Fortaleza Nobre | Resgatando a Fortaleza antiga : Usina Gurgel
Fortaleza, uma cidade em TrAnSfOrMaÇãO!!!


Blog sobre essa linda cidade, com suas praias maravilhosas, seu povo acolhedor e seus bairros históricos.
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quinta-feira, 26 de julho de 2012

O Otávio Bonfim dos velhos tempos...


Avenida Bezerra de Menezes - Arquivo Nirez

Na escala do tempo, quarenta e tantos anos já fazem uma boa diferença. Isso se verifica com as pessoas, principalmente, e também com os locais onde as coisas, outrora, acontecem.

Na década de sessenta, por exemplo, o bairro Otávio Bonfim, oficialmente Farias Brito, na zona oeste da capital, tinha um charme bem particular. Não era de classe alta. Também não estava na linha da pobreza.

O que mais o diferenciava de outros, existentes em Fortaleza, naqueles idos, era o clima de família que reinava ali, campeando entre as arvores centenárias que se erguiam na Praça com o nome oficial de Libertadores.

Em cada canto, era comum ver-se mulheres com uma banquinha de café, fazendo fogo ali mesmo e lavando os utensílios em alguidar de barro, deixando a água escorrer pelas coxias.

De vez em quando tinha uma espiga de milho cozida, uma tapioca de goma fresca, sem respeito às normas de higiene, é claro, mas tão gostosas que até se esquecia de alguns prováveis transtornos gastrointestinais.


Avenida Bezerra de Menezes - Arquivo Nirez

Os moradores de bairro tinham uma intimidade bem grande com aquela pracinha. Aposentados ficavam ali papeando, casais de namorados aproveitavam o bucolismo do local, para as costumeiras juras de amor, donas de casa levavam os filhos pequenos para andar de velocípede ou mesmo bicicleta, transeuntes iam e vinham despreocupados, ou com alguma preocupação, que isso já era frequente antes mesmo da virada da economia.

Não havia lugar mais apropriado que a pracinha, para ler os jornais do dia, inclusive a Tribuna do Ceará, de saudosa memória. Muita gente circulava por ali, justo porque lá era ponto de desembarque dos ônibus que vinham do interior, com entrada pelo Antônio Bezerra.

A praça e a Igreja de Nossa Senhora das Dores pareciam geminadas, sequer dando oportunidade de se pensar em uma, sem estar pensando na outra. Até se tinha a impressão de que a primeira era uma extensão da segunda, e vice-versa.


Belíssima vista da Igreja de Nossa Senhora das Dores tendo ao lado o Posto Carneiro & Gentil - Arquivo Nirez

Era só atravessar o passeio de pedra tosca, entre as ruas Justiniano de Serpa e Dom Jerônimo, e lá se estava em frente ao Santuário de Santo Antônio, parede e meia com a igreja.

Nos dias de terça-feira, acontecia a distribuição do pão dos pobres. Nem se falava do Lula, mas o bairro, ou melhor, os frades franciscanos do Otávio Bonfim, já engatavam movimentos sociais de combate à fome, com a ajuda dos paroquianos.

Uma grata recordação que vem daqueles tempos está ligada ao Cine Familiar, que ficava na lateral esquerda da igreja, fazendo quina com a Rua Dom Jerônimo. O Vavá era o grande artífice da 7 ª arte.


Posto Carneiro & Gentil - Situado na Avenida Bezerra de Menezes. O catavento da fotografia ficava no quintal da casa em que morava a família Gurgel Carlos, na rua Justiniano de Serpa, nº 53 - Arquivo Nirez

Era ele que cuidava da exibição das películas, já que sabia só tudo sobre como manejar os rolos na velha geringonça, fazendo hoje com que nos lembremos do Cinema Paradiso.

Tudo isso se foi na enxurrada do tempo, mas o que até agora não sai das retinas cansadas, nem dos ouvidos adormecidos, é a imagem do trem, meio sujo, vindo dos lados do Acarape, rodando e rangendo sobre os trilhos presos aos dormentes, que iam dar na Estação João Felipe. Poderia ser o inverso, se o destino mudasse para Maracanaú.

