Fortaleza Nobre | Resgatando a Fortaleza antiga
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segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Os Vocalistas Tropicais e a Era de Ouro do Rádio



Os Vocalistas Tropicais, conjunto vocal e instrumental brasileiro formado em Fortaleza, Ceará, em 1941 (que deu voz a várias canções de Lauro Maia) teve várias formações até se definir, em 1946, com os seguintes componentes: os fortalezenses Nilo Xavier da Mota (1922), líder, violão e arranjos; Raimundo Evandro Jataí de Sousa (1926), vocal, viola americana e arranjos; Artur Oliveira (1922), vocal e percussão; Danúbio Barbosa Lima (1921), percussão; e o recifense Arlindo Borges (1921), vocal e violão solo.

Apresentavam-se na Ceará Rádio Clube até 1944, quando excursionaram por São Luís do Maranhão, onde se apresentaram na Rádio Timbira e no Hotel Cassino Central, e em Manaus/AM, apresentando-se na Rádio Baré.

Em 1945, o conjunto seguiu para o Rio de Janeiro em busca de melhores oportunidades de trabalho. Ali, eles assinaram contratos com a Rádio Mundial e com a gravadora Odeon, pela qual lançaram o primeiro disco, em 1946, com o fox Papai, Mamãe, Você e Eu, da autoria de Paulo Sucupira, e o balanceio Tão Fácil, Tão Bom, de Lauro Maia. Foi um sucesso. Nessa época, o cantor e compositor Paulo Sucupira integrou o conjunto, e gravou com eles os primeiros discos.

Em 1949, emplacaram seu primeiro sucesso de Carnaval: Jacarepaguá (Marino Pinto, Paquito e Romeu Gentil), que chegou a vencer o Concurso Oficial da Prefeitura do Distrito Federal, realizado no Teatro João Caetano.




Os Vocalistas Tropicais: destaque nacional com arranjos bem trabalhados

Terminado o contrato com a Rádio Mundial, o grupo passou a se apresentar na Rádio Tupi. Eles trabalharam em diversos cassinos cariocas, antes mesmo destes serem fechados e proibidos, e participaram de cinco filmes brasileiros.

Participaram das revistas musicais Quem está de ronda é São Borja e Confete na Boca (1949 e 1950, respectivamente) com Dercy Gonçalves, realizados no Teatro Glória.

O grupo se desfez em 1963 por não ter mais espaço na mídia, como tantos outros artistas, deixando 49 discos em 78rpm nas gravadoras Odeon, Copacabana e Continental.

Em 2004, Os freqüentadores habituais do projeto “Café + Tapioca" fizeram uma viagem à época dos Vocalistas Tropicais. Foi a proposta do filme “Fragmentos de Harmonia”, do cineasta carioca Nilo Mota. O documentário inédito abriu a sessão “Café + Tapioca” do Espaço Unibanco, de Cinema.

O documentário, que aborda a história do grupo cearense Vocalistas Tropicais, foi apresentado à seleção do Cine Ceará, mas não foi classificado. Assim, permanece inédito inclusive para o público de Fortaleza.

Contando com imagens raras dos Vocalistas e de alguns dos filmes de que o grupo participou, na áurea época da Atlântida, o filme de Nilo Mota parte do depoimento de Danúbio Barbosa Lima, um dos últimos remanescentes do grupo, ao lado de Vicente Ferreira, para contar a história dos cearenses que, reunidos inicialmente no Liceu do Ceará, partiram para o Rio de Janeiro capital da República e conquistaram sucesso no rádio e no cinema, com projeção nacional nas décadas de 40 a 60.

“Para um conjunto dar certo, é preciso ter duas coisas: harmonia e harmonia”, declarou Danúbio, quando a história dos Vocalistas e a produção de Nilo Mota mereceram amplo destaque. Nilo Mota afirma que seu filme é uma espécie de “acerto de contas” com a memória de seu pai.

“Os Vocalistas sumiram da mídia. Falam mais dos Quatro Ases e um Coringa, ou dos Cariocas, do conjunto do Adoniran... Esqueceram esse grupo que nasceu aqui no Ceará e arrebentou no Rio de Janeiro por mais de 25 anos”, avalia o diretor, que já atuou como camera-flyer (cinegrafista de saltos de pára-quedas) e repórter cinematográfico da Rede Globo durante vários anos.

