Fortaleza Nobre | Resgatando a Fortaleza antiga
Fortaleza, uma cidade em TrAnSfOrMaÇãO!!!


Blog sobre essa linda cidade, com suas praias maravilhosas, seu povo acolhedor e seus bairros históricos.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

O Cirandinha - Praia de Iracema II - Bebelu Sanduíches

Devido ao projeto de requalificação da  Praia de Iracemaque entre outras mudanças previa a construção de um calçadão e a retirada de todas as edificações presentes ali, o prefeito Juracy Magalhães, marcou uma reunião para discutir o que haveria de ser feito com o Cirandinha... 

Cirandinha - Arquivo Nirez

O discurso do prefeito foi claro: "Sai tudo, menos o Cirandinha, que deverá ser demolido por vocês para que façam um projeto mais adequado a quem vai ficar sozinho sobre o belo calçadão." 
Apesar de um discurso muito bonito, a história não foi bem assim... E se não fosse a luta e a garra dos proprietários do Cirandinha, o restaurante teria saído como os demais.


Depois que o Cirandinha foi demolido, em seu lugar foi construído uma barraca de praia que nada lembrava o velho e querido Cirandinha. Os clientes ficaram indignados e para evitar fracasso maior, ele foi vendido para os donos do Bebelu, que à época ainda se chamava Babalu Lanches.


Bebelu Sanduíches

Tudo começou em 1986 com um carrinho de lanches montado em Fortaleza em frente da casa de Dernier Pessoa Rios*, um apaixonado pela cozinha do Nordeste que gostava de inventar receitas de sanduíches práticos e caseiros misturando ingredientes exóticos. O sucesso foi grande e o negócio começou a crescer com um trailer no bairro do Monte Castelo. Assim nasceu a Bebelu Sanduíches, a primeira rede de franquias de fast food do Nordeste, que hoje já tem 40 lojas em 10 estados do País.


2007


“A receita da nossa expansão foi conseguir fabricar em escala industrial um cardápio diversificado de sanduíches com o mesmo sabor artesanal que conquistou Fortaleza”, assinala Roni Ximenes, franqueador master que hoje está à frente da Bebelu Sanduíches. “Nossa aposta é que quem procura um fast food também quer encontrar sanduíches feitos com cuidado caseiro e artesanal. Oferecemos uma linha bastante diversificada com ingredientes que fogem das combinações dos fast food tradicionais e agradam pelo típico tempero da culinária nordestina”, acrescenta.


Foto de Vanvisk


A Bebelu originariamente foi chamada de Babalu Lanches, mas mudou de nome porque os dois primeiros sócios, Dernier e Fabrízia Tavares Rios, tiveram dificuldades em registrar a marca. A pequena empresa começou a expansão pelo sistema de franchising com entregas em domicílio e com a primeira loja, aberta em 1991 na mesma rua onde estava instalado o trailer, que na época já atraía clientes de toda Fortaleza. No mesmo ano, entrou em operação a segunda loja e após a chegada de Fabrízia na sociedade, que ocorreu em 1993, a empresa continuou concentrando sua presença em Fortaleza com mais três lojas franqueadas.

Foto Alex Ribeiro


Foto de Marcelo M. Costa

Hoje, as 47 lojas da Bebelu Sanduíches estão distribuídas pelo Ceará, São Paulo, Rio Grande do Norte (na cidade de Mossoró), Brasília, Maranhão, Piauí, Paraíba, Pará, Minas Gerais e Rio Grande do Sul. Destas 47, sete franquias estão em fase de implantação, sendo três no Ceará, duas no Maranhão; uma no Distrito Federal, em Sobradinho; e uma em Pernambuco, na cidade de Petrolina.


Foto de Ricardo Amaral


Ordem judicial determina retirada da Bebelu da Praia de Iracema

A permissão para o uso da área onde estava a lanchonete Bebelu havia sido dada em 1993 para o Cirandinha, que transferiu o direito para a lanchonete, em 1997. Na época, a Prefeitura autorizou a mudança, mas estabeleceu o prazo de 10 anos para a ocupação do local. Após esse período, em 2007, a empresa solicitou a renovação da permissão de uso da área, mas a Prefeitura negou o pedido por ter interesse em retirar todas as barracas do calçadão e do aterro com o objetivo de dar andamento ao projeto de requalificação da orla.

