Fortaleza Nobre | Resgatando a Fortaleza antiga : Vila São José - Jacarecanga [notification_tip][/notification_tip]
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Blog sobre essa linda cidade, com suas praias maravilhosas, seu povo acolhedor e seus bairros históricos.


sábado, 17 de setembro de 2016

Vila São José - Jacarecanga



Vila São José - Jacarecanga- Rua Maria Luiza -Casas construídas para trabalhadores da Fábrica São José. (Leia o comentário ao final do texto)

NOSTALGITE 

"Hoje amanheci com saudade da minha Vila São José, no ex-aristocrático Jacarecanga. A Vila como era popularmente conhecida, em cada casa era a extensão de outra, pois, seus primitivos moradores eram como uma família. Existiam grupos, mas não com sectarismo nefasto, ou rivalidade indígena tal qual Fortaleza x Ceará com torcidas organizadas. Existiam quatro entradas para a Vila São José, a Vivenda operária da fábrica de tecidos do Cel. Pedro Philomeno. A primeira era no beira linha, onde se passava defronte a Usina São José (fábrica). Os slogans eram Redes Philomeno “Durma bem e Viva Feliz” e o outro era: Toalhas São José enxugam e não molham”. Já ia mudando de assunto...... A outra entrada para a Vila era a Rua Monsenhor Dantas, aí existia um ar de aristocracia: Casa do Acrisio Moreira, e muitos bangalôs e na beira da ponte sobre o riacho Jacarecanga, no lado sul mato, leste a vacaria do Véi Alves e no oeste a cacimba do Cirilo que poucos sabem da historicidade daquele cacimbão: abastecia o Lazareto de Jacarecanga no segundo quartel do século XIX. A terceira entrada para a Vila era na Rua Adriano Martins que tinha o Campo de Baturité e finalmente a quarta que era a Rua Dona Maroquinha, homenagem à mãe do Coronel Dono de tudo. O Ícone de entrada era a caixa d’água do Seu Telles, mas antes apreciávamos as quadras que em 1965 uma foi ocupada pela Cajubraz, e na esquina da Rua Adolfo Campelo a bodega do Seu Ozanan. Por detrás ficava o Mercadinho e a Vila onde morava o Abelardo Sapateiro. Era maravilhosa a Vila São José que eu vivi. Os moradores ou eram operários e funcionários não subalternos da fábrica, ou funcionário público indicados por políticos, que respeitavam e tinham amizade com o Cel. Philomeno. 

 
A Fábrica de tecidos São José em 1957. IBGE

O Deputado Dorian Sampaio foi morador desta vila. Tinha perifericamente dois canteiros que receberam o nome de Avenidinhas, e tinha pés de castanhola. Os mais velhos, respeitavam as brincadeiras dos meninos. Hoje quando palmilho em meu berço, não vejo mais nada. Moradores antagônicos, crianças abandonaram brincadeiras de roda, para conversas infanto-juvenil virtual que é um perigo. A fábrica fechou em 1976, e com ela foi uma emigração social. Por onde anda meus colegas de infância? Sei que alguns já nos deixaram, como o Paulo pionque, Glauco Cueca, Jesus pea de fumo, Elder, Eldair e Messsim (precocemente) , Zé Maria das raias... Os de mais idade: seu Zé Bento, Telles, João Lima bodegueiro, Fernando de Branco, Clebão, José da Mundoca, e tantos outros. Ah! Encontrei o Miltão e seu irmão Ivo em Beberibe. Há! Vila São José, muitos de teus prédios deixaram de existir. Não existe mais as casa de sua entrada primitiva, até a casa que nasci foi ao chão. O barulho do trem que passava por ali foi ao silêncio. Só tem trem agora para Caucaia e passa por onde existia a mercearia do Edmilson. Já já eu falo mais sobre Jacarecanga..."

Assis Lima
(radialista)


Foto publicada no jornal Tribuna do Ceará em junho de 1967. Acervo Lucas

"Essa é a casa de Dona Isaura que era viuva de um mestre de linha da RVC. Na divisão das linhas Baturité e Sobral ficava a Mercearia do Edmilsom. A casa que fica no canto era da família do Gregório, cujo Dono trabalhava na Fabrica Arakem. O Francisco e o Sérgio Gregório estudaram comigo no Grupo Escolar Sales Campos na Entrada do Bairro Pirambu." Assis Lima

Localização da casa hoje:

A primeira foto é o local onde ficava a extinta casa e a segunda num ângulo mais distante - Assis Lima

Acervo Lucas

"Esta visão é de quem está na via férrea. Esse ferro era para evitar tráfego de carros. As pedras toscas soltas não era obra e sim devido ao desnível.Esse é o Início da rua Monsenhor Dantas. Lembra que eu falei das quadras e que uma fora ocupada pela Cajubraz? Então, aquelas paredes é da Cajubraz, que transversalmente passa a rua Dona Maroquinha seguindo à direita da foto para a Avenida Francisco Sá."  Assis Lima 

A fábrica no auge (Arquivo Nirez) e na decadência (Alex Mendes).

Bônus:

Vídeo da Fábrica São José.
Crédito: Philomeno Gomes Jr.
Agradecimento:Isabel Pires





A molecagem e os tipos populares da Vila São José - Jacarecanga

"A Vila São José não sei hoje, mas era um povoado moleque algo típico da cultura cearense. Era uma comunidade cômica, onde poucos eram conhecidos pelos verdadeiros nomes. Apelido tinha que ter, senão não era da Vila. Dentre os que eram apelidados, o que mais se destacavam tornava-se tipo popular. Ah! Que saudade daqueles anos de 1960, início dos de 1970 (A Fábrica de tecidos fechou em 1976). Dos que minha memória ainda não apagou, posso me lembrar do Bico de Papagaio (Videlmon); Maluquinho (Wilson); Cueca (Glauco); Fede a C....(Pereirinha); Fifi (Carlos); Piongue (Paulo); Morcego (Jorge); Manteiga (Marcos); Quinquim (Francisco); Patola (Fábio); Bambulê (Dedé da Raimunda); Burraldo (Seu Lázaro); Pirulito (Assis, eu); Saquim de Arroz (Olavo); Feijão (Flávio); Lery (Marquim); O Morte (Moisés); Passão (Pedro); Osso da Pá (Seu Valdemar); Orelhão (Ricardo); Tapioca (Elias); Ceroto (Eduardo); Geladeira (Waldir); Cabeção (Oto); C... de Grude (João Negão, sem racismo); Pé Cagado (Manuel coiote); Fala Fino 1 (Cesinha); Fala Fino 2 (Carlito); Boca de Fumo (Luís) lembrando que, nada de coisa ruim como hoje, era porque ele falava mascando. Prosseguindo... Irmãs Maisena; Pajeú (Nancy); Malagueta (Cesar); Bocão (Tito); Vai Pra Merda (Edvar); Batata (José); Chico Tripa (Francisco); Bocora (Francisco); Pé de Pato (Jose); Prego Nu (Hélio); Filho da Mutuca (Vandir); Os doidos Marcos e Vera, mas eram mentalmente saudáveis, apenas com atitudes atípicas. Muduba (Edilson); Dibanquinha (Lucia); Zambeta (Elisabete); Japonês (Cesar); Jumento (Charles); Patino (Valdemar); Dedão (Alsenete); Macacão (Francisco do Seu Antônio Perna dura); Bacurau (Jorge); Klebão Alma (Kleber); Boca de Piano (Antônio); Colorau (Jorge); O Sal (Seu João); Wanderléia (Dona Elsa); Zé da Mundoca (Seu José); Patola (Fábio); Castanha Preta (Jorge); Quinha (Francisca); Boneco (José); Chico menino nu (Francisco); Cajuina (Toinho); Cara de bêbado (Valter); Bebida Falsa (Quincas); Canário (Geraldo), e três que nunca soubemos o nome: Ourivinga, Firme e o Ziquilino. Agora se tornaram personagens populares, na Vila São José, nessa parte pobre do Jacarecanga, e eu me orgulho de hoje ser Jornalista, Turismólogo, ferroviário de carreira, e vivo nas ondas do Rádio, vindo desse proletariado, e não da Aristocracia das ruas e entorno da Praça do Liceu/Guilherme Rocha/Francisco Sá. Vamos com os personagens: Edgar cara de gato, Chiquim perna de Alicate; Ana chupa dedo; Loudinha jumenta cabeluda; Luciano pedra de calçamento; Miltão mãozona; Dona Maria dos Ovos; Pedro do Encosta; Daniel Oião; Edson Patitaca; Beto Macaco; Pedro Véi das fossas; José pifite; Priqt.....de Onça; Chico ferro doido; Adgerson sapateiro; Raimundinho fon fon; Chico sete cão; Sérgio trepinha; Nilo boca de privada; Cabo Xuxa; Zinebra; Fontenele pantaleão; Fedorento do Picolé e o Cheiroso pipoqueiro. A Vila São José era isso. Operários e filhos de operários, assim como eu, tinha uma só linguagem, mas predominava o dialeto do apelido. Nasci e morei lá 23 anos e, nunca ouvi dizer que houvesse gente intrigado. Quando alguém era procurado, o apelido levava o procurador em cima do endereço. Todos brincavam e os mais maduros, ficavam nas calçadas. Minha mãe ainda hoje tímida, era ligada nas novelas da PRE9. Quer dizer, existia vida coletiva. A noite era nosso encontro na calçada da padaria do português Augusto, também proprietário da Padaria Triunfo no Centro da Cidade, baixos do Edifício do mesmo nome. Reuniam-se pelo menos 30 meninos por noite. Eu só faltava, quando tirava nota baixa do Grupo Escolar Sales Campos e ficava em casa de castigo. Fui uma vez visitar meu berço, não conheci ninguém da época. Que boas lembranças, que tempo aquele! Hoje, as pessoas destratam até por redes sociais e se intrigam até com a "sala do Fuxico", apelido que eu dou ao famoso e líder de uso: WhatsApp. Crescemos e a vida foi traçando o próprio destino. Evoco a frase de Machado de Assis: “Cada Coisa Pertence ao seu Tempo”.

