Fortaleza Nobre | Resgatando a Fortaleza antiga : O fim da simplicidade... no nome das praças e ruas [notification_tip][/notification_tip]
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domingo, 1 de maio de 2011

O fim da simplicidade... no nome das praças e ruas



Aurora, Alegria, Flores. Nomes simples, com os quais os fortalezenses se localizavam na cidade, no século XIX, deixaram de existir para dar lugar a nomes próprios.


Antiga Rua Formosa, hoje Barão do Rio Branco, no início do século XX - Acervo Museu do Ceará

Datas comemorativas, heróis militares, figuras nobiliárquicas, empresários e políticos. Com o passar dos anos, os bucólicos nomes de ruas e praças de Fortaleza foram sendo mudados para enaltecer elites políticas e econômicas. Mas essa atitude recorrente não foi suficiente para arrancar do povo cearense o gosto por nomes com os quais as pessoas se identificam no dia-a-dia, sobressaindo o popular sobre o oficial. Com isso, a Praça Castro Carreira foi batizada pelo povo como Praça da Estação; a Praça Clóvis Beviláqua ficou popularmente conhecida por Praça da Bandeira, além de vários outros casos mais recentes.


A capital cearense deve seu nome à fortificação construída por holandeses no século XVII (Forte Schoonenborch). Mas foram os portugueses que, em 1654 a batizaram com o nome de Fortaleza de Nossa Senhora da Assunção. Foi ao redor dela que se estabeleceu o primeiro aglomerado urbano, com planta atribuída ao capitão-mor Manuel Francês, de 1726, ano da instauração da vila da Fortaleza.

Na exposição e no livro “Fortaleza: imagens da cidade”, o historiador Antonio Luiz Macêdo e Silva Filho constrói uma reflexão sobre a atuação dos poderes públicos na afirmação da ordem urbana e na perpetuação de heróis e valores dos grupos dominantes em contraposição à cultura popular. Isso fica visível na nomenclatura dos logradouros da cidade, que, num primeiro momento, era ligada ao seu cotidiano popular.



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No século XXI, cenário bucólico dá lugar à agitação urbana
Foto de Gustavo Pellizzon

Até meados do século XIX prevaleceu a designação dos logradouros pela tradição ou função das edificações que lhes caracterizavam. Dessa forma, a Travessa da Municipalidade passou a ser a Rua Guilherme Rocha. De igual modo, a Rua do Quartel (hoje General Bezerril) partia das imediações do Forte, contíguo ao Quartel da Guarda Nacional; da Misericórdia (atual Dr. João Moreira) fazia referência à Santa Casa; São Bernardo (hoje Pedro Pereira) pela igreja homônima; e do Cajueiro (atual Pedro Borges).

Havia também as travessas da Assembléia (hoje São Paulo), do Gasômetro (Senador Jaguaribe) e do Chafariz (José Avelino). A Rua das Flores (Castro e Silva) assim era chamada possivelmente em virtude de cortejos entre a Matriz da Sé e o Cemitério São Casemiro (posteriormente denominado São João Batista).

Também havia nomenclaturas com referências comercias, como a Estrada do Gado (Rua Justiniano de Serpa); e vias que ligavam distritos longínquos, como a Estrada do Arronches e o Calçamento de Messejana (respectivamente avenidas João Pessoa e Visconde do Rio Branco).

Antonio Luiz destaca que a nomenclatura popular é tão forte que hoje ainda é possível verificar nomes empregados pela própria população competindo e lançando no desuso as denominações oficiais, como ocorre com a Praça Castro Carreira, batizada pelo povo como Praça da Estação; a Praça Clóvis Beviláqua, popularmente chamada de Praça da Bandeira; a Praça da Polícia (oficialmente dos Voluntários); e a Praça dos Correios (por lei, Waldemar Falcão).

Outra situação de destaque é a da Praça General Tibúrcio, inicialmente denominada Largo ou Pátio do Palácio, quando ficava em frente ao Palácio do Governo Provincial. Em homenagem ao herói da Guerra do Paraguai, muda de nome em 1887, quando recebe sua estátua e seus restos mortais. Durante uma remodelação, realizada entre 1913 e 1914, recebe três grandes estátuas em forma de leões, ficando conhecida, desde então, como Praça dos Leões.

A nomenclatura oficial dos logradouros, conforme Antonio Luiz, sempre esteve à mercê de contingências políticas e culturais, reforçando a história oficial, lançando mão de símbolos “supostamente harmônicos”, como datas comemorativas, políticos, heróis militares ou figuras nobiliárquicas.


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