Peixoto, Glice Sales, Gonzaga Vasconcelos, Jório Nertal, Lurdes Martins e no pequeno Ricardo Pontes. A do “Conde de Montecristo” teve imagens gravadas no cais do Porto do Mucuripe, pelo Polion Lemos. “Oliver Twist” arrancava lágrimas, sobretudo, dos televizinhos, aqueles que todas as noites visitavam os vizinhos para assistir televisão.

O pequeno Ricardo Pontes contracenando com o Emiliano Queiroz

Cenário de uma rua

Emiliano Queiroz e Cleyde Holanda em "A Dama das Camélias"

O Contador de Histórias”, narrado pelo João Ramos, apresentava adaptações de peças teatrais de autores famosos e foi uma série marcante na história do Canal 2.
Rita Angélica, garota-propaganda

E os reclames? Ao vivo, sem direito à erros, as garotas propagandas faziam sucesso anunciando os produtos e encantando os telespectadores! Neles, também, o Toinho marcou época na arte da improvisação. Cada marmota sua, fazia tanto sucesso, que era motivo de comentário geral na cidade. É, mas, em 1965, a chegada do Vídeo Tape trouxe reflexos negativos para a programação local da emissora, que era toda ao vivo.



Alguns dos pioneiros da televisão foram: Guilherme Neto, Narcélio Limaverde, Augusto Borges, Irapuan Lima, Neide Maia, B. de Paiva, Ary Sherlock, Eduardo Campos, Karla Peixoto, João Ramos, Marcus Miranda (o Praxedinho), Emiliano Queiroz, Renato Aragão, Antônio Mendes, Wilson Aguiar, Wilson Machado, Polion Lemos, Aderson Braz, Gonzaga Vasconcelos, Ayla Maria e Armando Vasconcelos.

Programa de auditório da Tv Ceará

Com a crise financeira do grupo Diários Associados, a TV Ceará entrou em decadência até sair do ar em 1980, numa melancólica transmissão de despedida, realizada em noite de vigília.

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

TV Cidade - A TV de primeira



A TV Cidade possui uma história marcada por grandes conquistas e realizações que estão presentes até hoje na memória dos cearenses.

“A audiência é fruto da credibilidade e do respeito pelos nossos telespectadores”. Com essa frase, o presidente da TV CIDADE, Miguel Dias de Souza, define o trabalho realizado pela emissora que integra o maior grupo de comunicação do Ceará: O GRUPO CIDADE DE COMUNICAÇÃO, o qual é composto por seis (06) FM’s e uma (01) AM, além da própria televisão.
Quando se fala em TV Cidade de Fortaleza, pensa-se, imediatamente, em uma empresa que é a referência de um grande conglomerado empresarial do Ceará. Empresa essa que transmite, diariamente, informação precisa e  entretenimento a milhões de pessoas. A trajetória da TV Cidade foi construída em várias fases e hoje é vista no crescimento contínuo não só da própria emissora, mas do Grupo Cidade como um todo. Uma história de sucesso que se confunde com a própria história da cidade de Fortaleza.



A emissora nasceu inicialmente com o nome de TV Uirapuru¹, sob propriedade dos empresários Patriolino Ribeiro e José Pessoa de Araújo. Antes de investir no campo das comunicações, Patriolino Ribeiro, nascido em Itapipoca (CE) em junho de 1911, trabalhava no comércio de tecidos no município cearense de Massapê. Foi lá que conhecera seu futuro sócio, José Pessoa, que também viria a ser futuramente seu sogro.

Posteriomente, o comerciante abandonou o ofício e decidiu investir no ramo da construção, através da Incorpa - Incorporadora Patriolino Ribeiro. A empresa foi responsável pelo desenvolvimento de Fortaleza através da constituição de um novo bairro, que viria a se chamar Estância Castelo, até receber a denominação atual de Dionísio Torres, um dos mais altos da cidade e local das principais emissoras de rádio e televisão.



