Fortaleza, uma cidade em TrAnSfOrMaÇãO!!!


Blog sobre essa linda cidade, com suas praias maravilhosas, seu povo acolhedor e seus bairros históricos.


terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Memórias de menino - Dias de chuva na Vila São José





"Somente quando crescemos é que o tempo nos responde, o quanto pesa a responsabilidade em ser um chefe de família. Nesta estação chuvosa (não digo invernosa) o que o organismo pede é que durmamos um pouco mais, e na meninice nem sequer abríamos os olhos para o salutar e fraternoBom dia com a benção de Deus para aquele que cotidianamente sai entre os percalços da natureza, a fim de cumprir sua labuta obedecendo seu dever de consciência. 

Em minha humilde casa de operário, só quem dormia nos quartos em separado, eram minhas quatro irmãs, porque o macharal era espalhado na casa com as redes nos compartimentos, e tendo que dividir um armador para dois punhos. Nove horas era o nosso café, mas mãe é mãe, e nos deixava à vontade. Ela já estava acordada desde cedo, para atender meu pai na saída. 
Ainda sob à garoa, íamos para um típico lazer em dias de chuva. A areia tinha que está em volume e úmida, onde se lançava uma peça de arame grosso ou ferro trefilado ao chão fazendo riscados em que se encontravam os triângulos ou que picotasse um peixe que se desenhava. Exigia-se muita atenção e coordenação motora, senão o acidente era inevitável. Em alguma casa na Rua Maria Luíza, alguém era fã do Roberto Carlos, e as músicas eram: É Proibido Fumar, Brucutu, Minha História de Amor... 



Hoje não se vê mais graça para essa brincadeira. O “Modernismo”, a televisão como escola de violência, as redes sociais desvirtua e muito o sentido, e com a inversão de valores as pessoas deixam de ser gente para ser contato ou coisa. Ninguém quer mais o olho no olho, corpo a corpo para o diálogo. A boa vizinhança foi acabada, e a televisão acabou dentro de casa. A brincadeira do ferrinho foi embora pro passado; todas as vezes que chove, minha mente salta para as castanholas da Avenidinha da via férrea que lá ainda estão. Os transeuntes pisam no local onde outrora foi palco de alegria e competição, em nossa dispensação da inocência. 
Ao entardecer as arandelas da Conefor com sua triste e amarelada luz incandescente eram ligadas e íamos para o jantar. O que nos fazia ainda permanecer na rua era a tomada de banho nas bicas, mas quando começava os trovões e relâmpagos nos recolhíamos. O único espetáculo existente nessa hora era sonoro, quando alguma composição ferroviária passava circulando a Vila. Ocorria o gemido dos pesados rodeiros do trem sobre o trilho molhado, naquela curva de 90 graus. O silencio era predominante na vila, afinal, o operariado é antagônico e prefere seu asilo. As chuvas fortes nos atemorizavam, mas sabendo que meu pai já estava em casa, a tranquilidade nos adormecia."

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

Pharmácia Mamede - A primeira do Ceará


Na foto, vemos o fundador Antônio Paes da Cunha Mamede posando em frente a sua farmácia em Fortaleza. A foto é provavelmente da inauguração.

A Farmácia Mamede, tida como a mais antiga de Fortaleza, foi fundada no Brasil em 08 de dezembro de 1829 (Ver o próximo recorte de jornal), na Paraíba, pelo farmacêutico Antônio Paes da Cunha Mamede, formado pela antiga Escola de Farmácia de Lisboa. O diploma de Antonio Paes foi assinado em 13 de setembro de 1827 pela então regente Izabel Maria. Foi considerado um dos melhores farmacêuticos de seu tempo, formou-se com apenas 18 anos.
Antonio Paes da Cunha Mamede, era filho de Francisco Antonio Mamede (31 de Março de 1782 - Sameice¹ /… 24 de Setembro de 1829 - Sameice) e de Anna Joaquina Paes da Cunha Mascarenhas Mamede (1786-1848). Nasceu em 01 de julho de 1809. Foi o primeiro Mamede a vir para o Brasil (que se tem registro). Antonio Paes foi o quarto filho de um total de quinze. Natural da Vila de Cameica, Portugal, estudou Farmácia no Convento de Santa Cruz em Coimbra, tendo depois se estabelecido em Vila Nova de Tazem

