Fortaleza Nobre | Resgatando a Fortaleza antiga
Fortaleza, uma cidade em TrAnSfOrMaÇãO!!!


Blog sobre essa linda cidade, com suas praias maravilhosas, seu povo acolhedor e seus bairros históricos.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Programa Irapuan Lima



Nessas minhas andanças pela internet garimpando material para o blog, achei algo que me fez parar e lembrar de quando eu tinha uns 6, 7 anos e ficava achando graça aquele senhor presentear os calouros com um pacote de macarrão Fortaleza rsrs sem falar nos calouros, aparecia cada figura...
Eu sei que o blog é sobre a cidade de Fortaleza, mas Irapuan Lima merece que eu abra uma exceção!

°°°No ar "O Chacrinha do Norte"°°°

Antes do hype do "formato VJ", os telespectadores desta cidade quente podiam ver, todas as tardes de sábado, um apresentador estritamente cearense. O saudoso Irapuan Lima,com suas "irapuetes", fazia um inacreditável programa de calouros, com direito ao "Frango assado do Zezé" como prêmio de consolação aos perdedores. Irapuan só gostava de apresentar programa ao vivo, adorava improvisar, cantava clássicos da Era do Rádio, era garoto-propaganda de vários produtos, fez programas infantis e, no Carnaval, dizem, era um excelente Rei Momo. Passaram pelo seu programa ícones da música brasileira de todos os tipos, como Roberto Carlos, Wanderley Cardoso, Sérgio Cardoso, Orlando Silva, Carlos Galhardo, Bibi Ferreira e Ângela Maria.

Cadê Cacá, Cacá, Cacá?



Famoso pela sua irreverência e pelos famosos reclames (”Cadê Cacá”, “Frango do Zezé”, “Macarrão Fortaleza” etc), Irapuan Lima tornou-se um dos mais importantes comunicadores da mídia cearense. Recebeu o apelido de “Chacrinha do Norte” pelo companheiro Armando Vasconcelos, que dividia a preferência nos finais de semana da TV Cidade, na década de 1980.

 



















Irapuan Barros de Lima nasceu em Fortaleza em 1º de agosto de 1927. Começou a carreira com pouco mais de 20 anos, na Rádio Iracema, em 1949. Na emissora apresentou programas infantis como A Garotada se Revela e o Programa Irapuan Lima, nome que levou para a televisão, ao ingressar na TV Ceará Canal 2, em 1975.



Foi rei momo do carnaval cearense durante três anos consecutivos (1961, 1962 a 1963). Depois de apresentar diversos programas na Rádio Iracema foi para a televisão. Com o fechamento das emissoras associadas, Irapuan partiu para a TV Verdes Mares, apresentando o programa Dez Espetacular. Ficou pouco tempo. Foi para a TV Cidade Canal 8, onde atingiu seu auge de popularidade.

A cantora Ayla Maria, Célio Cury e Irapuã Lima na Rádio Iracema - Arquivo Marciano Lopes

O Programa Irapuan Lima ficou no ar até janeiro de 1992, quando interrompeu as atividades por conta de uma cirurgia na vesícula, que havia evoluído para uma pancreatite. Após isso, o “Chacrinha do Norte” realizou aparições em comerciais da televisão.

Foto de 1971

Irapuan Lima chegou a comandar seu programa de auditório por 4 horas e meia ao vivo, o maior neste formato na América Latina durante a década de 1980. A fama também aconteceu para suas companheiras de palco, as Irapuetes, principalmente para Lionah Dias - a Xuxa cearense.



Para quem ainda não ligou o nome à pessoa, a Lionah Dias (a Xuxa cearense) é aquela senhora que faz o programa Clube do Brega da TV Diário.

Foto recente da ex Irapuete "Xuxa cearense"



Outra curiosidade fica por conta da Jornalista mirim ( "Boa tarde Irapuan, boa tarde Telespectadores " ) Daniele Portela. Sim, ela mesma, a jornalista do CE TV que com apenas 5 aninhos era jurada do Irapuã Lima e fazia um jornalzinho num dos intervalos do programa.


Em 1982, Chacrinha fazia sucesso em todo o Brasil, mas no Ceará as tardes dos sábados eram imperdíveis no canal 8. Aqui, a maior audiência era sem dúvida de Irapuan Lima, que começava o seu programa de auditório ao meio-dia proporcionando muita alegria a milhares de pessoas. Ele, e claro, as Irapuetes, que na época esbanjavam sensualidade. Ao invés do abacaxi que se tornou marca registrada do "concorrente" nacional, Irapuan Lima oferecia um frango aos candidatos reprovados pelos jurados no palco. A sátira era engraçada e agradava em cheio ao público.



