Fortaleza Nobre | Resgatando a Fortaleza antiga : Major Facundo
Fortaleza, uma cidade em TrAnSfOrMaÇãO!!!


Blog sobre essa linda cidade, com suas praias maravilhosas, seu povo acolhedor e seus bairros históricos.
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quinta-feira, 15 de julho de 2010

Passeio Público


Estamos na Avenida Caio Prado, que fica atualmente nos fundos do Passeio Público, aquela que dá para o lado do mar.
Foi iniciada, em 1864, a construção do Passeio Público no Largo da Fortaleza ou Campo da Pólvora, que era a primeira praça da povoação, na gestão do presidente da Província Dr. Fausto Augusto de Aguiar, compreendendo três planos, o atual e outros dois mais abaixo, hoje ocupados pela Avenida Leste-Oeste.
O Passeio Público já foi Campo da Pólvora, Largo da Fortaleza, Largo do Paiol, Largo do Hospital de Caridade, Praça da Misericórdia e, a partir de 03/04/1879, Praça dos Mártires. Teve dois nomes não oficiais: Campo da Pólvora (1870) e Passeio Público, pelo qual é hoje conhecido. A praça foi urbanizada em 1864.
Havia três planos em três níveis, destinados às classes rica, média e pobre. Por volta de 1879 as duas praças mais baixas foram desativadas e a atual foi dividida em três setores com a mesma finalidade, ficando os ricos com a avenida do lado da praia, a classe média com a do lado da Rua Dr. João Moreira e os pobres com a central. Foi nesta época que o passeio recebeu as bonitas grades de ferro que o rodeavam e que foram retiradas em 1939 e recentemente feitas novas de acordo com as antigas.
O nome de Praça dos Mártires é uma homenagem aos heróis tombados ali, pertencentes ao movimento República do Equador,
que foram bacamarteados: João Andrade Pessoa Anta, tenente-coronel Francisco Miguel Pereira Ibiapina, padre Gonçalo Inácio de Loiola Albuquerque e Melo Mororó, tenente de milícias Luís Inácio de Azevedo e o tenente-coronel Feliciano José da Silva Carapinima.
Na foto mais antiga(primeira), vemos no fundo o velho quartel do 9º Batalhão das Forças Federais ainda com apenas um andar; várias dezenas de combustores de iluminação a gás ladeando a avenida; em primeiro plano uma coluna encimada por uma esfinge, que dava acesso a uma escada que levava ao segundo plano; por trás, trecho da Fortaleza de Nossa Senhora da Assunção e de frente para o fotógrafo pessoas posando para a posteridade, podendo-se notar a maneira de vestir da época, quando todos, sem exceção, usavam chapéus, independente de idade, cor, credo ou condição social.
A segunda foto mostra o mesmo trecho hoje, quando o quartel abriga a 10ª Região Militar e já tem dois pavimentos, que não são vistos por estarem cobertos pelas copas das árvores. Os combustores presentes encimando a grade não são os mesmos antigos, mas novos, com luz elétrica.


Rua João Moreira - Antiga Rua da Misericórdia - Passeio Público

A atual Rua João Moreira já se chamou Rua Nova da Fortaleza, Rua da Misericórdia (por causa da Santa Casa), Rua General Tibúrcio e Rua nº 17.
Na foto antiga, que data de 1905, o fotógrafo está na calçada do Passeio Público, próximo à esquina da Rua João Moreira com a Rua Barão do Rio Branco, de costas para esta. Do lado esquerdo vemos, as antigas colunas com as grades de ferro que dali foram retiradas em 1932 e que recentemente foram refeitas no mesmo estilo, porém, com proporções alteradas. Na ponta da calçada, os combustores de gás.
Do lado direito, o prédio de dois andares (incluindo o térreo), onde ficava o "Hotel de France", que foi depois reformado, passando a ter mais um pavimento e nele funcionou, por muitos anos, o Pálace Hotel, de Efrem Gondim. Atualmente, no mesmo prédio, está a Associação Comercial do Ceará.
É a esquina com a rua Major Facundo, que nasce ali. Do outro lado da rua, a casa com as janelinhas quadradas no sótão, que era dos "Mississipis" e na outra esquina, já com a Floriano Peixoto, o edifício onde funcionou o Hotel do Norte, de Silvestre Rendall e depois lá ficou por muito tempo os Correios, a Light, o Serviluz, a Conefor e a Coelce. Hoje, apesar de pertencer ao patrimônio da Coelce, ao abandono, tendo já desmoronado parcialmente durante uma chuva.
O tempo trouxe o que mostra a foto atual, como a presença de carros, o asfalto na rua antes com calçamento, postes e fios, etc. O prédio em primeiro plano, que antes tinha apenas dois pavimentos e quatro portas, na nova foto tem três pavimentos e seis portas; no outro lado da rua a velha casa dos "Mississipis" bastante alterada, o sobrado semi-abandonado da Coelce na esquina da Rua Floriano Peixoto.