Como mencionado no histórico de vida de Antônio Paes, a criação da farmácia se deu inicialmente na Paraíba, logo ao chegar ao Brasil, data esta que inclusive consta em algumas propagandas posteriores, a exemplo deste recorte do Jornal A Razão de 1930. O equívoco do jornal é mencionar a data de 1829 como sendo da inauguração já em terras alencarinas.


Envolvido pela crise de 1828 e após a morte de seu pai Francisco Antonio Mamede em 1829, migrou para o Brasil, tendo chegado no dia 16 de março de 1829, instalando-se na capital da Paraíba, onde iniciou a vida profissional na indústria de artefatos Cipó, em sociedade com João José Saldanha Marinho. Casou-se com a pernambucana Joanna Deolinda de Mendonça, vindo no navio São Salvador de mudança para Fortaleza em 1842 e fixando residência. Em Fortaleza, continuou a atividade. Nesta data Antônio Paes comunicou aos vizinhos e conhecidos que caso tivessem necessidade, o mesmo poderia atender no preparo de alguns medicamentos. Devido a este fato, alguns registros históricos apresentam a data de 08 de dezembro de 1842 como a data de fundação da Farmácia em Fortaleza, estando portanto esta informação se restringindo apenas ao funcionamento (ainda informal). 


Ainda em 1842, quando da obrigação da Declaração de Estrangeiro imposta pelo Código Criminal do Império, declarou na mesma ser natural de Cameica, que tinha a estatura regular, cor banca, cabelos estirados, olhos pequenos, nariz e boca regulares, barba cerrada e rosto comprido.  
Na capital cearense, Antônio Paes somente atuava na produção e desenvolvimento de fórmulas em sua casa e apenas com o grande desenvolvimento do negócio, em 1849, mais precisamente em 15 de maio, resolveu formalizar o estabelecimento com os devidos registros burocráticos. Nesta data Antônio Paes fez questão de colocar em destaque na parede, o seu certificado de farmacêutico emitido em 13 de setembro de 1827 pela antiga Escola de Farmácia de Lisboa.

Acervo Márcio Mamede





Em relação às mudanças de local, a Farmácia iniciou suas atividades na Rua Formosa, hoje rua Barão do Rio Branco nº 13 (antigo). Em 1881 passou a funcionar na Rua Major Facundo (antiga Rua da Palma) em número desconhecido. De 1908 a 1912 os anúncios da Farmácia passaram a apresentar como endereço, a Praça Senador Paula Pessoa que mais recentemente passou a ser Praça São Sebastião. A partir de 1918, a Farmácia passou por alguns locais da Rua Major Facundo, a exemplo do número 107 em 1918, número 241 em 18 de dezembro de 1921, número 251 em 1923 e número 253 entre 1925 e 1931. Posteriormente passou a funcionar na Rua 24 de maio em 1958 quando da morte de José Mário.


Em 1962 não se tinha mais previsão de que a Farmácia Mamede continuaria por mais tempo no mercado. Já quase sem movimento, era visível a sua crise. Percebeu-se que estava deslocada no tempo, já passando quase a uma atração turística da cidade, uma peça de museu.



A Farmácia fechou as suas portas em meados de 1967 ocasião em que ficou fechada mas com toda a estrutura interna intacta, vindo a ser totalmente desmontada por volta de 1969. Os que passaram por aquele quarteirão da Rua 24 de Maio na Praça José de Alencar por certo estão lembrados daquela farmácia que marcou época em Fortaleza.

