Fortaleza Nobre | Resgatando a Fortaleza antiga : Forte de Schoonemborch
Fortaleza, uma cidade em TrAnSfOrMaÇãO!!!


Blog sobre essa linda cidade, com suas praias maravilhosas, seu povo acolhedor e seus bairros históricos.
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domingo, 13 de abril de 2014

Especial Fortaleza 288 Anos - Amor de pesquisador



MINHA FORTALEZA

Parabéns Fortaleza Minha
Tua memória não morrerá
O pesquisador te abraçará
Nunca ficarás sozinha

                                Assis Lima

"Objetivando criar uma feitoria na Índia (Ásia), e garantir domínio português, foi organizada por Portugal uma respeitável esquadra com 13 navios e 1.500 homens, sob o comando de Pedro Álvares Cabral e que, deveria respeitar o TRATADO DE TORDESILHAS assinado entre Portugal e a Espanha. Havia limites aos territórios que a partir de então fossem descobertos pelos dois países, onde fora estabelecido uma linha imaginária em que, 370 léguas ao oeste do arquipélago de Cabo Verde ficariam com a Espanha e a leste seria de Portugal.

A Europa tomou conhecimento da existência do Brasil, quando em 2 de janeiro de 1500, o olhar pioneiro do navegador espanhol Vicente Ianez de Pinzon captou as dunas do que seria o Siará Grande, porém, devido ao tratado de 1494, a descoberta oficial devia ser dos portugueses, coisa que só aconteceria na Bahia aos 22 de abril de 1500. Pedro Álvares Cabral que, não era bom navegador, mas, era Cavaleiro da Ordem de Cristo comandava a esquadra portuguesa, que além da missão de estabelecer uma rota comercial com a Índia, ele deveria no caminho desviar-se para a direita no Oceano Atlântico, e foi quando chegou ao litoral do Novo Mundo.

A principio as novas terras não despertaram muito interesse, porém, para garantir aos portugueses a posse da terra diante da ameaça representada pela presença dos navios estrangeiros, a partir de 1530 foi resolvida a colonização do Novo Mundo, através de um Governador Geral e a criação das capitanias hereditárias, cuja do Ceará, foi entregue ao donatário Antonio Cardoso de Barros que, nem chegou a tomar posse. 

Naquele momento, a coroa portuguesa estava concentrada nas riquezas asiáticas e africanas, porém, no litoral descoberto, a presença do Pau-brasil da qual se extraia tintura para tecidos, oferecia uma das poucas possibilidades de exploração econômica para os comerciantes portugueses. Portugal logo estabeleceria o monopólio real sobre essa riqueza e, arrendou o direito de exploração a um grupo de comerciantes portugueses, liderado por Fernando de Noronha. Nasceu assim o bonito nome BRASIL, a terra mais rica do mundo.

Como pesquisador curioso, quero Através deste opúsculo revelar um erro que, se comete com a nossa história. Cristóvão Colombo (italiano de Gênova) saiu e no caminho com um maremoto não sabia mais para onde ia; quando chegou não sabia onde estava e, quando voltou não soube onde esteve. Estando na América em outubro de 1492 pensou estar na Índia. Assim os verdadeiros nativos americanos, erroneamente foram chamados de índios. 

Voltemos ao Vicente Pinzon. Tomás Pompeu Sobrinho e outros historiadores renomados afirmaram ser: “O Cabo de Santa Maria de La consolacion, o Rostro Hermoso era a Ponta Grossa ou, Jabarana no Município de Aracati. Já o historiador Francisco Adolfo de Varnhagem defende que, o local visitado pelos espanhóis era a Ponta do Macorie, nome este encontrado no mapa das capitanias hereditárias em 1574. Posteriormente a nomenclatura Macorie sofreu modificações terminando em MocoripeMucuripe
José de Alencar, o romancista diz que, essa palavra vem de Corib “Alegrar” e Mo vem do verbo Monhang, tornando o ativo passivo. Talvez Alencar referiu-se aos morros, por ter causado alegria aos navegantes. Alencar concordou com os estudos, ratificando as conclusões de Adolfo Varnhagem.

Em 1603, Pero Coelho de Souza, português natural de Açores, munido da bandeira de Capitão-mor, chegando ao Ceará, não conseguiu se instalar no Rostro Hermoso tendo em vista, os nativos oferecerem resistência. Os habitantes primitivos da provável ponta do Mucuripe, aos poucos foram sendo dominados pelos invasores e, com a imposição da cultura lusa, esse povoado foi se adaptando à civilização, porém, por amor aos morros, ao navegável riacho Maceió e a calma oferecida pelo iodado vento leste, preferiram viver isoladamente, tendo a Caça e Pesca como produtos de consumo e exportação. 