Para Nilo Mota, o objetivo do filme, mais do que elaborar uma biografia aprofundada dos Vocalistas, é “mostrar as lembranças do Danúbio, o sentimento de saudade que ele tem e a tristeza dele em ver que a indústria da música acabou com esses grandes conjuntos vocais”.

Os Vocalistas Tropicais fizeram sucesso na Ceará Rádio Clube, a PRE-9. Depois, pegaram um Ita, em Salvador, para o Rio de Janeiro. Era a Época de Ouro da música brasileira. Além do êxito na Rádio Tupi, o grupo se destacou nas chanchadas da Atlântida - Nirez

Ao longo de 58 minutos, o filme toma por base as lembranças de Danúbio Lima para reconstituir os caminhos dos Vocalistas Tropicais, desde a gênese do grupo a partir do Conjunto Liceal, passando pelas apresentações na Ceará Rádio Clube, a PRE-9, e pelas turnês Nordeste afora, até a mudança em definitivo para o Rio de Janeiro da década de 40, ainda sob os auspícios radiofônicos da chamada Era de Ouro da música brasileira. “Foi na PRE-9 que eles gravaram o primeiro acetato. Começaram a cantar lá sucessos de outros conjuntos nacionais e, daqui, do Aleardo Freitas e do Lauro Maia, que foi o carro-chefe deles no início”, pontua Nilo Mota.

“Naquele tempo, muitos cantores nacionalmente famosos vinham a Fortaleza, fazer shows. Eles viram o conjunto cantar, e fizeram propaganda dos Vocalistas no Rio de Janeiro”, narra o cineasta, explicando como o grupo cearense pegou um Ita em Salvador para já desembarcar na então capital federal com a segurança de assinar contrato com a poderosa Rádio Tupi. “Eles chegaram no Rio sem saber nem onde é que tavam. Se apresentaram à rádio e já começaram a cantar”, enfatiza.


“Foram mais de 100 discos em 78 rotações, desde esse primeiro acetato até o último disco, em 1969”, estima Nilo Mota, ressaltando que parte dessas canções compõe a trilha sonora do documentário. Desde “Papai, mamãe, você e eu” e “Tão fácil, tão bom”, primeiros sucessos gravados, em 1946, pela Odeon, ao estouro no carnaval de 1949, com “Jacarepaguá”, de Paquito, Romeu Gentil e Marino Pinto. 



Outro importante capítulo na história dos Vocalistas diz respeito à participação do conjunto nos filmes musicais - ou chanchadas, conforme o gosto do freguês. Ao todo, brilharam no cinema em cinco produções: “Caídos do Céu” (1946, de Ademar Gonzaga), “Eu quero é movimento" (1949, de Luís de Barros), “Carnaval no fogo” (1950, de Watson Macedo, o filme mais bem sucedido, com participação de Oscarito e Grande Otelo), “Guerra ao samba” (1955, de Carlos Manga) e “Depois eu conto” (1956, de José Carlos Burle). Cenas deste último e de “Carnaval do Fogo” fazem parte do documentário produzido por Nilo Mota.

Álbum da Memória — Conforme ressalta a cearense Valdenora Cavalcante, também estreante em cinema e responsável pela edição de “Fragmentos de Harmonia”, a narrativa do documentário se utiliza metaforicamente do álbum de fotografias que Danúbio Lima mantém até hoje como única recordação de sua passagem pelos Vocalistas Tropicais. “A partir daí inserimos trechos dos filmes, fotos antigas e depoimentos do Nirez e do Christiano Câmara. Eles acompanharam tão de perto a trajetória do grupo que chegaram a nos dar muitas informações que nem o Danúbio lembrava”, comenta. Também fazem parte do documentário registros de aúdio da última gravação simbólica dos Vocalistas, feita por Nirez em 1970, em uma reunião em Fortaleza.

Ao longo de toda a década de 60, de acordo com a pesquisa empreendida por Nilo Mota, os Vocalistas foram aos poucos perdendo destaque, fato que o cineasta credita em grande parte ao advento da Jovem Guarda. “O meu pai falava que na década de 60 começaram a pintar os cabeludos, e que eles iam aos programas de rádio e TV de graça, ou pagando pra tocar e se promover. E os cassinos também já tinham acabado... Foram se acabando os conjuntos da antiga”, atribui. “Mas meu pai também sempre dizia que o conjunto não acabou. Eles pararam de gravar, foram se sentindo inferiorizados, desvalorizados, mas nunca deixaram de ser artistas”, faz questão de acrescentar.