Agradecimento: Márcio Mamede



Notas sobre a farmácia Mamede em jornais da época:


 









Fatos Históricos - Cronologia Ilustrada de Fortaleza de Miguel Ângelo de Azevedo (Nirez)

  • 08/dezembro/1842 - Surge em Fortaleza, a Farmácia Mamede, na Rua Barão do Rio Branco nº 13 (antigo), fundada por Francisco Antônio Mamede que depois pertenceria à Firma Mamede & Filho e depois a Mamede & Irmão




  • 18/fevereiro/1875 - A Farmácia Mamede, que na época era da firma Mamede & Filho, formada pelo farmacêutico Antônio Mamede e seu filho Catão Paes da Cunha Mamede (Catão Mamede), passa a pertencer à firma Mamede & Irmão, formada por Catão Paes da Cunha Mamede (Catão Mamede) e Antônio Paes da Cunha Mamede Júnior.

 
 
  • 14/abril/1914 - Morre em Fortaleza o farmacêutico Catão Paes da Cunha Mamede (Catão Mamede), ex-deputado e ex-vereador e arquiteto.Dirigiu, com seu irmão Antônio Paes da Cunha Mamede, a Farmácia Mamede.Era Paraibano nascido em 28/12/1829.Hoje é nome de rua na Aldeota

¹ Antiga freguesia portuguesa do concelho de Seia




domingo, 29 de janeiro de 2017

8 Anos - Fortaleza Nobre e saudosista



No dia 29 de janeiro de 2009, nascia o Fortaleza Nobre!
A ideia de criar o site aconteceu sem pretensão nenhuma, foi somente para arquivar as fotos que eu sempre gostei de colecionar da Fortaleza antiga. Sempre tive curiosidade de saber mais da minha cidade, daquela Fortaleza que eu só conhecia através dos relatos do meu saudoso pai e dos livros de história. Minha maior curiosidade era descobrir os nomes atuais das ruas, aqueles nomes tão simples e charmosos descritos por Adolfo Caminha no seu 'A Normalista'. Aqueles caminhos narrados por Marciano, Nirez, Mozart, Rdo Girão, Rogaciano, Zenilo, Gustavo...


Nesses 8 anos, muitas pessoas, também apaixonadas pela cidade de antigamente, passaram a acompanhar e a sugerir postagens, foram me incentivando a pesquisar mais e mais e aos poucos, vamos resgatando a Fortaleza realmente Nobre! 

Vamos relembrar algumas dessas postagens?

Bondes em Fortaleza


Bonde de tração animal - Fortaleza - 1900. Em 25 de abril de 1880 é inaugurado o serviço de transporte de passageiros por bondes em Fortaleza, no Ceará. A empresa que explorava o serviço era a Cia. Ferro-Carril do Ceará. A frota constava de 25 bondes de 5 bancos cada, e funcionavam de 6 da manhã às 9 horas da noite. A foto é do início do século XX.

Um viajante inglês registrou a existência de bondes em Fortaleza na década de 1870, mas outras fontes afirmam que a primeira linha de bondes puxados por cavalos, entre a estação ferroviária e o centro de Fortaleza, foi inaugurada pela Companhia Ferro-Carril do Ceará (FCC) em 25/4/1880, usando bitola de 1.400 mm a mesma usada pela Trilhos Urbanos na linha de bondes a vapor em Recife. A Ferro Carril da Parangaba abriu uma linha para o lado Sul da cidade em 18/10/1894 e a Ferro Carril do Outeiro (FCO) iniciou sua linha no lado Leste de Fortaleza em 24/4/1896.

Náutico Atlético Cearense


Em 09 de junho de 1929, às 10 hs, é inaugurado o Náutico Atlético Cearense, na Praia Formosa, ou Praia do Magarefe, em terreno de Manuel Borges Teles (Manuelito Borges) sendo, no mesmo dia eleita sua primeira diretoria, que tinha na presidência Pedro Coelho de Araújo, seguido de Júlio Coelho de Araújo (vice-presidente), Ademísio Barreto Vieira de Castro (primeiro secretário), Fernando Fernandes de Melo, Raul Farias de Carvalho (tesoureiro), Wandemberg Gondim Colares, Wilson Secundino do Amaral (Wilson Amaral), José Pompeu de Arruda, Renato Serra, Tomé Coelho de Araújo e José Brasil.
Em 1944 é comprado o terreno da nova sede na Praia do Meireles e em 11 de janeiro de 1948, dá-se o lançamento da pedra fundamental.

3º  Shopping Center Um

Tasso cortando a fita inaugural do Shopping Center Um.Correio do Ceará de 1974. Acervo Lucas Júnior 

Em 06 de novembro de 1974, surge o primeiro shopping center de Fortaleza, o Center Um, na Avenida Santos Dumont nº 3130; São 7 mil e 500 metros quadrados de área coberta, abrigando estabelecimentos comerciais das mais diferentes categorias e estacionamento privativo com 450 vagas, empreendimento do empresário Tasso Ribeiro Jereissati (Tasso Jereissati). Liberalidade com relação ao modo de trajar é uma das características do Center Um, onde existe, ainda, a terminante proibição de gorjetas.
Além de um supermercado Jumbo, 45 lojas servindo das mais variadas maneiras.
Havia o Shopping-Center Aldeota, mas na verdade tratava-se de um conjunto de lojas em aberto, sem nenhuma segurança ou privacidade.

 4º  Ed. São Pedro - Antigo Iracema Plaza Hotel

 Hall de entrada e fachada do Iracema Palace Hotel 

Pertencente à família Philomeno Gomes, o edifício São Pedro também chamado de “Copacabana Palace” da capital cearense. O edifício de arquitetura inspirada nos hotéis luxuosos de Miami Beach, nos Estados Unidos, foi construído em 1951 para ser o primeiro prédio da orla. Com formato de navio, foi idealizado para desenvolver atividades de hotel, condomínio residencial e comercial em meio às casas e o areal da Praia de Iracema.
Só no hotel são mais de 100 apartamentos com salões de convenções, estar, coffee shop e barbearia. São 12 mil metros de área construída, apartamentos com 200 metros quadrados. Vê-se da janela uma das imagens mais bonitas de Fortaleza: a Praia de Iracema.


Um herói chamado João Nogueira Jucá 

 Acervo Luciano Hortêncio

Quando o estudante João Nogueira Jucá morreu, no dia 11 de agosto de 1959, faltavam três meses para completar 18 anos. Ele era um jovem calado, de um coração imenso, humano. Por isso, a família e os amigos não estranharam a atitude que tomou ao entrar no prédio em chamas para salvar doentes que estavam internados na Casa de Saúde César Cals, hoje, Hospital Geral César Cals (HGCC). Apesar da gravidade do seu quadro, em nenhum momento se arrependeu do que fez. "Ele dizia que seu corpo queimava como brasa".
O Major do corpo de bombeiros, José de Melo Neto, observa que João Nogueira Jucá tinha dentro de si um espírito militar e vestiu-se desse espírito para ajudar quem precisava.



Praça da Parangaba com o Prédio da antiga Intendência e a Lagoa-Assis Lima

A Parangaba era uma antiga aldeia indígena que foi catequizada pelos jesuítas da Companhia de Jesus. Foi elevada a condição de vila em 1759 com o nome de Arronches. Foi incorporada a Fortaleza pela lei nº 2 de 13 de maio de 1835 e depois foi restaurado município pela lei nº 2097 de 25 de novembro em 1885 com o nome de Porangaba e finalmente foi incorporado a Fortaleza pela lei nº 1913 de 31 de outubro 1921.
Porangaba, Vila Nova de Arronches, Parangaba. Três nomes, um só lugar. Lugar de Beleza, segundo o poeta. O que hoje é um dos muitos bairros que compõem a grande cidade de Fortaleza (capital do Ceará estado do Nordeste Brasileiro), é também signo do desdobramento histórico cearense, pois encerra nas suas tradições e memórias o passado que remonta aos tempos da colonização lusitana em 1603.

Fortaleza em suas ruas, avenidas, travessas...




"Esta foto data de 1951 e mostra a esquina da Rua Major Facundo com a Rua São Paulo que abrigava uma loja de tecidos pertencente ao Sr. José Meireles. Ficava diagonal com a Casa Victor dos Irmãos Pinto, depois Cimaipinto. Aquele prédio que fica no fundo é o Sobrado Mole, que foi sede da UDN.

O prédio de detrás era um antigo sobrado que nesta época estava sendo usado por várias lojas e escritórios. Parece-me que hoja aí está a Casablanca.

A sombra é do Edifício América, onde funcionou a Cimaipinto. o espaço entre o fim do sobrado e o sobrado mole que se encontra no final, é a praça que fica em frente ao Museu do Ceará. Não foi eberta nenhuma rua. Vejam a perspectiva que a linha da calçada segue exatamente a do sobrado mole." Nirez


Avenida Beira-Mar



Em 10 de janeiro de 1939, Raimundo Araripe, prefeito de Fortaleza, baixa decreto adendo ao Plano Diretor da Cidade, p
roibindo as construções, reconstruções, modificações, reformas de prédios ou quaisquer obras na faixa litorânea de Fortaleza, nas faces norte e nas faixas compreendidas entre elas e o oceano, das ruas e trechos: Rua dos Tabajaras, compreendido o seu prolongamento, a partir do Poço da Draga; Avenida Getúlio Vargas (hoje Avenida Beira-Mar) até a povoação do Mucuripe, inclusive; trecho da faixa oceânica, partindo do Poço da Draga, em direção ocidental, seguindo pelo perfilamento do Arraial Moura Brasil, que faz frente para o mar.
No dia 11 de agosto de 1962, são iniciadas as obras de construção da Avenida Beira-Mar na administração Manuel Cordeiro Neto.

A Beira-mar de Fortaleza foi rasgada só em 1963, porém, ela sempre existiu antes dessa data. As famosas e lendárias praias de Iracema e Mucuripe já despertavam o interesse dos fortalezenses antes de 1963

"Grafite", cujo verdadeiro nome é Tarcísio Antônio Rodrigues Ramos, industrial, de 25 anos, morreu de maneira violenta, ontem de madrugada, quando de "pega" de motos na Avenida Presidente Kennedy. Eram 3h30min quando se deu o acidente. Sua moto, de 1000 cilindradas, quase arrancou um poste de iluminação pública. Ele ficou completamente mutilado.

A denominada "Volta da Jurema", era o palco de "Grafite". Ali, quase todas a madrugadas, o jovem dava um verdadeiro show, usando a alta velocidade e pondo sua vida em risco a todo instante, não somente em automóveis, como em sua possante moto. Ontem, foi seu último "pega" com o amigo Aristides. Os veículos colidiram.
 

10º O famoso cabaré da Leila

 
Já nos finais dos anos 60, e por toda a década de 70 o melhor cabaré de Fortaleza era a CASA DA LEILA, na Maraponga. Suas mulheres eram altas, elegantes, muitas, louras naturais de olhos claros. Vinham do sul do país, de Santa Catarina, do Paraná e do Rio Grande do Sul. Tudo gente fina, educada, algumas se diziam universitárias e comentavam coisa de política, música popular e variedades culturais. Dentre elas havia uma mulata, alta, belíssima, chamada Mércia, que mostrava uma carteira de estudante em Ciências Sociais da Universidade Federal de Minas Gerais. Nesse tempo havia um vendedor ambulante de livros, o Curió, que assegurava ter vendido várias coleções e enciclopédias às meninas da Leila. Umas intelectuais? (...)


11º Pici e a segunda Guerra Mundial



Existem controvérsias que persistem até hoje com relação à origem do nome “Pici”. Segundo o memorialista Nirez, há uma versão fantasiosa que diz que a origem do nome seria a abreviatura da expressão Post Command – PC, em relação à base norte-americana da II Guerra Mundial –, sendo que as letras “p” e “c”, em inglês, são pronunciadas, respectivamente, como “pi” e “ci”. O pesquisador nega essa versão ao lembrar que a expressão correta seria Command Post presumidamente, Posto de Comando, parte do jargão militar norte-americano (CP e não PC). Nirez também nos lembra que o lugar já tinha esse nome desde o século XIX, quando um centenário sítio pertencente ao agrimensor Antônio Braga (Por ter se apaixonado pelo romance O Guarani de José de Alencar, aglutinou o nome de seus principais personagens, Pery e Cecy, batizando-o de ‘Sítio Pecy’.

12º A origem da Praia de Iracema - De 1920 até os dias atuais



O surgimento do bairro Praia de Iracema, antes denominado Porto das Jangadas, Praia do Peixe ou Grauçá, está associado à “descoberta” do banho de mar como medida terapêutica e também como contemplação e lazer por parte da elite econômica da cidade nos anos de 1920. Esta elite intensificou a sua inserção na praia, com a construção de casas alpendradas ou do tipo bangalôs, de frente para o mar, fenômeno que “obrigou” os pescadores a mudarem-se para outras praias.
A primeira manifestação pública que permite antever o futuro nome do bairro ocorre em 1924, quando a cronista social Adília de Albuquerque Morais lançou a ideia de que se construísse um monumento à heroína do romancista José de Alencar, a ser erigido na orla marítima.


13º Corta Bunda - Os maníacos que aterrorizaram o José Walter


Em meados dos anos 80, o conjunto habitacional Prefeito José Walter foi tomado pelo medo do ataque de um maníaco que cortava a bunda das mulheres.
Quando um homem armado com uma lâmina começou a invadir as casas do Zé Walter para traçar uma linha de sangue nas nádegas femininas, o resto da cidade não pôde mais ignorar aquele pedaço de Fortaleza. Entre 1985 e 1987 , os crimes do Corta-Bundas ocupavam espaço frequente nos jornais da Capital. 


Em 1985, um maniaco psicopata começou a atacar mulheres (adultas e crianças), ele não matava, não roubava e nem abusava sexualmente das suas vitimas, apenas fazia um corte profundo com navalha, estilete ou bisturi na região das nádegas.  

14º O caso BALALAIKA


Às 6 horas e 45 minutos da manhã do dia 04 de agosto de 1942, Fortaleza assistia perplexa a um impressionante desastre aéreo. O jovem desportista, aluno do curso de pilotagem, Edgildo Giordano (mais conhecido por Balalaika), de apenas dezesseis anos de idade, pilotava o avião Visconde de Taunay, um "Pipper Cub" pertencente ao Aero Clube do Ceará, quando o avião caiu no quarteirão entre a Avenida Santos Dumont, Rua Costa Barros, Avenida Dom Luís (Hoje Avenida Dom Manuel) e Rua 25 de Março.

O avião de Balalaika fazia evoluções sobre a Avenida Santos Dumont, quando sobrevoava as casas residenciais de nº 187 e 189, quando caiu em "piquet", entre os dois quintais, ficando completamente espatifado. Surgiram lendas em torno do acontecido, entre elas a de que Balalaika teria brigado com a namorada e suicidou-se jogando o aparelho que pilotava no quintal de sua amada, na Avenida Dom Manuel.


15º Excelsior Hotel - 85 Anos


Em 31 de dezembro de 1931, há exatos 85 anos, surgia em Fortaleza o primeiro arranha-céu da cidade, inspirado em um edifício de Milão na Itália. Utilizava na sua estrutura, alvenaria de tijolos e trilhos de trem.
De estilo eclético, teve toda a sua decoração interna aos cuidados de Pierina Rossi, que utilizou materiais importados da Europa.
Só para se ter uma ideia, as paredes do prédio chegam a 80 centímetro de largura. Um gigante de sete andares!


Em comemoração, visitei o hotel e fiz várias fotos, uma verdadeira viagem no tempo:

Excelsior em detalhes
Excelsior em detalhes - Parte II
Excelsior em detalhes - Parte III




quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

O dia que a ponte desabou!




A parte marcada (em laranja) na imagem foi o tamanho da cratera. Assis Lima

"Estávamos numa manhã chuvosa, naquele abril de 1967. Os ônibus do Oscar Pedreira dentro da Vila São José havia mudado sua rota; todos os veículos estavam adentrando pela Rua Dona Maroquinha, no sentido inverso fazendo ponto final, justamente na Rua Júlio Cesar e Leda por onde os coletivos entravam. Os operários da Fábrica São José, desviaram seu trajeto tornando periculosa a passagem transitando por entre os trilhos da Via Férrea, único recurso para chegar ao trabalho. Isso desorientou de certa forma os moradores e com a publicidade veio à tona: A ponte que nós havíamos batizado nº3 sobre o Riacho Jacarecanga (foto ao lado), com as fortes chuvas que havia trasbordado pelos bueiros levou o aterro com pedras toscas, ficando uma cratera em plena via pública (a Ponte nº 1 era na Francisco Sá e a nº2 na Rua São Paulo (Monsenhor Dantas).


O Coronel Philomeno havia determinado (em plena ditadura Vargas) com o Padre Pio, então pároco dos Navegantes, a que todas as procissões de 4 de outubro dedicadas a São Francisco, passassem pela ruas de sua vila operária. Mas, numa festividade religiosa deste porte, vem gente de todos os bairros periféricos. Nesse dia do desabamento da ponte, o mar de cabeças humanas fora só com moradores da vila.

A ponte ainda em madeira.

A construção em concreto.

Nossa comunidade virou cidade fantasma. Só teve uma vítima fatal:“o feroz” um cão, animal de estimação do Seu Ernesto e Dona Ivanilde. A correnteza levou o bichinho. O pranto foi intenso. O Corpo de Bombeiros Sapadores, depois só Corpo de Bombeiros (Sapadores é que não se admite voluntários) foi acionado fazendo um cordão de isolamento, evitando mais desmoronamento e dando mais segurança aos curiosos que para lá se dirigiam. Ninguém ousava se aproximar do limite de segurança, haja vista ser forte o fluxo de água, levando o que encontrasse pelo caminho. As águas delineavam o curso por o descontrole, passando sob a ponte ferroviária, passando ao lado do campo de futebol da Escola de Aprendizes Marinheiros, ornamentava ao noroeste da Marinha um matagal para exercícios militares, indo desaguar no chamado pela pirambuzada de “Corrente”, ao lado da casa de praia da ilustre família Moraes Correia. A ponte caiu, ocasionando três dias de interrupção. Os bombeiros só liberaram para reconstrução, quando as chuvas amenizaram. O empresário Oscar Pedreira e o Cel. Philomeno foram parceiros de Murilo Borges, Prefeito de Fortaleza à época, e a evidência se deixa falar. Se algum dia esse local foi bem visitado, foi nessa circunstância. Feito a amarração com ferro e cimento, foi colocado areia e barro que fora amassado com aquelas máquinas, tipo rolo usadas em pavimentação asfáltica. Como o cheiro estava insuportável, a meninada começou a fazer miniaturas daquelas máquinas com latas de leite e areia, apelidando-as de “Rola Bosta”. Bem, após a nivelação de areia, colocaram pedras toscas. O trânsito normalizou e os transeuntes voltaram a palmilhação. O local ficou conhecido como Baixo da Ponte, devido aos dois níveis: Carros e Trens. Foi o maior acontecimento ocorrido na Vila São José que mexeu com o trânsito, percurso à pé das pessoas, trens passando com velocidade reduzida, ocupação do Corpo de Bombeiros e a presença do Poder Público."

 Assis Lima
(Radialista/jornalista)

segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

As ruas da Vila São José - Reminiscências


Foto acervo Assis Lima

"As Ruas da Vila São José tinham mobilidade, pois, cada uma delas nos levava a um destino útil. Mercearias, cabeleireiros, vendedores autônomos, até mesmo o pai do Mário Teobaldo, cidadão que era freguês do seu Dioclécio famoso por vender alpista e painço, para alimentar seus animais e o aviário. A via de exorbitante afluência era a Dona Bela, existindo três paradas dos ônibus do Pedreira que trafegavam no sentido Leste Oeste, bem no seio da Vila operária e com, as três únicas mercearias do Bairro.

