Fortaleza, uma cidade em TrAnSfOrMaÇãO!!!


Blog sobre essa linda cidade, com suas praias maravilhosas, seu povo acolhedor e seus bairros históricos.


quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Hospital Mira Y López - 44 Anos



Casa das Missões em 1930 
A Casa das Missões dos Padres Lazaristas holandeses foi aberta em 31 de março de 1927 e, funcionava como alojamento de padres vindos da Europa para trabalhar no Norte e Nordeste do Brasil.
Em 1969 o prédio foi vendido e transformado no Hospital Mira Y López.

Casa das Missões em 1931

Prédio do Hospital Mira Y López é vendido 
(Reportagem do Jornal Diário do Nordeste em agosto de 2012)
"O futuro do Hospital Psiquiátrico Mira Y López, no Benfica, que dispõe de 200 leitos de internação, sendo 160 conveniados ao Sistema Único de Saúde (SUS) e 40 particulares, é incerto. Funcionários relatam que a direção realizou uma reunião, na semana passada, para anunciar a venda do imóvel e a demissão de todos. Em torno de 100 pessoas cumprem aviso prévio. O que se comenta é que o proprietário teria uma dívida de R$ 7 milhões.
O imóvel deve ser entregue em até dois meses. Há 18 pacientes sem vínculo familiar morando no hospital. Eles devem ser transferidos para duas residências terapêuticas que ainda serão inauguradas.
A unidade só deve funcionar até setembro, pois o prazo dado para entrega do imóvel ao novo dono é de dois meses. Caberá a ele decidir o que será feito do local. Pacientes que possuem vínculo familiar começaram a ter alta. Os demais, conforme informações dos funcionários, serão transferidos para outras unidades. Há dez dias, quando teve início o processo de altas, eram 198 pacientes internados. Ontem, eram 166. Desses, 135 pelo SUS e 31 particulares.

Após sete anos trabalhando na unidade, Francisco Milton, se mostrou inconformado por perder o emprego. "O Mira Y López tem história, são 44 anos de hospital. No dia que eu tive que assinar o meu aviso prévio, me deu uma tristeza. Quem é que gosta de ficar desempregado? E esses pacientes, vão para onde?", indaga, sem saber o que vai fazer quando terminar o aviso prévio.



Foto de 2006. Arquivo Elmo Júnior.
Na tarde de ontem, um paciente de Ibiapina, município localizado a 360 Km da Capital, que sofre de esquizofrenia, teve alta e seria levado para casa por um motorista da Prefeitura, mas não foi, porque o motorista não estava num carro adequado para transportar um paciente no estado que ele se encontrava - caindo do banco e com os joelhos feridos. "Disseram que ele estava normal", justificou o motorista, antes de desistir de levar o homem para casa.
A auxiliar Edilene Maria Sales, 51, que sofre de transtorno bipolar e costuma se internar, em média, três vezes por ano na unidade, estava triste. "Este é o melhor hospital que a gente tem, é uma pena. Se pudesse, reverteria essa situação", sugere.

A coordenadora de saúde mental do Município, Rane Félix, disse que a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) não foi informada, oficialmente, do fechamento desses 200 leitos. Acrescenta que há dois anos, quando a mesma polêmica veio à tona com a possibilidade de venda do hospital, foi firmado um acordo no qual os proprietários se comprometeram a não fechar a unidade. "Eles disseram que o espaço era muito grande e que iriam transferir os leitos para outro prédio, com estrutura menor".



Foto: Rodrigo Carvalho

Preocupação
A preocupação maior de Rane Félix é com os cerca de 18 moradores da unidade - pacientes crônicos que não têm vínculo familiar e estão há muitos anos no hospital. Estes deverão ser transferidos para as duas residências terapêuticas que serão inauguradas, ainda sem data prevista. Será entregue, ainda, até o fim do mês de agosto, a Unidade de Saúde Mental do José Walter, com 20 leitos. "Os demais vamos redistribuir na rede", diz.
A coordenadora de saúde mental do Município se queixa do curto prazo para transferência dos pacientes: dois meses. "Não vamos 'jogar' para Messejana, já estamos querendo tirar eles de lá. O que a gente tem que fazer é cuidar das pessoas, e não fechar um hospital de uma hora para outra. Dois meses é muito pouco, precisamos de cinco a seis meses para fazer essa transição", frisa."