Os Vocalistas Tropicais nasceram no final dos anos 30 no prédio do Liceu do Ceará

Para Valdenora, o resultado das filmagens expressa um documentário que, apesar da extensão, não trará dificuldades ao público. “A gente procurou editar pra não ficar cansativo. Procuramos inovar um pouco, não deixar que ficasse monótono”, sustenta, assumindo influências de cineastas como Walter Salles e Silvio Tender. “Sempre gostei muito de cinema, fiz cursos na Casa Amarela, mas nunca tinha tido oportunidade de colocar em prática. Graças ao Nilo, chegou a hora”, festeja.

Fragmentos de Harmonia” foi inscrito para seleção ao XIV Cine Ceará

Segundo Nilo Mota o documentário é explicativo e necessário. "Gostaria muito que as pessoas assistissem, pra saber que existiram esses grandes conjuntos, que as melodias, as letras que eles cantavam eram maravilhosas”, justifica. “Hoje em dia a gente padece de total falta de memória. É preciso relembrar essas pessoas e pensar como foi que nós deixamos isso tudo se perder”.



Originalmente composto por seis integrantes, o grupo passou por várias formações - incluindo Paulo de Tarso Siqueira, Paulo Sucupira, Eduardo Pamplona e Vicente Ferreira da Silva - até chegar ao quinteto que se notabilizou, a partir de 1946: o pernambucano aqui radicado Arlindo Borges (crooner e violão-solo), e os cearenses Artur Oliveira (violão, percussão e vocais), Raimundo Jataí de Sousa (viola americana e vocais), Nilo Xavier Mota (percussão, pai do cineasta José Nilo Moura Mota, diretor de “Fragmentos de Harmonia”) e Danúbio, também percussionista.


Sucessos

A Maior Maria, João de Deus Ressurreição e G. Cardoso (1949)
Coitadinho do Papai, Henrique de Almeida e M. Garcez (c/Marlene) (1947)
Daqui Não Saio, Paquito e Romeu Gentil (1950)
Diamante Negro, David Nasser e Marino Pinto (1950)
Exaltação a Noel, Waldemar Ressurreição (1948)
Guarda-Chuva de Pobre, Raul Sampaio, Chico Anysio e Rubens Silva (1955)
Jacarepaguá, Paquito, Romeu Gentil e Marino Pinto (1949)
Marieta Vai, Arlindo Marques Júnior e Roberto Roberti (1953)
Não Falem Mal de Ninguém, Dias da Cruz e Ciro Monteiro (1952)
Não Manche Meu Panamá, Alcebíades Nogueira (1948)
O Lugar da Solteira, Pedro Caetano, Clemente Moniz e Guilherme Neto (1955)
Pedido a São João, Herivelto Martins e Darci de Oliveira (c/Ruy Rey) (1953)
Samba, Maestro!, Alcebíades Nogueira (1953)
Tomara Que Chova, Paquito e Romeu Gentil (1950)
Trevo de Quatro Folhas (I'm Looking Over a Four Leaf Clover), Harry Woods e Mort Dixon, versão de Nilo Sérgio (1949)
Turma do Funil, Mirabeau, Milton de Oliveira e Urgel de Castro (1956)

Filmografia

Caídos do Céu (1946)
Eu Quero É Movimento (1949)
Carnaval no Fogo (1950)
Guerra ao Samba (1955)
Depois Eu Conto (1956)








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Fonte: Wikipédia, Diário do Nordeste, Youtube  e Diário da Música

A Fênix Caixeiral ainda vive



Avenida Imperador, 636. Entre as ruas Liberato Barroso e Pedro Pereira. Uma rápida olhada e a certeza de que ali é "apenas" um curso supletivo de ensinos fundamental e médio. Nas paredes brancas do muro, um verde agigantado para atrair a vista do transeunte: Colégio Fênix Caixeiral. O nome remete ao que já foi uma sociedade beneficente e cultural em épocas áureas. Hoje, no local ainda funciona a Sociedade Fênix Caixeiral, notadamente sem a pompa de outrora, quando era uma das instituições de classe de mais prestígio no Estado. 


 

Durante várias décadas, a então "Phenix Caixeiral" desempenhou papel relevante na sociedade. Congregava gente como contadores, despachantes de alfândegas, leiloeiros, corretores, empregados de bancos e uma quase infinidade de classes trabalhadoras. São quase 120 anos de história. O prédio luxuoso que abrigou a Fênix, no entanto, tombou pelo descaso de seus administradores, gestores municipais e de parte da sociedade fortalezense. Na rua 24 de Maio, no Centro Histórico, umas das esquinas da Praça José de Alencar abrigava o edifício de dois pavimentos e 1.163 metros quadrados. Foi demolido quando estava prestes a completar 89 anos. 

Com ele, vieram abaixo a imponente escadaria de madeira, os grandes salões nobres e sociais, e até um pequeno museu. Mosaicos alemães, forro de cedro, assoalhos de cetim. Parte do acervo interno e da mobília do prédio foram transferidos para a sede da avenida Imperador. A venda do antigo prédio foi realizada em janeiro de 1979 e sua demolição foi concluída nos primeiros anos da década de 80. As dívidas avolumadas foram a principal causa da "queda" da Fênix Caixeiral, vendida em 1979 para o Grupo Ximenes e Tecidos S.A. E, em seguida, para a Caixa de Previdência do antigo BEC, que demoliu o passado, transformando-o em um "lojão bancário", com postos de prestação de serviços e captação de poupança.







quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Da Praça José de Alencar até os espaços da Lagoinha




Em direção ao oeste, segue a Praça José de Alencar ou Praça do Patrocínio, em homenagem a imagem de Nossa Senhora do Patrocínio, da Igreja do Patrocínio, cuja imagem foi presente do ilustre português,  Joaquim Dias da Rocha, trazida de Portugal, cuja entronização se deu quando o pároco era Padre Barbosa.
Relíquias do lugar
Seguindo a rua General Sampaio, em direção à rua Guilherme Rocha, há várias casas residenciais antigas; a oficina de obras de artes do italiano exímio escultor, Sr. Vicente Raya; Dr. Edmundo Monteiro Gondim; Família Guedes; Família Justa; e, na esquina da rua Guilherme Rocha, o maior ponto de atração para os apaixonados por músicas - "Bar Americano" de propriedade do Sr. Pedro Benício Sampaio, famoso por seu caldo de cana com pastel feito na hora, aluá, canjica e pamonha, tapioca e pão doce. No outro lado, esquina da rua General Sampaio e rua Guilherme Rocha - Antiga rua do Ouvidor (lado nascente), assoma um pequeno edifício, onde funcionou a Caixa dos Ferroviários, que durante longos anos serviu como pagadoria das pensões às viúvas dos ferroviários.

Praça da Lagoinha, onde nas esquinas das ruas Guilherme Rocha e Tristão Gonçalves, existiram as Serrarias Viana e a do Sr. Alfredo Lopes; hoje se encontra por demais desfigurada, longe de sua singularidade. Foto do arquivo Assis de Lima 

Em frente, na outra esquina, um casarão que serviu de residência do Governador do Estado, sede do Ministério do Trabalho, IAPAS, INPS, INSS, hoje Centro de Saúde José de Alencar. Seguindo pela rua Guilherme Rocha, a Igreja do Patrocínio; vizinho, antes de alcançar a esquina da rua 24 de maio, um sobrado onde residiu o Sr. Joaquim Barbosa Maia, irmão do Sr. Lopicínio Maia, donos da Garapeira que vendia especial gengibirra na rua 24 de maio esquina com rua SãoPaulo; vizinho ao sobrado, a mercearia de um senhor, conhecido por Dente de Ouro, na esquina da rua Guilherme Rocha com 24 de Maio, hoje Farmácia Patrocínio. Frente à mercearia do Sr. Dente de Ouro, existiu o prédio que serviu de residência do Governador Acioli, depois Fênix Caixeral, Lojas Brasileira, hoje Shopping Metrô.