Igreja dos Navegantes

A mercearia do Dioclécio (já citado), do Seu João Lima Passos e do Assis do Gás, avô do Catita. A pianista da Igreja dos Navegantes lá morava e era grande o seu número de admiradores, assim como os meninos nada gostavam de um morador defronte a uma das bodegas: era um funcionário da Secretaria de Segurança que era locado no Juizado de Menores. Seu bigodão dava ainda mais moral. Defronte a casa da pianista, era um abatedouro clandestino fundo de quintal. Seu Vicente do bode fazia seu abate, que era concorrido com o Chicó pai do Zé Boneco na beira da linha do trem, ao lado da casa da Maria Pé de Bicho. A Rua Maria Luiza era famosa por ter o privilégio da arborização e a Avenidinha da via férrea. O Pantaleão era um contador de estórias, bem como Dona Elizete que posava à sombra do pé de castanhola com outras desocupadas, e vamos cortar a vida alheia. Nessa, os transeuntes eram os praianos, os religiosos, e a coisa se intensificavam aos sábados com o povo que, pela manhã ia para feira nos Navegantes e, à tardinha o tradicional Racha dos pais de família. E haja vaia, quando a poeira levantava. Já na Maria Isabel tinha no começo a Avenidinha da Cajubraz, a casa do Chico Sete Cão, o Bar do Telles e bem no meio, em casas primitivas a oficina de rebobinagem de motores “O Dedé” pai da Vera Doida, do Chico Bocora e o Zé Pé de Pato. No final em bifurcação T com a Maria Estela era notória a Sapataria Adegerson. Muitos meninos nus nessa rua, e devido a algazarras e a brincadeira do triângulo na área molhada, foi batizada Rua do Papouco. Os líderes dessa promiscuidade eram o Pierre Sujo e o Daniel Oião. Funcionou nessa rua em que morava O Bodinho Bicheiro, Cesinha Fala Fino e Uma Escolinha particular no número 41 e que agora me foge o nome.

Cruzamento da Avenida Francisco Sá com a hoje Avenida Filomeno Gomes. Assis Lima

A Coronel Philomeno era a minha e diga-se de passagem, a mais movimentada em termos de brincadeiras. Tinha duas tropas: A “Meninos do Mato” (a nossa) e a dos “Abestados” que faziam brincadeiras sem graça. Vez por outra o Pedro Jaime “Pedro Velho” era visto nas manilhas do esgoto. O Baiano era um cidadão Baixo, gordo, torcedor pelo Bahia, e foi quem criou a filha do Pedro Velho. Até enquanto morei ali, nunca a Gracinha, Maria das Graças era seu nome, nunca ela soube que Pedro Jaime era seu pai biológico. Seu Esteves Bahia atendeu ao pedido do Pedro e assim o fez. A Pilta foi outra. Hoje mora nos Estados Unidos e também não conviveu com seu pai, que a filha de Dona Fátima nunca disse. Bem no Centro da Vila no sentido Norte Sul tinha a Travessa São Francisco. Nunca recebeu o nome de rua, pelo fato de existir apenas três casas erguidas em terreno de quintais, porém, viam-se dois oitões de casa em sentido perpendicular. Numa delas morava o Adalto Berruga. Leda era chamada Rua dos Chafarizes tal qual a José Avelino na Fortaleza antiga. Tinha reservatórios em número de dois e padronizado, objetivando atender a demanda na segunda etapa da Vila São José. Lá era a entrada dos ônibus em segundo trajeto. O primeiro era na Júlio Cesar. Agora me deixa falar de uma rua estranha. A Santana era uma travessa, com um fícus-benjamim e uma castanholeira. Poucas casas, moradores antagônicos, apenas sabe lá qual o local ouvia-se um som de algum aparelho de rádio, mas de onde vinha o som? O local era morto sem chamativo. Nessa rua os meninos dormiam cedo e em noite chuvosas tomávamos banho correndo de bica em bica, mas no silêncio da Rua Santana as goteiras choravam, jogando água na coxia, e em declive rápido ia desaguar no Riacho Jacarecanga. Era uma aversão entrar naquela rua. Era como se existisse uma testemunha ocular de plantão, acusando de algo que cometemos, e que não nos lembramos."

Assis Lima
(Radialista/jornalista)