Aos 20 de janeiro de 1612, Martins Soares Moreno nas margens do Rio Siará, (Barra do Ceará), fundou o Forte São Sebastião*, mas a cidade só se expandiu com o estabelecimento da ocupação holandesa, que levou Matias Beck a construir na margem esquerda do Rio Pajeú, no monte Marajaituba (próximo a Santa Casa e Passeio Público) um Forte que, recebeu o nome de Schoonemborch, como homenagem ao holandês Governador de Pernambuco

Aos 13 de abril de 1726, por Ordem Régia foi instalada pelo Capitão-mor Manuel Francês a Vila da Fortaleza de Nossa Senhora da Assunção do Siará Grande e, assim começou a crescer a Loura de Sol e Branca dos Luares, embora eu concorde com o historiador Raimundo Girão que, a data seja 10 de abril de 1649, com o erguimento do Forte. Esse mais de meio século excluído, já foi motivo de polêmicas política a e religiosa, pois, a Coroa portuguesa não admitia Fortaleza ser fundada por Matias Beck, que era holandês e Protestante (Calvinista). Com a expulsão dos holandeses em 1654, no local do Forte Schoonemborch, foi construído a Fortaleza de Nossa Senhora da Assunção, que dá nome a Cidade. 

Seja como for, é notório o engano de se comemorar a festa de Fortaleza, por um ato da Corte, e não porque a cidade nasceu. 

Hoje quando se fala na história de nossa querida Cidade, todos correm para o Forte ao lado da 10ª Região militar, para o Passeio Público, Praça do Ferreira... Falam da existência da Coluna da Hora, Velha Intendência, Abrigo Central, os Coretos, Jardins, e bancos que até eram nomeados. Tinham na Praça do Boticário quatro cafés: Do Comércio, Elegante, Iracema e o Java

É sempre lembrado no começo de cada mês de abril, o Cajueiro da Mentira
Os cines Polytheama, Majestic, Moderno, Diogo, São Luiz, o Rex, Jangada, Art.
No Bairro Farias Brito (Otávio Bonfim) tinha na Rua Teófilo Gurgel o Cine Nazaré; quando foi fechado aumentou a frequência do Cine familiar já na Praça do Bairro ao lado da Igreja Matriz. Em Parangaba tinha o Cine Tupinambá, sem esquecer o Atapu, e o de São Gerardo dentre outros. 

Os saudosistas recordam com tristeza, ao contemplar as transformações paisagísticas por conta da realidade, abominando os crimes contra a memória, que se opõem à sua geografia sentimental. 
Cadê os bondes da Tramway? Os ônibus do Oscar Pedreira instalados em 1928 desapareceram, juntamente com aVila Quinquinha e a casa do Pedro Philomeno, mansões que se situavam no inicio da Avenida Francisco Sá. Onde foram parar os ônibus elétricos da CTC que, com nove carros atendiam a demanda das Avenidas Bezerra de Menezes e João Pessoa? Por que derrubaram a Vila Itapuca na Rua Guilherme Rocha, a Fênix Caixeiral e o Edifício Guarany (Rádio Iracema) na Praça José de Alencar?

Fortaleza já foi palco de diversos acontecimentos cívicos e políticos, classificado como anarquia. Até já se vaiou o sol na Praça do Ferreira, no dia 30 de janeiro de 1942. 
É uma cidade que deixou para trás a presença de personagens populares. Ao paginarmos esta história encontramos oBembém da Garapeira, Chagas dos Carneiros”, “Manezinho do Bispo”, “José Levi”, “Pilombeta”, “Maria Rosa, a velha escrava”, “Pedro da Jumenta” e até mesmo o carisma que foi dispensado ao adestrado “Bode Iôiô”. Em um passado próximo tínhamos oPedão da Bananada”, “Feijão Sem Banha”, o “Burra Preta”, “Zé TáTá”, o “De Menor”,o “Deixa que eu Empurro” , “Bodinho Jornaleiro”, “José do Buzo”, “Coronel dos Bodes”, “O Waldo do Café”, “ O homem do facão”, “Casaca de Urubu, o cobrador”, “José de Sales, bandolinista”, “A Ferrugem”, “Maria Pavão”, “O furacão preto”, “Chico Tripa”, Zé Batata”, “O Cheiroso da Pipoca”, “O Fedorento do Picolé”, “Chapéu de Ferro”, “O Xaveta”, “O Boi sem Osso, e tantos que os anos carregaram. 
Fortaleza era o Xen-iem-iem do saudoso radialista Wilson Machado.