Antigo INAMPS (atual CEMJA) – Foto de Conceição Lopes

Antiga loja Brasileiras e hoje o Shopping Metrô 

Folhas de calendário

Pelo outro lado da rua 24 de Maio com rua Guilherme Rocha, a Escola de Datilografia da Sra. Nenen Lopes, irmã do Desembargador Daniel Lopes, cujo prédio tinha um sótão com várias janelinhas, descaracterizava o andar superior, dando as janelinhas impresso de vigílias. Indo pela rua 24 de Maio (lado da sombra), em direção à rua Liberato Barroso, várias residências de pessoas gradas da época, como as famílias: Mamede, Ari Maia Nunes, José Walter Cavalcante, as célebres professoras de línguas - Adelaide e Ifigênia Amaral, filhas de abastados portugueses, cujas aulas eram ministrada pelas mesmas na própria residência, predominando os idiomas inglês, francês e espanhol.
De conversa em conversa

No mesmo lado, destaca-se ainda a residência do Dr. Thomas Pompeu Gomes de Matos e Maria de Jesus, que cultivava a mais seleta e concorrida reuniões de calçada, onde para lá se reunia a fina flor da sociedade fortalezense, por ser também agradável o "papo" levado a efeito na "roda da calçada" que contava sempre com a presença dos doutores Araken Carneiro, Suzete, Vicente Silva Lima, Ari Maia Nunes, Prof. Gomes de Matos, Clodomir Girão; e, na esquina da rua 24 de Maio com rua Liberato Barroso, o prédio do Sr. Mazine, proprietário do Posto de Automóveis Mazine e da primeira concessionária da Gás Butano, após, transferido ao Sr. Edson Queiroz, que impulsionou esse portento econômico. Todos esses imóveis foram demolidos para dar lugar ao famoso "Beco da Poeira", local para comércio e de vendedores ambulantes. Agora voltemos ao lado da Praça José de Alencar, esquina da rua 24 de Maio com rua Liberato Barroso, imóvel de propriedade do empresário Pedro Philomeno Ferreira Gomes, depois deu lugar ao Lord Hotel, considerado o primeiro edifício residencial de Fortaleza dos anos cinquenta.


Casa de Thomas Pompeu 

A Praça José de Alencar também foi palco de grandes manifestações públicas, comícios presidenciais, concentrações religiosas, pregações evangélicas, feira de amostra, Parque Shangai com o famoso "tira prosa", que consistia numa grande haste de ferro com dois barcos acoplados no meio desta, onde acomodavam dois casais em cada lado (espécie de barco), arremessando em direção do alto, até emparelhar-se fazendo ligeira parada no alto, o que causava grande suspense aos participantes da brincadeira, por sentir mal-estar, provocando vômitos, frouxidão urinária aos menos avisados e tonturas aos mais espertos cuja duração era de uns cinco minutos, assim aproximadamente.
Praça da Lagoinha

Praça seguinte, em direção do bairro Jacarecanga, era a Praça da Lagoinha - assim chamada por ter ali existido um pequeno lago. Nas esquinas das ruas Guilherme Rocha e Tristão Gonçalves, existiram as Serrarias Viana e a do Sr. Alfredo Lopes; vizinho em direção à rua Guilherme Rocha, casas de gradas famílias - Sr. Raimundo Arruda - "Arrudinha", casado com D. Irene Barbosa Arruda, educadora laureada e Diretora da Escola Normal, Justiniano de Serpa. Também ali residia a família do Sr. Clóvis Medeiros e mais tarde as irmãs professoras Adelaide e Ifigênia Amaral, poliglotas conhecidas na Cidade, pela exuberância do aprendizado linguístico, guardando distância ou prevenidas contra seus alunos, porque sabiam do seu grau de talento cultural.

Chegando à esquina da rua Guilherme Rocha com Avenida do Imperador (lado do sol), funcionou a mercearia do Sr. Antônio Bandeira de Moura, composta de uma família de cantores nacionalmente conhecidos, como as irmãs vocalistas Cleide e Adamir Moura e os cantores Carlos Augusto Moura e Henrique Moura, depois se instalou a "Padaria Ideal" dos português J. Neto Brandão - Jaime, João e Jorge.


Padaria Ideal na Avenida do Imperador - Arquivo Nirez


Padaria Ideal hoje

Chácaras e chistes

Na outra esquina da rua Guilherme Rocha com Avenida do Imperador (lado da sombra), via-se a casa do médico de renomeada Newton Gonçalves, depois Hotel Imperador. Atravessando a rua Guilherme Rocha na outra esquina, a Farmácia São Francisco; seguindo pela Avenida do Imperador em direção à rua Liberato Barroso, a aprazível chácara do Dr. Eduardo Henrique Girão, casado com a Sra. Maria de Jesus Dias da Rocha, filha do comerciante português Frederico Dias da Rocha e Maria Umbelina Pontes, sem filhos.

Ao lado, a residência da professora de inglês - Miss Sanders; Casa de Luzanira Franco e seu pai Sr. Franco; residência do Sr. Antonio Galdino e vários filhos, sendo aproximadamente nove filhas e um filho, conhecido pela alcunha de Bebê Chorão e, por não terem sido contemplados pela beleza, a meninada inventou a seguinte quadrinha, e ao se aproximarem da casa começavam evocados assim o verso, aqui em destaque: 


Na avenida do Imperador,

Não passa mulher sem homem


As filhas do Antônio Galdino

Estão virando lobisomem

E na pisada, tum, tum, tum!

Na entrada que dava acesso à Casa de Saúde Dr. César Cals, existiu um grande nicho bem emoldurado, onde era vista a imagem de tamanho natural de São Francisco de Assis, cuja redoma resguardava a imagem e no solo, em recanto próprio os fiéis que diariamente acendiam velas, prostrando-se aos pés da imagem, rezavam contritamente, faziam seus rogos, pedindo perdão pelos pecados e imploravam graças.

Quem se dirigia à Casa de Saúde para visitar os doentes, fazia suas orações em favor dos enfermos ali internados. Era uma verdadeira demonstração de fé e penitência no Santuário de São Francisco da Casa de Saúde Dr. César Cals, onde a devoção símbolo maior da cristandade tomava inabalável lugar no espírito de cada um, numa prova de obediência ao Pai Celestial.


Presença do sagrado

Assim Fortaleza mantinha aquela fidelidade e respeito aos ritos e costumes católicos. Por ser mesmo provinciana, podiam ser vistas as pessoas, que volteavam a Praça da Lagoinha, obedecendo aos círculos formados, onde podiam transitar três camadas de frequentadores.

Tudo a começar pelo primeiro circulo das senhoritas da sociedade que por lá faziam seu desfile em companhia de amigos onde também se marcava encontro para os apaixonados rapazes que iam até lá para tirar "linha" como era conhecido o que se chama "paquera" para culminar em namoro.

Vida provinciana

Na segunda alameda ou círculo os rapazes ficavam de pé, observando a passagem das moçoilas para lhes dirigir galanteios e iniciar uma aproximação para entabular uma "lera" e sentarem nos bancos da avenida para ouvir os dobrados das orquestras da guarda policial, que harmoniosamente dos coretos soltavam os mais variados sons de evocações e saudações feitas por militares, como epopeia de vitórias e de glórias dirigidas ao futuro.


A Praça no final dos anos 70

José de Alencar

A Praça José de Alencar é uma homenagem ao escritor, advogado, deputado e ministro cearense José Martiniano de Alencar, um dos expoentes do Romantismo. Sua estátua, localizada no centro da praça, foi iniciativa do escritor e enxadrista Gilberto Pessoa Câmara, irmão de Eduardo Câmara, Maria Câmara (Maroquinha), religiosa Irmã Estefânia da ordem das capuchinhas; Mardonio Câmara, Nair Câmara, e Dom Helder Câmara. Entre as ruas 24 de Maio, General Sampaio, Guilherme Rocha e Liberato Barroso - onde está localizado o Teatro José de Alencar, fundado em 1910, com estrutura metálica importada da Escócia - do lado, esquina das ruas Liberato Barroso com Guilherme Rocha, existe um jardim projetado pelo paisagista Burle Marx, anteriormente era o Centro de Saúde do Estado do Ceará, ocupando grande parte da rua General Sampaio (lado da sombra), onde tiveram inicio os principais consultórios médicos no próprio Centro, para diagnosticar as diversas doenças que se podia acometer. Naquela época a medicina por sua natural precariedade, guiava-se pela intuição da própria doença. 


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Crédito: Diário do Nordeste

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

A rua Guilherme Rocha ontem e hoje


Vista Panorâmica da Rua Guilherme Rocha 1940 - Assis de Lima

Imagem atual do Google Earth

Parada dos bondes - Assis de Lima

Parada dos bondes -Foto de 1936 - Arquivo Nirez

Residência do Dr. Nogueira Acioly - Nesse local foi construído depois o prédio da Fênix Caixeiral - Assis de Lima

Ed. Parente na esquina das ruas Guilherme Rocha e Barão do Rio Branco - Assis de Lima

O Ed. Parente hoje ocupado pelo Ponto da Moda

Casarão no Jacarecanga - Assis de Lima

O casarão hoje - Sidney Souto

Abrigo Central na Praça do Ferreira Rua Guilherme Rocha - 1950 - Assis de Lima

Foto atual de Cláudio Lima

Rua Guilherme Rocha - Assis de Lima

A esquina da Fênix - Assis de Lima


Esquina Guilherme Rocha com General Sampaio vendo-se a Praça José de Alencar -1896  Assis de Lima

Foto atual de Geonm40

Foto atual de Geonm40

Esquina da antiga Rua do Ouvidor (Guilherme Rocha) com rua Major Facundo - Detalhe para o Café Riche que funcionava no mesmo local que hoje se encontra o Hotel Excelsior - Assis de Lima

Excelsior Hotel - Assis de Lima

Foto atual de Acarleial

Fênix na esquina da rua Guilherme Rocha com rua General Sampaio - Postal colorido  - No lugar desse prédio foi construído depois o prédio do atual CEMJA - Assis de Lima

O CEMJA (Centro de Especialidades Médicas José de Alencar) em construção  Arquivo Nirez

Foto atual de Mark.Schaad

Em 1914 o coronel José Gentil de Carvalho ergue, com planta do arquiteto João Sabóia Barbosa, o "Palacete Ceará" -Foto de 1930 - Assis de Lima

Foto atual de Francisco Edson Mendonça Gomes

A Guilherme Rocha da Praça do Ferreira - Assis de Lima


A bela Itapuca Villa de Alfredo Salgado - Assis de Lima

No lugar da Itapuca hoje se encontra o NUEJA - Foto Google Earth

Praça José de Alencar e o prédio da Fênix

Rua Guilherme Rocha já no Jacarecanga - Essa roda-gigante encontra-se provavelmente na Praça Gustavo Barroso - Assis de Lima

A então Rua do Ouvidor - Assis de Lima

Cartão postal da Guilherme Rocha - Assis de Lima

Praça do Ferreira e o sobrado do Comendador Machado que depois deu lugar ao Excelsior Hotel - Assis de Lima


Sobrado do Comendador Machado - Assis de Lima


Esse era o mais antigo sobrado da cidade e abrigava a Intendência Municipal - Assis de Lima

Quem foi Guilherme Rocha


Guilherme César da Rocha nasceu em 16 de agosto de 1846 em Fortaleza, filho de Manuel Antônio da Rocha Júnior e Joaquina Mendes da Rocha.
Foi Coronel da Guarda Nacional, vereador, presidente da Câmara Municipal, deputado, vice-presidente do Estado e Intendente de Fortaleza, de 1892 a 1912.

Assim como Antônio Rodrigues Ferreira (o boticário), Guilherme Rocha também se preocupou com os problemas urbanísticos de Fortaleza. Foi Guilherme Rocha por exemplo que inaugurou o Jardim 7 de setembro na Praça do Ferreira. O que antes era apenas um areal, virou um lindo jardim em 7 de setembro de 1902 e era cercado por grades de ferro e colunas de concreto e localizava a frente do que hoje é o cine são luiz. Na construção foram colocados 5 quiosques, todos construidos de forma artistica e onde funcionava a companhia da luz e 4 cafés. Postos também ilustres frades de pedra fabricado com pedra de lioz e importados diretamente de Portugal, possuindo até argolas para amarrar animais. No meio do jardim foram colocados uma caixa d'àgua e um catavento que usavam a água para os jardins serem aguados. A padaria espiritual, movimento literario, aconteceu em um dos cafés no ano de 1892.
O Jardim Nogueira Acióli, inaugurado em 1903 na praça Marquês do Herval (José de Alencar) também foi obra da administração do então intendente Guilherme Rocha. 


Fonte: Wikipédia



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