Nas manhãs de sábado, não tinha passeio melhor do que pegar os filhos menores, subir no trem, e, de joelhos, nas poltronas rasgadas, acompanhar, das janelinhas abertas, o desfile de casas, árvores, pessoas que, indiferentemente à observação, postavam-se à beira do caminho.

Arquivo Nirez

Não se sabia, àquelas alturas, o que era uma bala perdida. No entanto, vez por outra, um garoto mais afoito pegava sua baladeira e conseguia estraçalhar a vidraça ou alcançar a cabeça de um passageiro menos avisado. Quem morava nas imediações da linha férrea, junto à parada do trem, no Otávio Bonfim, costumava despertar com o som estrépito da máquina, anunciando sua chegada à estação.

Muitos dos moradores da área residiam em casas construídas pela RVC, no último quarteirão da Rua Domingos Olimpio e já na Av. José Bastos, indo para a Av. Bezerra de Menezes.

Na verdade, o ícone de maior destaque, naquele quadrilátero urbano, era a Igreja de Nossa Senhora das Dores, apinhada de fiéis, nas missas dominicais, e que, em tempo de festa, "mandava ver" com grandes atrações, incluindo, barracas, quermesses, lembrando antigos costumes das cidadezinhas do Interior.

Av. Bezerra de Menezes em 1982 

Aquele pedaço de Fortaleza foi sempre um reduto da Família Gurgel. Se não era parente, era amigo ou conhecido. Na Rua Justiniano de Serpa, morava D. Dulce Gurgel Valente, mãe do Fernando, dono da Mecesa, do Flávio, funcionário do Dnocs, da Adélia e da Fernanda.

Do outro lado da Bezerra de Menezes, já depois da linha do trem, ficava a Siqueira Gurgel. Era lá onde se fabricava o Sabonete Sigel, o óleo Pajeú, a gordura de coco Cariri e o famoso sabão Pavão.

Arquivo Nirez

Havia, na época, um jingle muito popular: "uma mão lava a outra com perfeição, e as duas lavam roupa com sabão pavão". O óleo de algodão Pajeú, produzido na Siqueira Gurgel, ficou na história, isso porque a lata trazia estampada a figura de uma negrinha de tranças, bem sapeca em seus modos. Os tempos mudaram, a Siqueira Gurgel foi vendida e a área pertence hoje a uma rede de Hipermercado.


Ninguém lembra mais que na confluência da José Bastos com Bezerra de Menezes havia a Farmácia da D. Rosélia, mãe dos Professores Benito e Lúcio Melo, servindo a toda a população do bairro, necessitada de remédios, curativos e injeções.

Otávio Bonfim - Acervo Marcelo Gurgel

A pracinha, mesmo depois de passar por sucessivas reformas, que lhe presentearam com canteiros, mudas de plantas, calçamento novo, perdeu um bocado do seu encanto. Ficou menos bucólica e mais suja.

A Sumov, então, deu lugar à Regional I, tornando-se um ninho de políticos ligados à gestão municipal. O que não mudou, foi a questão física do perímetro. Por um lado, caminha-se para o Beco dos Pintos, por outro, vai-se para o Cercado do Zé Padre.

Essa é uma versão de Fortaleza, em tempo real. Há marginalidade, há religiosidade, há urbanidade, tudo convivendo democraticamente, em que pese a violência instituída que está impondo aos moradores do bairro fechar suas portas, tão logo o sol descamba na linha do horizonte. Sinais dos tempos!