Terreno na Estância Castelo, atual Dionísio Torres, hoje ocupado pela Praça da Imprensa 

Antes de tudo, a área era um vasto sítio de coqueirais até se transformar, poucos meses depois, na sede da primeira emissora de televisão do Ceará, a TV Ceará, dos Diários Associados. No mesmo instante, foram instalados mercantins, conjuntos habitacionais, colégios, hospitais e templos religiosos. O problema da falta de distribuição de água foi resolvido com escavamento de poços profundos. Tudo fazia parte da instalação de uma "nova Aldeota", o desejo de Patriolino.

Comunicações

Em 16 de junho de 1956, José Pessoa de Araújo inaugurou a Rádio Uirapuru de Fortaleza, ZYH-25, juntamente com José Borba. A "emissora do Pássaro" era conveniada com a Rádio Mayrink Veiga e com a Rádio Nacional. Dedicava muito de sua programação ao jornalismo e à cobertura esportiva.



Rádio Uirapuru - 1961

Mantendo amizade com Patriolino, José Pessoa pedia ajuda ao amigo nos momentos de aperturas. Acabaram se acumulando muitas dívidas. Segundo Cid Carvalho, em GIRÃO (2003), Pessoa decidira por uma sociedade com seu credor, cedendo a metade das cotas de uma nova emissora que haveria de se instalar futuramente em Fortaleza. Assim nasceu a TV Uirapuru, canal 8, em 30 de agosto de 1978, afiliada inicialmente à Rede Bandeirantes. A cerimônia contou com a presença do governador do Ceará, na época, Waldemar Alcântara. Após a solenidade, foi realizada uma missa de ação de graças realizada pelo bispo auxiliar de Fortaleza, Dom Raimundo de Castro e Silva.

O empresário Patriolino Ribeiro colocou na administração seus filhos Miguel Dias e Patriolino Filho. José Pessoa de Araújo também envolveu genros e filhos no negócio. No momento em que José Pessoa cedeu sua metade para Patriolino, acabou havendo impasse entre os familiares.

A transferência só aconteceu de fato em 1981, já que o Ministério das Comunicações só permitia a mudança de sociedade após dois anos de funcionamento da emissora. Até completar este período, entrou em cena o empresário Sérgio Filomeno, que adquirira a outra metade da sociedade de José Pessoa para depois repassar a Patriolino. O fato acabou indo parar na Justiça, já que José Pessoa havia se negado a receber o restante do valor do negócio.




Antigo cenário do telejornal da TV Cidade

TV Cidade

Já com o nome de TV Cidade, sob a total administração de Patriolino Ribeiro e do filho Miguel Dias, a emissora passou um tempo repetindo os sinais da Rede Bandeirantes (durante a semana) e o SBT (aos domingos, durante o programa Sílvio Santos). Com o final do contrato com a TV Bandeirantes, em 1982, a TV Cidade acabou de ser tornar afiliada do Sistema Brasileiro de Televisão
.


Foto de 1986


Neste mesmo ano também entra ao ar o Programa Irapuan Lima, animador de auditório já conhecido do público deste os tempos da Rádio Iracema de Fortaleza, passando pela TV Ceará (Tupi) e um tempinho na TV Verdes Mares. O programa das tardes de sábado iniciava ao meio-dia e só encerrava às quatro da tarde. O "Chacrinha do Norte", como seria conhecido, distribuia frango aos calouros reprovados pelo jurado. 








Também chamavam atenção as Irapuetes, dançarinas de palco. Neste mesmo período, a TV Cidade lançava o Programa Armando Vasconcelos, com entrevistas e o quadro "Garota da Capa". Os dois programas dividiam a audiência dos finais de semana na televisão cearense.











Programas policiais

Em 1982, estreou o Programa Mão Branca, apresentado pelo jornalista Francisco Taylor. Foi um marco para o jornalismo policial na televisão cearense. O Mão Branca seria substituído pelo Aqui Agora Fortaleza, um noticiário policial que seguia os mesmos padrões do programa Aqui Agora veiculado pelo SBT em São Paulo. Após as duas primeiras experiências na editoria policial, a TV Cidade voltou a fazer grandes investimentos para viabilizar um novo projeto: O Cidade Livre. Um programa que abordava as notícias policiais com denúncias de problemas na cidade com humor. Os telespectadores podiam se deslocar até o estúdio e conversar ao vivo com o apresentador. No entanto, nenhum dos noticiários policiais alcançou a audiência do Cidade 190². O programa Cidade 190 é apresentado por Evaldo Costa e Vitor Valim.




A troca pelo SBT

Apenas no dia 7 de janeiro de 1987, foi assinado o contrato definitivo entre a TV Cidade e o Sistema Brasileiro de Televisão - SBT. Do departamento de Máster da empresa em Fortaleza, o presidente Miguel Dias de Souza acompanhou pessoalmente, ao lado do jornalista Armando Vasconcelos, a troca de sinal. Saía a TV Bandeirantes e entrava o SBT.

Dez anos depois, a emissora expandiu sua área de planejamento em marketing, reequipou seu parque tecnológico e pôs em prática um novo plano de jornalismo, apostando em uma programação diversificada para atingir públicos de diferentes segmentos. O resultado foi satisfatório: consolidou a TV Cidade no segundo lugar na preferência dos telespectadores cearenses.

A vez da Record

Em 1997, o presidente do Grupo Cidade, Miguel Dias de Souza, surpreendeu o setor ao trocar o SBT pela Rede Record, na época em que a emissora paulista iniciava um processo de reformulação interna na busca de aperfeiçoar sua profissionalização. Em 2006, a TV Cidade lançou a primeira newsroom do Nordeste, onde os jornalistas da redação puderam fazer parte do cenário do Jornal da Cidade. Também neste período, a emissora decidiu ampliar seu sinal para o restante do Ceará, atingindo cerca de 90% da população. Atualmente, o Grupo Cidade de Comunicação abrange, além da emissora, a Atlântico Sul FM (105,7 MHz), Cidade AM (860 kHz), FM Cidade (99,1 MHz), Jovem Pan FM (94,7 MHz), Tropical FM (92,9 MHz) e Liderança FM (92,9 MHz), algumas em parceria com a D&E Entretenimento.


Hoje, a empresa tem uma nova dinâmica de trabalho. Investiu no aperfeiçoamento e contratação de profissionais para todas as áreas da emissora e se mostra preparada para assumir de vez o topo da audiência no Estado.
No dia 4 de Outubro de 2006, a TV CIDADE lançou o mais moderno estúdio de televisão de toda a Região Nordeste. Dotado de equipamentos de ponta, a tecnologia é uma forte aliada no trabalho realizado pelos profissionais do departamento de jornalismo da emissora. Os investimentos foram direcionados na criação de um espaço prático e, ao mesmo tempo, sofisticado. Em bancadas distribuídas na redação, os jornalistas fazem parte do cenário onde é apresentado o Jornal da Cidade.
Hoje, o departamento de jornalismo da TV CIDADE une experiência e juventude para levar ao ar programas de grande audiência. Mais de sessenta profissionais são responsáveis pela produção, reportagens e edição dos telejornais que se completam com informações sempre atuais e uma cobertura eficiente de todos os fatos que acontecem em Fortaleza e em todo o Ceará. Desde o primeiro momento, quando ainda era afiliada à TV Bandeirantes, o investimento da TV CIDADE no setor de jornalismo sempre foi marcante.

O ano de 2007 é um ano de muita importância para a história da TV Cidade. Após todos os investimentos feitos em 2006, a empresa consolidou-se na preferência do público cearense. Conquistou a vice-liderança da audiência na maioria dos programas e se tornou uma das quatro mais importantes afiliadas da Rede Record. No início do ano, a convite da Record, a TV Cidade começou a desenvolver o projeto de mais um telejornal. Novos investimentos foram feitos. Profissionais contratados, equipamentos adquiridos e, em 3 de julho, estreou o Fala Ceará. No mês de setembro, mais um equipamento foi colocado à disposição das equipes de jornalismo: o helicóptero da TV Cidade que permite ainda maior agilidade na cobertura dos fatos.

