Fortaleza, uma cidade em TrAnSfOrMaÇãO!!!


Blog sobre essa linda cidade, com suas praias maravilhosas, seu povo acolhedor e seus bairros históricos.


terça-feira, 26 de março de 2013

Rede de Viação Cearense (RVC) - O Ceará nos trilhos


Ícone de esboçoOs trens estabelecem os caminhos do progresso cearense, provocam mudanças na sociedade e criam uma nova paisagem. 

RVC - Mapa de 1924 com as estradas existentes e as planejadas

Locomotiva Ifocs de 1922, uma das máquinas mais possantes que rodavam nos trilhos cearenses. Arquivo Diário do Nordeste

A primeira concessão para a construção de estradas de ferro no Ceará deu-se com um decreto de 1857, em um empreendimento que deveria construir e explorar uma via férrea a qual, partindo de Camocim e imediações de Granja, seguiria para o Ipu, passando por Sobral. Um projeto arquivado. Outro marco da história ferroviária cearense data de 1968, quando foi apresentado o projeto de uma linha ferroviária ligando Fortaleza à vila de Pacatuba, com um ramal para a cidade de Maranguape. Outro projeto que não saiu do papel.

Inauguração da Estação de Cangaty em 8 de dezembro de 1890 (atual Caio Prado). Arquivo Diário do Nordeste

Só dois anos depois, nasceria o projeto da primeira estrada de ferro construída no Ceará, a Via Férrea de Baturité. E, em 13 de março de 1873, chegavam a Fortaleza as primeiras locomotivas, desembarcadas no trapiche do Poço das Dragas (antigo porto). “O prédio da estação ainda estava em obras quando recebeu as máquinas à vapor que, sendo arrastadas por tração animal com a afixação de trilhos portáteis, foram transformadas num show de apresentação, ao desfilarem pela Rua da Ponte (Alberto Nepomuceno) e Travessa das Flores (Castro e Silva) até a Praça da Estação. (Trecho do livro Estradas de Ferro no Ceará” de Assis Lima e José Hamilton Pereira)

Vista panorâmica da Estação e cidade de Baturité. Foram os atrativos do Maciço que motivaram a primeira Estrada de Ferro no Ceará. Arquivo Diário do Nordeste

Estação Professor João Felipe logo depois de sua inauguração, em 1888. Arquivo Diário do Nordeste

Um novo “espetáculo” aconteceu cinco meses depois, quando a locomotiva A Fortaleza rodou cinco vezes - desta vez com os próprios motores - da Estação Central até a parada Chico Manoel, no Cruzamento das Trincheiras, atual Liberato Barroso. O primeiro trecho da ferrovia, ligando o Centro ao Distrito de Arronches (Parangaba), ficou pronto em setembro de 1873, quando, com restrições, uma locomotiva e alguns vagões chegaram, pela primeira vez, a Parangaba.

Lideranças políticas reunidas na Estação de Missão Velha, em 1926, com o objetivo de preparar uma estratégia para combater a Coluna Prestes. Arquivo Diário do Nordeste

A estação de Crateús foi inaugurada em 12 de 12 de 1912. Arquivo Diário do Nordeste

Em seguida, foram inauguradas as estações de Mondubim, Maranguape e Maracanaú (1875) e Monguba e Pacatuba (1876). O governo imperial encampou a ferrovia em 1878 e estabeleceu algumas mudanças no projeto original, além de ordenar a construção de uma nova estrada ligando o porto de Camocim até Sobral e o início dos estudos para a construção da nova estação central, que seria inaugurada em 1880.

Uma cena de 1888: Ernesto Lassanse, diretor da EFB, e Caio Prado, presidente do Ceará, ao lado de uma das locomotivas da EFB. Arquivo Diário do Nordeste

Estação de Juazeiro do Norte era a segunda maior em movimentação de passageiros. Arquivo Diário do Nordeste

Ícone de esboçoSobrou pouco no CearáÍcone de esboço

A ferrovia chegou ao Ceará na época do Império. Em 1870 foi fundada a Companhia da Via Férrea de Baturité, que ligaria a capital, Fortaleza, à serra. 

