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segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Os Vocalistas Tropicais e a Era de Ouro do Rádio



Os Vocalistas Tropicais, conjunto vocal e instrumental brasileiro formado em Fortaleza, Ceará, em 1941 (que deu voz a várias canções de Lauro Maia) teve várias formações até se definir, em 1946, com os seguintes componentes: os fortalezenses Nilo Xavier da Mota (1922), líder, violão e arranjos; Raimundo Evandro Jataí de Sousa (1926), vocal, viola americana e arranjos; Artur Oliveira (1922), vocal e percussão; Danúbio Barbosa Lima (1921), percussão; e o recifense Arlindo Borges (1921), vocal e violão solo.

Apresentavam-se na Ceará Rádio Clube até 1944, quando excursionaram por São Luís do Maranhão, onde se apresentaram na Rádio Timbira e no Hotel Cassino Central, e em Manaus/AM, apresentando-se na Rádio Baré.

Em 1945, o conjunto seguiu para o Rio de Janeiro em busca de melhores oportunidades de trabalho. Ali, eles assinaram contratos com a Rádio Mundial e com a gravadora Odeon, pela qual lançaram o primeiro disco, em 1946, com o fox Papai, Mamãe, Você e Eu, da autoria de Paulo Sucupira, e o balanceio Tão Fácil, Tão Bom, de Lauro Maia. Foi um sucesso. Nessa época, o cantor e compositor Paulo Sucupira integrou o conjunto, e gravou com eles os primeiros discos.

Em 1949, emplacaram seu primeiro sucesso de Carnaval: Jacarepaguá (Marino Pinto, Paquito e Romeu Gentil), que chegou a vencer o Concurso Oficial da Prefeitura do Distrito Federal, realizado no Teatro João Caetano.




Os Vocalistas Tropicais: destaque nacional com arranjos bem trabalhados

Terminado o contrato com a Rádio Mundial, o grupo passou a se apresentar na Rádio Tupi. Eles trabalharam em diversos cassinos cariocas, antes mesmo destes serem fechados e proibidos, e participaram de cinco filmes brasileiros.

Participaram das revistas musicais Quem está de ronda é São Borja e Confete na Boca (1949 e 1950, respectivamente) com Dercy Gonçalves, realizados no Teatro Glória.

O grupo se desfez em 1963 por não ter mais espaço na mídia, como tantos outros artistas, deixando 49 discos em 78rpm nas gravadoras Odeon, Copacabana e Continental.

Em 2004, Os freqüentadores habituais do projeto “Café + Tapioca" fizeram uma viagem à época dos Vocalistas Tropicais. Foi a proposta do filme “Fragmentos de Harmonia”, do cineasta carioca Nilo Mota. O documentário inédito abriu a sessão “Café + Tapioca” do Espaço Unibanco, de Cinema.

O documentário, que aborda a história do grupo cearense Vocalistas Tropicais, foi apresentado à seleção do Cine Ceará, mas não foi classificado. Assim, permanece inédito inclusive para o público de Fortaleza.

Contando com imagens raras dos Vocalistas e de alguns dos filmes de que o grupo participou, na áurea época da Atlântida, o filme de Nilo Mota parte do depoimento de Danúbio Barbosa Lima, um dos últimos remanescentes do grupo, ao lado de Vicente Ferreira, para contar a história dos cearenses que, reunidos inicialmente no Liceu do Ceará, partiram para o Rio de Janeiro capital da República e conquistaram sucesso no rádio e no cinema, com projeção nacional nas décadas de 40 a 60.

“Para um conjunto dar certo, é preciso ter duas coisas: harmonia e harmonia”, declarou Danúbio, quando a história dos Vocalistas e a produção de Nilo Mota mereceram amplo destaque. Nilo Mota afirma que seu filme é uma espécie de “acerto de contas” com a memória de seu pai.

“Os Vocalistas sumiram da mídia. Falam mais dos Quatro Ases e um Coringa, ou dos Cariocas, do conjunto do Adoniran... Esqueceram esse grupo que nasceu aqui no Ceará e arrebentou no Rio de Janeiro por mais de 25 anos”, avalia o diretor, que já atuou como camera-flyer (cinegrafista de saltos de pára-quedas) e repórter cinematográfico da Rede Globo durante vários anos.

Para Nilo Mota, o objetivo do filme, mais do que elaborar uma biografia aprofundada dos Vocalistas, é “mostrar as lembranças do Danúbio, o sentimento de saudade que ele tem e a tristeza dele em ver que a indústria da música acabou com esses grandes conjuntos vocais”.

Os Vocalistas Tropicais fizeram sucesso na Ceará Rádio Clube, a PRE-9. Depois, pegaram um Ita, em Salvador, para o Rio de Janeiro. Era a Época de Ouro da música brasileira. Além do êxito na Rádio Tupi, o grupo se destacou nas chanchadas da Atlântida - Nirez

Ao longo de 58 minutos, o filme toma por base as lembranças de Danúbio Lima para reconstituir os caminhos dos Vocalistas Tropicais, desde a gênese do grupo a partir do Conjunto Liceal, passando pelas apresentações na Ceará Rádio Clube, a PRE-9, e pelas turnês Nordeste afora, até a mudança em definitivo para o Rio de Janeiro da década de 40, ainda sob os auspícios radiofônicos da chamada Era de Ouro da música brasileira. “Foi na PRE-9 que eles gravaram o primeiro acetato. Começaram a cantar lá sucessos de outros conjuntos nacionais e, daqui, do Aleardo Freitas e do Lauro Maia, que foi o carro-chefe deles no início”, pontua Nilo Mota.

“Naquele tempo, muitos cantores nacionalmente famosos vinham a Fortaleza, fazer shows. Eles viram o conjunto cantar, e fizeram propaganda dos Vocalistas no Rio de Janeiro”, narra o cineasta, explicando como o grupo cearense pegou um Ita em Salvador para já desembarcar na então capital federal com a segurança de assinar contrato com a poderosa Rádio Tupi. “Eles chegaram no Rio sem saber nem onde é que tavam. Se apresentaram à rádio e já começaram a cantar”, enfatiza.


“Foram mais de 100 discos em 78 rotações, desde esse primeiro acetato até o último disco, em 1969”, estima Nilo Mota, ressaltando que parte dessas canções compõe a trilha sonora do documentário. Desde “Papai, mamãe, você e eu” e “Tão fácil, tão bom”, primeiros sucessos gravados, em 1946, pela Odeon, ao estouro no carnaval de 1949, com “Jacarepaguá”, de Paquito, Romeu Gentil e Marino Pinto. 



Outro importante capítulo na história dos Vocalistas diz respeito à participação do conjunto nos filmes musicais - ou chanchadas, conforme o gosto do freguês. Ao todo, brilharam no cinema em cinco produções: “Caídos do Céu” (1946, de Ademar Gonzaga), “Eu quero é movimento" (1949, de Luís de Barros), “Carnaval no fogo” (1950, de Watson Macedo, o filme mais bem sucedido, com participação de Oscarito e Grande Otelo), “Guerra ao samba” (1955, de Carlos Manga) e “Depois eu conto” (1956, de José Carlos Burle). Cenas deste último e de “Carnaval do Fogo” fazem parte do documentário produzido por Nilo Mota.

Álbum da Memória — Conforme ressalta a cearense Valdenora Cavalcante, também estreante em cinema e responsável pela edição de “Fragmentos de Harmonia”, a narrativa do documentário se utiliza metaforicamente do álbum de fotografias que Danúbio Lima mantém até hoje como única recordação de sua passagem pelos Vocalistas Tropicais. “A partir daí inserimos trechos dos filmes, fotos antigas e depoimentos do Nirez e do Christiano Câmara. Eles acompanharam tão de perto a trajetória do grupo que chegaram a nos dar muitas informações que nem o Danúbio lembrava”, comenta. Também fazem parte do documentário registros de aúdio da última gravação simbólica dos Vocalistas, feita por Nirez em 1970, em uma reunião em Fortaleza.

Ao longo de toda a década de 60, de acordo com a pesquisa empreendida por Nilo Mota, os Vocalistas foram aos poucos perdendo destaque, fato que o cineasta credita em grande parte ao advento da Jovem Guarda. “O meu pai falava que na década de 60 começaram a pintar os cabeludos, e que eles iam aos programas de rádio e TV de graça, ou pagando pra tocar e se promover. E os cassinos também já tinham acabado... Foram se acabando os conjuntos da antiga”, atribui. “Mas meu pai também sempre dizia que o conjunto não acabou. Eles pararam de gravar, foram se sentindo inferiorizados, desvalorizados, mas nunca deixaram de ser artistas”, faz questão de acrescentar.


Os Vocalistas Tropicais nasceram no final dos anos 30 no prédio do Liceu do Ceará

Para Valdenora, o resultado das filmagens expressa um documentário que, apesar da extensão, não trará dificuldades ao público. “A gente procurou editar pra não ficar cansativo. Procuramos inovar um pouco, não deixar que ficasse monótono”, sustenta, assumindo influências de cineastas como Walter Salles e Silvio Tender. “Sempre gostei muito de cinema, fiz cursos na Casa Amarela, mas nunca tinha tido oportunidade de colocar em prática. Graças ao Nilo, chegou a hora”, festeja.

Fragmentos de Harmonia” foi inscrito para seleção ao XIV Cine Ceará

Segundo Nilo Mota o documentário é explicativo e necessário. "Gostaria muito que as pessoas assistissem, pra saber que existiram esses grandes conjuntos, que as melodias, as letras que eles cantavam eram maravilhosas”, justifica. “Hoje em dia a gente padece de total falta de memória. É preciso relembrar essas pessoas e pensar como foi que nós deixamos isso tudo se perder”.



Originalmente composto por seis integrantes, o grupo passou por várias formações - incluindo Paulo de Tarso Siqueira, Paulo Sucupira, Eduardo Pamplona e Vicente Ferreira da Silva - até chegar ao quinteto que se notabilizou, a partir de 1946: o pernambucano aqui radicado Arlindo Borges (crooner e violão-solo), e os cearenses Artur Oliveira (violão, percussão e vocais), Raimundo Jataí de Sousa (viola americana e vocais), Nilo Xavier Mota (percussão, pai do cineasta José Nilo Moura Mota, diretor de “Fragmentos de Harmonia”) e Danúbio, também percussionista.


Sucessos

A Maior Maria, João de Deus Ressurreição e G. Cardoso (1949)
Coitadinho do Papai, Henrique de Almeida e M. Garcez (c/Marlene) (1947)
Daqui Não Saio, Paquito e Romeu Gentil (1950)
Diamante Negro, David Nasser e Marino Pinto (1950)
Exaltação a Noel, Waldemar Ressurreição (1948)
Guarda-Chuva de Pobre, Raul Sampaio, Chico Anysio e Rubens Silva (1955)
Jacarepaguá, Paquito, Romeu Gentil e Marino Pinto (1949)
Marieta Vai, Arlindo Marques Júnior e Roberto Roberti (1953)
Não Falem Mal de Ninguém, Dias da Cruz e Ciro Monteiro (1952)
Não Manche Meu Panamá, Alcebíades Nogueira (1948)
O Lugar da Solteira, Pedro Caetano, Clemente Moniz e Guilherme Neto (1955)
Pedido a São João, Herivelto Martins e Darci de Oliveira (c/Ruy Rey) (1953)
Samba, Maestro!, Alcebíades Nogueira (1953)
Tomara Que Chova, Paquito e Romeu Gentil (1950)
Trevo de Quatro Folhas (I'm Looking Over a Four Leaf Clover), Harry Woods e Mort Dixon, versão de Nilo Sérgio (1949)
Turma do Funil, Mirabeau, Milton de Oliveira e Urgel de Castro (1956)

Filmografia

Caídos do Céu (1946)
Eu Quero É Movimento (1949)
Carnaval no Fogo (1950)
Guerra ao Samba (1955)
Depois Eu Conto (1956)








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Fonte: Wikipédia, Diário do Nordeste, Youtube  e Diário da Música

4 comentários:

  1. tenho orgulho deles, pois meu avô fez também parte dos vocalistas tropicais! renata siqueira

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    1. Olá Renata, meu bisavó era Paulo de Tarso Siqueira, será que você é familiar minha?

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    2. Olá Renata, também sou Siqueira, sou bisneto do Paulo de Tarso, será que somos da mesma família?

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  2. maria motta rangel6 de junho de 2017 19:51

    sou irma de nilo motta e acompanhei a trajetoria do conjunto eram todos pessoas do bem sem vicios e adoravam o que.faziam meu irmao era dentista e depois que o conjunto acabou continuou como dentista na radio nacional e abrt significa que ele continuou no biente que tanto amava saudade

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