Foto arquivo Eventos Nordeste

No local, será construído um calçadão. O secretário da Regional II explica que o Município decidiu pelo cancelamento da permissão de funcionamento do restaurante porque ele “destoa da função" daquela área da Praia de Iracema. “A administração acha que aquele espaço não deveria ser de lanchonete, deve ser para as pessoas caminharem".

Foto arquivo Diário do Nordeste

O último estabelecimento que impedia a conclusão da requalificação e ordenamento da Praia de Iracema foi derrubado. A lanchonete da rede cearense Bebelu Sanduíches, que funcionava há mais de 12 anos na Avenida Historiador Raimundo Girão, teve que deixar o aterro por força judicial.

Com a desocupação da área, a Prefeitura Municipal de Fortaleza deve concluir a reforma do calçadão e retomar o projeto original, que previa a construção de uma ciclovia.


O empresário Dernier Pessoa Rios, sócio-proprietário do Bebelu Sanduíches, morreu ano passado, em Aquiraz, após queda de ultraleve.


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segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

O Cirandinha - Praia de Iracema


D. Zezé no seu inesquecível Cirandinha - Foto arquivo Nirez

... Frequentava o restaurante Cirandinha da Praia de Iracema com suas mesas cobertas de toalhas quadriculadas. 
Ricardo Gondim



Na extremidade oeste das casinhas e boates que existiam ali, havia a Churrascaria Cirandinha, onde comi muito baião-de-dois com chuleta assada à moda cearense.

Roberto Cristino


 


... E o Cirandinha, que vendia um churrasco fantástico.
Campelo Costa




Frequentei o Cirandinha durante bom tempo, os últimos anos de 50 e boa parte de 60. Logo que conheci o Cirandia me apaixonei por ele, e dividi esta paixão com o Lido, sendo
que ao Cirandinha eu devotava as horas de boa boemia. 

Ah! quanta saudade, como eram bons aqueles tempos...

                                                              Clóvis Acário Maciel

 

A Churrascaria Cirandinha ou simplesmente Cirandinha, como era conhecido – O primeiro Grill de Fortaleza – Sobreviveu por 35 anos, no mesmo local, na Praia de Iracema, de costas para o mar que batia impiedoso em sua contenção. Fundado por Maria José Lima, uma mulher de força e visão, da família Mourão, de Ararendá e pelo garçon do antigo Restaurante Lido, que normalmente a servia, por nome João Asa Branca, um mulato valente, de quase dois metros de altura.

O Cirandinha foi feito à mão. Os dois se uniram em romance e na construção de paredes, tijolo a tijolo, pedra a pedra daquela construção que viria a ser um espaço disputado por todas as classes sociais de Fortaleza.

Poucos sabem, mas o sucesso do Cirandinha em Fortaleza e a ousadia do levaram à construção do segundo Cirandinha e um hotel na Transamazônica, de onde o General de Plantão, inaugurou a invasiva Via Selva à dentro.

D. Zezé, uma batalhadora! Foto do arquivo pessoal de Hugo Lima

D. Zezé era uma mulher muito bonita. De dona de casa separada, partiu pro Rio de Janeiro, fugindo de um casamento que não dera certo, sem passar por Fortaleza e sem identidade. Quando aqui retornou, já era uma mulher experiente e ousada. Sabia o que queria e impunha seus sonhos com maviosa categoria. Era simpática e valente. Um homem e uma mulher em uma só pessoa. Rapidamente tornou-se uma mulher de negócios como poucas que conheci. Sabia comprar como ninguém. Sabia fazer amigos, entre fornecedores e clientes todos a adoravam. Era muito exigente com a qualidade dos pratos que o Cirandinha oferecia.

O João Asa Branca foi seu parceiro nos negócios durante muitos anos. Rapidamente o Cirandinha prosperou. Comprou uma mansão nas Dunas. Todo ano era carro novo para cada um da família. Mandou a filha para Londres... Ela era assim. Trabalhar era sua alegria, mas gostava de fartura e das coisas boas que o mundo oferece a quem pode. Sua vida, como era de se esperar de quem cuida de todos, sempre foi atribulada. O Cirandinha era sua alegria. Trabalhava se divertindo, ao mesmo tempo em que dizia a todos: “Isto é um negócio pra não se desejar ao pior inimigo!” .

Com o tempo Asa Branca e ela se separaram aos poucos, como é mais razoável entre seres que se amaram. Ele ainda tentou emplacar, com ajuda dela, alguns negócios na vizinhança do Cirandinha. Nada vingou. Terminou indo para Altamira, no Pará onde se estabeleceu e anos depois tentou dar cabo à própria vida dando um tiro na cabeça. Sobreviveu, mas a bala ficou rodando em seu cérebro provocando crises sistemáticas de dor de cabeça. Depois de anos foi ao Maranhão e resolveu se operar para a retirada do projétil. Não resistiu à operação vindo a falecer.

Nos 35 anos de sua existência, o Cirandinha foi comandado por mais três casais: sua filha Ivonnilde e o marido; seu filho Hugo e a esposa Branca e sua filha Olga, a caçula e eu¹. A última reinauguração do Cirandinha foi em 31 de dezembro de 1990. Um réveillon com lua cheia e marés altas que invadiram os salões por volta da meia-noite, enquanto uma banda composta somente por mulheres, indagava se deveriam parar ou prosseguir com o show. Claro que sim, gritamos nós. Continuem! Aquela aflição já era, para nós, um fato normal. Fazia parte das contradições do Cirandinha.



Corredor Cultural - Na foto, Pedro Carlos Alvares e sua ex-mulher e ex-sócia no Cirandinha, Maria Olga Almeida Lima. Esse foi o dia da última inauguração. Os quadros que ilustram o corredor são do artista Nogueira², da UFC. Essa inovação foi projetada por Pedro Carlos Alvares para que os clientes tivesse um pouco mais do que comida e bebida. 
Foto do arquivo Nirez


Um ano depois da inauguração, começaram as reuniões com o prefeito Juracy Magalhães, assessores e alguns empresários de alto poder no mundo dos negócios em Fortaleza, no extinto Hotel Colonial, para discussão do projeto de requalificação, da área, na Praia de Iracema. Estava previsto, entre outras, a construção de um calçadão e a retirada de todas as edificações presentes ali. Estranhamente fomos convidados.

Lá chegando, compreendemos a ameaça velada em que o Cirandinha iria se envolver. O discurso do prefeito foi claro. Sai tudo, menos o Cirandinha, que deverá ser demolido por vocês para que façam um projeto mais adequado a quem vai ficar sozinho sobre o belo calçadão. Quem viveu os nove meses seguintes, sabem que não foi bem assim... Quase nos desapropriaram sumariamente. Não fosse nossa luta constante e pesada teríamos saído como os demais, pois sempre fora essa a intenção de todos.

Demolimos o Cirandinha e em seu lugar fomos obrigados a construir por R$ 50 mil reais, uma barraca de praia que nada lembrava o velho e querido Cirandinha. Os clientes ficaram indignados como nós e para evitar fracasso maior, vendemos a mesma para os donos do Bebelu, que à época ainda se chamava Babalu.

A vida novamente se espalhou. Fui trabalhar em projetos especiais da TV Cidade
D. Zezé e Olga foram morar em um apartamento pros lados do Monte Castelo e a vida seguiu em frente. Anos depois, em 1998, fui morar no Rio de Janeiro e perdi contato com as duas. Soube em 2003, que estavam morando em uma fazenda. Foi lá onde D. Zezé, morreu, um dia depois de saber que nessa intervenção atual, tinham derrubado a Barraca Cirandinha.

Antes do infarto que a levou, teria dito à sua filha Olga: “O Cirandinha se foi, não tenho mais porquê continuar aqui.” Pediu, que quando morresse, procedesse sua cremação e que suas cinzas fossem espalhadas na Praia que por tantos anos abrigou a sí, seus amores, seus filhos e o inesquecível Cirandinha!


Pedro Carlos Alvares

D. Zezé - Foto do arquivo pessoal de Hugo Lima



O Cirandinha foi palco de muitos acontecimentos marcantes, sejam eles felizes ou tristes...

Airton Monte Carta ao Poeta – 27 de Outubro 2011

Pois é, meu caro e saudoso amigo Rogaciano Leite Filho, como sempre, quando as saudades suas me batem mais forte, mais fundas e mais fecundas, escrevo para você, sob color de crônicas, cartas que nunca mando, mas que talvez você até as receba, seja lá onde você estiver, através dos mensageiros misteriosos que a nossa vã filosofia nem sequer é capaz de supor, imaginar. Desde que você, meu poeta, nos deixou em busca dos etéreos campos do além, que ninguém sabe onde ficam ou se verdadeiramente existem, naquele fatídico dia cinco de março de 1992, tragado por uma terrível doença. Era uma quinta-feira, eu não consigo esquecer esta data nem jamais ela fugiria de minha memória mesmo que eu tentasse dela escapar desesperadamente. E eu assim prefiro permanecer indefinidamente preso à sua lembrança porque você fez e faz parte essencial do meu existir.

Estava eu posto em sossego, aboletado numa das mesas do Cirandinha, costumeiro ponto de encontro de nossa turma de jovens boêmios, por volta de umas nove horas da noite de uma quarta-feira repleta de promessas noturnas a nos esperar pelas esquinas líricas do território poético da Praia de Iracema. Eu entornava solitariamente umas cervejas, esperando a ansiada chegada de uma doce amiga. Súbito, o companheiro Pedro Álvarez adentra o recinto feito um vendaval, senta-se a meu lado e com os olhos vermelhos, marejados me conta de sopetão, com a voz embargada pela intensa emoção que o consumia, que você havia morrido há pouco, mal soara as oito da noite. Na hora não chorei, de minha boca repentinamente emudecida não saiu uma palavra, um tímido gemido, um murmúrio. Naquele momento eu era apenas um homem feito de silêncio e dor, nada mais.

Deixei-me fitando longamente o azul escuro do mar do alto daquele terraço de um restaurante que hoje não mais existe e lembrei de um verso triste de Antonio Girão Barroso: “Todos nós envelhecemos e um dia morreremos. Mas a vida é isso, mas felizes somos no minuto que passa, e não nos lembramos da velhice nem da morte, que é fatal”.


Leia o restante da crônica aqui


¹ Nós três (eu, Olga e D. Zezé) éramos sócios com 33% cada. Quando saí, dividi minhas ações para as duas, sem nenhum ônus.

Pedro Carlos Alvares

² O artista plástico Nogueira, era um funcionário do curso de arquitetura da UFC, muito querido pelos estudantes de arquitetura. Acho que já partiu. Um primitivista de elevada qualidade. 

Pedro Carlos Alvares


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Você tbm poderá fazer parte dessa homenagem ao Cirandinha, basta mandar sua história para fortalezanobre@r7.com


Continua...


Créditos: Pedro Carlos Alvares e Nirez


quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Os Bancos e as ruas na Fortaleza de outrora



Banco do Brasil, na  Praça Valdemar Falcão - Nirez

Quando cheguei a Fortaleza, aos nove anos, em 1945, na minha resolução de conhecer tudo, numa curiosidade desenfreada, certo dia decidi "atacar" os bancos da cidade. Fiz o balanço e verifiquei que Fortaleza possuía 10 estabelecimentos bancários, todos localizados no Centro. Àquela época, nem imaginaria a ideia de bancos situados em bairros, como agora, onde a comodidade exige a cada dia novas agências, a fim de atender melhor à população.

Palacete Ceará (Caixa Econômica Federal) na esquina da rua General Bizerril e Guilherme Rocha

Há mais de seis décadas, nossa Capital contava com os seguintes bancos: Banco do Brasil, na Praça Valdemar Falcão, paralelo ao prédio do Correio e Telégrafo; Caixa Econômica Federal do Ceará, naquele prédio antigo que novamente voltou a ocupar, na esquina das ruas General Bizerril e Guilherme Rocha.

Prédio do qual funcionou o "London Bank". Na época da foto, já ocupado pela Losango Promotora de vendas Ltda - Nirez

O London Bank, na esquina das ruas Barão do Rio Branco e São Paulo; Banco de Crédito Comercial, na esquina das ruas Floriano Peixoto e São Paulo; Banco Frota & Gentil, instalado num dos mais belos prédios de Fortaleza, na esquina das ruas Floriano Peixoto e Senador Alencar; Banco São José, pertencente à Arquidiocese, na Rua Guilherme Rocha, esquinando com as ruas General Bizerril e do Rosário.

Banco Frota e Gentil - Postal de 1925


Banco Frota e Gentil numa propaganda de 1929

Banco dos Proprietários, na Rua Barão do Rio Branco, entre as ruas Guilherme Rocha e São Paulo; Banco dos Importadores, no térreo do Palácio Guarani, na esquina das ruas Barão do Rio Branco e Senador Alencar; Banco União, no térreo do Palácio do Comércio, esquina da Rua Floriano Peixoto com a Praça Capistrano de Abreu; Banco do Comércio, na esquina das ruas Floriano Peixoto e Castro e Silva.