Mais de 30 Anos de história

O ano de 2008 foi marcante para a TV Cidade. Além da data que marcou os 30 anos de história, a emissora comemorou a estréia do sexto programa de jornalismo, o Riquezas do Ceará. Cobrindo mais de 94% do Estado com a interiorização e com os expressivos índices de audiência, a TV CIDADE comemorou 30 anos de história e de realizações.


Atualmente, a TV Cidade é uma das principais emissoras Record no País e se destaca tanto pela qualidade dos produtos como pelos bons índices de audiência. Em 2010 a emissora inaugurou um novo estudio newsroom com mais de 350m nos padrões nacionais. Fora os investimento para TV Digital.




¹ A TV Uirapuru


No dia 30 de agosto de 1978, entrou no ar a TV UIRAPURU que transmitia seu sinal através do canal 8. Pouco tempo depois, em dezembro do mesmo ano, o empresário Miguel Dias de Sousa, um dos nove filhos de Patriolino Ribeiro, oficializava a aquisição de 50% das ações da emissora. Em março de 1979, o restante do patrimônio foi adquirido em sua totalidade, que representou o grande  passo para o nascimento do GRUPO CIDADE DE COMUNICAÇÃO.
É preciso ressaltar que enquanto TV Uirapuru, a emissora transmitia a programação da então Rede Bandeirantes que, na época, tinha bons índices de audiência. Em junho de 1981, nascia, efetivamente, a TV CIDADE DE FORTALEZA, sob a presidência do empresário Miguel Dias de Souza. A emissora permaneceu afiliada à Rede Bandeirantes e durante todo o dia transmitia a programação da televisão paulista que tinha como destaque os programas  esportivos, o telejornalismo e o “Programa do Bolinha”, um dos líderes de audiência na época.
Em 1982, veio a grande novidade. A TV CIDADE passava a transmitir também a programação do SBT. De segunda a sábado, o fortalezense acompanhava a programação da TV Bandeirantes, mas, aos domingos, o canal 8 cedia espaço ao “Programa Sílvio Santos” que liderava a audiência em todo o país.
Se Chacrinha fazia sucesso em todo o Brasil, no Ceará as tardes dos sábados eram imperdíveis na TV CIDADE. A maior audiência era de Irapuan Lima que começava o seu programa de auditório ao meio-dia e seguia até às quatro horas da tarde, proporcionando muita alegria a milhares de pessoas. Ele, e claro, as Irapuetes, dançarinas de palco, que, à época, esbanjavam sensualidade. Ao invés do abacaxi, marca registrada do concorrente nacional, Bolinha, Irapuan Lima oferecia um frango aos candidatos reprovados pelos jurados no palco. A sátira agradava não apenas o público, mas a crítica também.

² Cidade 190




O programa Cidade 190 é um fenômeno de público. Apresentado por Evaldo Costa e Vitor Valim, nosso jornalístico policial bate recordes de audiência e leva ao telespectador a realidade das ruas com a credibilidade de uma equipe de primeira.

Audiência, informação e utilidade pública você encontra no mais completo programa policial do Ceará. O Programa Cidade 190 mostra a realidade das ruas como ela é e, por isso, estar cada vez mais perto da população.  Dessa forma, está presente nos bairros de Fortaleza e leva a População mais carente a oportunidade de falar de reivindicar e de lutar pelos direitos, usando a televisão como instrumento .
Os apresentadores marcam presença toda semana em um bairro da nossa Cidade e escutam  o grito de socorro da população. Além de informação, o Programa Cidade 190 também tem Promoção. É o Telespectador Premiado que, toda semana, sorteia prêmios para as pessoas que participaram. 





Fontes: Bibliografia GIRÃO, Blanchard. Patriolino Ribeiro: um desbravador de caminhos. Fortaleza: ABC Editora, 2003, http://www.telehistoria.com.br e http://www.tvcidadefortaleza.com.br