Fortaleza Nobre | Resgatando a Fortaleza antiga : Cine Rex
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terça-feira, 10 de janeiro de 2012

O Cine Rex




A Empresa Clóvis Janja & Cia.*, uma saudável iniciativa de circuito independente em nossa cidade, desenvolveu-se em 1940, com a inauguração sucessiva do Cinema Christo Rei, a 6 de junho; o Odeon, no dia 18 de junho; e o Cine Rex, cinema que fez história e deixou saudades.

Em 10 de agosto de 1940 a Empresa Clóvis de Araújo Janja inaugura, na Rua General Sampaio nº 1263, o Cine Rex, com o filme A Enfermeira Edite Cavel, da RKO, com Ana Neagle, Edna May Oliver e May Robson, no local onde esteve, por muitos anos, a Serraria Rodolfo e sua fábrica de pregos.


Matinais do Cine Rex

Semana passada, recebi cumprimentos de um senhor, enquanto aguardava atendimento em posto de serviços. Além do formal bom dia, perguntou-me o nome e, se em meados dos anos cinquenta, frequentei matinais do Cine Rex. De pronto, identificamo-nos e registrou-se longo bate-papo. Revivemos e vivificamos fatos de então.

Aos mais jovens, descreva-se o porquê do contentamento do encontro. O Cine Rex, pertencia à antiga Empresa Cinematográfica Luiz Severiano Ribeiro, situava-se na rua General Sampaio, entre as ruas Pedro Pereira e Pedro I, no lado do Sol, como se precisava o Leste das vias públicas. Cinema popular, semelhante ao Moderno e ao Majestic, pois somente o Diogo era luxuoso, possuía característica diferencial e exclusiva. Único a exibir filmes westerns e seriados, nas matinais domingueiras, em sessão sempre lotada pela juventude. Mais do que lotada. Quem não conseguia cadeira, utilizava o chão como assento ou assistia em pé às exibições. Imperdíveis eram os capítulos dos seriados de curta metragem, semanais, antecedentes ao filme principal. Além dessas atrações, outro motivo concorria para o êxito das matinais do Rex. Já às 8 horas, duas antes do funcionamento do cinema, nas calçadas encontravam-se dezenas de jovens. Com braçadas de revistas e almanaques de histórias em quadrinhos, álbuns de figurinhas, pequenos pedaços de películas cinematográficas e objetos outros relacionados ao mundo dos heróis das telas, faziam do local uma feira de vendas e de escambos. Gibi, Guri, Zorro, Reis do Faroeste, Fantasma, Mandrake, Capitão Marvel, Superman, Batman e outras publicações, até em coleções completas, completavam o sucesso. Estudantes do Liceu, Lourenço Filho, 7 de Setembro, Cearense e Agapito dos Santos, os mais assíduos, solidificaram amizades de lá ao hoje. O interlocutor foi um liceal. Despedimos-nos e combinamos encontrar-nos mais vezes. E, aqui, registre-se uma homenagem a dois grandes amigos dos tempos do Rex, recém-moradores do Oriente Eterno. Os saudosos Jaime Alencar de Oliveira, do Liceu, e Francisco Alberto Paes Soares, o Bulim, do Colégio Lourenço Filho. 



Geraldo Duarte 
(Advogado, administrador e dicionarista)



Pequenas Lembranças de uma certa Fortaleza...

Pequenas lembranças de uma Fortaleza que não existe mais, que ficaram para sempre na minha memória. Tais como as matinês, aos domingos, do Cine Rex, ali na rua General Sampaio, a poucos metros da praça José de Alencar. Lá se reuniam os adolescentes de ambos os sexos, para ver um filme acessível à sua faixa etária. Não era raro encontrar um ou outro colega do Liceu. Numa ocasião vi o Jorge, que estudava na minha classe. Estávamos na fila para compra do ingresso, ele um pouco atrás de mim. Acompanhado de um amigo, ele lia, em voz alta, uma carta que uma namorada lhe enviara. Ria com alguns trechos da carta, aqueles em que a jovem demonstrava mais a atração que tinha por ele. Presenciando aquele exibicionismo de Jorge, eu, que já não era seu amigo, passei a detestá-lo a partir desse seu comportamento reprovável.


Um fato curioso no Rex era o preço da meia entrada: Cr$ 2,40. Por que, como os seus concorrentes, não era cobrado o preço de Cr$ 2,50? E, geralmente, ficava por esse preço, pois a bilheteira não dispunha de dez centavos. Nunca entendi isso.
Lá eu assisti A Princesa e o Plebeu. Fiquei ao lado de duas mocinhas, uma das quais não parava de falar. E uma vez em que Gregory Peck caminhava com uma mão no bolso da calça, ela disse à amiga que o homem que assim procedia era um liso.
Lembranças. Lembranças. 
Francisco Sobreira (Blog Luzes da Cidade)

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Mais registros importantes para a história inesquecível do velho cinema:

Seria indesculpável o não registro do vendedor de 'doce gelado', designativo antigo do picolé, com sua pesada caixa de madeira, contendo um cilindro de zinco, onde eram acondicionados os deliciosos refrescantes. Para suas conservações, entre a caixa e o depósito, gelo em pedras, coberto com serragem, aumentava mais a carga que "seu Jacaré" transportava na cabeça. Por igual, observaram a falta de citações do pipoqueiro e do lançamento da pipoca sem casca, alta tecnologia do produto na época, e do Cícero, mais conhecido como "aqui é raso, aqui é fundo", devido ao acidente que fizera manco aquele comerciante de "cai-duro", apetitoso sanduíche de pão d'água, contendo carne moída com delicioso tempero caseiro. A iguaria era também conhecida por "espera-me no céu"


Lembradas são as garapas ofertadas na Mercearia Vencedora, de propriedade das irmãs Mavignier, na esquina das ruas General Sampaio com Pedro Pereira, defronte ao secular prédio do Dnocs. E, ainda, a residência de dona Diolina, próxima do cinema, onde os pedidos de copos d'água eram tão intensos que a boa senhora, aos domingos, mandava a serviçal colocar um pequeno pote de barro na porta de entrada da casa para matar a sede da moçada. Os "piruliteiros" com seus pirulitos enfiados em tábua com buracos, os vendedores de "chegadim" com suas latas arredondadas e longas, em bandoleira e um triângulo sonante, junto com os de 'cuscuz paulista' com seus tabuleiros, mercadejavam, em altas vozes, suas produções.
A manhã findava-se com o 'The End' da poeira saudável do Velho Oeste na tela de tecido encerado.

Geraldo Duarte 
(Advogado, administrador e dicionarista)

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*Antes de inaugurar o Cine Rex, Clóvis de Araújo Janja já havia realizado importantes construções em Fortaleza:

  • Em 31 de dezembro de 1933 (À meia noite, já entrando o dia 1º de janeiro de 1934), Clóvis de Araújo Janja (Clóvis Janja) construiu em estilo Art-Déco a Coluna da Hora na Praça do Ferreira, construída na administração do prefeito Raimundo GirãoA Coluna da Hora tinha 13 metros de altura e o relógio movido à energia elétrica, com quatro faces, duas em algarismos arábicos e duas em romanos, foi adquirido nos Estados Unidos através da firma Biyngton & Companhia, sob projeto do engenheiro José Gonçalves da JustaFoi demolida em 1966, na administração de Murilo Borges e reconstruída em outro formato, de ferro, no governo Juraci Vieira Magalhães em 1991.

  • Em 07/09/1935 o Escritório Clóvis de Araújo Janja construiu o prédio da nova sede do Liceu na antiga Praça Fernandes Vieira, hoje Praça Gustavo Barroso.


Cronologia Ilustrada de Fortaleza - Nirez




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