Fortaleza Nobre | Resgatando a Fortaleza antiga : Casarões - Um belo e imponente passado [notification_tip][/notification_tip]
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terça-feira, 13 de outubro de 2009

Casarões - Um belo e imponente passado


Na Fortaleza do início do Século XX, boa parte dos palacetes e mansões existentes na cidade eram réplicas de imóveis europeus. Os ricos proprietários viam as fachadas por lá e reproduziam aqui. O material da construção também era importado: telhas de Marselha; ardósia importada da França; da Inglaterra vinham as louças sanitárias; Portugal mandava as pinhas, os jarrões, as estátuas e os ladrilhos de faiança. Algumas casas utilizavam até madeiras europeias e o precioso e agora raro pinho de Riga servia para assoalhos, portas, janelas e bandeirolas.

Palácio Plácido

Palácio Plácido, cópia de um castelo renascentista de Florença. Localizado na Av. Santos Dumont, 1545, no antigo bairro do Outeiro, atual Aldeota, ocupava um quarteirão inteiro entre as atuais ruas Carlos Vasconcelos, Monsenhor Bruno, Costa Barros e Avenida Santos Dumont. Foi construído em 1920 pelo comerciante Plácido de Carvalho e mais tarde foi adquirido pelo grupo Romcy, que em fevereiro de 1974, mandou demolir para construir um supermercado.

Casa do banqueiro José Gentil



A chácara foi vendida em 1909 pelo proprietário Henrique Alfredo Garcia ao Dr. José Gentil Alves de Carvalho. A casa que existia no local foi demolida em 1918. O projeto da nova casa construída no local foi do Dr. João Sabóia Barbosa. Em 1956, a propriedade foi comprada pelo primeiro reitor da UFC, Prof. Antonio Martins Filho, à Imobiliária José Gentil S/A pertencente aos herdeiros de José Gentil.

Reitoria da UFC

Um ano após a compra, o Reitor Martins Filho resolveu demolir o casarão, construído em 1918, mandando projetar, a atual sede da Reitoria. O projeto elaborado pelo Departamento de Obras mantinha as mesmas linhas arquitetônicas da casa construída pelo Dr. João Sabóia Barbosa. O imóvel está localizado na Avenida da Universidade, no Benfica.

Casa da família Thomaz Pompeu na Av. do Imperador


Foto antiga da casa da família Thomaz Pompeu na Avenida do Imperador em frente a Praça da Lagoinha. Típica mansão francesa, com uma fachada de tijolinhos vermelhos, enegrecida pelo tempo, platibanda com muitos detalhes, e uma imponente varanda no andar superior.

Casa de Oscar Pedreira

Casarão fica na esquina da Philomeno Gomes com Monsenhor Dantas



O bairro Jacarecanga concentrava o maior número de palacetes e mansões de Fortaleza. Com 3 pisos, o casarão do empresário Oscar Pedreira era uma das mais bonitas residências da área.
O bairro Jacarecanga, na zona oeste de Fortaleza, formou-se antes da Aldeota.

O antigo bairro nobre de Fortaleza foi disputado nos meados do século XX como o preferido pela elite fortalezense depois que as residências suntuosas foram gradativamente deixando o Centro e o Benfica. Passaram-se as décadas e os contrastes permanecem evidentes até hoje, já tão descaracterizada área da cidade. Alguns exemplos de preservação são louváveis, em outras casas, a descaracterização e a destruição de vários detalhes arquitetônicos mostram que ainda há muito a se aprender sobre cultura e tradição em nossa cidade. O encanto daquelas décadas do século XX se acabou, mas ainda há muito que poderia ser resgatado no Jacarecanga. Um vídeo do cineasta Joel Pimentel diz que Fortaleza é uma cidade para a qual não se pode voltar porque ela está sempre em transformação. Isto é certo; porém, passear pelo bairro Jacareganga é de certa forma, voltar ao passado.

Os contrastes entre o contemporâneo e o antigo são gritantes, mas aquela área da cidade tem muito mais para contar. A partir da década de 1930, a imponência das residências das famílias mais abastadas que optavam por sair do Centro, deixou marcas que podem ser vistas até hoje. Adentra-se à Avenida Francisco Sá vindo da Praça Gustavo Barroso, a Praça do Liceu, e logo à frente, à esquerda, encontramos a Escola de Artes e Ofícios Thomaz Pompeu Sobrinho. Aquela foi a residência de Pompeu Sobrinho, construída em 1924, onde uma média de 30 familiares ocupavam a mansão com três pavimentos, distribuídos em 36 cômodos, tendo inclusive, mirante e porão.