O trem chegou a Baturité dez anos depois, em 1882, ainda sob o reinado de D. Pedro II, cujo retrato feito naquele ano por Descartes Gadelha, está até hoje conservado no prédio da estação. Nesta mesma época, iniciava-se a construção da  Estrada de Ferro Sobral.

Estação de Sobral - Acervo Silveira Rocha


Em 1919, as obras de  expansão das duas ferrovias cearenses viraram frente de trabalho para os flagelados da grande seca que se abateu sobre a região. As duas estradas de ferro,  desde 1915 unificadas na Rede de Viação Cearense, passaram a ser subordinadas à Inspetoria Federal de Obras contra a Seca (Ifocs). Em 1920, 12.850 operários estavam envolvidos na construção da ferrovia, inclusive velhos e crianças que pouco podiam ajudar no trabalho.
Quando as primeiras máquinas diesel começaram a operar no Ceará, em 1949, a RVC tinha um total de 86 locomotivas a vapor, todas operacionais. Hoje, restam apenas três destas locomotivas e só duas permanecem no Ceará. As outras 83 máquinas foram cortadas e vendidas como sucata, nos anos 60, em nome da modernidade.

(Foto ao lado:A máquina de Baturité foi salva pelo esquecimento).

Em Fortaleza, ficou uma Alco 0-4-0T de manobra da antiga Rede de Viação Cearense.  Ela ganhou tender e o tanque foi preenchido com areia para aumentar a aderência e tracionar cargas maiores. Rodou até 1964, puxando o "Trem dos Operários", que ia da Estação Central de Fortaleza até Urubu (atual Demósthenes Rochert), onde havia oficinas, escola e a vila operária da ferrovia. Há dúvidas quanto a data de fabricação desta locomotiva.

A estação de Baturité conserva até hoje um raro retrato a óleo de D. Pedro II em uniforme militar, datado de 1882.   Foto Revista Ferroviária

Na placa da porta dianteira da caldeira está o ano de 1912,  mas registros da Alco indicam que a RVC recebeu apenas um lote de seis 0-4-0T todas fabricadas em 1921.
A segunda locomotiva que restou no Ceará está na Estação de Baturité,  a 105 km de Fortaleza. Sem nenhuma placa, tudo indica que ela, também 0-4-0, pertença ao mesmo lote da Alco de 1921. Esta máquina ficou décadas esquecida enterrada, na Pedreira Monguba, a 29 km de Fortaleza. Mas foi justamente este desleixo que acabou por salvá-la da destruição, quando foi descoberta  em 1982.

 Estação Ferroviária de Baturité em meados de 1920. Autor: Ralph Mennucci Giesbrecht

Ícone de esboçoEstrada de Ferro de BaturitéÍcone de esboço

A EFB foi fruto da sociedade surgida no dia 5 de março de 1870, entre o Senador Tomás Pompeu de Sousa Brasil, Gonçalo Batista Vieira (Barão de Aquiraz), Joaquim da Cunha Freire (Barão de Ibiapaba), o negociante inglês Henrique Brocklehurst e o engenheiro civil José Pompeu de Albuquerque Cavalcante.
O objetivo era o escoamento da produção serrana em Pacatuba e Maranguape para o Porto de Fortaleza. Após a assinatura do contrato de construção da ferrovia entre a Companhia e o Governo Provincial do Ceará o projeto passou a ter como ponto final à cidade de Baturité, produtora de café.

A estação de Baturité em 2002. Foto João Carlos Reis Pinto

A estação central, atualmente Estação João Felipe foi erguida ao lado do antigo Cemitério de São Casimiro. A função do cemitério foi transferido para o Cemitério São João Batista e sob esse foi construído o escritório central e as oficinas.

