Fortaleza Nobre | Resgatando a Fortaleza antiga : Vacinogênio Rodolfo Teófilo
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quarta-feira, 13 de fevereiro de 2019

Das antigas - Vacinogênio Rodolfo Teófilo (Parte II)


De Vacinogênio, Necrotério, para Casa de Material de Construção

Rodolfo Teófilo, baiano radicado no Ceará desde 1868, começou sua missão filantrópica a partir da contemplação das

secas que assolava a terra alencarina. Médico sanitarista, de espírito humanitário, iniciou seu trabalho filantrópico no Morro do Moinho*, no último quartel do século XIX. O Morro do Moinho era topograficamente a parte mais alta do Jacarecanga, tendo ao seu lado, o Morro do Croatá, que fora rebaixado para a construção da Via Férrea de Baturité.
Ao raiar do século XX, em 1º de janeiro de 1901, ocorrera a inauguração do Vacinogênio, fruto do trabalho de Rodolfo Teófilo. Na época, o Vacinogênio não agradou ao Presidente do Estado Pedro Augusto Borges, pois este não obedecia às diretrizes da oligarquia Aciolina.  


Fachada do Vacinogênio em 1918.

O Jacarecanga teve o privilégio de receber o Vacinogênio, que atendia, sem apoio governamental, aos pobres dos bairros periféricos da zona Oeste. O referido posto de saúde fora erguido na Estrada do Jacarecanga, que depois recebeu o nome de avenida Thomaz Pompeu e finalmente, Avenida Philomeno Gomes.
Com a morte de Rodolfo Theófilo em 1932, Roberto Carlos Vasco Carneiro de Mendonça, então interventor federal, transformou o Vacinogênio em necrotério, devido sua estrutura sanitária e a proximidade com o maior cemitério da cidade, o Cemitério de São João Batista, que remota ao ano de 1866. 


Vista Aérea do Jacarecanga. Em destaque o Prédio do Vacinogênio. 1956.


Aproveitando essa reforma, a irmandade da Santa Casa de Misericórdia, administradora do Cemitério, solicitou ao Interventor a desapropriação de algumas casas, para que o campo sagrado se estendesse até o muro do Vacinogênio, beirando uma via já movimentada. Depois o necrotério foi para a rua Nestor Barbosa nº 315 no bairro Rodolfo Teófilo, e quando foi implantado o Curso de Medicina no Ceará, em 12 de maio de 1948, passou a se chamar Instituto Médico LegalIML.
 
Por ironia, em novembro de 1986, talvez uma das últimas inaugurações do Governador Gonzaga Mota, o IML volta para o Jacarecanga, sendo localizado na avenida Presidente Castelo Branco (Avenida Leste-Oeste), esquina com a rua Padre Mororó.
A casa do Vacinogênio, depois de abandonada, foi transformada pelos que trabalhavam na extensão do cemitério, em depósito para guardar material. 


Assis Lima
(Radialista/Escritor)


Assis Lima entrou uma única vez nesta casa, que a gurizada do seu tempo dizia: “tem alma neste local”. Nenhum menino da época entrava só, os que entravam eram de mãos dadas.
Em 1969, ergueram um cruzeiro construindo uma meia lua de penetração no cemitério; junto com esse reparo no muro ocidental, desapareceu a casa do Vacinogênio/Necrotério e no embalo destruíram a casinha de força dos bondes elétricos da Ceará Tramway que havia sido desativada em 1947.





Leia a parte I AQUI
 
*Morro do Moinho: Local hoje onde se encontra o Instituto Médico Legal (IML)

quarta-feira, 9 de março de 2016

Das antigas - Vacinogênio Rodolfo Teófilo


 Vacinogênio Rodolpho Theóphilo - Assis Lima

"O Pirambu ainda não existia, embora no Álbum de Vistas publicado em 1908, nos mostre a Praia Vila dos Pescadores, que ficou constatado como Arpoadores. A urbanização do Grande Pirambu só viria com a seca de 1932, onde passaram a existir campos de concentração, e com a segregação dos retirantes, formou-se um povoado, mas com a coisa ainda desordenada. Foi graças ao empenho do Padre Hélio Campos, que a coisa tomou formato, e o bairro foi urbanizado. Bom, até então a filantropia permeava no Aldeamento Moura Brasil. Foi lá onde Rodolfo Teófilo, voluntariamente realizou sua missão em ajudar o próximo.


 Praia do Arpoador - IBGE

Foi construído bem próximo da linha do Bonde do Jacarecanga, o Vacinogênio Rodolfo Teófilo, de onde ele podia melhor assistir a grande demanda, no Morro do Moinho* no Jacarecanga.
A avenida na época denominava-se Tomaz Pompeu, mas que com a extinção dos bondes em 1947, o trecho fora reformado e passou a levar o nome do industrial Pedro Philomeno Gomes, bem como a Rua Tijubana ficou como Francisco Lorda. A Rua Senador Alencar que ia até o inicio da Vila Operário da Fabrica São José, fora interrompida.


Cruzamento da Avenida Francisco Sá com a hoje Avenida Filomeno Gomes. Nirez

Com a inauguração de mais hospitais em Fortaleza e leprosários, o Vacinogênio foi desativado, servindo o prédio por sua assepsia como uma espécie de necrotério. Depois com a derrubada de casas, tanto pela Estrada de Ferro, como a pedido da Prefeitura para aumentar o Cemitério São João Batista, a casa ficou como depósito de material de construção. O autor destas linhas ainda alcançou essa edificação que desapareceu, junto com uma casa de Força da Companhia Light em 1969. Tudo hoje é o muro do Cemitério."

Assis Lima
(Radialista/Escritor)

*Morro do Moinho: Local hoje onde se encontra o Instituto Médico Legal (IML)

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