Fortaleza Nobre | Resgatando a Fortaleza antiga
Fortaleza, uma cidade em TrAnSfOrMaÇãO!!!


Blog sobre essa linda cidade, com suas praias maravilhosas, seu povo acolhedor e seus bairros históricos.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Bocas de ouro



Tempo houve dos dentes de ouro luzir em bocas mil. Protéticos, em regozijo, produzirem artísticas peças qualificadas pelos quilates. Feitura de próteses em amálgama especial, a módico preço e garantia de, ao contato da saliva, em meses, tornarem-se áureas. Hoje, seriam ditas genéricas.
Até a década de sessenta, deveras comum encontrar ciganos pela Capital.
Grupos deles, ostentando maiores posses e identificação étnica, acampavam em área de terra da rua Barão do Rio Branco, entre as ruas Carlos Gomes e Joaquim Magalhães. Roupas coloridas, adereços em ouro, prata e pedras preciosas, falando dialeto próprio, distinguiam-se de pronto. Os homens, mais ainda, por seus vistosos brincos e arcadas dentárias auríferas.

O modismo fez-se tão exagerado ao ponto de jornais e rádios noticiarem constantes profanações de túmulos, no Cemitério São João Batista, por ladrões com tendências garimpeiras. 
Nahum Veras, antigo merceeiro da rua Pinto Madeira, esquina com Gonçalves Ledo, possuía coroas reluzentes sobre os caninos e molares. Do mais puro ouro fino. Ao falecer, a família providenciou suas extrações e divulgou ao máximo, inclusive por mensagens radiofônicas, para evitar que vândalos o perturbassem no sepulcro.


Já os parentes de Nicolau Dognini*, 82 anos de idade, fazendeiro de Vidal Ramos, município de Santa Catarina, padeceram por não ter dedicado igual cuido ao dado a Nahum por seus familiares. Nicolau, mais conhecido como Sorriso Dourado, foi sepultado usando seus reluzentes aparelhos dentários confeccionados no nobre metal.
Um mês depois do enterro, o túmulo foi violado, o vidro do caixão quebrado e levadas às ricas dentaduras. Avaliadas entre doze e vinte mil reais, a polícia catarinense investiga e alerta não sepultarem entes queridos com pertences valiosos.
Candidato a deputado pelo PRB, Oswaldo Martins de Oliveira, autodenominado Wadão Dj - Jegue Dente de Ouro prometeu se eleito, dar dente de ouro para toda a população paulista. Esquecido eleitoralmente, poderia oferecer o dentário projeto ao correligionário de coligação deputado federal Tiririca.

                                  Geraldo Duarte
(Advogado, administrador e dicionarista)


*Sul Notícias - Matéria de 25/09/2009:

Polícia investiga roubo de dentadura de ouro de cadáver

A Polícia Civil de Santa Catarina investiga o inusitado roubo de uma dentadura de ouro de um cadáver, ocorrido na cidade de Vidal Ramos, localizada a 160 quilômetros da capital Florianópolis
A violação de uma sepultura no cemitério local é o principal assunto na cidade de pouco mais de seis mil habitantes. Nicolau Dognini, que morreu aos 82 anos no último dia 11 de agosto, teve o caixão violado exatamente um mês após sua morte. 
Os ladrões abriram a sepultura, quebraram o vidro do caixão e levaram uma chapa com dentes de ouro. Nicolau era bastante popular e conhecido na cidade com o apelido de "Sorriso Dourado".

Segundo levantamento feito pela polícia, a sua dentadura de ouro estaria avaliada em aproximadamente dez a doze mil reais. "Não há como definir exatamente o valor, mas estaremos chegando a esse dado após colher novos depoimentos", afirma o agente da Polícia Civil, João Paulo Martins, responsável pela investigação.

Após ouvir uma série de testemunhas, João Paulo revelou que a família de Dognini decidiu enterrá-lo com os dentes valiosos. Segundo o policial, todo mundo na comunidade onde ele morava, sabia que a sua dentadura era de ouro. "Ele era bastante popular e ainda brincava com isso. Dizia as pessoas que poderiam fazer o que quisessem com os seus dentes", disse.