Escritório central construído no terreno do antigo Cemitério - Arquivo do Blog Ceará Nobre

Os trilhos do primeiro trecho, de 7,20 km, começaram a ser assentados em 1 de julho de 1873, sendo entregue ao tráfego em 14 de setembro de 1873. Apesar de a inauguração deste trecho só ter ocorrido em 29 de novembro do mesmo ano e a estação central foi inaugurada no dia seguinte, 30 de novembro. As estações de Mondubim e Maracanaú foram inauguradas em 14 de janeiro de 1875 e a de Pacatuba em 9 de janeiro de 1876. A situação financeira da companhia ficou ruim durante a seca entre 1877 e 1879 e as obras foram paralisadas. O Governo Imperial, através do Decreto no 6.918, de 1 de junho de 1878, assumindo a parte construída da ferrovia e os direitos da Companhia de prolongar os caminhos de ferro até o município de Baturité. Em 1910 a Estrada de Ferro de Baturité foi somada a Estrada de Ferro de Sobral criando a Rede de Viação Cearense.

A estação de Baturité em 2005. Foto Itamar Lima

A Estrada de ferro de Baturité ligou a Capital ao sul do estado, até o Cariri. A Rede de Viação Cearense - RVC - em 1975 foi incorporada a Rede Ferroviária Federal e finalmente foi privatizada em 1997 passando então para o domínio da empresa "Companhia Ferroviária do Nordeste" atual Transnordestina Logística S.A.
Ainda no transporte ferroviário existem dois sistemas de metrô no Ceará. O Metrofor, que é o metrô de Fortaleza interligando vários bairros da cidade e também as cidades de Maracanaú e Caucaia e o Metrô do Cariri que interliga as cidades do Crato e Juazeiro do Norte. Estes dois metrôs têm projetos para expansão de suas linhas.

Rede de Viação Cearense - Arquivo Assis de Lima

Alguns Fatos Históricos

Ícone de esboçoEm 1875, é inaugurado o primeiro grande trecho da Companhia Cearense da Via Férrea de Baturité, depois Estrada de Ferro de Baturité - EFB, depois Rede de Viação Cearense - RVC que foi subordinada à Inspetoria Federal de Obras Contra as Secas - IFOCS (hoje DNOCS). Teve ligação com Sobral e Campina Grande em 1957; passa a ser subordinada ao Departamento Nacional de Estradas de Ferro em 1941 e em 1957 a fazer parte da Rede Ferroviária Federal S. A. - RFFSA.
Atualmente denomina-se Companhia Ferroviária do Nordeste - CFN.

Ícone de esboço03/fevereiro/1910 - A Estrada de Ferro de Baturité - EFB, que vinha sendo administrada por Novis & Porto, passa a ser administrada pela firma South American Railway Construction Company Limited - Sarccol, passando a ter na direção os engenheiros Francis Reginald Hull (Mr. Hull), William Huggins e J. Lorimer e passando a denominar-se Rede de Viação Cearense - RVC.

Ícone de esboço01/setembro/1915 - O Governo da União assume a direção da Rede de Viação Cearense - RVC, com o engenheiro Enrique Eduardo Couto Fernandes, em substituição aos administradores da South American.

Ícone de esboço06/abril/1920 -A Rede de Viação Cearense - RVC passa a ser administrada pela Inspetoria Federal de Obras Contra as Secas - IFOCS, hoje Departamento Nacional de Obras Contra as Secas - DNOCS, em função da construção das grandes barragens do Nordeste, obedecendo ao Aviso nº oito.

Ícone de esboço05/abril/1924 - A Rede de Viação Cearense - RVC deixa de ser subordinada ao IFOCS e volta à jurisdição do Ministério da Viação, em virtude do Aviso nº 150G.

Ícone de esboço04/outubro/1930 - São inauguradas, no bairro do Urubu, as oficinas da Rede de Viação Cearense - RVC, construída pela firma Alfredo Dolabela Portela.
Depois foi Oficina Demóstenes Rockert (1951).

Ícone de esboço22/novembro/1951 - Criado, pela Lei nº 1153, o distrito de Mondubim, hoje bairro.
Até então era um lugarejo nascido da estação de trem da antiga Estrada de Ferro de Baturité, depois Rede de Viação Cearense - RVC e, posteriormente, Rede Ferroviária Federal Sociedade Anônima - RFFSA.

