Fortaleza Nobre | Resgatando a Fortaleza antiga : As ruas da Vila São José - Reminiscências [notification_tip][/notification_tip]
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segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

As ruas da Vila São José - Reminiscências


Foto acervo Assis Lima

"As Ruas da Vila São José tinham mobilidade, pois, cada uma delas nos levava a um destino útil. Mercearias, cabeleireiros, vendedores autônomos, até mesmo o pai do Mário Teobaldo, cidadão que era freguês do seu Dioclécio famoso por vender alpista e painço, para alimentar seus animais e o aviário. A via de exorbitante afluência era a Dona Bela, existindo três paradas dos ônibus do Pedreira que trafegavam no sentido Leste Oeste, bem no seio da Vila operária e com, as três únicas mercearias do Bairro.

Igreja dos Navegantes

A mercearia do Dioclécio (já citado), do Seu João Lima Passos e do Assis do Gás, avô do Catita. A pianista da Igreja dos Navegantes lá morava e era grande o seu número de admiradores, assim como os meninos nada gostavam de um morador defronte a uma das bodegas: era um funcionário da Secretaria de Segurança que era locado no Juizado de Menores. Seu bigodão dava ainda mais moral. Defronte a casa da pianista, era um abatedouro clandestino fundo de quintal. Seu Vicente do bode fazia seu abate, que era concorrido com o Chicó pai do Zé Boneco na beira da linha do trem, ao lado da casa da Maria Pé de Bicho. A Rua Maria Luiza era famosa por ter o privilégio da arborização e a Avenidinha da via férrea. O Pantaleão era um contador de estórias, bem como Dona Elizete que posava à sombra do pé de castanhola com outras desocupadas, e vamos cortar a vida alheia. Nessa, os transeuntes eram os praianos, os religiosos, e a coisa se intensificavam aos sábados com o povo que, pela manhã ia para feira nos Navegantes e, à tardinha o tradicional Racha dos pais de família. E haja vaia, quando a poeira levantava. Já na Maria Isabel tinha no começo a Avenidinha da Cajubraz, a casa do Chico Sete Cão, o Bar do Telles e bem no meio, em casas primitivas a oficina de rebobinagem de motores “O Dedé” pai da Vera Doida, do Chico Bocora e o Zé Pé de Pato. No final em bifurcação T com a Maria Estela era notória a Sapataria Adegerson. Muitos meninos nus nessa rua, e devido a algazarras e a brincadeira do triângulo na área molhada, foi batizada Rua do Papouco. Os líderes dessa promiscuidade eram o Pierre Sujo e o Daniel Oião. Funcionou nessa rua em que morava O Bodinho Bicheiro, Cesinha Fala Fino e Uma Escolinha particular no número 41 e que agora me foge o nome.

Cruzamento da Avenida Francisco Sá com a hoje Avenida Filomeno Gomes. Assis Lima

A Coronel Philomeno era a minha e diga-se de passagem, a mais movimentada em termos de brincadeiras. Tinha duas tropas: A “Meninos do Mato” (a nossa) e a dos “Abestados” que faziam brincadeiras sem graça. Vez por outra o Pedro Jaime “Pedro Velho” era visto nas manilhas do esgoto. O Baiano era um cidadão Baixo, gordo, torcedor pelo Bahia, e foi quem criou a filha do Pedro Velho. Até enquanto morei ali, nunca a Gracinha, Maria das Graças era seu nome, nunca ela soube que Pedro Jaime era seu pai biológico. Seu Esteves Bahia atendeu ao pedido do Pedro e assim o fez. A Pilta foi outra. Hoje mora nos Estados Unidos e também não conviveu com seu pai, que a filha de Dona Fátima nunca disse. Bem no Centro da Vila no sentido Norte Sul tinha a Travessa São Francisco. Nunca recebeu o nome de rua, pelo fato de existir apenas três casas erguidas em terreno de quintais, porém, viam-se dois oitões de casa em sentido perpendicular. Numa delas morava o Adalto Berruga. Leda era chamada Rua dos Chafarizes tal qual a José Avelino na Fortaleza antiga. Tinha reservatórios em número de dois e padronizado, objetivando atender a demanda na segunda etapa da Vila São José. Lá era a entrada dos ônibus em segundo trajeto. O primeiro era na Júlio Cesar. Agora me deixa falar de uma rua estranha. A Santana era uma travessa, com um fícus-benjamim e uma castanholeira. Poucas casas, moradores antagônicos, apenas sabe lá qual o local ouvia-se um som de algum aparelho de rádio, mas de onde vinha o som? O local era morto sem chamativo. Nessa rua os meninos dormiam cedo e em noite chuvosas tomávamos banho correndo de bica em bica, mas no silêncio da Rua Santana as goteiras choravam, jogando água na coxia, e em declive rápido ia desaguar no Riacho Jacarecanga. Era uma aversão entrar naquela rua. Era como se existisse uma testemunha ocular de plantão, acusando de algo que cometemos, e que não nos lembramos."

Assis Lima
(Radialista/jornalista)


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