A Polícia ainda vai colher alguns depoimentos nos próximos dias para tentar solucionar o roubo. Por enquanto, não existem suspeitos, mas o policial João Paulo destaca que a violação de sepultura deve servir como um alerta para as famílias que insistem em colocar objetos de valor junto ao corpo de familiares. "É um tipo de crime que existe nos grandes centros. Agora descobriram o interior", disse. "Estamos trabalhando para solucionar o caso, mas fica o alerta para as pessoas de que não é uma prática aconselhável sepultar os entes queridos com objetos de valor".




domingo, 3 de fevereiro de 2013

Ceará moleque - Antecedentes Históricos



A palavra moleque é de origem africana e o  Novo Dicionário da Língua 
Portuguesa de Aurélio Buarque de Holanda Ferreira diz que ela provém do 
idioma Quimbundo onde o seu substantivo significava “negrinho” e o seu adjetivo “indivíduo sem gravidade, ou sem palavra”, ou ainda, “canalha, patife, velhaco”. Ainda, esse dicionário acrescenta que no português do Brasil a palavra passa a significar, também, “menino de pouca idade”.
Contudo, o termoCeará moleque foi cunhado nos fins do século XIX e apareceu pela primeira vez em uma obra literária que tinha a cidade 
de Fortaleza como cenário: o romance A Normalista, de Adolfo Caminhapublicado em 1893. A obra retrata o cotidiano de uma Fortaleza provinciana, habitada por “alcoviteiros e uma gentinha canalha”. Neste romance de cunho naturalista, Caminha tenta criar uma crônica social sobre Fortaleza onde “buscou esmiuçar os detalhes sujos do cotidiano” (Albuquerque, 2000, p.16-17). 
Logo, a alcunha ‘moleque’ indicava aí certa característica cultural do Ceará a ser interpretada negativamente como “canalhismo de província”.

Para Marco Aurélio Ferreira da Silva (2003), o romance de Caminha desenvolve sua trama na Fortaleza do final do século XIX, onde o ambiente provinciano é visto como um “antro de maledicências e coscuvilhice” e onde “a vida social se reduz a um jogo em que todos invadem o privado do outro”
Com este mote é que a personagem principal deste romance, a normalista Maria do Carmo, reclama a Lídia, sua amiga mais próxima, do pasquim chamado A Matraca, que escreveu versos sobre seu envolvimento com o Zuzaestudante de Direito de Pernambuco e que passava férias em Fortaleza: 

Lídia achou graça na versalhada. Ela também já saíra na Matraca. – Um desaforo, 
não achas? Perguntou a normalista indignada. – Que se há de fazer, minha filha? 
Ninguém está livre destas coisas no Ceará Moleque. Não se pode conversar com um 
rapaz, porque não faltam alcoviteiros. (CAMINHA, 1997, p.37).


Na época deste romance, o Ceará figurava na economia internacional como um grande exportador de algodão. As indústrias têxteis europeias começaram a procurar pelo algodão cearense com maior intensidade no período em que foi suspenso o comércio com os EUA, o principal produtor de algodão até então, devido à eclosão da Guerra de Secessão, ocorrida nos anos 1860. Este fator foi fundamental para as transformações sócio-econômicas e culturais por que passou o território cearense, especialmente a capital da então Província, que se urbanizava e acelerava, modificando drasticamente o modo de vida de seus habitantes.

Em Fortaleza Belle Époque, Sebastião Rogério Ponte (2001) conta que nesse período surgiram em Fortaleza lazaretos, hospitais, asilos e cemitérios construídos fora do perímetro urbano seguindo, assim, uma ótica sanitarista – o saber médico social então em constituição – que fazia parte da lógica de remodelação e controle do projeto modernizador para a organização da capital. Na contracorrente desta lógica modeladora, Ponte (2001) identifica a “irreverência popular que se expressava em condutas debochadas e galhofeiras da população citadina”

Tais condutas significaram uma espécie de rebeldia velada, um desvio que se constituiu em contraponto ao “mundanismo chique” que se instaurava na cidade. A época da Fortaleza Belle Époque, em que se tenta afrancesar os costumes da cidade é, ironicamente, aquela em que uma grande seca assolou o Ceará, coalhando a periferia da capital de retirantes esfomeados enquanto a burguesia se empoava e tomava chá. É também a época em que um grupo de debochados intelectuais, dentre os quais o próprio Adolfo Caminha (o padeiro Felix Guanabarino), funda a confraria denominada Padaria Espiritual. 
Reunidos em torno do periódico O Pão, que buscava levar o pão do espírito a quem dele necessitasse, os espirituosos jovens debochavam, inclusive, do fenômeno absolutamente europeu das próprias confrarias e grupos de letrados que pipocavam pela cidade.