Assis Lima

"O pé de castanhola que falei é esse que aparece no canto. O muro na calçada era o fundo do quintal da Viúva Isaura. Seu marido era funcionário da RVC. A mercearia que aparece na Rua Júlio Cesar/Maria Luíza era do Seu Olavo. A Caixa d'água era na rua Leda e nos baixos era o depósito do Rosimiro, hoje na Rua Jacinto de Matos "Organização Gonçalves". Meu saudoso pai Valdemar de Lima, trabalhou de servente pedreiro nestas construções em 1946. As primeiras casa datam de 1926, e eu nasci na Rua Cel. Philomeno nº43 hoje desaparecida devido a outra construção.
Esta foto foi colhida do terceiro andar do único edifício existente. Edificio em que abrigou no térreo os Supermercados CHIBE (Chico Philomeno e Beatriz), e quem lá residiu de 1970 a 1980, quando o CREA o condenou, meu Tio Cazuza."   Assis Lima



Assis Lima é radialista, idealizou e mantêm o Blog Tempos do rádio.

18 comentários:

  1. Meu amigo Assis Lima, vi sua reportagem no meu cel é fiquei bastante saudoso e emocionado já que hoje estou com 70 anos e a minha infância foi toda na Vila S.Jose.Joguei muito racha nas avenidinhas.Aqui é o Almir, irmão do Miltão.Um abraço

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    1. Ôpa rapaz, que bom . Conheço demais e quase todos os dias por causa do trabalho no Rádio, vejo o José Ivo aqui em Beberibe. Estou de mala e cuia de volta à minha cidade pra ficar em dezembro. Aqui em Beberibe só trabalho.

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  2. Oi Assis, meu nome é Cristina Lôbo, sou filha do moco, sobrinha do galo velho, nossas familia morava bem próximo, aliás eu ainda continuo morando na mesma casa, Rua Adriano Martins( antiga Rua Maria Stela) esquina com Cel. Filomeno ( hoje Messias Filomeno), muito moram ainda na vila, do lado da casa do seu avó ainda mora a D. Helena, A Fátinha irmã do Missim ( Emilson) . Lembro bem ainda da mercearia do Zé Tomate e a do Zezinho que de vez em quando o carro da figurinha passava jogando algumas para os novos albuns. Hoje a Vila resiste ao modernismo em algumas ruas. Muitos ainda moram aqui.

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    1. O Galo morto e vivo pela Her.......Lembro isso já tinha me esqucido do Galo. Vão me lembrando.

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  3. Voltei ao nosso maravilhoso tempo de infância na vila são José aqui é a Lucrécia irmã da Lúcia, Gaga,Cici e servindo.Filhos de dona Maria Sales e seu Raimundo,muito obrigada.

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    1. Beleza!!! Vamos abrindo o baú que muitas histórias sairaõ.....

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  4. que maravilha! estou fazendo meu tfg sobre a vila. seu material me ajudou bastante. obrigada!

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    1. Gosto do Jacarecanga, mas descrever a parte proletária. Quem cuidava da Aristocracia era o saudoso Marciano Lopes. Ninguém falava dos pobres.