O Banco dos Importadores no Palacete Guarani - Foto de 1908 - Arquivo Nirez

Bco dos Importadores - 1929

Observa-se que dessa dezena, eram agências únicas na cidade. O Banco de Crédito Comercial possuía pequena rede, com agências nas cidades mais importantes do Interior do Estado. Outra curiosidade: exceção ao Banco dos Proprietários, todos os outros ocupavam esquinas.


Banco União, no térreo do Palácio do Comércio - Foto da época da Inauguração do prédio - Nirez


Ruas de Jacarecanga

A partir da Praça do Liceu, a atual Avenida Cel. Philomeno Gomes era Boulevard de Jacarecanga, a Rua Otto de Alencar era Rua Natal, a Rua Agapito dos Santos era Rua da Concórdia, a Rua Padre Mororó era Rua São Cosme, a Rua Tereza Christina era Rua do Paiol, a Rua Princesa Izabel era Rua Santa Izabel, a Avenida do Imperador era Rua 15 de Novembro.

Travessas: Rua Castro e Silva era Travessa das Flores, a Rua Senador Alencar era Travessa das Hortas, a Rua São Paulo era Travessa das Belas, a Rua Guilherme Rocha era Travessa da Municipalidade, a Rua Liberato Barroso era Travessa das Trincheiras.


Marciano Lopes



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Fonte: Reportagem do Diário do Nordeste Publicada em 4 de fevereiro de 2007

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Do Mucuripe a Fazenda Boa Vista - Carlinhos Palhano e Samba de Mesa



Tantos bairros, tanta história em pouco tempo
Sinceramente eu só lamento, que a inocência teve fim, deixa pra mim

Praia do peixe da nossa Vila Morena, hoje Praia de Iracema, 
Tanto tempo se passou
Pirocaia hoje se chama Montese, 
Água Boa não se esquece, Outeiro agora é Aldeota, bairro da nota
Serrinha também já foi Cocorote, Parque Araxá, Campo do Pio
São Gerardo, Alagadiço, lembra disso?
Dionísio Torres, outrora Estância Castelo
Monte Castelo no passado Açude João Lopes se chamou
Antônio Bezerra também já foi Barro Vermelho
Bairro de Fátima, Redenção bem antes do tempo do Tostão
Amadeu Furtado era chamado Coqueirinho
A Franco Rabelo era caminho pra nas Cinzas se chegar e furunfar
Curral das Éguas, Oitão Preto, Arriégua, |
Já faz tempo a Leste-Oeste hoje está nesse lugar | (2x)

Rodolfo Teófilo era Porangabuçu, Prado Gentilândia hoje Benfica
Nossa Senhora das Graças, Pirambu
Henrique Jorge, antiga Casa Popular
Jacarecanga e Mucuripe nunca o nome quis mudar
Álvaro Weyne, Santo Antônio da Floresta
Na memória ainda me resta, da Fazenda Boa Vista veio o Bom Jardim
Tantos bairros, tanta história em pouco tempo | 
Sinceramente eu só lamento, que a inocência teve fim, cantando assim | (2x)

Praia do peixe da nossa Vila Morena, hoje Praia de Iracema, 
Tanto tempo se passou
Pirocaia hoje se chama Montese, 
Água Boa não se esquece, Outeiro agora é Aldeota, bairro da nota
Serrinha também já foi Cocorote, Parque Araxá, Campo do Pio
São Gerardo, Alagadiço, lembra disso?
Dionísio Torres, outrora Estância Castelo
Monte Castelo no passado Açude João Lopes se chamou
Antônio Bezerra também já foi Barro Vermelho
Bairro de Fátima, Redenção bem antes do tempo do Tostão
Amadeu Furtado era chamado Coqueirinho
A Franco Rabelo era caminho pra nas Cinzas se chegar e furunfar
Curral das Éguas, Oitão Preto, Arriégua, |
Já faz tempo a Leste-Oeste hoje está nesse lugar | (2x)

Rodolfo Teófilo era Porangabuçu, Prado Gentilândia hoje Benfica
Nossa Senhora das Graças, Pirambu
Henrique Jorge, antiga Casa Popular
Jacarecanga e Mucuripe nunca o nome quis mudar
Álvaro Weyne, Santo Antônio da Floresta
Na memória ainda me resta, da Fazenda Boa Vista veio o Bom Jardim
Tantos bairros, tanta história em pouco tempo | 
Sinceramente eu só lamento, que a inocência teve fim | (2x)



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Hoje recebi da Mosi Castro o link desse samba maravilhoso e não tinha como não compartilhar com vocês!  Vamos dançar?

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Casarão Meton Gadelha - Av. Filomeno Gomes


Foto Álbum Fortaleza 1931 

A postagem de hoje é bem marcante para mim, pois passei parte da minha infância no Jacarecanga, e a brincadeira que eu mais gostava era procurar tesouro no enorme quintal desse casarão, que na época já encontrava-se abandonado e bem deteriorado...





Esse casarão, com três pavimentos, era a residência do empresário Meton de Alencar Gadelha, que era dono da Tipografia Gadelha e mantinha o Jornal do Comércio. Ele construiu esta casa e a inaugurou no dia 08 de dezembro de 1930. O construtor foi o engenheiro Alberto Sá.
A casa tinha um grande recuo da calçada e muros baixos.

No dia 04 de setembro de 1945 ele vendeu a casa para seu sócio da firma J. Villar & Cia, José Vidal da Silva


De 1977* até 1979, funcionou no casarão o escritório da CISA Caju Industrial S/A, dos sócios Ari Albuquerque e Barcelos
Foi o proprietário da empresa que fez um bom uso do imenso quintal do casarão e mandou construir uma quadra de futebol de salão. Quadra essa que anos depois, já nos últimos dias da casa, servia para festas de quadrilha da vizinhança. Eu mesma tenho flashes de memória dessas festas...
A casa foi demolida em 1985, três anos após a morte de Meton Gadelha.


Foto antiga, provavelmente quando ainda era a residência de Meton de Alencar Gadelha - Nirez

Inauguração da estátua de Gustavo Barroso na Praça do Liceu (3 dezembro de 1964). Ao fundo vemos o casarão. Acervo Renato Pires

Década de 80. Acervo Renato Pires

O Empresário Meton Gadelha
De Tipografia Gadelha a Imprensa Oficial 

No dia 11 de outubro de 1933 o Decreto-Lei 1.112, assinado pelo Interventor capitão Roberto Carlos Vasco Carneiro de Mendonça, cria a Imprensa Oficial que se instalou no dia seguinte em prédio na Rua Senador Alencar nº 115, onde funcionava a Tipografia Gadelha, de Meton Gadelha & Cia., de quem foi adquirido o material gráfico. O primeiro diretor da Imprensa Oficial foi Alfeu Faria de Aboim. O primeiro chefe geral das oficinas foi Eduardo Carvalho e o técnico dos serviços de impressão, José Alves de Moraes. Depois a Imprensa Oficial mudou-se, em 03/08/1934, para prédio na Rua Senador Pompeu nº 24 (atual 512). 


Praça do Liceu (Gustavo Barroso), vendo-se o Casarão Meton Gadelha. Acervo pessoal de Afonsina Braga

Quando a casa estava sendo demolida na década de 80 (essa pontinha laranja da casa ao lado, era onde eu morava) - Arquivo Nirez

Casarão Meton Gadelha demolido - Anos 80. Acervo Renato Pires.

Em 1975, quando já era Departamento de Imprensa Oficial - DIO, foi transformada por força de lei em empresa pública com a denominação de Imprensa Oficial do Ceará - IOCe. Por fim foi para a Avenida Washington Soares, onde foi desmontada, estando hoje seu acervo em redor do prédio da Secretaria de Cultura acabando-se no sol e na chuva. 

Imagem atual do Google Earth

Atualmente, no terreno do Casarão, está o edifício Carajás. 




Notícias sobre Meton Gadelha:



Meton Gadelha fez parte do quadro de diretores/fundadores do Ideal Club.


De acordo com o jornal A Razão (fotos ao lado), Meton Gadelha era casado com a senhora Guiomar Borges Gadelha e tinha pelo três filhos, Meton, IvoneDiva.

No Livro Cronologia Ilustrada de Fortaleza de Miguel Ângelo de Azevedo, Meton de Alencar Gadelha (Meton Gadelha), morreu no Rio de Janeiro, no dia 7 de novembro de 1982, foi proprietário da Tipografia Gadelha, adquirida pelo Governo do Estado e transformada na Imprensa Oficial. Também consta que ele era carioca nascido em Botafogo, mas nos jornais da época (foto ao lado), é comum encontrar textos onde se referem a Meton como sendo nosso conterrâneo.


* De acordo com o Sr. Renato Casimiro (leitor do blog), a data correta seria 1972, pois foi a data que ele entrou na Cisa (foi seu primeiro emprego), logo após se formar em químico. 


Todos os créditos vão para o amigo Nirez

NOTÍCIAS DA FORTALEZA ANTIGA: