sexta-feira, 15 de junho de 2012

Gran Circo Español



Final das tardes. Por mais de uma semana. Garotos e adultos esperavam a passagem do bloco alegre anunciador da novidade. À frente um palhaço com trajes coloridos, simulada calva, colarinho e cintura da calça exageradamente grandes, a cambalhotar e pilheriar. Um anão, um disfarçado em gigante com pernas de pau e uma moça trajada de bailarina, montada em cavalo branco, guiavam o cortejo completado por adolescentes. 

A animação tomava conta do grupo. Cantilenas humorísticas e satíricas do provocador de risos eram respostadas em refrãos pelos acompanhantes, ganhadores de entradas gratuitas.

Acervo do colecionador Luís Cubo

Das portas das casas e calçadas, a curiosidade pública assistia ao alegre desfile anunciador do “maior espetáculo de todos os tempos, com produção espanhola e artistas famosos”.

Parangaba e bairros vizinhos receberiam o grandioso acontecimento circense jamais visto, segundo panfletos de precária impressão, em papel-jornal, distribuído de mão em mão.

Acervo do colecionador Luís Cubo

Chegado o dia da estréia. Mesmo não sendo grande como os circos Garcia, Nerino e Vostok, que raramente vinham a Fortaleza, empolgava o público espectador. 



Espetáculo dedicado às Forças Armadas em Fortaleza, 1945 / Foto Acervo Circo Nerino

Circo Nerino na Praça Clóvis Beviláqua, em 1933 / Foto Arquivo Circo Nerino


Tecido de inferior qualidade, substituto da lona, circundava a arena. Coberta não possuía. Cadeiras, em volta do picadeiro, vinham das casas do respeitável público. As arquibancadas – gerais, como denominadas, – formavam-se por tábuas, escalonadas em níveis diferenciados e fixadas sobre cavaletes. 


Imagem meramente ilustrativa

Uma espécie de tenda servia para acesso dos artistas e, também, de palco. 

A denominação Gran existia no entusiasmo, Circo, no fazer acontecer da magia mambembe e, Español, na nacionalidade dos irmãos Gálvez, os proprietários.  

Foto de 1934 - Em destaque, um circo armado na Praça dos Voluntários

O palhaço com piadas, chistes, saltos e danças, era o artista maior. Trapezistas em piruetas no ar. Acrobatas e malabaristas no desafio à gravidade e ao equilíbrio. Contorcionista com flexibilidade corporal impressionante. Mágico na transformação do ilusório em quase realidade. E, ao final da função, uma peça teatral. Por vezes, ante as inexperiências dos atores, cenas tristes levavam a plateia ao riso. Era o verdadeiro circo de manifestação popular, espontânea.

Geraldo Duarte


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Crédito ao querido amigo Geraldo Duarte, que é advogado, administrador e dicionarista.

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