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  5. que maravilha! esse material me ajudou bastante para o trabalho de conclusão de curso! obrigada

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  6. OI ASSIS, SOU O DUDUTA, IRMÃO DE CESINHA FALA FINA, FILHO DA DONA HELENA QUE VIVEU COM O PEDRO NETO FILHO DO SEU CAZUZA, HOJE MORO EM CAMPINA GRANDE -PB, MAS TODOS MÊS PASSO 5 DIAS EM FORTALEZA COM A MINHA MÃE, AINDA MORA NA MESMA CASA, O CÉSAR MORA NO CARLITO E TRABALHA NA TEMPO FM. SEMPRE ESTOU LENDO ESSE BLOG E RECORDANDO DA NOSSA INFÂNCIA FELIZ NA VILA.HOJE TODA MUDADA É UMA PENA. OBRIGADO POR DOCES RECORDAÇÕES. UM ABRAÇO.

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    1. Pedro Neto homem é meu primo. A Titia Maria mãe do Pedro era Irmã de minha Avó Elisa que morava na Rua Maria Estela nº 45. Ele estacionava sua belina 1975 em cima da calçada. Tua casa ficava vizinho ao Bar do Olavo. E poste defronte era onde acendia as luzes da Vila.

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  7. Francisco Pereira Camelo15 de outubro de 2016 23:03

    Outros contemporâneos que por aqui nasceram na década de 50, eu (Francino) era o "banana" por ser muito branco, José Augusto o "duduta", o Benha doido q jogava bomba de parede no muro da viúva Isaura, Zé Cabecão, Toinho maduro, Graça catitu, Adalberto vassoura, Chico Piaba, Milton jacaré, Wilson babau, Zé boneco, velha Rocilda (foi babá da família Philomeno Gomes), seu Fransquim(meu saudoso pai), Marculino, seu Geovani, e os "dorme sujo", é muita gente pra citar, saudades dos velhos tempos, velhos dias da juventude sadia, das fogueiras juninas na rua Maria Estela onde nasci, hoje rua Adriano Martins, q varavam à noite, só apagando graças às chuvas fortes da época, eu era feliz e eu sabia. Obrigado minha Vila São José, só deixo vc para a vida eterna!

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  8. Oi Assis, Meu nome é Cristina Lôbo, sou filho do moco, prima do toinho maduro e da Francy,sobrinha do Galo Vei, moro até hoje na Rua Maria estela, 8 - hoje Adriano Martins. Meu Pai e o Galo Vei já faleceram, Mora lá eu, minha mãe e o Neto meu irmão, Lembro muito dos seus avós. Sr. Carlisto. Enfim do nosso lado da Vila ainda encontra moradores antigos.

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  9. Poxa! Vivi um tempo muito bom, o da Vila São José! Jovem e a moçada mais ou menos com a mesma idade, muitas tertúlias... Vale a pena viajar no tempo e recordar estas maravilhas! Fiquei com vontade de visitar a VILA!

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  10. Olá!!Eu sou irmã do Marcos (Manteiga) adorei a matéria sobre nossa Vila São José! Moro no mesmo bairro ainda.

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  11. Qi Assis, tudo bem? Sou o Eduardo Ceroto e trabalhei muito tempo com seu irmão Olavo no BEC (perdi o contato com ele, onde ele anda?). Temos um grupo de amigos da vila com 35 participantes e sempre nos reunimos na casa do Geraldinho (Geraldo Cavalcante que jogou no Fortaleza. Participam sempre: Ana Cesarina (filha do Sr Lázaro, Ângela minha irmã, Cabeta, Carlos Odísio, Delano, Denize, Dodofo, Edson irmão da Neuma, Emídio - Neto, Eveline, Everardo, Fátima, Fátima Vila Nova, Geraldinho, Hileia, Izabel irmã do Missim e minha esposa, Jaqueline, Valdir, Paixão, Rogério, Jimmy, Rosa, Silvia Ataíde, Solange, Videlmon, Glaucia, Iara,Ivoneide, Silvia Vasconcelos, Valéria, Antônio Maria, Casoba e Mário. Sou também radialista e gostaria de contatar com você (98854.9185). Ah sim, Olivinga chama-se Antônio. Grande abraço.

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  12. Olá gente, eu sou o Nelson morei na última casa dá rua Maria Luiza visinho ao Sr Panchito saudades dos nossos rachas na avenida bons tempos abraços.

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