A compulsão popular pelo deboche e pela sátira era uma questão relevante para Fortaleza naquele período, e prova disso é, de acordo com Ponte (2001), a existência de “tantas referências a uma incorrigível ‘molecagem’ pública presente na cidade a partir do final do século XIX”. O autor encontra estas referências à molecagem do cearense na literatura, justamente no já citado A Normalista; em revistas de moda e atualidades como a Jandaia (1924) e a Ba-Ta-Clan (1926); e nos escritos dos memorialistas Otacílio de Azevedo
Herman Lima e Raimundo de Menezes, que descreveram o cotidiano fortalezense do início do século XX.

A praça em 1963 - Arquivo O Povo

Num destes registros, Herman Lima (1997), no seu livro Imagens do Ceará, publicado em 1959, nos indica o lugar onde tal propensão popular ao deboche, ao escárnio ou aos ditos espirituosos exercia-se com maior intensidade: a Praça do Ferreira. O ensaísta Abelardo F. Montenegro, citado por Lima (1997), considera este logradouro, como a “sede social do Ceará Moleque”, nela “funciona cotidianamente uma escola de humor, em que professores e alunos permutam sofrimentos por gargalhadas, preocupações por cascalhadas” (apud 
Lima, 1997, p.54). 
Foi num dos cantos da praça, mais especificamente no Café Java, que Antonio Sales, o padeiro-mor Moacir Jurema, Rodolfo Teófilo (Marcos Serrano) e outros companheiros fundaram a Padaria Espiritual.

Raimundo de Menezes (2000), em seu Coisas que o tempo levou: crônicas 
históricas da Fortaleza antiga, publicado originalmente em 1936, relata acontecimentos e curiosidades sobre os tipos populares – o Chagas, o Pilombeta, o Tostão, o Manezinho do Bispo (foto ao lado), o Casaca de Urubu, o Tertuliano, o Bode Ioiô e o De Rancho – que habitaram a capital no início do século XX. Dentre estes, Menezes (2000) destaca o Bode Ioiô como “um dos tipos mais populares e queridos da Fortaleza de outrora (...) era uma espécie de mascote da capital daqueles tempos, uma figura obrigatória na pacatez da cidade provinciana” (p.183). Segundo ele, Ioiô “representa bem a imagem do espírito irreverente e 
profundamente irônico dos filhos desta gleba heroica de sofrimento” (p.185). 


Na sua obra de crônicas, Fortaleza Velha, João Nogueira relata que, em certo culto religioso no ano de 1922, um moralista alertava aos de boa índole: “Não se queixem do automóvel nem de certas novidades de que está cheia a Fortaleza, mas do Ceará moleque, que tudo acanalha e desrespeita” (apud Silva, 2003, p.22-23). Para a moral e os bons costumes, geralmente desprovidos de humor, a molecagem deve ser banida, pois que toda irreverência é associada à canalhice.

A referência a uma molecagem do cearense ou ao ‘Ceará moleque’ se encontra presente em outros escritos como O Cajueiro de Fagundes de Tristão de Alencar Araripe Júnior (1909); nos pasquins Ceará Moleque – Revista Caricata (1897) e O CharutinhoJornal Amolecado (1900). Digno de nota é igualmente o relato jornalístico da vaia ao sol na Praça do Ferreira. No ano de 1942, após longa estiagem e sem uma nuvem sequer que prenunciasse chuva no horizonte, os fortalezenses indignados e sem outra ação possível passaram a vaiar o astro-rei, que permaneceu impávido, na certa pensando que o que vem 
de baixo não lhe atingia.


Também cabe lembrar que este atributo de identidade cultural não é oriundo da elite erudita, que preferiria antes ser identificada aos traços importados da cultura européia. Embora seja muitas vezes por esta retratado, como no romance de Caminha, sua origem deve ser encontrada junto às classes populares, menos abastadas financeiramente, mas ricas de um humor peculiar e pouco sutil. 
A estética do grotesco, de que fala Bakhtin em sua obra sobre a cultura popular no Renascimento, está viva na Fortaleza de antanho e igualmente no mundo midiático de hoje em dia. Por ser identificada às classes populares e à sua estética particular, não é de estranhar o sucesso que tal imagem tem nos meios de comunicação de massa, onde há o império absoluto do grotesco, do bizarro, do exagero. É terreno fértil para a criatividade extravagante e sexualmente escrachada de homens, mulheres e homens travestidos de mulheres (digna de nota é a presença majoritária entre os humoristas locais de caricatos transformistas que atendem por nomes tais como Aurineide, Escolástica e Raimundinha).   
Em síntese, existe uma construção histórica e simbólica do ‘Ceará moleque’ que não vem de hoje. Trata-se de uma invenção social que foi e é simbolizada coletivamente, fazendo parte do imaginário cearense e do imaginário sobre o cearense. 


Crédito: A identidade cultural em tempos liquefeitos: o ‘Ceará moleque’ e 
a contemporaneidade - Francisco Secundo da Silva Neto/Marcio Acselrad 




terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Dia de festa!

Hoje estou muito feliz e orgulhosa, pois o blog está completando 4 anos de muitas histórias e muitos amigos, apaixonados por essa cidade que apesar dos problemas, é linda e merece todo o nosso respeito e o nosso cuidado!

Claro que sozinho, não somos ninguém, e é por isso que hoje, quero fazer um agradecimento especial a vocês, que sempre estão me dando força e me incentivando a continuar nesse trabalho, que apesar de difícil, é muito prazeroso!
Sintam-se abraçados e homenageados!
Quero em primeiro lugar, agradecer aos 1011 seguidores do Fortaleza Nobre:
 
 
Essa postagem é muito especial, pois como solicitei no Facebook, alguns amigos me enviaram fotos bem bacanas, bem a cara do blog:
O amigo Raimundo, além da foto, escreveu um lindo depoimento:
Apesar da festa ser do blog, não posso deixar de agradecer aos amigos da Fan Page Fortaleza Nobre, onde já somos mais de 6.950 e dos 870 seguidores do Twitter!
Obrigada!!!

sábado, 26 de janeiro de 2013

Farol do Mucuripe - O velho e os novos



Farol em 1940 - Arquivo O Povo

Farol em 1972 - Arquivo O Povo
O velho Farol do Mucuripe é uma construção em alvenaria, madeira e ferro, em estilo Barroco. Uma das mais antigas edificações de Fortaleza. Foi durante muito tempo referência para embarcações que aqui aportavam. O velho olho do mar, como era conhecido, foi desativado em 1957. No período de 1981 a 1982, foi reformado para abrigar o Museu do Jangadeiro, depois Museu do Farol, cujo acervo fazia referência a Fortaleza Colônia. Faz parte do Patrimônio Histórico, sendo um dos mais belos pontos turísticos da cidade. Infelizmente está fechado a visitação e o pior, em péssimo estado de conservação!

Em 17 de agosto de 1826, foi aprovado o plano do Farol do Mucuripe, por D. Pedro, sendo aberto o edital de concorrência a três de novembro, mas a construção só se iniciou em 1840.

O Farol do Mucuripe foi terminado em 17 de novembro de 1846, construído pelos engenheiros Júlio Álvaro Teixeira de Macedo e Luís Manuel de Albuquerque Galvão e do Maquinista Trumbull (Truberel).

Sua localização é Avenida Vicente de Castro s/nº, na Ponta do Mucuripe.

Farol em 1978 - Arquivo O Povo

Farol em 1980 - Arquivo O Povo

Farol em 1981 - Arquivo O Povo

Farol em 1981 - Arquivo O Povo

Farol em 1982 - Arquivo O Povo

No dia 29 de julho de 1871, começou a funcionar o farol giratório do Mucuripe (Farol do Mucuripe), comemorando o aniversário da Princesa Imperial.
O Farol foi mandado construir, em virtude da lei nº 60 de 20 de outubro de 1838. 
O farol tem a localização: Latitude sul 3º, 45'10" e longitude oeste de Greenwich 38º, 35'9".
Sua luz era visível a 24km de distância, piscando a cada minuto.
O foco luminoso elevava-se a 33m26, ao nível da preamar e contava com três faroleiros.


Farol em 1983 - Arquivo O Povo

Farol em 1987 - Arquivo O Povo

O primeiro faroleiro foi João Rodrigues de Freitas.
Foi desativado em 1958, quando foi inaugurado o novo farol.
Abandonado, foi restaurado em 1981/82, pela Divisão do Patrimônio Histórico e Artístico da Secretaria de Cultura e Desporto do Estado do Ceará.

Farol em 1989 - Arquivo O Povo

Farol em 1990 - Arquivo O Povo

Alguns fatos Importantes:
  • 09 - setembro - 1929 - Realiza-se prova de natação do Farol do Mucuripe à Ponte Metálica, saindo vencedor Wandemberg Gondim Colares, seguido de Wilson Amaral, Pedro Araújo e Francisco Conrado da Silva.
Farol em 1991 - Arquivo O Povo
Farol em 1991 - Arquivo O Povo
  • 22 - abril - 1950 - A Imobiliária Antônio Diogo põe à venda loteamento com área de 7km de comprimento por 600m de largura, do Farol do Mucuripe à barra do Rio Cocó, a futura Praia do Futuro.
Farol em 1994 - Arquivo O Povo

Novo Farol do Mucuripe

Novo farol do Mucuripe recém inaugurado. Hoje no entorno
temos o Conjunto São Pedro, Alto da Paz e Morro da Vitória.
Arquivo Nirez
Em 13 de maio de 1958, chega o material para o início da construção do novo farol nas dunas do Mucuripe que substituiria o velho farol. Seu alcance era de 40 quilômetros.

Em virtude do início do funcionamento do novo Farol, cuja inauguração oficial se deu no dia 15 de dezembro de 1958, o velho farol foi desativado.

Inaugurado no alto das dunas do Mucuripe, o Farol Novo já vinha funcionando desde o dia 13, em substituição ao velho Farol do Mucuripe que foi desativado naquele dia.

    Arquivo Nirez
    Farol novo no final dos anos 70. Acervo  F Carlos de Paula
No dia 25 de janeiro de 1959, o velho Farol do Mucuripe, foi objeto de artigo de Gustavo Barroso, que fez revelações sobre as origens daquele ‘baluarte da nossa civilização’. Através dos séculos permaneceu como roteiro aos navegantes no extremo da ‘língua arenosa que avançava para o Atlântico. Não conservou a cor branda de outros tempos, plantado ali como círio devocional’.

Artigo de Gustavo Barroso
Durante a Semana da Marinha, em 12 de dezembro de 1959, era entregue o antigo Farol do Mucuripe, ao Serviço do Patrimônio da União.

Em 25  de junho de 1971, a Capitania dos Portos doa à Prefeitura de Fortaleza, totalmente recuperado, o velho Farol, para ser o Museu do Jangadeiro.


Foto Luan Viana
Um novo farol para o Mucuripe - O Farol do Milênio

Considerado o maior farol tradicional das Américas e o sexto maior do mundo, um novo Farol do Mucuripe foi inaugurado na noite do dia 18 de setembro de 2017. O novo equipamento tem 71,1 metro de altura, permitindo uma maior segurança para a navegação na costa cearense.

A obra foi realizada por meio de parceria público-privada entre a Marinha do Brasil e o Grupo Empresarial J. Macêdo. O novo farol possui sistema informatizado e elevador interno. Com investimento de R$ 5 milhões e localizado em terreno da Marinha, o equipamento já vinha operando desde o dia 19 de julho em fase de testes. 

Em construção. Foto: Juscelino Augusto Nogueira

Em construção. Foto: Juscelino Augusto Nogueira

Foto Luana Viana
O presidente do Conselho de Administração do grupo J. Macêdo S.A., Amarílio Macêdo, destaca que com o aumento do limite de altura, o grupo pode ampliar a capacidade de armazenamento de trigo com a elevação dos silos da fábrica localizada no Porto do Mucuripe. Ele também cita que o novo equipamento é considerado o maior farol tradicional das Américas devido à finalidade náutica. “O farol tradicional é o que existe para facilitar a navegação, tanto das pequenas embarcações quanto dos grandes cargueiros e transatlânticos. O tradicionalismo é porque pode existir farol ornamental e com outras finalidades que não seja a de atender a essa necessidade da Marinha do Brasil”, explica.

Arquivo J. Macêdo
Arquivo Diário do Nordeste
O capitão dos portos do Ceará, Leonardo Salema, cita que o novo farol é três vezes mais alto que o anterior, que fica ao lado da nova construção. 

O novo farol é controlado por um sistema de informática, uma tecnologia nova que não tinha no outro farol, que precisava de uma intervenção humana para acender e desligar. Ele passa a ter sistemas redundantes de controle da sua velocidade e de giro, além de alarmes que vão facilitar a operação do farol.

E o destino do farol antigo? De acordo com o capitão dos portos do Ceará, a Marinha ainda não chegou a um consenso.


Mais fotos do antigo farol (Arquivo O Povo):
Arquivo O Povo - Em primeiro plano, placa de bronze retirada do primeiro andar do Farol. Foto de 2013

Arquivo O Povo - Escadaria que dá acesso à entrada principal do Farol. Foto de 2013

 O antes e o depois do farol

Farol em 1998 - Arquivo O Povo

Farol em 2013 - Arquivo O Povo

Arquivo O Povo - Acesso para o primeiro andar do Farol do Mucuripe. Foto de 2013

Jovens se arriscam em escada enferrujada

Jovens se arriscam no Farol do Mucuripe

Pichações tomam a fachada do Farol

 Vista do farol antes e depois



Fonte: Livro Cronologia Ilustrada de Fortaleza de Miguel Ângelo de Azevedo
Jornal O Povo

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