Fortaleza Nobre | Resgatando a Fortaleza antiga : Maracanaú
Fortaleza, uma cidade em TrAnSfOrMaÇãO!!!


Blog sobre essa linda cidade, com suas praias maravilhosas, seu povo acolhedor e seus bairros históricos.

 



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quarta-feira, 17 de abril de 2013

Ceasa - Uma História de Sucesso


Construção da Ceasa em fevereiro de 1972 - Arquivo Alex Mendes

Inaugurada em 09 de novembro de 1972, no governo de César Cals, com o objetivo de centralizar a distribuição do hortigranjeiros  a Centrais de Abastecimento do Ceará S.A (Ceasa/CE) fazia parte do Programa Nacional do Controle de Abastecimento de Produtos Hortigranjeiros, implantado pelo Sistema Nacional de Centrais de Abastecimento (Sinac), órgão do Governo Federal.

O Programa tinha como objetivo incentivar a construção e dar diretrizes de funcionamento para as centrais dos Estados. A construção da Ceasa/CE foi considerada prioritária pelo Sinac, tendo sido iniciada em 1971. De princípio, por determinação do Sinac, o Programa de Centrais de Abastecimento priorizava os hortigranjeiros. A Ceasa/CE obedeceu a determinação, mas com passar do tempo iniciou-se um processo de diversificação de atividades. Outros segmentos foram introduzidos em seus galpões, fazendo com que a Central assumisse uma forte característica de central de abastecimento polivalente.

Galpão Central da Ceasa - Arquivo do blog http://odaliogirao.blogspot.com.br

Inicialmente, a Ceasa contou com cinco galpões permanentes e um galpão não-permanente, prontos para receber a comercialização de hortigranjeiros. A Construtora Norberto Odebrech foi a responsável pelo empreendimento. Mas faltavam os produtores e compradores, que inicialmente, resistiram á mudança do local.


No início da década de 70, os produtos hortigranjeiros eram comercializados nas imediações do Centro de Fortaleza em pequenos mercados na periferia. Não havia nenhum controle de higiene e qualidade dos produtos ou transparência de preço. Os produtores e comerciantes traziam os produtos e os colocavam no chão para esperar o comprador. O Decreto federal nº 705002/72 determinou que a Ceasa iria centralizar o comércio de hortigranjeiros e caberia à Companhia Brasileira de Alimentos (Cobal) gerir as centrais de cada Estado. A resistência ao comércio no novo local só foi vencida depois de seis meses de pleno funcionamento do mercado, no município de Maracanaú-CE.


O primeiro Presidente da Ceasa/CE foi João de Deus Cabral de Araújo. Também comandaram a central: Júlio Rangel Pontes, João Pinheiro Freire, Raymundo Gomes Alves, Dalton Costa Lima Vieira, Paulo Afonso Cirino Nogueira, José Barbosa Mota, Jósio de Alencar Araújo, Diógenes Cabral do Vale, José Moreira de Andrade, Nazareno Nunes Cordeiro, Marcílio Freitas Nunes, Cícero Vasques Landim, Antônio Jeová Pereira Lima, José Flávio Barreto de Melo, Caetano Guedes de Araújo e Cândida Maria Saraiva de Paula Pessoa.


Atualmente conta com três unidades de abastecimento distribuídas nos municípios de Maracanaú, Tianguá e Barbalha. Em 2012 comercializou um volume de mais de 500.000 toneladas de hortigranjeiros. Conta com 1.679 produtores cadastrados, 268 empresas instaladas, 1047 permissionários não permanentes, área permissionada de 1.681 m², 520 carregadores autônomos, é abastecida por 184 municípios cearenses e abastece 84. Tem uma população flutuante de 15.000 pessoas/dia, 90.000 veículos mensal, sendo 5.300 com carga e gera 10.000 postos de trabalhos diretos.
A CEASA/CE hoje é presidida pelo geólogo e bacharel em direito Antonio Reginaldo Costa Moreira, tendo como diretores: Oscar Saldanha do Nascimento (Diretor Administrativo Financeiro), Antônio César Nogueira (Diretor Técnico) e Eduardo Aragão Albuquerque Júnior (Diretor de Marketing e de Relações Interinstitucionais).
Fatos Históricos

->18/fevereiro/1972 - Iniciam-se, a 16km de Fortaleza, no Distrito Industrial do Ceará, as obras de construção da Central de Abastecimento do Ceará - Ceasa, sociedade de economia mista integrante do Sistema Nacional de Abastecimento.
Os trabalhos de terraplanagem se iniciaram em setembro de 1971.