Crédito: Portal da História do Ceará/Arquivo Nirez

terça-feira, 6 de julho de 2010

Associação dos Merceeiros


A Associação dos Merceeiros funciona em um belíssimo edifício com apenas 1 pavimento, eclético, com elementos Art-Déco bastante fiel ao seu aspecto original. Possui fenestrações em todo o seu perímetro, sendo todas elas portas, muitas com varanda guarnecidas por elegantes guarda-corpos em serralharia.
Foto antiga, que data de 1926, mostra o prédio como ele foi feito, todo rodeado de portas com varandas, piso alto, porões com as aberturas para a rua. Pela rua Major Facundo, passavam os trilhos dos bondes e sua fiação. Arquivo Nirez.
Originalmente o prédio possuía porão alto com gateira alinhada com as fenestrações que hoje encontramos, mas para adequar-se ao novo programa, o piso foi rebaixado, tornando as varandas portas de acesso. Sua fachada possui rica decoração, com platibanda movimentada, alternando seu perfil com coroamentos retangulares e curvos, adornadas com elementos geométricos e florais; cornija sobre tríglifos decorativos, além das interessantes molduras e arremates nas portas. No chanfro da esquina ostenta sobre o seu frontão retangular arrematado por uma concha, o símbolo de mercúrio, uma roda dentada alada, adotada pela indústria e comércio. 


A Associação dos Merceeiros, foi fundada no dia 5 de abril de 1914 por uma plêiade de 14 modestos merceeiros, num pequeno prédio da rua Floriano Peixoto, com o fim de proteger os pequenos comerciantes naqueles tempos difíceis da Primeira Guerra Mundial.

Antes de completar 15 anos de existência, a associação já tinha inaugurado sua sede própria, no canto sudeste da então Praça Gonçalves Ledo, atual Praça do Carmo, onde ainda hoje se encontra.


A Associação teve a "Caixa de Beneficência", o "Banco dos Merceeiros" e a "Assistência Médica, Dentária e Judiciária". Ainda existem: a parte de pecúlios e as assistências, médica, dentária e judiciária. Só não mais existe o banco, desaparecido com o advento do serviço bancário particular e oficial.

A foto antiga, que data de 1926, mostra o prédio como ele foi feito, todo rodeado de portas com varandas, piso alto, porões com as aberturas para a rua. É possível perceber que pela rua Major Facundo, passavam os trilhos dos bondes e sua fiação.

A foto ao lado mostra o mesmo prédio já com muitas modificações, como a "Farmácia dos Merceeiros", na esquina, que apesar do nome, não pertence à associação. Para a abertura da farmácia, foram feitas alterações no prédio, como baixar o piso, descer as portas, além da colocação das placas com o nome do estabelecimento.

Do lado da Rua Major Facundo, toldos para proteção do sol. Além da farmácia, existem ainda, pelo lado da rua Clarindo de Queiroz, o Laboratório Santa Lúcia e a cantina "Lanche Forte". O prédio tem também fachada pela Rua Floriano Peixoto.



Associação em 1934. Acervo William Beuttenmuller
Acervo Renato Pires
Editado em 07/09/2018

Almanaque do Ceará - 1935.
Acervo Renato Pires
Lamentavelmente, a Associação dos Merceeiros encerrou suas atividades, em seu prédio histórico, em 13 de agosto de 2018, por dívidas da administração.
Tombado provisoriamente, o imóvel, que data dos anos 1920, está sob posse de  uma imobiliária.

Por decisão judicial, a Associação foi impedida de usar o prédio onde já estava há quase 100 anos, localizado na esquina das ruas Clarindo de Queiroz e Floriano Peixoto, no Centro. A nova sede, no cruzamento das avenidas da Universidade e Domingos Olímpio, passa por reformas e ainda não tem data para começar a funcionar, afirmou o presidente da entidade, Anilton Colares, ao jornal O Povo.


