Fortaleza Nobre | Resgatando a Fortaleza antiga : A saga dos jangadeiros do Mucuripe - A chegada ao Rio e uma nova aventura... [notification_tip][/notification_tip]
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sexta-feira, 21 de março de 2014

A saga dos jangadeiros do Mucuripe - A chegada ao Rio e uma nova aventura...


Há 70 anos, quatro jangadeiros entraram para a história...

Em 1941, Manuel Olímpio Meira (Mais conhecido por Jacaré) e mais três jangadeiros - Mestre Jerônimo (Jerônimo André de Souza), Tatá (Raimundo Correia Lima) e Manuel Preto (Manuel Pereira da Silva) - saíram do Ceará com destino ao Rio de Janeiro.
Foram reivindicar junto ao Governo de Getúlio Vargas, melhores condições para a comunidade de pescadores de sua região, tentando fazer com que sua profissão fosse reconhecida e os pescadores pudessem obter seus direitos trabalhistas.

Foi então que a presidente da Associação de são Pedro (entidade religiosa que prestava assistência às famílias dos pescadores), empreendeu juntamente com Fernando Pinto, presidente do Jangada Clube, uma Campanha entre as autoridades e membros da sociedade local a fim de levantar fundos para a realização do sonho dos pescadores.
A campanha foi bem sucedida e ao final, eles conseguiram dinheiro para a construção da jangada e para deixar suas famílias assistidas enquanto ficassem ausentes.

Veremos toda essa travessia através de fotos do filme de Orson Welles de 1942: 
A triste despedida na partida dos jangadeiros





"Às nove horas em ponto, quando soprava um bom nordeste, empurramos a jangada pra dentro d'água. Ia começar a nossa aventura. O samburá estava cheio de coisas, a barrica cheia d'água e os nossos corações cheios de esperança. Partimos debaixo de muitas palmas e consegui ver de longe os meus bichinhos acenando. Mais de vinte jangadas, trazidas por nossos irmãos de palhoça e de sofrimento, comboiaram a gente até a ponte do Mucuripe. A igreja branquinha foi sumindo e ficou detrás do farol. Rezei pra dentro uma oração pedindo que a Padroeira tomasse conta dos nossos filhinhos, pois Deus velaria por nós. E assim começou nossa viagem ao Rio de Janeiro...". 
Jacaré




E lá se foram nossos heróis...


Eles navegaram por sessenta e um dias em condições precárias, enfrentando tempestades, tubarões e calmarias, de Fortaleza ao Rio de Janeiro...


A chegada em Recife...


A chegada em Salvador...


Pedindo proteção em Salvador...


A chegada ao Rio de Janeiro - na época a capital da República - distante 1.500 milhas náuticas (Mais de 2.700 Km), navegando na jangada "São Pedro". 

 




Em 15 de novembro a jangada São Pedro entrou nas águas da Baía de Guanabara, acompanhada por muitos barcos que formavam uma procissão...


















Logo depois, a jangada foi retirada apoteoticamente da água e colocada em um caminhão sob aplausos de uma multidão que se aglomerava para ver de perto a chegada dos heróis. O cortejo seguiu pelas principais avenidas do Rio de Janeiro e na Praça Mauá um palanque estava montado para os discursos. Ao final do dia eles foram atendidos por Vargas.


Getúlio Vargas cumprimenta Jacaré.
Foto: Firmino Holanda

Dos Verdes Mares Bravios mais uma vez parte uma jangada...

"Passados dez anos da viagem dos jangadeiros cearenses ao Rio de janeiro, sede do governo Federal, eis que novamente dos “verdes mares bravios”, referidos no romance de José de Alencar, parte uma nova jangada, dessa vez batizada de Nossa Senhora de Assunção. Apesar de, nessa década, como nos informa Câmara Cascudo em Jangada e Jangadeiros, já está acontecendo a substituição da velha jangada de paus pela jangada de tábua, que acrescenta à antiga estrutura um pequeno convés, os jangadeiros ainda preferem a antiga e é uma dessas que servirá de transporte aos cinco jangadeiros. Quem a fabrica é “Quinta-Feira”, segundo informações dos pescadores, um dos melhores fabricantes de jangada do Ceará; na vela uma pintura de Nossa Senhora de Assunção, padroeira de Fortaleza, pintada pelo artista cearense Antônio Bandeira."

Berenice Abreu de Castro Neves 

Depoimento

“Aquela miniatura de jangada, cheia de detalhes, que ganhei ainda menino, de uma “tia” nordestina, casada com um amigo do meu pai, fez mais sentido quando, maiorzinho, visitei o Museu Júlio de Castilhos e conheci, além de uma jangada de verdade, em tamanho natural, a história fantástica de uma viagem improvável. Aquela precária embarcação que eu via diante dos meus olhos tinha vindo desde muito longe, navegando pelo mar e trazendo a bordo alguns homens.

Foto: Antonio Ronek - Revista do Globo (Acervo Ricardo Chaves)

Foto: Antonio Ronek - Revista do Globo (Acervo Ricardo Chaves)

Esta semana, quase meio século depois, examinando uma antiga Revista do Globo, encontrei o registro documental dessa aventura, que nunca saíra da minha cabeça. Numa bela reportagem de Rubens Vidal com fotos de Antonio Ronek, publicada em março de 1952, estava o relato da chegada, depois de 127 dias e 4 mil quilômetros, da jangada N. S. de Assunção, trazendo de Fortaleza (CE) quatro pescadores e um jornalista. Vinicius Lima, repórter do jornal O Globo, que patrocinava a travessia, aproveitou o desembarque do pescador Tatá – que, enfermo, ficou no Rio, quando a expedição fez uma escala por lá – e juntou-se a Jerônimo, João Pereira, Manuel Preto e Manuel Frade na segunda etapa da jornada.

Foto: Antonio Ronek - Revista do Globo (Acervo Ricardo Chaves)

Foto: Antonio Ronek - Revista do Globo (Acervo Ricardo Chaves)

Foto: Antonio Ronek - Revista do Globo (Acervo Ricardo Chaves)

O objetivo dos viajantes era chamar a atenção e protestar contra as más condições de vida dos pescadores nordestinos. Foram recebidos como heróis por uma multidão e, depois, pelo governador e pelo prefeito.
A jangada foi exposta à curiosidade popular no Paço Municipal e posteriormente recolhida ao Museu – onde, após alguns anos, acabou por desfazer-se.”

Ricardo Chaves (Almanaque Gaúcho)





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