->09/novembro/1972 - Instala-se a Ceasa/Ce. Hoje pertence ao município de Maracanaú.

->11/junho/1975 - Assume o cargo de diretor-presidente da Central de Abastecimento - Ceasa, o general Raimundo Alves.

->06/julho/1993 - A Tyresoles do Ceará inaugura uma de suas loja na Ceasa de Maracanaú.

o Livro Cronologia Ilustrada de Fortaleza de 
 Miguel Ângelo de Azevedo

terça-feira, 26 de março de 2013

Rede de Viação Cearense (RVC) - O Ceará nos trilhos


Ícone de esboçoOs trens estabelecem os caminhos do progresso cearense, provocam mudanças na sociedade e criam uma nova paisagem. 

RVC - Mapa de 1924 com as estradas existentes e as planejadas

Locomotiva Ifocs de 1922, uma das máquinas mais possantes que rodavam nos trilhos cearenses. Arquivo Diário do Nordeste

A primeira concessão para a construção de estradas de ferro no Ceará deu-se com um decreto de 1857, em um empreendimento que deveria construir e explorar uma via férrea a qual, partindo de Camocim e imediações de Granja, seguiria para o Ipu, passando por Sobral. Um projeto arquivado. Outro marco da história ferroviária cearense data de 1968, quando foi apresentado o projeto de uma linha ferroviária ligando Fortaleza à vila de Pacatuba, com um ramal para a cidade de Maranguape. Outro projeto que não saiu do papel.

Inauguração da Estação de Cangaty em 8 de dezembro de 1890 (atual Caio Prado). Arquivo Diário do Nordeste

Só dois anos depois, nasceria o projeto da primeira estrada de ferro construída no Ceará, a Via Férrea de Baturité. E, em 13 de março de 1873, chegavam a Fortaleza as primeiras locomotivas, desembarcadas no trapiche do Poço das Dragas (antigo porto). “O prédio da estação ainda estava em obras quando recebeu as máquinas à vapor que, sendo arrastadas por tração animal com a afixação de trilhos portáteis, foram transformadas num show de apresentação, ao desfilarem pela Rua da Ponte (Alberto Nepomuceno) e Travessa das Flores (Castro e Silva) até a Praça da Estação. (Trecho do livro Estradas de Ferro no Ceará” de Assis Lima e José Hamilton Pereira)

Vista panorâmica da Estação e cidade de Baturité. Foram os atrativos do Maciço que motivaram a primeira Estrada de Ferro no Ceará. Arquivo Diário do Nordeste

Estação Professor João Felipe logo depois de sua inauguração, em 1888. Arquivo Diário do Nordeste

Um novo “espetáculo” aconteceu cinco meses depois, quando a locomotiva A Fortaleza rodou cinco vezes - desta vez com os próprios motores - da Estação Central até a parada Chico Manoel, no Cruzamento das Trincheiras, atual Liberato Barroso. O primeiro trecho da ferrovia, ligando o Centro ao Distrito de Arronches (Parangaba), ficou pronto em setembro de 1873, quando, com restrições, uma locomotiva e alguns vagões chegaram, pela primeira vez, a Parangaba.

Lideranças políticas reunidas na Estação de Missão Velha, em 1926, com o objetivo de preparar uma estratégia para combater a Coluna Prestes. Arquivo Diário do Nordeste

A estação de Crateús foi inaugurada em 12 de 12 de 1912. Arquivo Diário do Nordeste

Em seguida, foram inauguradas as estações de Mondubim, Maranguape e Maracanaú (1875) e Monguba e Pacatuba (1876). O governo imperial encampou a ferrovia em 1878 e estabeleceu algumas mudanças no projeto original, além de ordenar a construção de uma nova estrada ligando o porto de Camocim até Sobral e o início dos estudos para a construção da nova estação central, que seria inaugurada em 1880.

Uma cena de 1888: Ernesto Lassanse, diretor da EFB, e Caio Prado, presidente do Ceará, ao lado de uma das locomotivas da EFB. Arquivo Diário do Nordeste

Estação de Juazeiro do Norte era a segunda maior em movimentação de passageiros. Arquivo Diário do Nordeste

Ícone de esboçoSobrou pouco no CearáÍcone de esboço

A ferrovia chegou ao Ceará na época do Império. Em 1870 foi fundada a Companhia da Via Férrea de Baturité, que ligaria a capital, Fortaleza, à serra. 

O trem chegou a Baturité dez anos depois, em 1882, ainda sob o reinado de D. Pedro II, cujo retrato feito naquele ano por Descartes Gadelha, está até hoje conservado no prédio da estação. Nesta mesma época, iniciava-se a construção da  Estrada de Ferro Sobral.

Estação de Sobral - Acervo Silveira Rocha


Em 1919, as obras de  expansão das duas ferrovias cearenses viraram frente de trabalho para os flagelados da grande seca que se abateu sobre a região. As duas estradas de ferro,  desde 1915 unificadas na Rede de Viação Cearense, passaram a ser subordinadas à Inspetoria Federal de Obras contra a Seca (Ifocs). Em 1920, 12.850 operários estavam envolvidos na construção da ferrovia, inclusive velhos e crianças que pouco podiam ajudar no trabalho.
Quando as primeiras máquinas diesel começaram a operar no Ceará, em 1949, a RVC tinha um total de 86 locomotivas a vapor, todas operacionais. Hoje, restam apenas três destas locomotivas e só duas permanecem no Ceará. As outras 83 máquinas foram cortadas e vendidas como sucata, nos anos 60, em nome da modernidade.

(Foto ao lado:A máquina de Baturité foi salva pelo esquecimento).

Em Fortaleza, ficou uma Alco 0-4-0T de manobra da antiga Rede de Viação Cearense.  Ela ganhou tender e o tanque foi preenchido com areia para aumentar a aderência e tracionar cargas maiores. Rodou até 1964, puxando o "Trem dos Operários", que ia da Estação Central de Fortaleza até Urubu (atual Demósthenes Rochert), onde havia oficinas, escola e a vila operária da ferrovia. Há dúvidas quanto a data de fabricação desta locomotiva.

A estação de Baturité conserva até hoje um raro retrato a óleo de D. Pedro II em uniforme militar, datado de 1882.   Foto Revista Ferroviária

Na placa da porta dianteira da caldeira está o ano de 1912,  mas registros da Alco indicam que a RVC recebeu apenas um lote de seis 0-4-0T todas fabricadas em 1921.
A segunda locomotiva que restou no Ceará está na Estação de Baturité,  a 105 km de Fortaleza. Sem nenhuma placa, tudo indica que ela, também 0-4-0, pertença ao mesmo lote da Alco de 1921. Esta máquina ficou décadas esquecida enterrada, na Pedreira Monguba, a 29 km de Fortaleza. Mas foi justamente este desleixo que acabou por salvá-la da destruição, quando foi descoberta  em 1982.

 Estação Ferroviária de Baturité em meados de 1920. Autor: Ralph Mennucci Giesbrecht

Ícone de esboçoEstrada de Ferro de BaturitéÍcone de esboço

A EFB foi fruto da sociedade surgida no dia 5 de março de 1870, entre o Senador Tomás Pompeu de Sousa Brasil, Gonçalo Batista Vieira (Barão de Aquiraz), Joaquim da Cunha Freire (Barão de Ibiapaba), o negociante inglês Henrique Brocklehurst e o engenheiro civil José Pompeu de Albuquerque Cavalcante.
O objetivo era o escoamento da produção serrana em Pacatuba e Maranguape para o Porto de Fortaleza. Após a assinatura do contrato de construção da ferrovia entre a Companhia e o Governo Provincial do Ceará o projeto passou a ter como ponto final à cidade de Baturité, produtora de café.

A estação de Baturité em 2002. Foto João Carlos Reis Pinto

A estação central, atualmente Estação João Felipe foi erguida ao lado do antigo Cemitério de São Casimiro. A função do cemitério foi transferido para o Cemitério São João Batista e sob esse foi construído o escritório central e as oficinas.

Escritório central construído no terreno do antigo Cemitério - Arquivo do Blog Ceará Nobre

Os trilhos do primeiro trecho, de 7,20 km, começaram a ser assentados em 1 de julho de 1873, sendo entregue ao tráfego em 14 de setembro de 1873. Apesar de a inauguração deste trecho só ter ocorrido em 29 de novembro do mesmo ano e a estação central foi inaugurada no dia seguinte, 30 de novembro. As estações de Mondubim e Maracanaú foram inauguradas em 14 de janeiro de 1875 e a de Pacatuba em 9 de janeiro de 1876. A situação financeira da companhia ficou ruim durante a seca entre 1877 e 1879 e as obras foram paralisadas. O Governo Imperial, através do Decreto no 6.918, de 1 de junho de 1878, assumindo a parte construída da ferrovia e os direitos da Companhia de prolongar os caminhos de ferro até o município de Baturité. Em 1910 a Estrada de Ferro de Baturité foi somada a Estrada de Ferro de Sobral criando a Rede de Viação Cearense.

A estação de Baturité em 2005. Foto Itamar Lima

A Estrada de ferro de Baturité ligou a Capital ao sul do estado, até o Cariri. A Rede de Viação Cearense - RVC - em 1975 foi incorporada a Rede Ferroviária Federal e finalmente foi privatizada em 1997 passando então para o domínio da empresa "Companhia Ferroviária do Nordeste" atual Transnordestina Logística S.A.
Ainda no transporte ferroviário existem dois sistemas de metrô no Ceará. O Metrofor, que é o metrô de Fortaleza interligando vários bairros da cidade e também as cidades de Maracanaú e Caucaia e o Metrô do Cariri que interliga as cidades do Crato e Juazeiro do Norte. Estes dois metrôs têm projetos para expansão de suas linhas.

Rede de Viação Cearense - Arquivo Assis de Lima

Alguns Fatos Históricos

Ícone de esboçoEm 1875, é inaugurado o primeiro grande trecho da Companhia Cearense da Via Férrea de Baturité, depois Estrada de Ferro de Baturité - EFB, depois Rede de Viação Cearense - RVC que foi subordinada à Inspetoria Federal de Obras Contra as Secas - IFOCS (hoje DNOCS). Teve ligação com Sobral e Campina Grande em 1957; passa a ser subordinada ao Departamento Nacional de Estradas de Ferro em 1941 e em 1957 a fazer parte da Rede Ferroviária Federal S. A. - RFFSA.
Atualmente denomina-se Companhia Ferroviária do Nordeste - CFN.

Ícone de esboço03/fevereiro/1910 - A Estrada de Ferro de Baturité - EFB, que vinha sendo administrada por Novis & Porto, passa a ser administrada pela firma South American Railway Construction Company Limited - Sarccol, passando a ter na direção os engenheiros Francis Reginald Hull (Mr. Hull), William Huggins e J. Lorimer e passando a denominar-se Rede de Viação Cearense - RVC.

Ícone de esboço01/setembro/1915 - O Governo da União assume a direção da Rede de Viação Cearense - RVC, com o engenheiro Enrique Eduardo Couto Fernandes, em substituição aos administradores da South American.

Ícone de esboço06/abril/1920 -A Rede de Viação Cearense - RVC passa a ser administrada pela Inspetoria Federal de Obras Contra as Secas - IFOCS, hoje Departamento Nacional de Obras Contra as Secas - DNOCS, em função da construção das grandes barragens do Nordeste, obedecendo ao Aviso nº oito.

Ícone de esboço05/abril/1924 - A Rede de Viação Cearense - RVC deixa de ser subordinada ao IFOCS e volta à jurisdição do Ministério da Viação, em virtude do Aviso nº 150G.

Ícone de esboço04/outubro/1930 - São inauguradas, no bairro do Urubu, as oficinas da Rede de Viação Cearense - RVC, construída pela firma Alfredo Dolabela Portela.
Depois foi Oficina Demóstenes Rockert (1951).

Ícone de esboço22/novembro/1951 - Criado, pela Lei nº 1153, o distrito de Mondubim, hoje bairro.
Até então era um lugarejo nascido da estação de trem da antiga Estrada de Ferro de Baturité, depois Rede de Viação Cearense - RVC e, posteriormente, Rede Ferroviária Federal Sociedade Anônima - RFFSA.

Ícone de esboço01/janeiro/1963 - A Rede de Viação Cearense - RVC, antiga Estrada de Ferro de Baturité - EFB depois Rede Ferroviária Federal Sociedade Anônima - RFFSA, aposenta definitivamente as locomotivas Maria Fumaça, ficando somente com as máquinas movidas a óleo diesel.

Ícone de esboço13/novembro/1961 - Paralisação do tráfego da RVC, tendo o superintendente desta, gen. Humberto Moura, declarado que não se tratava de uma greve, mas de um motim.
Já, os chefes do movimento afirmaram que só voltariam ao serviço quando aquele dirigente saísse.

Saiba Mais

A Rede de Viação Cearense (RVC) foi a empresa ferroviária que fundiu a Estrada de Ferro de Baturité e Estrada de Ferro de Sobral com planos de expandir a rede por todo estado do Ceará.
Esteve arrendada à South American Railway Company desde 1909, e em 1915 passou para administração federal.
Em 1957 passou a ser uma das subsidiárias da Rede Ferroviária Federal (RFFSA) e em 1975 foi absorvida.


traitht.gif (20556 bytes)Crédito: Revista Ferroviária, Wikipédia, Estações Ferroviárias, Diário do Nordeste (Délio Rocha), Livro “Estradas de Ferro no Ceará” de Assis Lima e José Hamilton Pereira, livro Cronologia Ilustrada de Fortaleza de Miguel Ângelo de Azevedo e Revista do Instituto do Ceará (Histórico, Geográfico e Antropológico) de 1981


segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Maracanaú - O maior centro industrial do estado

Há muito tempo, os índios pitaguaris se encontraram com os colonizadores nas velhas terras do Siará. Formaram aldeias, cambiaram os idiomas, os costumes, as crenças, lutaram entre si e disputaram poderes. Depois chegaram os escravos que araram a terra e construíram açudes nas fazendas. E do amálgama de índios, brancos e negros surgiram os primeiros traços da gente de Maracanaú.

De longe, a história de Maracanaú pode se parecer com as histórias de muitos outros lugares do Brasil. Como a vista de uma paisagem, que disfarça as diferenças, esconde os detalhes e dá ao quadro uma harmonia de conjunto. Mas, basta aproximar o olhar para que se revelem as sutilezas que fazem de Maracanaú um lugar único, marcado com as escolhas que os maracanauenses fizeram a cada passo de seu caminho no tempo.


Embarque em ônibus da Viação Santo Antônio em Maracanaú - Cepimar

O atual território do município, na época da chegada dos primeiros europeus, era habitado pelos índios pitaguaris, Jaçanaú, Mucunã e Cágado. Dos aldeamentos destas etnias, surgiu o povoamento da Lagoa de Maracanaú e, depois, o das lagoas de Jaçanaú e Pajuçara.

Lagoa de Maracanaú antigamente - Foto de Bruno Rafel

No ano de 1649, estes índios receberam a visita dos holandeses, que cartografaram as roças de mandioca e milho, bem como os caminhos indígenas, durante a expedição em busca das minas de prata na Serra de Maranguape e Taquara. As ditas roças de mandioca e milho foram expandidas durante o tempo em que Mathias Beck administrou o Ceará a partir de sua base militar e administrativa: o Forte Schoonenborch.

Maracanaú¹ é a terra adotiva do escritor Rodolfo Teófilo e conhecida como a maior cidade-dormitório do Ceará.


Estação e igreja matriz de Maracanaú - Foto de Bruno Rafel

Possui o segundo maior produto interno bruto per capita do Ceará, estando atrás apenas do município de Eusébio.
A partir de 1870, o povoamento cresce em torno inicialmente da lagoa de Maracanaú e depois das lagoas de Jaçanaú e Pajuçara, fazendo com que os nativos perdessem o controle da então chamada Aldeia Nova.


Padre Teógenes e alunos do Instituto Carneiro Mendonça em Maracanaú - Cepimar

Com a inauguração da linha férrea, em Maranguape, no ano de 1875², houve uma luta para estendê-la até o povoado.
O povoado tornou-se Vila do Santo Antonio do Pitagaury em 6 de maio de 1882.

Maracanaú tornou-se distrito de Maranguape em 1906.

Maranguape conquistou o Distrito Rodolfo Teófilo (Pajuçara), que pertencia a Fortaleza, em 1938. O território passaria a integrar a cidade de Maracanaú com a emancipação que estaria por vir.


Estação de Maracanaú - Provavelmente nos anos 50 - Crédito da foto

O movimento de emancipação começou em 1953, com os tenentes Mário de Paula Lima e Raimundo de Paula Lima.

Uma tentativa bem-sucedida de emancipação ocorreu em 1962, tendo à frente o Padre José Holanda do Vale. No entanto, a emancipação durou pouco. O Golpe Militar de 1964 acabou com todos os municípios criados em 1962.


Antiga Prefeitura de Maracanaú - Acervo de Bruno Fernandes

Nos anos 1970, Maracanaú sofreu uma grande transformação quando foi escolhido para sediar o Distrito Industrial de Fortaleza.

Mais uma tentativa frustrada de emancipação teve à frente o então vice-prefeito de Maranguape, Almir Dutra.

A quarta tentativa de emancipação foi em 1981 com o “Movimento de Integração e Desenvolvimento de Maracanaú”.


Barragem Santo Antônio do Pitaguary na década de 90 - Maracanaú
Acervo de Bruno Rafel

Maracanaú foi finalmente emancipado em 5 de julho de 1983, pela Lei Estadual nº 10.811.

A primeira eleição municipal foi em 16 de dezembro de 1984, elegendo Almir Dutra³.

O Prefeito Almir Dutra foi assassinado em 27 de fevereiro de 1987. A prefeitura passa a ser administrada pelo vice-prefeito José Raimundo.

José Raimundo é afastado do cargo. Assumiu o interventor Alfredo Marques, que permaneceu no comando da prefeitura até outubro de 1988, quando é substituído pelo vereador Anastácio Soares Lima.

Entre os anos de 1989 e 1992, Júlio César Costa Lima esteve à frente da administração de Maracanaú.


O começo do Conjunto Jereissati Anos 90 - Maracanaú
Acervo de Bruno Rafel

Em 1993 assumiu o então eleito Antonio Correia Viana Filho, que renunciou no ano seguinte, ficando a administração sob o comando de Dionísio Brochado Lapa Filho.
Júlio César se apresenta novamente na vida política de Maracanaú como prefeito, permanecendo no cargo por dois mandatos consecutivos, de 1997 a 2004.


Antiga Pracinha de Maracanaú - Acervo de Bruno Fernandes

Roberto Pessoa vence as eleições de 2004 e fica à frente da Prefeitura de Maracanaú.


A economia de Maracanaú está centralizado fundamentalmente no setor industrial, devido ao Distrito Industrial de Fortaleza, o qual possui indústrias de: preparação de britamento e outros trabalhos em pedras (não associados à extração); produtos de laticínio (exceto leite); artefatos têxteis de tecidos (exceto vestuário); artigos para cama e mesa e colchoaria; biscoitos e bolachas; calçados de couro, plástico, tecidos, fibras, madeira ou borracha; fungicidas; herbicidas; defensivos agrícolas; massas alimentícias; material elétrico para veículos (exceto baterias) e medicamentos.


A Estação de Maracanaú em 1975

A agricultura é também uma fonte de renda do município, com plantações de algodão herbáceo sequeiro e plantas aromáticas e medicinais.
A arrecadação de Maracanaú é a segunda maior do estado.
Maracanaú tem a segunda maior arrecadação de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços do Ceará, ficando atrás apenas da cidade de Fortaleza.
A economia da cidade também é impulsionada pelo seu maior centro de compras: North Shopping Maracanaú, o único shopping de toda Região Metropolitana de Fortaleza.

North Shopping Maracanaú - D'Neto


  • ¹O topônimo Maracanaú vem da língua tupi, significando "água de maracanã", através da junção dos termos maraka'nã (maracanã) e 'y' (água, rio). Sua denominação original era Vila do Santo Antônio do Pitaguary. A partir de 1890, adotou seu atual nome.

  • ²Maracanaú figurou como parte de Maranguape até que este, em 1875, viu-se diante de uma grande transformação, com a inauguração da Estrada de Ferro de Baturité e a estação de trem. No século XX, cresceu o povoamento em torno de quatro instituições: o trem metropolitano - ramal Maranguape/Fortaleza, o Sanatório de Maracanaú (hoje Hospital Municipal), a Colônia Antônio Justa e o Instituto Carneiro de MendonçaCentro de Reabilitação de Menores.

Foto de 2007 - Acervo Júnior TST


Em 1983, Maracanaú emancipou-se definitivamente de Maranguape, através da ação política do Movimento Pela Emancipação de Maracanaú, um agrupamentos de políticos com interesses diretamente ligados a Maracanaú.
Os vereadores da Câmara Municipal de Maranguape deram um forte apoio à luta pela emancipação do município.


Avenida Central  - Maracanaú

  • ³Após a conquista da condição de município, o primeiro prefeito eleito foi Almir Freitas Dutra. Ele, no entanto, veio a ser assassinado em 27 de fevereiro de 1987. A prefeitura passou, então, a ser administrada pelo vice-prefeito José Raimundo.

Avenida Central  - Maracanaú

Rua Onze -  Maracanaú

Leia também sobre a Fazenda Raposa


Fontes: http://www.maracanau.ce.gov.br/Cepimar/Wikipédia

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