"Matadouro do Otávio Bonfim, que funcionava perto da estação de trem e onde hoje está o prédio da regional I, ao lado da pracinha. O Matadouro existiu até o ano de 1926. Fortaleza teve quatro matadouros. O primeiro matadouro foi no centro; o segundo, foi este do Otávio Bonfim, o terceiro foi o do Jardim América e o quarto era o Frifort, depois dele, não surgiu mais nenhum e hoje a população não sabe a origem da carne que consome." Nirez

Otávio Bonfim & Farias Brito
Muitas pessoas chamam o bairro de Otávio Bonfim, no código urbanístico da cidade tem, na verdade, o nome de Farias Brito. De igual forma, a praça que fica em frente à Igreja de Nossa Senhora das Dores, diferentemente do que imaginam os transeuntes, é denominada Praça dos Libertadores. Otávio Bonfim, assim conhecido o bairro Farias Brito, foi integrante do quadro de pessoal da antiga Rede de Viação Cearense, tendo sido por conta da sua condição de engenheiro, responsável por obras da RVC, que a sua figura ficou vinculada àquela área da cidade, dando nome, inclusive, à primeira estação do trem, após sua saída do terminal, no centro de Fortaleza, na direção norte-sul. O cine Familiar, vizinho à Igreja das Dores, por muitos anos, até o final da década de 1960, polarizou a atenção do moradores do bairro, que tinham ali um ponto de encontro para assistir filmes projetados, com o maior cuidado, pelo Vavá, um amante, como poucos, da sétima arte.

As pessoas confundem Praça das Dores com Praça do Otávio Bonfim. Na verdade, nem uma coisa nem outra. A praça é dos Libertadores e, se por acaso, tornou-se conhecida como Praça das Dores, o fato deveu-se à Igreja de Nossa Senhora das Dores, ali construída em 1932, e entregue aos frades franciscanos, muito dos quais alemães, empenhados em difundir a palavra de Cristo, entre os moradores da área, especialmente o grupo de jovens, fossem eles mais ou menos abonados.


 
Linda casa do bairro - Arquivo Nirez

A história do bairro, que de direito é Farias Brito, e de fato, é chamado de Otávio Bonfim, ganhou notoriedade por seu ecletismo, haja vista o registro de uma convivência pacífica entre quem, por exemplo, trabalhava, sol e chuva, no ferro velho, junto ao Mercado São Sebastião e quem, como o Sr. Jusako, cultivava flores, no Jardim Japonês. O catolicismo, por sua vez, convive em paz, com outras manifestações religiosas, haja vista a existência, no bairro, de muitos cultos evangélicos.

 
Arquivo Nirez

A renda 'per capita' dos moradores também é bastante variável. Há comerciantes, profissionais liberais, residindo na área, do mesmo modo que a marginalidade também dá suas caras ali, sendo os abusos coibidos pelo 3º Distrito Policial, instalado bem ao lado da linha do trem. O charme do bairro está na sua diversidade e, certamente, no clima de interior, que ainda circula por lá.




Créditos: Diário do Nordeste (Elsie Studart Gurgel/Marcelo Gurgel) e Arquivo Nirez

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Fábricas em Fortaleza



Fábrica de sorvetes Gelatti que ficava na Avenida Barão de Studart esquina com a Avenida Soriano Albuquerque. No local hoje está a firma Gerardo Bastos S/AA cantora Ayla Maria foi uma das garotas propaganda da Gelatti. 
A fábrica foi inaugurada em 18 de janeiro de 1971, em prédio na Avenida Barão de Studart nº 3200. A fábrica de sorvetes pertencia a Frios Nordeste S. A. (Frinosa), do Grupo Sérgio Filomeno. Arquivo Nirez

"A Gelatti, marca uma nova era, um divisor de águas, pois antes existiam pequenas fábricas de picolés semi-artesanais como a "Princesinha"(na Barão de Aratanha dos irmãos Arruda) e a Gelatti se estabelece com equipamentos modernos, em escala industrial, onde até o carrinhos eram diferentes e os vendedores, trabalhavam uniformizados e de boné." Eymard Freire

Letra da canção que Ayla Maria cantava no comercial de TV: Gelati, o sorvente quente/ Gostoso, gostosíssimo/ É o melhor/ É pra frente/ É o sabor, é o sabor que a gente sente. Gelaaaatti.  By Ricardo Guilherme

"Foi uma verdadeira modernização na cidade a chegada do Gelatti, com sua fábrica transparente, onde a gente passava de circular e via os trabalhadores operando as máquinas, com seus carrinhos padronizados e vendedores de farda." Nirez