Os Merceeiros, entidade privada de defesa de direitos sociais, é conhecida por oferecer atendimentos de saúde a preços populares. 

De acordo com o Jornal O Povo, o despejo foi fruto de disputa judicial travada desde 2008. Os Merceeiros firmaram com uma imobiliária contrato de mútuo, um empréstimo de R$ 189 mil. Não havendo pagamento, a empresa entrou com ação de execução do título, pleiteando posse do prédio. Em 15 de junho último, a juíza Antônia Neuma Mota Moreira Dias determinou que o prédio fosse transferido, sob pena de multa de R$ 500 por cada dia de atraso no cumprimento. A medida foi executada em 14 de agosto.

Foto: Manilov
A advogada Nathalia Ervedosa, da Sim Administração e Comércio de Imóveis Ltda, diz que a empresa ainda estuda o que fazer com o prédio, composto ao todo por cinco imóveis. Parte do edifício já estava locado.

A associação ainda busca reverter a decisão. Uma das alegações é de que o valor do prédio não foi atualizado como foi a dívida, afirmou Marcos Vianna, advogado dos Merceeiros. Segundo ele, o imóvel é avaliado em R$ 3 milhões, quando a dívida, em valores atualizados, é de cerca de R$ 400 mil. "Independente da existência de prédio, a associação não deixará de existir".






Crédito: Portal da história do Ceará, Borjão, Jornal O Povo e pesquisas na internet.

sábado, 3 de julho de 2010

Sobrado Dr. José Lourenço


O sobrado Dr. José Lourenço funciona hoje como Centro Cultural aglutinador das artes visuais do Ceará.
O prédio foi restaurado com o auxílio dos alunos da Escola de Artes e Ofícios Thomaz Pompeu, o Instituto de Arte e cultura do Ceará, e hoje abriga salas para exposição, auditório e café, possibilitando o acesso gratuito da população a uma programação comprometida com a criatividade artística e a inclusão cultural.

Sobrado do Dr. José Lourenço - Fotografia rara
Diz a legenda: Sobrado do Dr. José Lourenço (3 pavimentos), onde esteve, por longos anos, o Tribunal da Relação do Ceará e, por pouco tempo, a Prefeitura Municipal de Fortaleza. Ao seu lado o sobradinho do Pe Salazar da Cunha,  aparecendo ainda, parte do sobrado do pai de Gustavo Barroso, onde o grande escritor conterrâneo passou a sua meninice. Estes dois últimos já desapareceram, para no local levantar-se novo prédio (nºs 160/170).

"José Lourenço é médico sanitarista, formou-se no Rio de Janeiro e vive em um sobrado de três andares na Rua da Palma. No térreo, mantém consultório onde clinica à moda popular. Nos andares superiores, vive com a família. É um homem nascido e morrido no século XIX, morador de uma cidade em clara expansão, onde uma casa como a que possui é sinônimo de status e poder. “A construção do sobrado data desse intervalo [1846 a 1876, intitulado pelos cronistas da época como o mais longo período sem estiagens da história de Fortaleza], em que a cidade se preparou ou foi preparada para se consolidar como capital, esvaziando Aracati, até então porto, entreposto comercial, sede de oficinas de charqueadas e ponto de ligação com Pernambuco, a quem fomos atrelados, politicamente, até 1799.”
Gilmar de Carvalho, em Fragmentos de um Almanaque de Fortaleza.

Mal adivinha o doutor a variedade de funções sociais exercidas pelo imóvel após posterior venda: Tribunal de contas, bordel, oficina de marcenaria, casa de sombrinhas e, finalmente, Centro de Artes Visuais. O número 154/156 da hoje Rua Major Facundo se tornaria, a partir do ano de 2004, um prédio tombado pela Secretaria de Cultura do Ceará.
A restauração do arquiteto Domingos Linheiro repaginaria cores e formas, permitindo o deslumbre de dar de caras, pela primeira vez, com seu colorido formoso na manhã cinzenta de uma quarta-feira do século XXI. Desde 2007, ele voltaria a ser o Sobrado do Dr. José Lourenço, um espaço público de inclusão cultural, abrigo de exposições temporárias, majoritariamente de artistas do estado.


Antes da restauração - Um triste passado


Hoje, quem passa pela Rua Major Facundo, se vê diante do que poderia se passar por uma miragem: um luxuoso casarão de três andares, de traços neoclássicos, ornado por azulejos, florões e rosáceas. É o Sobrado Dr. José Lourenço, erguido em meados do século XIX, que parece saído de uma máquina do tempo.

Ponte entre o passado que tem suas marcas ameaças por uma urbanização descontrolada e o presente que, aos poucos, toma consciência da necessidade de lembrar o que viveu, o sobrado foi reinaugurado em 2007.
A restauração do prédio, executada pela Secretaria da Cultura do Estado (Secult), lhe confere ainda uma nova função: tornar-se um centro de convivência das artes visuais (incluído seu aspecto museológico), com ações e estrutura voltadas para abrigar cursos, palestras e workshops.

“O Sobrado vai ser a sede do Sistema Estadual de Museus. Está nos planos da secretaria trazer para exposição obras de reservas técnicas de museus do Interior. Mas também queremos ter exposições de arte, do passado e atual, tanto com artistas mais jovens, como com aqueles que já são consagrados.”, explicou a secretária-adjunta, Delânia Azevedo.

No clima de pluralidade, o Sobrado abriu as portas para sua primeira exposição, a 4ª Mostra Cariri das Artes, intitulada O Cariri Aqui!”. Nela, foram reunidas obras de artistas nascidos ou radicados na sub-região cearense. Na ocasião, ainda foi lançado o livro “O sobrado do Dr. José Lourenço”, organizado pelo pesquisador Gilmar de Carvalho, reunindo textos sobre a casa e seu primeiro morador.


O sobrado foi a primeira edificação de três andares construída no Ceará, na segunda metade do século XIX, o Sobrado da Rua da Palma – hoje Rua Major Facundo, foi criado para cumprir as funções de residência e consultório do médico sanitarista Dr. José Lourenço de Castro Silva (1808-1874).




Como atividade permanente, o Sobrado oferece atendimento ao público de diversas áreas de conhecimento e níveis escolares. Além de apreciar a formosa arquitetura neoclássica, o visitante tem a oportunidade de participar de uma programação eclética, como: cursos, palestras, seminários, workshops, exposição com um artista convidado, oficinas que ensinam técnicas artísticas... tudo na área das artes visuais.


Recepção do sobrado

Entre os demais sobrados existentes em Fortaleza, a edificação se destaca por possuir um telhado prismático de quatro águas e pelo tratamento dado às fachadas laterais, que possuem janelas de peito que dão para telhados vizinhos e cornijas acompanhadas por frisos de azulejos, características essas atípicas de um sobrado unido às suas divisas.


Foto by Manilov


A história do prédio centenário está documentada no livro O Sobrado do Dr. José Lourenço, realizado pela Associação dos Amigos do Museu do Ceará e organizado pelo Prof°. Gilmar de Carvalho. A publicação traz fotos das etapas da restauração da edificação, textos de renomados estudiosos cearenses sobre o ilustre médico, além da reflexão sobre os múltiplos usos do sobrado e sua significação. Os interessados pela publicação poderão adquirir o livro no próprio espaço cultural.





Saiba Mais:

Construído na segunda metade do século XIX, o Sobrado da Rua da Palma – hoje Rua Major Facundo – é testemunha de uma época. Primeira edificação de três andares construída no Ceará, para cumprir as funções de residência e consultório do médico sanitarista Dr. José Lourenço de Castro Silva (1808-1874) , abrigou posteriormente oficina de marcenaria, repartição pública e bordel. Tombado pela Secretaria da Cultura do Ceará, foi restaurado em 2006 pelo Governo do Estado. Inaugurado em 31 de julho de 2007, o Sobrado Dr. José Lourenço abriu as portas ao público com nova identidade: um novo centro cultural aglutinador das artes visuais do Ceará. O espaço abriga salas para exposição, auditório e café, consolidando-se como local de convivência e difusão das artes visuais, possibilitando o acesso gratuito da população a uma programação comprometida com a criatividade artística e a inclusão cultural.

Serviços: Sobrado Dr. José Lourenço
Rua Major Facundo, 154 – Centro (Entre as ruas Castro e Silva e Senador Alencar)
Fortaleza – CE – Brasil
Telefone: (85) 3101.8826 / 3101.8827

Horário de visitação:
Terça à sexta-feira das 09h às 19h
Sábado das 10h às 19h
Domingo das 10h às 14h.
Entrada Gratuita.

Crédito: Diário do Nordeste, Arrudeia Ceará, Secult e pesquisas na internet

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Praça do Ferreira - De beco do cotovelo à Coração de Fortaleza


PRAÇA DO FERREIRA - VISTA PANORÂMICA

Falaremos do principal logradouro de nossa Capital. Durante todo o Século XX, a Praça do Ferreira, que partindo do antiquíssimo Beco do Cotovelo, foi transformada em uma praça que a princípio foi chamada de Feira Nova. Teve também a designação de Largo das Trincheiras; em 1859 Praça Pedro II e depois de urbanizada em 1902 na gestão do intendente Guilherme Rocha recebeu o nome de Jardim Sete de Setembro, que não era na verdade o nome da praça, mas da parte urbanizada, pois antigamente cada praça tinha um nome e seu jardim tinha outro. Em 1881, após a morte do Boticário Antônio Rodrigues Ferreira, a Câmara Municipal deu ao logradouro o nome de Praça do Ferreira em sua homenagem, mas em 1890 o Conselho da Intendência achou por bem retirar os nomes de pessoas de todas as ruas, avenidas e praças da cidade, recebendo as ruas numeração e as praças nomes como a Praça Municipal, novo nome da nossa Praça do Ferreira, mas durou pouco e no mesmo ano volta a velha nomenclatura.

A vista antiga foi publicada no livro "Brasil", do fotógrafo Peter Fuss, editado em Berlim com o apoio do Touring Club do Brasil, em 1934 e mostra a Praça do Ferreira vista de cima do Excelsior Hotel no sentido sudeste, vendo-se, além da Coluna da Hora, bancos e jardins, o canto do cruzamento da Rua Pedro Borges com Rua Floriano Peixoto, que tem na esquina a loja "A Cearense", vizinha à Padaria Lisbonense.

Além da Praça do Ferreira a vista mostra coisas interessantes como - direcionando-se a visão da esquerda para a direita - vemos as costas do prédio da Companhia Telefônica, por trás dela um circo armado, a Praça dos Voluntários com o velho prédio do Liceu do Ceará; mais ao longe a Igreja da Piedade e o Colégio Dom Bosco; o Colégio Cearense do Sagrado Coração; a Igreja do Coração de Jesus; o prédio do Pio X; o mosteiro dos frades capuchinhos; o prédio da Associação dos Chauffeurs do Ceará; o quartel da Polícia Militar e mais distante os morros de Paupina, Ancuri e Itaitinga.

A foto atual, tirada do mesmo local, mostra quase o mesmo ângulo já com muitas diferenças, ocorridas nesses 76 anos. Queremos aqui agradecer a gentileza do Dr. Janos Fusezzi Júnior, cônsul da Hungria, herdeiro de Emílio Hinko e residente no 3º andar do Edifício Excelsior, sem a qual não nos seria possível conseguirmos a foto atual do mesmo ângulo da antiga. O fotógrafo foi Osmar Onofre.

As lojas que circundam a praça já são outras excetuando-se a "Leão do Sul", que ali está desde a década de 1920. À distância já vemos pouca coisa, pois os prédios de concreto armado ou "cidade vertical" formam um tapume que nos impede ver o que víamos antes, mas na brecha entre os edifícios vemos ainda a Igreja do Coração de Jesus - que já não é mais a antiga que ruiu em 1957 e foi demolida - e nada mais. Os prédios que nos impedem de ver a paisagem são o Edifício Portugal, que fica no primeiro quarteirão da Rua Pedro Borges; por trás dele o edifício do INAMPS (antigo IPASE), na Praça dos Voluntários; o Palácio da Imprensa (edifício Perboyre e Silva, da ACI), o da Seguradora Brasileira e o Edifício Raul Barbosa, que foi sede do Banco do Nordeste de Brasil - BNB.

PRAÇA DO FERREIRA DE 1940 E DE 1991

A praça do Ferreira em 1850 era apenas um largo de areia frouxa com alguns cajueiros rodeada de casebres beira-e-bica onde se destacavam apenas os sobrados do Comendador Machado, construído em 1825 e o do Pacheco, de 1831, que depois foi sede da Municipalidade. O prédio do Ensino Mútuo ficava na esquina onde hoje fica a Caixa Econômica Federal.

Havia na praça o "Beco do cotovelo", com casas em diagonal, que foi derrubado por Antônio Rodrigues Ferreira, o boticário que chegou a governar a cidade como presidente da Câmara Municipal. Por isto hoje a praça tem seu nome. A praça foi Feira-Nova, Pedro II, da Municipalidade e é do Ferreira desde 1871.

Em 1902 foi urbanizada pelo então intendente Guilherme Rocha que nela fez o Jardim 7 de Setembro. Já existiam os cafés nos quatro cantos. Em 1920 a praça sofreu nova reforma, desta feita na administração de Godofredo Maciel, que retirou os quiosques e mosaicou toda a praça, fazendo vários jardins e colocando um coreto sem coberta. Em 1923 foi colocado outro coreto, este coberto. Em 1933 Raimundo Girão derrubou o coreto e levantou a Coluna da Hora. Em 1949 Acrísio Moreira da Rocha construiu o Abrigo Central. Em 1966 José Walter sem nenhuma consulta popular derrubou a Coluna da Hora e o Abrigo Central e construiu uma praça grosseira, que foi imposta ao povo que nunca a aceitou. Depois a praça foi reconstruída em 1991 pelo prefeito Juraci Vieira Magalhães.

As fotos são: a primeira é de 1934, quando o Excelsior Hotel e o Edifício Granito eram novinhos em folha, os bancos da praça eram extensos, o Edifício São Luiz ainda não havia sido iniciado, funcionando em seu lugar a Casa Amadeu, e o quarteirão da Rua Guilherme Rocha ainda existia. A Segunda foto é da década de 1940, quando o edifício São Luiz já estava em construção, mas o quarteirão da Guilherme Rocha já não existia e o Abrigo ainda não havia sido construído e os bancos da praça já eram menores.

A terceira foto é da época da odiosa
Praça do José Valter, de caixotes enormes de concreto e foi batida por Nirez.

RUA MAJOR FACUNDO NA PRAÇA DO FERREIRA

A foto antiga data do início do século passado. Mostra uma cidade pacata, com todas as características de uma cidade de interior, com a tranquilidade de seus habitantes e seu comércio com pouco movimento. Ruas calçadas com pedras toscas, esgotos cobertos com tábuas, trilhos dos bondes de tração animal, calçadas irregulares tanto na largura como na altura, ausência do meio-fio, postes de madeira, alguns de ferro, combustores de iluminação a gás carbônico e ausência completa de carros.

Trata-se do quarteirão da Rua Major Facundo na Praça do Ferreira, aquele onde hoje fica o Cine São Luiz. Na esquina ficava o "Maison Art-Nouveau", logo após a Agência de Loterias Nacionais, seguindo-se "O Menescal" e outras lojas que não é possível identificar na foto. A "Maison" surgiu em 1907, era café, bar, confeitaria além de vender artigos para copa e cozinha. O proprietário era Augusto Fiúza Pequeno e José Rola. Foi por trás desta loja que funcionou, em 1908, o primeiro cinema da Fortaleza, o cinematógrafo do italiano Victo Di Maio. No mesmo local estiveram depois a "Maison-Riche", o Restaurante Chic, A Pernambucana, a "Broadway", a Rouvani e hoje está a Tok-Discos.

A Segunda foto é da praça do prefeito José Walter, quando ainda havia passagem de carro pela Rua Major Facundo. Nada do que existia na foto antiga existia mais a não ser o céu e o subsolo, ambos já bastante poluídos. Já existia a Tok-Discos, seguida de estabelecimentos comerciais dos mais variados.

A terceira foto, colhida pela objetiva de Osmar Onofre, mostra uma praça bem melhor que a da segunda foto, com este calçadão para os pedestres e os postes da nova iluminação. A poluição continua e por falar em poluição, o centro de Fortaleza está um inferno em poluição sonora. Além das lojas vendedoras; de discos, os alto-falantes nas lojas em geral chamando os clientes e os odiosos carros com serviços de som e o que não entendemos, o serviço de alto-falantes nos postes com o falso nome de "FM Centro", autorizado pela Prefeitura que assim rasga o próprio Código de Obras e Posturas.

PRAÇA DO FERREIRA - JARDIM SETE DE SETEMBRO

A Praça do Ferreira era antigamente o "Beco do cotovelo" cortando o campo em diagonal. O resto era uma grande área de areia de tabuleiro com alguns cajueiros, rodeado de pequenas casas, destacando-se apenas os sobrados do comendador Machado e do Pacheco. Nascido em 1801, chega em 1825 a Fortaleza como caixeiro de Manoel Caetano de Gouveia, o boticário Antônio Rodrigues Ferreira, que fundou uma botica que era onde fica o Duda's Burger.

Em 1842 foi eleito presidente da Câmara Municipal e como tal aumentou as ruas de Fortaleza dando-lhes um traçado antes defeituoso.

Acabou com o "beco do cotovelo" criando a praça que no início foi chamada de Feira Nova e hoje tem o seu nome. Ele morreu em 1859, sendo sepultado no Cemitério de São Casimiro, onde hoje é a estação central da RFFSA, sendo seus restos trasladados em 1880 para o Cemitério de São João Batista. Em 1871 a praça passou a denominar-se Praça do Ferreira.

Em 1902 houve a primeira urbanização da praça, com a construção de um jardim cercado de colunas entremeadas de grades de ferro ocupando pequeno espaço em frente ao hoje Cine São Luiz. É deste jardim que trazemos a foto mais antiga, vendo-se, ao fundo, de costas, o Café Elegante, que ficava de frente para o cruzamento da Rua Pedro Borges com Rua Floriano Peixoto.

O jardim inaugurou-se no dia 7 de setembro de 1902 e passou a denominar-se "Jardim 7 de Setembro". Era realmente um belo jardim, como pode ser visto na foto.

A Segunda foto é da praça de terrível mau-gosto implantada em 1967 pelo então prefeito José Walter Cavalcante, cheia de blocos de concreto que servia de trincheiras no caso de uma revolta.

A terceira foto é mais atual e felizmente a administração de Juraci Magalhães em 1991 demoliu o "monstrengo" e construiu a atual praça.

Saiba mais: No passado, foi cercada por mongubeiras que serviam para amarrar animais que traziam do Interior as mercadorias para abastecer o comércio local. Vendia-se de tudo nas calçadas: frutas, camarão seco, pente fino, calças de mescla, espelhinhos, toalhas de rosto, retoques de algodão, e nylon, pó de arroz e revistas velhas. Deste núcleo central, o arquiteto Adolfo Hebster constituiu a malha urbana da cidade.

Hoje, a Praça do Ferreira ainda funciona como centro de encontros, passeios e comércio. Camelôs com seus CDs e DVDs, vendedores com carrinhos de lanche, amadores, músicos e artistas são alguns dos personagens que cruzam o espaço atemporal da praça. Também há aqueles que preferem sentar, conversar ou tirar uma soneca nos intervalos do trabalho, sentados nos bancos da praça sob a sombra das árvores e o som do barulho do centro da cidade.

O lugar sofreu uma série de reformas ao longo do tempo. Dentre elas, em 1932, o coreto foi substituído pela Coluna da Hora, com seu relógio que servia de orientação para toda a cidade. Sua inauguração foi no início de 1934, sendo demolido em 1969. Porém, em 1991, foi inaugurada a versão moderna da Coluna da Hora com a última reforma da praça.


Sobre Antônio Ferreira Rodrigues: O Boticário Ferreira, nasceu em Niterói em 1801 e por volta de 1925 conhece a Manoel Caetano de Gouveia, Cônsul de Portugal, o qual o trouxe para o Ceará, como seu caixeiro. Com 21 anos de idade e com adiantada prática de Farmacologia, obtida na sua terra natal e suas receitas salvaram a mulher de seu protetor, que o ajudou a obter da Junta Médica de Pernambuco licença para montar uma botica e se estabelecer. Em pouco tempo, o boticário Ferreira tornou-se popular pela sua caridade e sociabilidade. Em 1927 casou-se mas nunca teve filhos. Envolveu-se na política e viu-se continuamente eleito para a Câmara Municipal. Dedicou-se inteiramente a política de Fortaleza, durante os 18 anos que foi vereador e procedeu ao levantamento da planta urbana da cidade de Fortaleza. Construiu algumas praças, alargou ou ratificou o alinhamento de outras, deu grande impulso a Santa Casa de Misericórdia e realizou tantas obras de importância para a cidade que é considerado o seu primeiro urbanista. Demoliu o Beco do Cotovelo construindo ali a grande praça que levaria o seu nome. Morreu em 1859, aos 60 anos.


Crédito: Fortaleza de Ontem e de Hoje, Arrudeia Ceará

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