Hoje, o órgão da Secult - Secretaria de Cultura do Estado, mantém o Centro de Restauração e Conservação do Patrimônio Cultural do Ceará e ainda funcionam três cursos profissionalizantes: Marcas da Cultura, Imagens da Cidade e Brincar de Criança, ministrando aulas de produção em couro, xilogravuras e construção de brinquedos populares. Oitenta e um alunos são beneficiados. A preocupação dos administradores da Escola é sobre a continuidade dos projetos em andamento, uma vez que em janeiro haverá a mudança de governo e não há certeza sobre a manutenção do trabalho, o que seria desastroso para os jovens que descobrem ali uma nova profissão, isto sem contar a ajuda de custo que recebem. Sempre às quintas-feiras, às 18h30, a Escola oferece uma programação cultural variada, aberta à população. No grande quintal onde havia pocilga, viveiro e garagem, hoje os alunos praticam arte. Ainda se podem ver antigos pés de seriguela,  sapoti, goiaba e coco. O casarão foi completamente restaurado e ali se encontraram, sob várias camadas de tinta, pinturas originais que foram recuperadas e podem ser vistas nos cômodos. A escada de madeira que leva ao segundo piso é uma obra de arte.



A casa de Thomaz Pompeu é um exemplo do que o poder público pode fazer pela preservação da memória da cidade. (Para mais detalhes, leia o post ESCOLA DE ARTES E OFÍCIOS).

Logo ao lado da casa há uma vila com várias residências de época. Ali, os proprietários não se importam com a tradição; reformas mudam aspectos arquitetônicos originais e a escolha das cores para a pintura das casas é bastante reprovável. Basta seguir um pouco mais adiante e logo à esquerda está a Rua Oscar Pedreira. Ali no número 25, dá para se ter uma ideia do que é bom senso. A casa, segundo a atual proprietária, Edna Fernandes, tem cerca de 80 anos e ela fez questão de manter a originalidade do imóvel quando a comprou há 20 anos.



Com fachada em azul e branco tudo está preservado (foto acima). Partes da casa que não puderam ser aproveitadas, como portas e janelas, Dona Edna providenciou para que fossem feitas como as originais. Ali, ela pinta azulejos, arte adquirida nos anos em que viveu em Portugal, e vende as peças que também decoram as paredes do imóvel.

Saindo da Rua Oscar Pedreira, dobra-se à direita e paralelo à Av. Fco Sá, chegamos à Rua Monsenhor Dantas. O imponente casarão do ex-prefeito Acrísio Moreira da Rocha, talvez seja o retrato mais fiel da nobiliarquia do Jacarecanga. Os lustres de cristal, o mármore de Carrara da escada, tudo reflete a riqueza que existia anteriormente na mansão. 

Hoje a casa está alugada à Polícia Civil e a velha capela serve como dormitório. Piscina vazia, não há verde no jardim. A casa está à venda, falaram. Saída da mansão Acrísio Moreira da Rocha (foto abaixo) que levou três anos para ser construída - 1947-1950, seguimos em direção à Avenida Filomeno Gomes.



Na esquina encontraremos outro casarão abandonado, antiga casa de Oscar Pedreira. Não há placas de venda ou qualquer outro referencial que leve aos atuais proprietários. Pode vir a desabar a qualquer momento, pelo aspecto de deterioração que apresenta. Espero que isto não aconteça e se consiga preservar tão eloquente exemplo de arquitetura de época da Fortaleza antiga.


Casarão de Oscar Pedreira na esquina da Filomeno Gomes com Monsenhor Dantas

Saindo da casa abandonada e seguindo-se pela Av. Filomeno Gomes, a meio quarteirão se encontra a residência nº 836, onde sobre o muro vê-se uma grande placa de venda. Talvez aquela seja a mais elegante residência do Jacarecanga em termos de estilo. O construtor, décadas atrás, optou pelo modelo dos Alpes. Apesar da placa de venda, a pessoa que atendeu à campainha não abriu o portão. A casa é linda. Está um pouco desgastada, mas nada que uma boa limpeza e pintura não revertam. O estilo europeu impôs um telhado íngreme, como o da Igreja do Pequeno Grande, próprio para diminuir o efeito do peso da neve no inverno. O jardim exuberante tem os mais variados tipos de flores e pinheiros como nas paisagens serranas. A senhora que não quis abrir o portão afirma que apesar da placa de venda, a casa já estaria sendo negociada com um órgão do Governo do Estado.



Ela informa que a proprietária se encontra na casa mas não quer receber ninguém e a ordem é manter o portão fechado. Assim demos uma volta relativamente curta nos quarteirões do Jacarecanga e vimos a quantidade de casas que estão como que abandonadas. É uma pena que os mais variados problemas dos proprietários os impeçam de manter aquele patrimônio aprazível aos olhos de fortalezenses e dos nossos visitantes. Os casarões poderiam ser recuperados e a área tornar-se um exemplo de cultura e civilização.

"Bom mesmo era no tempo de 39"

Foi assim que Dona Maria, moradora do Jacarecanga há 70 anos, começou a relatar suas memórias acerca do bairro. Dona Maria, sobrinha do ex-prefeito de Fortaleza Manuel Cordeiro Neto, lembra-se de quando o Jacarecanga era um bairro social, habitado por famílias tradicionais da época. “O bairro era mais calmo. Os muros eram baixos, e nunca entrou ninguém pra roubar”, diz.

Em 1939, o Jacarecanga vivia o auge da sua história. Foi ali que Thomaz Pompeu Sobrinho construiu a sua casa com influência da arquitetura italiana, e foi seguido por amigos ricos, que resolveram sair do centro da cidade para construir mansões em moldes europeus. Dona Maria recorda-se de quando o bonde transitava pelo Jacarecanga, e os meninos subiam apenas para se divertir. “A gente pegava o bonde da Praça do Liceu até o fim da linha, porque o torneiro era conhecido e deixava”, diz Dona Maria com sorriso estampado. Na época, o torneiro era chamado de ‘Mamãe dorme só’, porque era filho único e não queria trabalhar à noite, alegando que a mãe não podia dormir só.

O morador José Dias lembra que o Jacarecanga de antigamente era como a Aldeota de hoje. Seu José é da época em que a casa de Pedro Philomeno Gomes fazia a alegria da criançada, com piscina e parque. “Os meninos iam tomar banho de piscina na casa do Philomeno. Philomeno era um homem bom”, disse. 

A moradora Márcia Sales, que reside em uma das vilas próximas à Escola de Artes e Ofícios há mais de 25 anos, conta que Seu Philomeno Gomes, já idoso, saia pela manhã para visitar os casarões que haviam sido dele e a Vila São José, construída para abrigar os operários de sua Fábrica de tecido São José.

Márcia conta ainda que a casa onde mora hoje é a antiga residência do político Virgílio Távora, e que o que parece vidro nas portas é, na verdade, cristal. A moradora tenta conservar a casa como era antigamente, mas lamenta que nem todos tenham a consciência de preservar a memória dos casarões. “Quem entende um pouco de história, dá valor à história, não vai derrubar um casarão desses.”, diz.


Vila onde residiu o político Virgílio Távora, ao lado da atual Escola de Artes e Ofícios Thomaz Pompeu Sobrinho

Os casarões são derrubados, no Jacarecanga, principalmente, para dar lugar a prédios. Mesmo a casa de Pedro Philomeno foi derrubada para dar espaço a um prédio residencial e alguns prédios comerciais. Dona Maria puxa da memória que a “senhora” de Pedro Philomeno, mais conhecida como Santinha, era católica e caridosa. Dona Maria diz que os moradores de 1939 iam uma capelinha pequena para rezar, onde hoje está localizada a Igreja da Marinha.

O médico-veterinário Evandro Frota falou sobre as Tertúlias da Vila São José. “Os moradores do centro iam para a Vila São José e, para cortar caminho, passavam por dentro do cemitério. Eu próprio cansei de fazer isso”, lembra. 
Além das tertúlias, havia festas em casas de família, que se enchiam de intrusos. “Tinha gente que passava o fim-de-semana procurando tertúlias”, diz. 
Além das festas, o Kartódromo animava os moradores do bairro. Localizava-se em frente à Marinha e era aberto ao público. “Quem voltava da Praia de Iracema, frequentada pela elite na época, terminava o dia assistindo às corridas de kart”, completa.

Quando questionado se sente muita saudade do Jacarecanga de antigamente, Evandro não custa a responder. “Dá pra sentir saudade. Você passa e vê que os bangalôs antigos continuam do mesmo jeito. Isso é o que provoca mais saudades. O Corpo de Bombeiros não mudou nada e a própria estrutura do Liceu continua a mesma”, relembra, com ar de quem volta sempre ao lugar que o acolheu na juventude.



Fontes:  Jornal Diário do Nordeste e pesquisas na internet

22 comentários:

  1. PARABÉNS ADOREI AS FOTOS,A ARQUITETURA ANTIGA É LINDA!GOSTARIA DE SABER MAIS SOBRE A CASA DO BARÃO DE CAMOCIM...

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  2. Pode deixar, vou colocar a história dessa casa aqui pra vc, ok?

    Abraços e obrigada pelo comentário

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  3. COMO É BOM VOLTAR NO TEMPO ATRAVÉS DESTE BLOG.
    PARABENS

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  4. Muito obrigada, Washington! :)

    Sinta-se sempre muito bem-vindo!

    Abraços

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  5. adoro casas antigas, estejam onde estiverem, sejam grandes ou pequenas, com ou sem história, mas, com certeza, muitas estórias. acho que é isso o que me fascina mais: a vida de uma determinada época.
    parabéns, leila, e obrigada.

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  6. Eu que agradeço o comentário e espero
    que volte mais vezes!
    Tbm amo casas antigas, na verdade, o
    passado me encanta.

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  7. me chamo roseane e amo os casaroes antigos gostaria muito de mais informasois sobre mais casaroes

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  8. Oi Roseane, obrigada pelo comentário!

    Se vc tiver curiosidade sobre um determinado
    casarão, pode perguntar. Se eu tiver alguma
    informação sobre o mesmo, faço uma postagem para
    vc.

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  9. Acho o seu blog maravilhoso! Jacarecanga é uma ilha com relíquias do passado. Acho linda essa casa que você citou, na esquina da Philomeno Gomes com Monsenhor Dantas, e sempre quis saber mais sobre ela, qdo vc tiver outras informações agradeço.

    Você deve conhecer essa musica do Carlinhos Palhano sobre os bairros de Fortaleza, mostrei recentemente na facul, em um trabalho sobre patromônio histrico cultutal de Fortaleza.

    Fica o link: http://www.youtube.com/watch?v=Me0oTdeet0Y

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  10. Oi Mosi, bom dia!

    Muito obrigada por suas gentis palavras, fico muito feliz em saber que vc gosta do blog!
    Vou pesquisar sobre a casa que vc citou e se obtiver êxito, farei uma postagem sobre ela.

    Nossa, essa música é de arrepiar, obrigada por mandar o link, amei!!! :)

    Um forte abraço

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  11. queria saber da casa da Rua adriano martins, que e em frente ao colégio militar dos Bombeiros. Obrigada!

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    1. Oi, bom dia!

      Infelizmente, não tenho nda sobra uma casa na rua Adriano Martins.

      Abraços

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  12. Leila, gostaria de saber e ver fotos da Vila São josé no Jacarecanga

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    1. Vou atrás de fotos da Vila São José para publicar.

      Abraços

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  13. Carlos Zedi S Machado9 de abril de 2013 15:14

    Querida Leila Nobre,
    Você é uma valente guardiã da memória dessa cidade. Amo seu blog e sua página no facebook. Nós, Fortalezenses, estamos de parabéns por contarmos com uma pessoa tão dedicada a esta cidade.Beijos, querida. Paz e Luz.

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    1. Oh meu querido, vindo de vc, esse comentário me deixa ainda mais feliz! Sinto-me honrada em saber do prestigio desse humilde blog. rsrsrs

      Beijosssss

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    2. NOSSA , VER SEU BLOG É COMO VOLTAR NO TEMPO E QUE TEMPO , PARABÉNS !

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  14. Parabéns, pela matéria!! Muito interessante! Gostaria de lembrar também que na Av.Visconde do Rio Branco, no trecho entre a Av. Pontes Vieira e Av. Aguanambi, existem ainda muitas residencias antigas, as quais ainda não vi referencia alguma sobre estas casas. Ao meu ver elas também fazem parte da história da cidade.

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  15. Gostaria de saber o nome do tipo de arquitetura dessas casas . Obrigada .

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  16. Parabéns, há muito que desejava saber sobre o palacete na rua São Paulo 1889, muito bom. Pena que o Estado não recuperou a casa de Oscar Pedreira como fez com a de Pompeu Sobrinho.

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