No Chacrinha tinha as Chacretes, já aqui tinha as Irapuetes, e pense numas Irapuetes!
Grande ícone da publicidade local, o programa era famoso pela sua irreverência e pelos famosos reclames. Irapuan tornou-se um dos mais importantes comunicadores da mídia cearense. Seu programa ficou no ar até janeiro de 1992, quando interrompeu as atividades por conta de uma cirurgia na vesícula, que havia evoluído para uma pancreatite.

 

"Eu mesmo não perdia um sábado o “Irapuan Lima”. De tão tosco o programa, tornava-se engraçado, leve e muito contemporâneo, em uma época onde os ídolos tinham muito talento e carisma. A TV local ainda está orfã de um profissional como Irapuan e seu programa. Saudades de uma época que passou e não volta mais, mas o que nos resta são as lembranças engraçadas, como a Xuxa cearense que dizia que a cachaça Sapupara em japonês era chamada de Sapupei. Pense!" -Thiago Marinho do blog CULTucando

O ADEUS

"Morreu na madrugada deste sábado(04 de Maio de 2002), o radialista e apresentador de TV, Irapuan Lima, aos 74 anos. Irapuan estava passando o final de semana com a família na praia de Quixaba, em Aracati, quando sentiu-se mal. A causa da morte foi uma embolia pulmonar.

Irapuan trabalhou na Rádio Iracema. Na TV, apresentou programas na TV Verdes Mares e TV Cidade. Nos últimos tempos, o radialista havia se aposentado
." - Jornal local

O velório aconteceu no domingo, no cemitério Parque da Paz às 16hs.


°°°Uma homenagem ao Chacrinha do Norte°°°


O Museu da Imagem e do Som (MIS) está fazendo uma homenagem ao radialista que se tornou um símbolo na televisão cearense: Irapuan Lima. O Chacrinha do Norte, como ficou conhecido, rompeu décadas animando programas de auditório, onde artistas nacionais dividiam o palco com calouros e novos talentos do Ceará. A estética de Irapuan Lima era própria, o talento era único.

E tudo isso pode ser visto pela primeira vez, numa exposição de fotografias, revistas e antigos equipamentos que contam a história de Irapuan, das ondas do rádios às luzes da televisão. A exposição pode ser vista no MIS, na Avenida Barão de Studart, na Aldeota.


A memória do rádio cearense merece homenagens. Na exposição do Museu da Imagem e do Som, na capital, os fãs do rádio vão encontrar mais que aparelhos antigos. A história do rádio no Estado está contada em fotografias, em revistas, em relíquias... A primeira rádio do Estado - Ceará Rádio Clube - foi fundada em 1934. Depois a mesma rádio passou a ser chamada de PRE-9 e transmitiu a primeira novela de rádio. Era a época dos radioatores.


A história do rádio se confunde. Nascido em Fortaleza, Irapuan Lima entrou para o rádio em 1949. No rádio e na tv o comunicador famoso pela alegria contagiava o público nos programas de auditório. Foram 54 anos de carreira, como relembra o amigo, Francisco Felix, também radialista que trabalhou ao lado de Irapuan por 15 anos.





A frente de programas de auditório na TV Irapuan Lima se destacava pela espontaneidade. A filha Vera Sílvia também gosta de relembrar a hospitalidade do pai com os artistas que trazia de todo o país. Mais que a coroa de rei momo do Carnaval - que foi dele nos anos 60 - Irapuan Lima deixou lições de um comunicador cheio de carisma.








1986



quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Escola Normal - Colégio Justiniano de Serpa




O clamor por mestres que cumprissem devidamente os encargos da profissão foi uma constante em relatórios dos presidentes de província do Ceará durante todo o século XIX. Mestres devidamente habilitados eram garantia de uma boa escola.
Assim, depois de várias tentativas para a instalação no Ceará de uma Escola Normal que cuidasse do preparo dos professores, foi lançada a pedra fundamental do edifício em 2 de outubro de 1881. A escola foi inaugurada em 22 de março de 1884.
O edifício foi projetado pelo engenheiro civil austríaco Henrique Foglare. A obra ficou a cargo do engenheiro civil Henrique Theberge, responsável pelas obras públicas provinciais, sendo executada pelo mestre pedreiro Francisco de Sousa Brasil.
Concluída em 6 de dezembro de 1882, a edificação só veio a ser utilizada dois anos depois. O edifício sediou a Escola Normal até 1923, quando foi ocupada pelo Grupo Escolar Norte da Cidade. O aspecto da edificação foi provavelmente “modernizado” nessa época, quando teve sua coberta modificada, implantando-se uma platibanda no lugar da antiga coberta à vista. O frontão triangular que marcava a entrada norte também desapareceu.
Em 1947 e 1954, o prédio serviu de sede para o Instituto Médico do Ceará. A partir dessa data, funcionou como a Faculdade de Odontologia da Universidade Federal do Ceará. Desde 1987, sedia o atual IPHAN.