Ícone de esboço01/janeiro/1963 - A Rede de Viação Cearense - RVC, antiga Estrada de Ferro de Baturité - EFB depois Rede Ferroviária Federal Sociedade Anônima - RFFSA, aposenta definitivamente as locomotivas Maria Fumaça, ficando somente com as máquinas movidas a óleo diesel.

Ícone de esboço13/novembro/1961 - Paralisação do tráfego da RVC, tendo o superintendente desta, gen. Humberto Moura, declarado que não se tratava de uma greve, mas de um motim.
Já, os chefes do movimento afirmaram que só voltariam ao serviço quando aquele dirigente saísse.

Saiba Mais

A Rede de Viação Cearense (RVC) foi a empresa ferroviária que fundiu a Estrada de Ferro de Baturité e Estrada de Ferro de Sobral com planos de expandir a rede por todo estado do Ceará.
Esteve arrendada à South American Railway Company desde 1909, e em 1915 passou para administração federal.
Em 1957 passou a ser uma das subsidiárias da Rede Ferroviária Federal (RFFSA) e em 1975 foi absorvida.


traitht.gif (20556 bytes)Crédito: Revista Ferroviária, Wikipédia, Estações Ferroviárias, Diário do Nordeste (Délio Rocha), Livro “Estradas de Ferro no Ceará” de Assis Lima e José Hamilton Pereira, livro Cronologia Ilustrada de Fortaleza de Miguel Ângelo de Azevedo e Revista do Instituto do Ceará (Histórico, Geográfico e Antropológico) de 1981


domingo, 17 de março de 2013

Igreja Nossa Senhora da Saúde - Oito décadas de existência



Igreja Nossa Senhora da Saúde, que após a construção da atual matriz, recebeu o nome de Igreja de São Pedro dos Pescadores. Foto da década de 30 - Acervo Carlos Juaçaba 


A Igreja Nossa Senhora da Saúde foi fundada pela própria comunidade de pescadores do Mucuripe. O padre José Nilson marcou a história do bairro por causa da relação próxima com a comunidade e da luta pelas melhorias do local.


"No século XVIII os moradores do local sofreram com a peste bubônica. Uma senhora do Rio de Janeiro trouxe a imagem de uma santa e eles rezaram pela cura. Passado o surto, foi creditado o fim do mal à santa e construíram uma capela em devoção a ela”, conta Rita Cosmo dos Santos, secretária da Paróquia de Nossa Senhora da Saúde há 27 anos.

Igreja Nossa Senhora da Saúde, que após a construção da atual matriz, recebeu o nome de Igreja de São Pedro dos Pescadores - Cena do filme Quatro Homens e uma jangada de 1942

A primeira capela da Paróquia, erguida no Morro do Teixeira, foi soterrada pelas dunas. Em 1852, os moradores se mobilizaram e construíram um novo templo, agora, às margens da praia (Hoje é a Igreja de São Pedro). Mas, em 1932, por problemas estruturais, o prédio foi interditado.


As novenas da Igreja Nossa Senhora da Saúde

Alunos do Instituto de Humanidades visitam a capela de Nossa Senhora da Saúde no Mucuripe em 1913. Acervo - Nilson Cruz

Por conta disso, a comunidade erigiu nova igreja que permanece como matriz na Avenida da Abolição. Raimunda dos Santos, a Mundinha, 88 anos, participou da obra: “As mulheres e crianças recolhiam pedras próximas ao antigo farol e levavam para a construção. Ajudei a carregar as pedras para o alicerce”, conta.


Igreja Nossa Senhora da Saúde, que após a construção da atual matriz, recebeu o nome de Igreja de São Pedro dos Pescadores - Imagem de 1942

Em 1937, a então Igreja de Nossa Senhora da Saúde (Igreja de São Pedro) reabriu e, no último mês de dezembro, a igrejinha foi tombada como Patrimônio Material do Município.


O sempre querido Pe José Nilson - Acervo do Mucuripe Padre José Nilson de Oliveira Lima

Conforme Pe Alderi, “A igreja foi feita pela comunidade em mutirão. As mulheres traziam muitas carradas de areia”.
Durante cerca de 50 anos, quem esteve à frente da comunidade foi o Padre José Nilson de Oliveira Lima, falecido há dois anos.


Acervo do Mucuripe Padre José Nilson de Oliveira Lima

Esquecimento

Conforme conta o padre Alderi, antes da chegada do antigo pároco, a comunidade do Mucuripe era esquecida e nenhum religioso ficava mais de dois anos no comando da paróquia. Em maio de 1950, padre Zé Nilson foi enviado ao Mucuripe por Dom Antônio de Almeida Lustosa, com a previsão de ficar somente dois anos, como seus antecessores. No entanto, o religioso acabou ficando por 50 anos na defesa da comunidade. “Ele estava sempre junto aos pescadores. Pescava com eles e escutava suas histórias”, revela o padre Alderi.


O querido Pe José Nilson-Acervo do Mucuripe Padre José Nilson de Oliveira Lima

Um símbolo da interação entre pároco e comunidade era uma das histórias sempre contadas por Pe José Nilson. De acordo com padre Alderi, certa vez, José Nilson recebeu um presente inusitado de uma das paroquianas: um tijolo. Conforme a história, o padre estaria preocupado em ampliar a igreja, mas não sabia como. Então, ao entregar o presente, a senhora teria dito que aquele seria o primeiro tijolo para a reforma. “Aquilo foi um estímulo para a vida dele”, revela Alderi.

Cruzes no Morro do Teixeira - Cena do filme Quatro Homens e uma jangada de 1942

Senta que lá vem história...


Cortejo indo em direção ao Morro do Teixeira -Cena do filme Quatro Homens e uma jangada de 1942

A devoção a nossa senhora da saúde no Mucuripe é, sem dúvida um ato de fé. Conta a história que corre de boca em boca, pelos antigos moradores, que no século XVIII Fortaleza sofria os horrores da peste bubônica e no Mucuripe a doença fez tantas vítimas que não dando tempo de enterrá-las no Cemitério São João Batista, devido à distância, passaram a sepultá-las nos morros, principalmente no do Teixeira. A dor dos habitantes, pela perda dos entes queridos, não podia mais ser avaliada, quando chegou ao bairro uma senhora vinda do Rio de Janeiro com uma pequena imagem de Nossa Senhora (não identificada pelos depoimentos dos moradores)

Enterro no Morro do Teixeira - Cena do filme Quatro Homens e uma jangada de 1942

Diante do desespero das famílias e do quadro desolador que via à frente, ela implorou a Nossa Senhora da Saúde a cura do mal. Em troca prometeu construir uma capela para que todos pudessem agradecer a graça concedida. A peste foi em pouco tempo debelada e assim foi erguida a primeira capela de Nossa Senhora da Saúde, no Morro do Teixeira. Iniciando assim o novenário sendo celebrado com grande festa, nos dias 29 de agosto até o dia 08 de setembro. Com o tempo, a capela foi soterrada pela areia e os moradores construíram outra capela em homenagem a Nossa Senhora da Saúde, que teve sua Pedra fundamental lançada no 1º de agosto de 1852. (hoje é capela de São Pedro, na Avenida Beira mar). 


Com a quantidade dos fieis aumentando, não se sabe ao certo, mas surgiu um desentendimento entre a comunidade e as autoridades eclesiásticas, provavelmente devido à administração dos rendimentos e da dedicação quase fanática à pequenina imagem que ali era venerada. Com efeito, o arcebispo Dom Manuel anunciou a interdição da igreja (a capela foi interditada em 11 de dezembro de 1930). Quando foram pegar a imagem para levá-la a Catedral de São José (Igreja da Sé) esta havia desaparecido sem se conhecer seu paradeiro por um longo tempo. 

Com a interdição da capela, as missas passaram a ser celebradas em frente à casa do senhor Pedro Rufino, pai de dona Nicota. Nesse período surgiu a necessidade de uma igreja maior, pois quanto mais surgiam dificuldades mais o povo demonstrava sua fé e esperança. 


Igreja Nossa Senhora da Saúde anos 50 - Acervo Nara Gabrielle


Foto da década 60/70 - Acervo do Mucuripe Padre José Nilson de Oliveira Lima

No dia 29 de junho de 1931, foi lançada a pedra fundamental da atual Igreja de Nossa Senhora da Saúdecerimônia oficiada pelo monsenhor Otávio de Castro. Seu primeiro vigário foi o padre Luís Braga Rocha, que só assumiria em 8 de setembro. 


O primeiro vigário da igreja, foi o padre Luís Braga Rocha - Arquivo Revista Central

Iniciaram assim em regime de mutirão a construção da Igreja-Matriz, onde os moradores chegaram a carregar pedras na cabeça para auxiliar a construção. A obra levou quatro anos para ficar pronta inclusive com a Casa Paroquial, hoje secretaria paroquial, de frente para o mar, com sua frente virada para a Avenida Abolição, sendo abençoada uma nova e maior imagem da virgem a 06 de setembro do mesmo ano, imagem que continua na igreja até hoje. A pequenina imagem, a original, que ficou desaparecida por anos, foi devolvida, restaurada e colocada aos pés da imagem de Jesus ressuscitado no altar mor da Igreja.




Parquinho que todo ano fica instalado na Praça da Igreja

Fatos Históricos

11/Dezembro/1930 - Por decreto desta data, o Arcebispo D. Manuel da Silva Gomes declara interditada a capela do Mucuripe e excomungados os indivíduos que arrombaram a porta do referido templo e dele retiraram a imagem de Nossa Senhora da Saúde.

29/junho/1931 - Lançada a pedra fundamental da Capela de Nossa Senhora da Saúde, na Volta da Jurema, cerimônia oficiada pelo monsenhor Otávio de Castro.

29/agosto/1931 - Criada a Paróquia de Nossa Senhora da Saúde do Mucuripe, cujo primeiro vigário foi o padre Luís Braga Rocha, que só assumiria em 8 de setembro.

01/Agosto/1957 - Reaparece, tão misteriosamente como havia desaparecido há 30 anos, da Igreja do Mucuripe, a imagem de Nossa Senhora da Saúde.




29/setembro/1972 - Tem novo nome a antiga Praça Nossa Senhora da Saúde, depois Praça Adolfo Silveira Lima, e Praça da Saúde, que pela Lei nº 4.056, publicada no Diário Oficial do Município, passa a denominar-se Praça da Confiança na gestão do prefeito, engenheiro Vicente Cavalcante Fialho (Vicente Fialho).
A praça fica no bairro do Mucuripe, rodeada pela Avenida da Abolição, Rua Manuel Jesuíno, Rua Nossa Senhora da Saúde e uma travessa sem nome.
É a praça que tem no centro a Igreja de Nossa Senhora da Saúde.
O novo nome é uma homenagem ao Governo Estadual, que tem à frente o engenheiro César Cals de Oliveira Filho.


Ex-presidente Bill Clinton, esteve em Fortaleza em agosto de 2012, comprou artesanato na Praça da Confiança (antiga Praça Nossa Senhora da Saúde) no Mucuripe

Feira de artesanato na Praça da Confiança (antiga Praça Nossa Senhora da Saúde) no Mucuripe

11/março/2000 - O padre José Nilson de Oliveira Lima, da Comunidade do Mucuripe, recebe o título de Cidadão de Fortaleza, em solenidade realizada na Igreja de Nossa Senhora da Saúde.


Acervo do Mucuripe Padre José Nilson de Oliveira Lima


15/04/2010 - O padre José Nilson faleceu aos 88 anos, vítima de falência múltiplas dos órgãos. Era vigário da Igreja Nossa Senhora da Saúde desde 1950.


Foto Joserley Carlos

Igreja Nossa Senhora da Saúde

Av. da Abolição, 3929
Mucuripe, Fortaleza – CE
CEP: 60165-082
(85) 3263-1538



 Fontes: Blog da Igreja, Revista do Instituto do Ceará (Histórico, Geográfico e Antropológico) de 1955 e o de 1991, Livro Cronologia Ilustrada de Fortaleza de Miguel Ângelo de Azevedo, Jornal Diário do Nordeste, Site da Arquidiocese de Fortaleza e jornal O Povo