Fortaleza tinha de tudo, e não foi por conta do advento dos planos urbanísticos e projetos de remodelação e aformoseamento. Mesmo recebendo novas técnicas e mudanças de uso do solo, não consegue esconder a segregação, revelando-se uma cidade real com situação desigual. É luxo, é lixo. Com esse crescimento desordenado, vão surgindo áreas de risco. Em locais que outrora fora ocupados por residências estão transformados em comércio, onde, diga-se de passagem, não oferece o menor conforto. O Shopping do Camelô que, por ocupar uma área não urbanizada, recebeu como herança o nome da própria vilela: Beco da Poeira.
Todo fortalezense se orgulha pelo que ainda resta no Centro, pelas belas praias, a ponte dos Ingleses e Estoril. Cantam com orgulho seu hino, e participam civicamente dos festejos alusivos a todos 13 de abril desde 1726.
Bem que podíamos fazer um bolo maior e aumentar o número velinhas...."

Francisco de Assis Silva de Lima


Meu querido amigo e colaborador do Fortaleza Nobre, Assis Lima, é radialista Profissional Registrado e Sindicalizado, Sócio da ACI e Pesquisador.


*Interessante salientar que o nome do Forte São Sebastião não consta em nenhum documento português (Luso), apenas em documentos Neerlandeses. Ao invés disso, encontramos o "Forte do Siara". Os lusos o chamam de Forte do Siara/Seara.  Crédito: J Terto de Amorim


sábado, 26 de novembro de 2011

Comando da 10ª Região Militar - Forte de Schoonemborch

Pormenor da Vila de Nossa Senhora da Assunção (1730). No canto superior direito, o primitivo forte de Nossa Senhora da Assunção, em faxina e terra.

As origens deste sítio histórico remontam ao ano de 1649, quando o holandês Matias Beck fundou o forte de Schoonemborch.
Em 1654 os portugueses reconquistaram o local e nele construíram o Forte de Nossa Senhora da Assunção.
Em 1817 o Forte daria origem à histórica Fortaleza de Nossa Senhora da Assunção, obra do tenente-coronel Antônio José da Silva Paulet.
Desde 1948 o Exército Brasileiro aqui instalou a sede do Comando da 10ª Região Militar.



O Quartel no séc. XX - 10ª Região Militar - Nirez

Todos os historiadores são unânimes em afirmar que Fortaleza teve início com a construção do Forte Schoonemborch, assim denominado em homenagem ao Governador de Pernambuco e Presidente do Alto Conselho Administrativo da Holanda no Brasil.

Em 03 de abril de 1649, Matias Beck (holandês) aportou à enseada do Mucuripe, com 3 iates e 2 barcos, transportando 298 homens.



Pátio da  Fortaleza de Nossa Senhora da Assunção, o começo de tudo! - Nirez

Daí passou a explorar a costa até a barra do rio Ceará, com o fim de escolher um local para construir um forte. A colina situada à margem esquerda do Pajeú e denominada Marujaitiba pelos indígenas foi o local escolhido. Em 09 de abril, 40 soldados iniciaram a limpeza do terreno, a fim de ser feito o traçado do forte pelo engenheiro Ricardo Caar.

No dia 22 estava concluída essa limpeza. Iniciou-se então a sua construção. Era pequeno e construído de madeira, estacas de carnaúba e terra. Tinha a forma pentagonal, cercado de parapeito e paliçada. Posteriormente, Matias Beck ampliou e reforçou as abras de defesa, de acordo com a planta feita pelo engenheiro Caar. Essa ampliação foi iniciada em 19 de agosto de 1649.



Foto antiga do quartel (Quando abrigada o 9º Batalhão) - Não datada - Assis de Lima

De início foi armado com 11 peças de ferro e guarnecido com 40 homens. Em 1654, em consequência da derrota sofrida pelos holandeses na província de Pernambuco, Matias Beck foi obrigado a entregar o Forte aos portugueses, e o fez ao Capitão-Mor Álvaro de Azevedo Barreto, fato ocorrido em 20 de maio de 1654.

Ao receber o forte, o capitão Álvaro mudou-lhe o nome para FORTALEZA DE NOSSA SENHORA DA ASSUNÇÃO. Ao redor da Fortaleza, pobremente edificadas, erguiam-se choupana e palhoças, abrigos dos primeiros habitantes da cidade que nascia. Nessa época, Álvaro de Azevedo Barreto fez reparos no forte e deu início à construção de uma capela.




postal raro, Forte no início do séc XX

Em 1655, o Capitão Álvaro foi substituído no Comando do forte por Domingos de Sá Barbosa. Por Carta Régia de 27 de julho de 1656, foi autorizado a André Vidal de Negreiros, então Governador do Maranhão, ao qual estava subordinado o CEARÁ, construir um forte de pedra e cal, ou mesmo de madeira de lei. No momento, não foi executada a construção, continuando o antigo forte na mesma situação de ruínas. De 1654 a 1812, esse forte foi ora por outra reparado. Entretanto, não sendo conservado nesse ano de 1812, desmoronou-se.



Como homenagem à data de aniversário do sereníssimo Senhor Príncipe da Beira, o Senhor Dom Pedro de Alcântara, em 12 de outubro de 1812, o Governador da Capitania do Ceará-Grande, Manoel Inácio de Sampaio, lançou a pedra fundamental da Fortaleza de Nossa Senhora da Assunção, no mesmo local onde fora construído o antigo Forte Holandês, denominado Schoonemborch, em 1649, então reduzido a uma Bateria em ruínas.

A sua planta foi organizada pelo Ten Cel de Engenharia Antônio José da Silva Paulet, tendo o mesmo dirigido sua construção. A FORTALEZA seria edificada num quadrado de 90 metros de cada lado, constando de 4 baluartes, com as seguintes denominações: o do norte, com a invocação de Nossa Senhora da Assunção; o do sudeste, com a invocação de São José; o do sudoeste, denominado Príncipe da Beira e o do nordeste, em homenagem a Dom João.




Em 1817, foi colocada na parte externa da muralha do norte uma lápide com a seguinte inscrição - em latim: 


"Ano de 1817. As naus escarneciam de mim, quando eu era um monte informe; agora, que sou uma grande Fortaleza, de longe tomam-se de respeito.

Aqui reinando Dom JOÃO VI, SAMPAIO me fundou bela, o engenho de PAULET resplandece. Os donativos dos cidadãos me tornam forte pelas muralhas, e os dispêndios reais me fazem forte pelas armas." 


Nota: - Essa lápide acha-se no Museu do Estado do Ceará.

De início, foi a Fortaleza guarnecida com canhões.

Em 17 de agosto de 1822, estavam concluídas as suas obras.

Era um quadrado com quatro baluartes e com 27 peças que cruzavam seus fogos em condições de baterem o ancoradouro e o Porto.

Em 1829, foram acrescidas mais quatro peças, fazendo um total de 31 peças. Em 1847, foi a FORTALEZA reconstruída devido ao seu mau estado, e, em 1856, foram feitos alguns reparos.



O quartel quando abrigava o 9º Batalhão - Foto feita do Passeio Público - Àlbum Vistas do Ceará 1908

Em 11 de fevereiro de 1857, a FORTALEZA passou à categoria das fortificações de 2ª classe e assim continuou até 1880.

Com os reparos e melhoramentos executados de 1856 a 1886 (30 anos), a FORTALEZA sofreu muitas modificações. Em 1860, o pavimento superior com emblema na porta externa frontal, contendo instrumentos de guerra e bandeiras nacionais, foi concluído. Em 1906, se bem que conservada, exigia alguns reparos urgentes.

Em 1910, a FORTALEZA foi desarmada.



Turma da Infantaria, tendo à frente os capitães Maia e Vale.74- Crédito da foto

Em 1917, na 1ª Grande Guerra Mundial, foi a FORTALEZA guarnecida pela 1ª Bateria Independente do 3º Distrito de Artilharia de Costa, sob o comando do Capitão Bernardino Chaves. Em fins de 1918, essa Bateria foi extinta.

O Quartel contíguo à FORTALEZA, que aquartelava tropa de infantaria, que guarnecia essa fortificação, foi ocupado pelo 46º Batalhão de Infantaria, depois pelo 23º Batalhão de Caçadores e hoje serve de sede do Comando da 10ª Região Militar.



Calabouço do forte, onde ficou presa a revolucionária Bárbara de Alencar da Revolução Pernambucana de 1817 e da Confederação do Equador.

Evolução Histórica

1649 - Forte de Schoonemborch
1654 - Forte de N. S. Assunção
1817 - Fortaleza de Nossa Senhora da Assunção
1860 - Construção da Fachada principal
1948 - Adaptação para Quartel General da 10ª RM


Foto de Antônio Sérgio





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