quinta-feira, 29 de abril de 2010

Os Marcos da Ceará Rádio Club - 2ª parte



DÉCADA 1940-49. A INCORPORAÇÃO AOS "DIÁRIOS ASSOCIADOS"

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A década de 1940-49, da qual seis anos já são de administração da empresa pelos "Diários Associados" (fase que se iniciou a 11 de janeiro de 1944, dia da incorporação à rede nacional de emissoras de Assis Crateaubriand) é de constante aperfeiçoamento e melhoria dos padrões de redação e apresentação de programas. Sucedem-se as temporadas de artistas.

Desde Linda e Dicinha Batista, Uyara de Goiás, Manézinho Araújo, Dilú Melo, passando por Raul Roulien, então fazendo sucesso no cinema, foram sucessivas as exibições de grande êxito.

Desse período, depois do desempenho de Dermival Costalima, sucede a primorosa atuação de Antônio Maria de Araújo, em 1944, dando mais condições para a realização de programas artísticos de alto nível.

Coincidindo com a abertura da Livraria Aequitas, é lançado o primeiro concurso radiofônico, do Ceará, de peças de rádioteatro, sob o tema: "Os grandes processos da História". Seria vencedor, com o "Processo de Maria Antonieta", o jornalista Eduardo Campos que, a 4 de setembro desse ano, passaria a integrar os quadros da emissora, onde pontificava, com grande talento (fácil no improviso e inteligente), Paulo Cabral.

Com o nome de Manuelito Eduardo, Eduardo Campos passaria a atuar também como locutor, formando ao lado de João Ramos, Heitor Costa Lima, Mozart Marinho, Aderson Brás, Luzanira Cabral (Stela Maria), Cabral de Araújo, José Lima Verde e Silva Filho, todos expressivos locutores desses anos de ouro da radiofonia cearense.

Nessa década, que se menciona, foram utilizados pela primeira vez os violeiros cearenses, às quartas-feiras, no programa "Paisagem Sertaneja", produzido por Eduardo Campos, que a esse tempo escrevia também "As bailarinas divertem o rei". Mas as horas dos ouvintes passam a ser dedicadas principalmente aos programas de rádioteatro, quando fazem sucesso várias histórias romanceadas, em capítulos, não só no horário chamado nobre, o noturno, mas também pela manhã, às 9 h, quando vai ao ar a novela "As pupilas do Senhor Reitor", e, logo depois, "Os fidalgos da Casa Mourisca".

Registre-se que a primeira novela apresentada pela Ceará Rádio Clube, ao vivo, com o seu próprio "cast", foi o seriado de Amaral Gurgel, "Penumbra", inaugurando o horário das 20 h.
A história de Amaral Gurgel repetiu em Fortaleza o êxito alcançado no sul do País, ao microfone da Rádio Tupi. E logo a esta os ouvintes puderam seguir as emoções de "Rosa de Sangue", outra novela de impacto.

Eduardo Campos escreveu então a primeira novela cearense, radiofônica, "Aos pés do tirano", que se transformou em sucesso não apenas no Ceará mas em todo o Nordeste. Eram destaques como galãs, nos principais espetáculos de rádioteatro, os irmãos Paulo e José Cabral de Araújo.

Com o ingresso de João Ramos no elenco de locutores e artistas da Ceará Rádio Clube, formou-se a dupla de românticos (João Ramos - Laura Santos) que se tornou ídolo do chamado "teatro ego" (denominação desses dias), subindo então para cinco os radialistas oriundos de um mesmo lugar. Vieram de Guaiúba (município de Pacatuba), onde nasceram, para atuar no rádio cearense, precisamente na Ceará Rádio Clube: João Ramos, Paulo Cabral de Araújo, José Cabral de Araújo, Luzanira Cabral e Manuelito Eduardo.

A estação fundada por João Dummar inovou em tudo, até em transmissões esportivas. O primeiro noticiário de esportes foi organizado e apresentado por jornalista extremamente talentoso, no caso o comentarista Miguel Picanço, que se escondia sob pseudônimo de
P. Teleco.






A PRIMEIRA PARTIDA DE FUTEBOL PELO RÁDIO. CABRAL DE ARAÚJO E ODUVALDO COZZI. O "NATAL DOS LÁZAROS"


A transmissão pioneira de futebol foi levada a efeito por José Cabral de Araújo, do estúdio das Damas (e não diretamente do campo), com Rui Costa Souza, este realmente assistindo à partida no Prado, de onde, por linha telefônica, relatava ao primeiro todos os lances do prélio. Graças a esse artifício, os que estavam na cidade puderam acompanhar todo o jogo narrado com maestria pelo locutor, que se julgava presente.


A primeira reportagem esportiva, de nível profissional, foi efetuada algum tempo depois pelo grande radialista Oduvaldo Cozzi. Em Fortaleza não apenas reportou futebol, mas realizou programas e entrevistas, ouvindo a intelectuais, principalmente na "enquete" que ficaria lembrada de todos, questionada nesta indagação: "Qual o mais fiel espelho do mundo moderno?"

Vale a pena ser ressaltado que desde cedo os que dirigiam a Ceará Rádio Clube perceberam a importância do rádio no 'trato de problemas sociais, preocupação que se tornou um dos objetivos da empresa, na conquista de sua audiência e notoriedade.

Seu primeiro movimento filantrópico foi a campanha em favor dos hansenianos, a atender a apelo do humanitário médico Antônio Justa, que sugeriu a criação do "Natal dos Lázaros", promoção caritativa que a emissora liderou ao longo de 38 anos.


Natal dos Lázaros - Abertura da Campanha dos Lázaros - vendo-se sentados Tereza Moura, (grande incentivadora) e Otacílio Colares. Sentados da direita para esquerda Walter de Moura Cantídio, Orlando Mota, João Jaques Ferreira, Almir Pinto. O de óculos é José Cláudio Correia e o que olha para Tereza Moura é o leprólogo Dr. Dedé Morais.

Natal dos Lázaros - De pé, na apresentação do Show para os hansenianos (anos 60) o radialista Manuelito Eduardo Campos, que participou da Campanha por 32 anos.


Natal dos Lázaros - Visão dos hansenianos no Auditório do Teatro da Colônia Antônio Diogo (anos 60) por ocasião da entrega de donativos da Campanha promovida pela Ceará Rádio CLub.



Natal dos Lázaros - Entrega de donativos ao Leprosário de Antônio Diogo (anos 60). Ao centro, Aderson Braz, Manuelito Eduardo e José Ramos.

Vindo a Fortaleza, em temporada artística, dois ou três anos depois da efetivação da campanha "Natal dos Lázaros", Sílvio Caldas compareceu aos dois leprosários, estabelecendo então, sob a denominação de "São João dos Lázaros", outra promoção que prevaleceria por mais de vinte anos.

Campanha em prol da Santa Casa de Misericórdia de Fortaleza.

Foi memorável no Ceará a Campanha em favor da Santa Casa de Misericórdia, nos anos quarenta, quando aquele hospital esteve para cerrar as portas a indigentes.

A Ceará Rádio Clube liderou a luta impulsionada por Paulo Cabral, Manuelito Eduardo e Luciano Carneiro, este último egresso do "Correio do Ceará".

Continua...

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