Fábrica de Tecidos São José, na esquina da Avenida Filomeno Gomes com Av. Tenente Lisboa, atrás do Cemitério São João Batista e ao lado da Escola de Aprendizes Marinheiros e próximo a Igreja de Nossa Senhora dos Navegantes no Jacarecanga. Arquivo Nirez


Fábrica Miramar, Instalações Industriais de Brasil de Matos & Cia., produtora do Café Sertanejo e do Café Baturité e os carros são da mercearia "A Brasileira", do mesmo proprietário.

"A Fábrica Miramar de Ernesto Brasil de Matos & Cia. ficava na Avenida Monsenhor Tabosa no tempo em que só existiam casas de morada e o Seminário Arquiepiscopal, por volta de 1930. Na época o porto de Fortaleza era a Ponte Metálica." Nirez


Fábrica Progresso, de Thomaz Pompeu na Av. do Imperador

Fábrica Progresso foi a primeira fábrica têxtil de Fortaleza, iniciando sua industrialização.

"A Fábrica de Tecidos Progresso foi resultado da fusão Fábrica de Fiação e Tecidos Cearenses, fundada em 1883 e a Fábrica Progresso fundada em 1899. Ficava no quarteirão que tinha as ruas: ao sul - Antônio Pompeu; ao norte - Clarindo de Queiroz; ao nascente - Av. do Imperador; e no poente, a Rua Princesa Isabel.
não há mais nenhum resquício desse prédio." Nirez


Fábrica Vitória, de Homero Barbosa Lima & Cia., sucessores da Fábrica de Destilação Santo Antônio, na Rua Senador Alencar nº 16 (antigo). Fábrica fundada em 1905.

"Interessante é que na parede do estabelecimento a firma está como "Homero Barbosa Lima & Cia", enquanto no Almanak Hénault a firma vem como "Homero Batista Lima & Cia". A numeração é antiga e por isto não sabemos a localização exata para verificar o que existe hoje no local." Nirez


Fachada da Fábrica Araken

"Quem não se lembra das marcas de cigarros "Princeza", "Princezita", "Garoto", "Garotinho", "Sonho Azul", "Globo", "Kennel Club", "Zig-Zag", "Peito de Vaca", "Baker", todos fabricados pela Manufatura de Cigarros Araken, de Diogo & Cia.? Pois esta era a fábrica, na Rua Dona Teresa, ou Thereza Christina, entre a Pedro I e a Duque de Caxias.
Todos os cigarros fabricados em Fortaleza nenhum tinha filtro." Nirez


Arquivo Nirez

Em 12 de outubro de 1919 é fundada em Fortaleza, a Usina Gurgel, da firma Teófilo Gurgel Valente, em solenidade que contou com a presença do presidente do Estado, João Tomé de Sabóia e Silva, o governador do Arcebispado, monsenhor Joaquim Ferreira de Melo, o presidente da Associação Comercial do Ceará, coronel José Gentil Alves de Carvalho, o diretor da Rede Viação Cearense, Henrique Eduardo Couto Fernandes, etc.
Seria depois Usina Ceará ou Siqueira Gurgel.



Fachada da Usina Gurgel que ficava para o lado da Avenida José Bastos, hoje Avenida José Jatahy. Nirez

No dia 05 de dezembro do ano 2000, é inaugurado no local antes ocupado pela Usina Gurgel, o Hiper Bompreço. Nirez

 

Fábrica de Café Taki

"Este prédio foi construído no início da década de 1950 pela fábrica de Café Taki e funcionou algum tempo assim. Depois o prédio foi ocupado pelo Café Mucuripe. Atualmente eu não sei quem ocupa o prédio. Antigamente ele ficava atrás da Nebran e hoje fica por trás do Farias Brito Júnior. Fica na Rua Barão do Rio Branco, esquina com Rua Padre Miguelino." Nirez





Crédito: Arquivo Nirez

NOTÍCIAS DA FORTALEZA ANTIGA: