Fortaleza Nobre | Resgatando a Fortaleza antiga : Especial - 130 Anos da Abolição da Escravatura no Ceará [notification_tip][/notification_tip]
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domingo, 23 de março de 2014

Especial - 130 Anos da Abolição da Escravatura no Ceará



“No Porto do Ceará não se embarcam mais escravos" 
Francisco José do Nascimento, Dragão do Mar - Janeiro de 1881. 

"A Província do Ceará influenciada pelas ações da Sociedade Cearense Libertadora teve no grito do líder jangadeiro Dragão do Mar, sua mais forte expressão e repercussão. Mas, Como começou o processo escravocrata no Brasil? E Por que a corajosa ação de 'Chico da Matilde' é lembrada até hoje? Se em alguns casos é possível dissociar História do Ceará da do Brasil, pelo menos nesse caso isso é impossível. Para entendermos melhor esse universo de revolta que tomou conta de intelectuais, profissionais liberais e gente do povo como o Dragão do Mar, na segunda metade do século XIX, precisamos voltar um pouco no tempo... 

Sociedade Cearense Libertadora

Como Começou o Processo Escravocrata no Brasil? 
Logo depois de sua 'descoberta’? 

Em 1500, e da implantação do sistema de capitanias hereditárias pela coroa portuguesa, e para dar suporte aos colonos no povoamento e exploração da mais nova colônia lusitana, Vossa Majestade D. João III cria o cargo de Governador-Geral. O primeiro a ser empossado na função foi Tomé de Sousa (1549 a 1553), e trouxe junto com ele, mulheres, o Padre Jesuíta Manuel da Nóbrega e os primeiros escravos africanos a pisar em solo brasileiro. 
Duarte da Costa chega em 1553 trazendo consigo o Padre da Companhia de Jesus - José de Anchieta, (que lançaria base ao que é hoje a maior capital da América Latina - São Paulo). Mesmo o sistema de capitanias hereditárias tendo fracassado, se manteve de pé a São Vicente e a de Pernambuco, principalmente a última devido ao cultivo de cana de açúcar, fazia grande uso do trabalho braçal. Como não tinham escravos africanos em número suficiente, os senhores de engenho começaram a levar cativos - índios. 

Os jesuítas foram terminantemente contra essa ação, pois era função deles catequizá-los, e não aceitavam sua escravidão. Aí toma forma em larga escala a página mais vergonhosa de nossa história - a escravidão. 


Durante todo o século XVI, (1501 a 1600), vindo em navios negreiros abarrotados, (uma parte morria antes de chegar ao destino, e eram jogados ao mar), foram transportados cerca de 100.000 escravos africanos. Já ao final do século XIX, um pouco antes da assinatura da Lei Áurea em 13 de maio de 1888, que pusera fim a escravidão no Brasil, esse número ascende a 1600.000. Submetidos a trabalho forçado, maus tratos e açoites (quando rebeldes), os escravos receberam um tratamento desumano, com o passar dos séculos tornara-se uma vergonha nacional. 

A Inglaterra, logo após a revolução industrial, movida por interesses próprios, começa a pressionar o Brasil para pôr fim ao tráfico negreiro. E aí nasce um termo muito conhecido em nossos dias "lei para inglês ver", devido a inúmeros acordos celebrados com a maior potência mundial, Pré-Eusébio de Queirós, nunca cumpridos. 

Por que a Corajosa Ação do 'Chico da Matilde' é Lembrada Até Hoje? 

Á partir da segunda metade do século XIX, (1801 a 1900), depois da implantação de leis como a Eusébio de Queirós, pregava-se no Brasil como fato o fim do tráfico negreiro, e boa parte da elite; médicos, advogados e jornalistas como José do Patrocínio passaram a se dedicar a causa abolicionista. Mas, a verdade é que ainda havia o vergonhoso tráfico de escravos. E então nós passamos a entender a relevância histórica no grito do líder jangadeiro - Dragão do Mar, quando da chegada de navios negreiros ao Porto do Ceará, (os navios de grande calado não conseguiam aportar devido aos bancos de areia, por isso se fazia necessário o trabalho dos jangadeiros no transporte dos escravos.) Foi com a ação heroica do Dragão do Mar que a Província do Ceará pôs fim de vez ao tráfico negreiro. Como consequência, o Ceará torna-se pioneiro como a primeira província a libertar seus escravos em 25 de março de 1884, portanto a exatos 130 anos. Por isso até hoje é conhecida como - 'Terra da Luz'


Abre também caminho para a assinatura da Lei Áurea, que viraria essa triste página de nossa história, manchada de sangue. O Estado do Brasil em meio a culpa para compensar as enormes desigualdades criadas pela escravidão, criou o sistema de cotas, Lei n.12711/2012, que não chega a ser unanimidade, mas já é um passo importante para a diminuição das desigualdades acumuladas por mais de 400 anos. 


Para homenagear o feito do herói cearense a Petrobrás, por meio de sua subsidiária, a Transpetro batiza um Navio Petroleiro em Pernambuco com o nome de Dragão do Mar

Ainda seguindo como parte das homenagens ao 'Chico da Matilde' o Estado do Ceará dá a um importante equipamento de cultura em Fortaleza seu nome - CentroDragão do Mar de Arte e Cultura
E a Assembleia Legislativa do Ceará em 2011, em proposta do Deputado Lula Morais (PC do B), institui 25 de março - feriado estadual - Abolição da Escravidão!"

Santana Júnior 
(Colaborador do Fortaleza Nobre)



Bibliografia;VICENTINO,Cláudio. História Para o Ensino Médio, História Geral e do Brasil. Editora Scipione. Pág.189, páragrafos 31 ao 38. /AZEVEDO, L. de. História de Um Povo. Editora FTD. Pág.105, pár.6. Web; Wikipédia.



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