O prédio hoje

Histórico da Escola Normal do Ceará...

"A aspiração para criar escolas de formação de professores no Brasil começou ainda no Império, porém havia dificuldades na criação das Escolas Normais em todo o país. Em 1879, a Reforma de Leôncio de Carvalho, que tinha valor somente no Rio de Janeiro, foi um marco para a criação desse tipo de escola.
No Ceará, a primeira tentativa de criação de uma Escola Normal deu-se em 1837, no mandato do presidente da província, José Martiniano de Alencar. A Lei 91, de 05 de outubro de 1837, criava temporariamente a Escola Normal do Ceará, porém a escola não foi instalada por falta de recursos e continuidade administrativa. Após esse fracasso na tentativa da criação da Escola Normal, o estado ficou ainda um longo período sem sua escola de formação de professores.
Somente com a Lei 1790 de 1878, ressurge o interesse na criação da Escola Normal, que viria a se concretizar apenas no fim do Império, no ano de 1884.
A regulamentação da recém-criada Escola Normal do Ceará foi orientada por legislações concebidas em anos anteriores a sua efetivação. Essa regulamentação estava presente na Lei nº 1790, de 28 de dezembro de 1878 e no Regulamento da Instrução Pública de 1881. "Somente no ano seguinte (1885), é expedido o primeiro Regulamento da instituição”.
Escola Normal do Ceará foi o primeiro nome da nova instituição de ensino e seu prédio ficava localizado na Praça Marquês de Herval (posteriormente chamada de Praça José de Alencar). A Escola Normal teve algumas mudanças de localização durante esses anos. No período de 1919 a 1923, a escola foi instalada no pavimento térreo da Fênix Caixeiral


Escola Normal ainda em construção. Imagem de cartão postal capturada em 23 de julho de 1923. Acervo Carlos Augusto

Após reivindicações, o presidente do estado, Justiniano de Serpa, mandou construir o novo prédio da escola na Praça Figueira de Melo (onde hoje funciona o Colégio Justiniano de Serpa). A escola funcionou nesse local até 1958, ano em que se mudou para o Bairro de Fátima, já com o nome de Instituto de Educação do Ceará. Além das mudanças de locais, a Escola Normal também mudou várias vezes de nome.
Ao longo de sua trajetória a Escola Normal recebe várias denominações: Escola Normal Pedro II (Lei nº 2260, de 28 de agosto de 1925), seu segundo nome; Escola Normal Justiniano de Serpa (Decreto-Lei nº 122, de 2 de março de 1938); Instituto de Educação (Decreto-Lei nº 2007, de 7 de fevereiro de 1947) e, no final dos anos 50 recebe sua atual denominação, Instituto de Educação do Ceará (Lei nº 8559). 



Instituto de Educação Justiniano de Serpa no final dos anos 40.
Acervo Marcos Moreira

Juntamente com a Escola Normal do Ceará, foi criada a sua Escola de Aplicação, também chamada Escola Anexa, que ficou em funcionamento até o ano de 1918. A Escola de Aplicação era o local da prática pedagógica dos alunos da Escola Normal. Essa escola ressurgiu em 1922 com a denominação de Escola Modelo
Até a década de 1920, período que divide a história da educação no Ceará, a Escola Normal não tinha muito prestígio. A sua verdadeira importância deu-se somente após a Reforma de 1922, marcada pelo ideário da Escola Nova.

No Ceará, as idéias modernas de educação também já eram pregadas desde o final do século XIX. Após viagem aos Estados Unidos, o advogado e professor de latim, Amaro Cavalcante, apresentou um Relatório ao presidente da província e à população cearense. Tal Relatório foi escrito em 1881 e dava informações acerca da instrução primária americana. 


Essa linda foto de 1967, foi feita na escadaria externa do Colégio Justiniano de Serpa. Na primeira fileira, vemos a então professora de Filosofia, a Jornalista Adísia Sá (do meio, de sapatos brancos). Acervo pessoal de Maria José Melo Fraga
No Relatório, Amaro Cavalcante trata da educação de um modo geral; do método escolar; das escolas normais e da inspeção da educação pública. “O debate em torno das idéias por Amaro Cavalcante e demais fundadores da Escola Normal e suas consequências práticas preparam o terreno para que o escolanovismo florescesse a partir do impulso dado pela reforma de 1922”. 
A Reforma de 1922, mais conhecida como Reforma Lourenço Filho, realizada no governo de Justiniano de Serpa, marca o início de uma nova fase da educação no estado. Ela ocasiona mudanças no ensino primário e normal do estado."

Crédito: Janderson (Uma metamorfose ambulante)

Diz a nota: Novo prédio da Escola Normal de Fortaleza
Este prédio tem doze salas de aulas, anfiteatro, biblioteca, Museu, diretoria, secretaria, hall e outras dependências, sem contar o porão habitável que servirá para as aulas de trabalhos manuais. Gabinete de Química, etc. Representa o tipo de construção escolar higiênica e econômica. Foi orçado em 280.000$, sendo inaugurado solenemente no dia 23 de dezembro de 1923
O prédio foi construído sob a orientação do engenheiro José Gonçalves da Justa, para sediar a Escola Normal, inspirado no modelo de um colégio suíço. Sua construção teve início em 11 de agosto de 1922, em frente à Praça Filgueira de Melo, na gestão do Presidente Justiniano de Serpa. A finalização da obra se deu no governo do Presidente Ildefonso Albano, sendo inaugurado em 23 de dezembro de 1923. A atual denominação adquirida em 1961 veio em homenagem ao Dr. Justiniano de Serpa. É um dos mais tradicionais estabelecimentos de ensino de Fortaleza





Colégio Justiniano de Serpa - Antiga Escola Normal

Primeiramente chamou-se Escola Normal Pedro II, e por algum tempo deste 1918 funcionou no andar térreo da Fênix Caixeiral, à rua 24 de Maio, esquina noroeste com rua Guilherme Rocha, daí saindo em 23 de dezembro de 1923, data que se transferiu para a bela sede da Praça Figueiras de Melo, (antes chamada Praça dos Educandos e também Praça do Colégio), começada a construir em 11 de agosto de 1922, sob planta do Eng. José Gonçalves Justa, na gestão do Presidente Justiniano de Serpa, mas somente inaugurado em parte, pelo seu sucessor, Senhor Ildefonso Albano. A conclusão do Edifício verificou-se no governo do Capitão (depois Major) Roberto Carneiro de Mendonça (1931/34). Mais tarde, teve o nome de Instituto de Educação Justiniano de Serpa.


As normalistas de 1958/59 - Acervo Sônia Lúcia machado Braga
As normalistas de 1958/59 - Acervo Sônia Lúcia machado Braga
O edifício, com dois pavimentos, possui planta dividida em três vãos, ficando a escada no vão central.
Foi construído em tijolo e cal, e sua estrutura horizontal é composta de barrotes no piso superior e tesouras de madeira na coberta. Os forros são de madeira tipo saia e camisa.
A fachada principal – encimada por balaustrada e um frontão arredondado em sua parte central – possui marcações horizontais, que definem a linha de piso do primeiro pavimento e de coberta e marcações verticais, definindo o acesso e a área do balcão, também com balaústres, no pavimento superior.
Protegido pelo Tombo Estadual segundo a lei n° 9.109 de 30 de julho de 1968.




"A Praça Figueiras de Melo contém um valioso patrimônio Arquitetônico miraculosamente preservado, nele encontramos jóias como o Colégio da Imaculada Conceição, a Igreja do Pequeno Grande e o prédio da Escola Normal. A praça que o circunda era bem traçada, com lindos canteiros e os bancos confortáveis de madeira com estrutura de ferro fundido, uma constante das praças da cidade."  


Royal Briar


Aluna do Colégio Justiniano de Serpa em 1978.
Acervo pessoal de Lúcia Araújo



Leia mais em: Escola Normal de 1884 à 1922




Praça Cristo Redentor


Recebeu essa denominação em 1922, em razão ao monumento que abriga uma coluna com Cristo no topo, com 35 metros de altura. É considerada uma das praças mais arborizadas de Fortaleza. Nela são realizados muitos eventos culturais por se localizar entre o Teatro São José e o Seminário da Prainha. Localização: Situada entre as ruas Rufino Alencar, 25 de Março, Franco Rabelo e a Avenida Dom Manuel, em frente à biblioteca pública e ao Centro Cultural Dragão do Mar.
Com a construção do Teatro São José ficou definido a área que passaria a ser urbanizada como uma praça no ritmo do Brasil Republicano e comemorando o Centenário da sua Independência, passando a ter praticamente a mesma forma que tem hoje.
No centro da praça foi erguido uma coluna/monumento de 35 metros de altura, montada sobre uma base cúbica. Desenvolvida sobre um eixo vertical gerado por uma escada com 115 degraus. Está revestida e decorada exteriormente com elementos jônicos, frisos, cornijas, moldura e outros detalhes executados com argamassa de cal e areia. Sobre sua base se encontram um conjunto de placas de mármore onde podemos ler a lista dos nomes dos amantes desta luminosa cidade praieira, vinculados à história da cidade através deste singelo e elegante monumento.


Foto aérea de 1930


A imagem do Cristo Redentor é de autoria dos escultores: José Rangel Sobrinho, José Maria Sampaio e Vicente Leite - pintor. A sua altura é de 2,70 m e está executada em alvenaria como o restante do monumento.


Foto rara de data desconhecida

O Círculo Operário São José foi responsável pelo “projeto” e execução do monumento. Tiveram como mestres: Antônio Machado, Domingos Reis, Severino Moura.
O monumento desde sua inauguração foi dotado de um relógio de quatro esferas, apontadas para os quatros pontos cardeais. Infelizmente a oscilação da coluna não permitiu o perfeito funcionamento do mesmo que foi transferido posteriormente para a Igreja dos Remédios.

Foto de 1896, a "Praça" não passava de um areal ao lado do Seminário da Prainha

Após a segunda guerra mundial foi demolido o muro circular que circundava o monumento e que imprimia-lhe uma boa proporção e limpeza formal. Felizmente hoje se encontra novamente restaurado.



Foto do Acervo de Raimundo Gomes

O QUE MUDOU NO DECORRER DO TEMPO...

Vemos na foto(lado esquerdo) do ano de 1938, a Praça do Cristo Redentor. A partir da esquerda, a mansão que foi de Luiz Borges da Cunha e Maria Pio de Castro, que ficava na Rua Franco Rabelo, em frente à Praça, seguida da casa construída por José Pio Moraes de Castro e Angélica Borges Pio de Castro, depois ocupada pelo inglês Francis Reginald Hull (Mr. Hull), meio encoberta por uma árvore; a Avenida Monsenhor Tabosa, a Igreja de Nossa Senhora da Conceição e o Seminário Arquidiocesano. Na frente, a praça, com a torre que lhe deu o nome.

A pedra fundamental da Torre do Cristo Redentor foi lançada no dia 23 de julho de 1922, na então Praça Comendador Machado (hoje Praça do Cristo Redentor), construída para comemorar a passagem do Centenário da Independência do Brasil. Usou da palavra o arcebispo Dom Manoel da Silva Gomes.

Deveria ter sido inaugurada no dia 7 de setembro de 1922, mas só o foi às 17h de 24 de dezembro do mesmo ano. Os construtores foram os mestres Antônio Machado, Domingos Reis e Severino Moura, que foram os próprios arquitetos e engenheiros. Na ocasião da inauguração falou o arcebispo Dom Manoel da Silva Gomes. Estavam presentes o presidente do Estado Justiniano de Serpa, o prefeito de Fortaleza coronel Adolfo G. Siqueira e o deputado estadual Rubens Monte. A torre mede 35m de altura, com 3m de circunferência.

No dia 16 de novembro de 1924 foi inaugurado o relógio de quatro faces da coluna do Centenário (Cristo Redentor), mas em virtude do balanço da torre teve que ser retirado e foi depois levado para a torre da Igreja dos Remédios, onde ainda está.


No dia 19 de dezembro de 1924, a antiga Praça Senador Machado muda o nome para Praça do Cristo Redentor, que no dia 16 de julho de 1938 inaugurou sua urbanização.

A Biblioteca Pública do Estado, que estava funcionando no Palácio da Luz, começa a mudar-se para sua sede própria, na Praça do Cristo Redentor, no dia 26 de janeiro de 1967, era a casa já citada, de Luiz Borges da Cunha, vizinha ao atual prédio da Biblioteca Pública Menezes Pimentel, inaugurada em 27 de março de 1967.

Na década de 70 iniciaram-se as obras de construção da Avenida Leste-Oeste que absorveu a Rua Franco Rabelo e unindo lado leste ao oeste da Cidade. Foi Inaugurada no dia 5 de outubro de 1974, às 10h, batizada de Avenida Presidente Castelo Branco, unindo a Praça Cristo Redentor à Barra do Ceará.


A foto nova (lado direito) mostra a praça como hoje está, sua arborização não deixa ver os prédios que a rodeiam, mas as casa da primeira foto que ficavam na Rua Franco Rabelo foram demolidas para darem lugar hoje ao Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura.







Fontes: Portal do Ceará e Pesquisas na internet

Cemitério São João Batista


Fachada antiga do Cemitério de São João Batista sendo demolida- Arquivo Nirez

O Cemitério São João Batista foi inaugurado no dia 5 de abril de 1866 para substituir o Cemitério de São Casimiro que ficava no local onde depois construíram as oficinas e prédios administrativos da Estrada de  Ferro de Baturité. O terreno do cemitério comporta hoje os prédios e galpões da RFFSA.

Sobre a construção do cemitério


Cemitério São João Batista -Álbum Fortaleza 1931


Nota fiscal de compra de jazigo no cemitério São João Batista de 05/04/1957  
Acervo do Prof. Victor Bessa

Fachada pela Avenida Filomeno Gomes - Foto de Cláudio Lima


Seu fechamento foi determinado em virtude do terreno sofrer influência de dunas móveis e por ficar próximo do núcleo urbano de então. Em 1880 foram exumados do cemitério São Casimiro os restos de pessoas ilustres como Pessoa Anta e Padre Mororó e transferidos para o cemitério São João Batista. O cemitério é administrado pela Santa Casa de Misericórdia de Fortaleza e tem uma área total de 95 mil m².



Com sua grande variedade de estilos, que se misturam com os rituais de dor, saudade e orações, o São João Batista é um espaço de inestimável relevância para a nossa história cultural. O São João Batista é um espaço central de informações históricas e culturais.



Foto de Cláudio Lima

Como testemunha material de várias temporalidades, a sua existência não é somente uma fonte para classificação técnica sobre arte ou arquitetura, é cenário de uma infinidade de obras. Sua importância histórica estende-se além do limite físico de seus muros, envolvendo-se intimamente com a história e a evolução da cidade de Fortaleza.


Muro do Cemitério na Rua Padre Mororó

Sua administração ficou a cargo da Santa Casa de Fortaleza que, por lei provincial de 1860, já era responsável pela gestão do São Casimiro. Poucos sabem, mas quem visita o São João Batista tem a possibilidade de aprender muito sobre a história de Fortaleza. Barão de Studart, Frei Tito, Tristão Gonçalves e Virgílio Távora, além de famílias tradicionais como Jereissati e Vidal Queiroz, são apenas algumas entre as personalidades sepultadas no local.

O muro lateral do Cemitério que pega toda a Rua Tijubana - Foto Ápio

Fundado em 1866, o cemitério localiza-se na rua Padre Mororó, no bairro Jacarecanga, próximo à Catedral Metropolitana de Fortaleza.


Outras personalidades que foram enterradas no São João Batista:


Barão de Camocim

Barão de São Leonardo

Barão de Studart

Francis Reginald Hull (Mister Hull)

General Sampaio

Carlos Jereissati

Carlos Virgílio Távora, ex-deputado federal do Ceará


Caio Prado

Cego Aderaldo, poeta cantador e rabequista

Cônego Bessa, religioso e político

Demócrito Rocha, telegrafista, odontólogo, escritor, poeta, e jornalista

Faustino de Albuquerque e Sousa, desembargador e ex-governador do Ceará

Francisco Armando Aguiar, ex-deputado estadual

Francisco de Meneses Pimentel, ex-interventor federal no Ceará, advogado e professor

Franklin Gondim, comerciante ex-interventor federal do Ceará

Hélio Melo, escritor, gramático, filólogo e professor

João Dummar, Pioneiro em rádio difusão

Juarez Barroso, escritor e jornalista

Manuel Cordeiro Neto, ex-chefe de polícia do Ceará e ex-prefeito de Fortaleza

Manuel Fernandes Vieira, magistrado e ex-deputado

Natércia Campos, escritora e professora

Osíris Pontes, comerciante e deputado estadual do Ceará

Paulo Sarazate, Deputado Governador e senador do Ceará


Parsifal Barroso, ex-deputado, ex-governador, ex-ministro e membro do Instituto do Ceará

Plácido Castelo, jornalista, advogado, político e professor


Rogaciano Leite

Soares Bulcão, jornalista, poeta, historiador, político e orador

Frei Tito

Tristão Gonçalves

Virgílio Távora

Messias Pontes, jornalista,radialista, militante político, Presidente do Comitê de Imprensa da Câmera Municipal de Fortaleza, Presidente do Comitê de Imprensa da Assembleia Legislativa Estadual, Diretor da Associação Cearense de Imprensa ( ACI)... Faleceu no dia 09 de novembro de 2013 aos 66 anos.


Trancoso e outras narrativas mitológicas

D. Neta, funcionária da Santa Casa de Misericórdia e presta serviços na secretaria do Cemitério, em depoimento amistoso, sem qualquer manifestação de medo porque por muitos anos, convive na "Chácara do Sr. Cândido Maia*", afirma por ser do seu conhecimento que o coveiro Luizinho, certa vez, no final da tarde, quando não havia mais nenhum coveiro, observou que, na avenida principal do cemitério, duas crianças brincavam fagueiras por entre os túmulos e capelas na circunvizinhança da extensa alameda, margeada por adultos ciprestes e algarobeiras perfiladas em linha reta sombreiam e divide em duas vias até alcançar a Av. Filomeno Gomes, próximo à Igreja de Nossa Senhora dos Navegantes e a Escola de Aprendizes Marinheiros.



Segundo a informante, o coveiro Luizinho, vendo que já entardecia e a noite se aproximava, ficou perplexos ao olhar aquelas duas crianças que brincavam despreocupadamente sem que viesse nenhuma pessoa para conduzi-las a sua casa. Atônito com aquela situação, dirigiu-se às crianças, e, ao alertá-las, observou que desapareceram misteriosamente sem deixar nenhum vestígio de sua existência, cujo sumiço foi disfarçado sem percepção.

A dançarina do Maguari

Corre à boca miúda também, impressionante episódio com um casal que se conheceu num baile do Clube Maguari. De repente veio àquela admiração causada à primeira vista numa forte simpatia. Depois de muito valsar, se comprometeu a jovem em fornecer o endereço para prolongar aquele feliz encontro transformando-o em namoro. Já próximo ao término do baile, deixaram o recinto do clube e o jovem rapaz pôs-se a cumprir o prometido para deixar a jovem em sua residência, cujo endereço lhe fora fornecido pela mesma que conhecera momentos antes.

Ao caminhar em direção da casa, a linda moça suplica: Entre aqui nessa rua por gentileza! Dobraram na Rua do Cemitério (Rua Padre Mororó) e ao se aproximar do portão principal, ela suspirou dizendo: Pare aqui. E ao chegar defronte ao cemitério evaporou-se numa transformação repentina.

Cemitério São João Batista -Álbum Fortaleza 1931

O jovem rapaz não se conformando, com o sumiço da jovem, logo ao amanhecer se dirigiu para o endereço fornecido pela dançarina da noite anterior e, ao indagar sobre a jovem dançarina foi informado que se tratava de uma ente querida que deveria ter colado grau de professora na noite anterior e era filha da informante, falecida há mais de dois anos. Ao jovem nada restou senão se unir a família e orar para ser recebida no Céu e não deixar corações empanados por tristeza a quem não pode satisfazer a beleza que o amor produz.

O Desempregado

Certa pessoa nutria grande devoção por almas e tinha por ofício visitar todas as segundas-feiras o cemitério para fazer suas orações. Desempregado, procurava um lenitivo para resolver a aflita situação econômica porque passava naquele momento, sem condição de manter a família e atender as necessidades mais prementes de um chefe de família.

Assim, numa segunda-feira ao percorrer uma rua que dar acesso ao cemitério deparou-se com um cidadão a ele se dirigindo indagou: Está à procura de emprego? Sim. Então vá nesse endereço que estão precisando dos seus trabalhos. Chegando ao local, foi informado que aquela pessoa que fizera a indicação tinha falecido. Entretanto sabedores que o extinto gostava muito de ajudar aos necessitados e conhecendo de quem se tratava deu-lhe emprego, prestando homenagem a quem se compadecera em vida de angustiante situação da pobreza, repartindo com necessitados o que lhe sobrava. 

Cemitério São João Batista -Álbum Fortaleza 1931

A menina-serpente

Outra história que passa numa das mais antigas e pomposas catacumbas, é o túmulo da menina-serpente, construído de pura argamassa, situado no 1º plano do Cemitério São João Batista, datado no inicio do século XIX, que apesar da forte estrutura e correntes de ferro maciço em redor do mausoléu, todos os anos se abrem em profundas fendas, caindo todo reboco.

Dizem que uma pessoa foi morta ainda criança amaldiçoada pela mãe, e, em noites de lua cheia percorre o Cemitério e ruas próximas a Igreja São João Batista, amedrontando pessoas, transformada em serpente, quebrando as correntes, rachando as paredes e abrindo fendas no túmulo.

A Plutocracia no Cemitério

Os que cultuam histórias de "Trancoso" falam de inúmeras histórias sobre os que já se foram desta para outra vida, mas, ainda assim, alimentam a mente como se caixão tivesse gaveta e mortalha tivesse bolso. Praticam atos de impiedade humilhando os menos favorecidos por terem vividos em cabedais de ouro, e, só depois conceberão que "tu és pó e em pó te tornarás". Porque para outra dimensão nada se leva, além das boas ações aqui praticadas dividindo com os mais pobres um pouco do que sobra, pois, "É dividindo que se multiplica", diz o velho adágio popular; de resto, mais nada.

Dos zelos

É preciso cuidar bem do espírito , para não ficar eternamente no limbo, purgando os pecados, que dão de logo ingresso ao inferno junto aos cães coxos, bem rabudos pagando crueldades aqui praticadas e as que não tiveram sequer um pequeno rasgo de bondade para praticar. Mas não esqueçam: o diabo também têm os seus... suas manhas e preferências. Entretanto melhor é fugir dos gracejos e deixar de lado os espíritos zombeteiros e chalaceadores que por aí, dizem, existir perturbando as almas que só querem orações jaculatórias como penitência.

Mas há quem afirma que o caifás, satanás e ferrabrás são na realidade o "manda chuva" do inferno. São os que possuem os maiores garfos e tomam conta das ardentes brasas. Por isso se roga tanto - "Livrai-nos Senhor do fogo do inferno" e das coivaras que esperam certas pessoas que aqui se vangloriam de riqueza e do poder. E se puderem recobrar fisionomias, êta que decepção tamanha será esse reencontrar após a morte.

Cemitério São João Batista -Álbum Fortaleza 1931

Do tinhoso

É bem melhor nos consolarmos com o que temos e merecemos. Ao demônio não se engana facilmente, - dizem os que com ele têm afinidade e gozam dos seus afetos e benquerença. Proclamam os cães antes de pular das suas exuberantes e impetuosas labaredas em língua de fogo... e antes de pedir permissão ao Cérbero para recorrer os recantos das profundezas de seus territórios e crescem os demônios mais argutos na proporção dos nossos pecados até nos conduzir às suas trevas. Contudo, isso não passa das manifestações de lucubração que cada um tem e se desenvolvem em cada bestunto tornando ilusões passageiras de um reino invisível e animam o presente põe de lado o passado e aspiram com ansiedade um futuro cheio de ventura.

O nosso campo santo tem e teve histórias do "arco da velha" desde sua fundação do tempo da "peste bubônica" ou febre amarela, que não havia tempo para sepultar todos os mortos pela epidemia alastrante, porque embora se abrissem valas, tamanha era a urgência para enterrar os entes queridos que afetados não resistiam as intempéries que se alastravam.

Lendas e lendas

Nessa época era ainda o Cemitério Croatá, também conhecido como São Casimiro, na Praça Castro Carreira ou Estação Central, no quadrilátero pelas ruas Senador Castro e Silva, Rua General Sampaio, Rua Dr. João Moreira, no prolongamento da Av. Tristão Gonçalves, Av. Imperador e adjacências. Contam também que os cadáveres ficavam superficialmente enterrados, dada a exiguidade de tempo para inumá-los.

Com a chegada do verão o sol causticante sobre as valas deixavam expelir gases da decomposição de cadáveres, subindo labaredas incandescentes para o alto em forma de "língua de fogo", emanadas das gorduras dos corpos, conhecida como fogo-fátuo, que causava verdadeiras assombrações aos que assistiam aquele despropositado espetáculo, e logo desapareciam em contato com a atmosfera.

Aos mais ingênuos era a maldição que se aproximava dos incautos espectadores que corriam desesperadamente à procura de refúgio e abrigo mais seguros, ou suas casas que deveriam ser mais bem protegidas para livrarem-se o mal ou castigo que vinha do Céu.

*Cândido Maia serviu como administrador do Cemitério de São João Batista, desde 1887 até 1925, ano em que faleceu, sem nunca haver gozado férias e nem licença no emprego.




Fontes: Pesquisas na internet/Cafofo/Wikipédia/Diário do Nordeste

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