Reportagem: Luana Lima


Tristeza e revolta


“É com pesar que nós, Maria Stael Torres de Melo Santiago Filha, médica psiquiatra, e Leônia Maria Santiago Cavalcante, psicóloga, estamos vivenciando o fechamento do Hospital Mira Y Lopez, estabelecimento dedicado à saúde mental e idealizado com muito amor pelo nosso pai, Dr. Leão Humberto Montezuma Santiago*, e sócios, Dr. Glauco Bezerra Lôbo e Dr. Roberto Augusto de Mesquita Lôbo. Foram 43 anos de existência, de serviço prestado com dignidade e humanidade à população cearense. É um momento de profunda tristeza e frustração para nós, funcionários e todo o corpo clínico que, durante muito tempo, dedicou-se ao tratamento de portadores de transtorno mental. Essa é a realidade da saúde mental no Brasil. Suas portas estão fechando por falta de condições na manutenção de uma estrutura e atendimento digno aos pacientes. Convém salientar ainda que a verba destinada à instituição sempre foi um descaso. Com diárias irrisórias, dívidas acumularam-se tendo em vista a incapacidade de se manter a infraestrutura do hospital. A doença mental, infelizmente, não dá ibope e nunca foi alvo de promessa por parte dos políticos. Não deve ser surpresa para a Secretaria de Saúde do Ceará o fechamento de mais um hospital psiquiátrico, visto que a condição de funcionamento não vem permitindo a sobrevivência dessas instituições. Esta expressão e revolta, vale dizer, é fruto do amor incondicional de nosso pai pelo paciente em sofrimento psíquico. Emílio Mira Y Lopez, psiquiatra e psicólogo, autor de um grande exemplar denominado "Os 4 Gigantes da Alma - Ira, Poder, Medo e Amor", foi a inspiração para o nome do Hospital Mira Y Lopez. Segundo ele, "a ira, o poder e o medo" são obstáculos para a evolução humana. A realidade é que o poder não oferece condições para que o amor transforme essa triste situação vivenciada por muitos de nós. Que esse momento nos faça refletir sobre o papel e função da instituição hospitalar psiquiátrica na atual conjuntura do suporte e tratamento aos portadores de transtorno mental. Observa-se uma mensagem ambivalente: determina-se a extinção e, ao mesmo tempo, critica-se o fechamento, discurso este esquizofrenizante!”


Stael Torres de Melo Santiago Filha 

Leônia Maria Santiago Cavalcante


Médicos que fizeram a diferença:

  • Dr. Roberto Augusto de Mesquita Lôbo, cearense de Santa Quitéria, psiquiatra renomado, foi fundador diretor do Hospital Psiquiátrico Mira y López, em Fortaleza. 

"Um ser humano de qualidades excepcionais, culto e detentor de um grande conhecimento profissional. Aprendi a admirá-lo desde os meus tempos de estudante de medicina, quando prestei serviços ao Hospital Psiquiátrico Mira y López, do qual Roberto era um dos diretores."






Foto da década de 80, em destaque o Dr. Roberto Lôbo - Foto de Paulo Gurgel 

  • Dr. Airton Monte era envolvido no trabalho psiquiátrico com doentes mentais no Hospital Mira Y Lópes. Natural de Fortaleza, onde nasceu em 1949, Airton Monte era médico psiquiatra formado pela Universidade Federal do Ceará em 1976. 


"Médico psiquiatra formado pela Universidade Federal do Ceará, cronista do jornal O Povo, comentarista de rádio, redator de televisão, letrista, teatrólogo, iniciou-se na revista 'O Saco', onde publicou contos. Um dos fundadores do Grupo Siriará de Literatura.
Publicou “O Grande pânico” (1979), “Homem não chora” (1981), "Alba Sanguínea" (1983) e “Moça com flor na boca” (2005), adotado pelo vestibular da Universidade Federal do Ceará (UFC). Participou de algumas antologias: Os Novos Poetas do Ceará III, Antologia da Nova Poesia Cearense, Verdeversos e 10 Contistas Cearenses. Tem também um livro de poemas."

Diário do Nordeste

Airton Monte faleceu em 10 de setembro de 2012, vítima de câncer.

  • Dr. Heraldo Guedes Lobo.
"Indicaria e indico a todos que precisam de um milagre, que conheçam esse profissional, pois ele claro com a ajuda de Deus me devolveu a alegria de viver... Sou paciente já curada."


 Socorro Farias 
(Já foi interna do Mira Y Lópes)

Hospital Mira Y López - Foto de Herlanio Evangelista
Um prédio histórico que merecia e deveria ser tombado como patrimônio histórico de Fortaleza.
No ano de 2012, o prédio do Hospital Mira Y López foi um dos pedidos pela população para a transformação em bem material.

Quem foi Mira Y López?




Emílio Mira y López foi sociólogo, médico psiquiatra e psicólogo, professor de Psicologia e de Psiquiatria na Faculdade de Medicina da Universidade Complutense de Madrid. A sua visão da psicologia está intimamente ligada à fisiologia, já que entendia que os estados mentais estavam relacionados com mudanças musculares com origem nos órgãos sensoriais resultantes da interação com o mundo externo e interno do indivíduo.





Mira y López nasceu em Cuba em 1896, filho de Rafael Mira Merino e de Emilia López García, ambos espanhóis. 



Depois de terminar o bacharelado com brilho, estudou Medicina em Barcelona, onde foi aluno de Augusto Pi i Suñer, professor que sobre ele exerceu uma influência decisiva.


Em 1919, dois anos após obter a licenciatura, venceu o concurso para o lugar de chefe da seção de Psicofisiologia do Instituto de Orientación Profesional de Barcelona, serviço de que chegou a ser diretor em 1926. Entretanto, em Abril de 1922, defendeu na Universidade de Madrid a sua tese doutoral sob o título: Correlaciones somáticas del trabajo mental.
Em 1930, presidiu em Madrid o Congresso Internacional de Psicologia e entre 1932 e 1939 foi diretor e consultor do Instituto Pere Mata de Reus e diretor do Instituto Psicotécnico da Generalidade da Catalunha. Em colaboração com os médicos Alfred Strauss, Adolfo Azoy e Jeroni de Moragas i Gallissà criou La Sageta, a primeira clínica de psiquiatria e avaliação psicológica infantil de Espanha.
Mais tarde foi diretor do centro de orientação e seleção profissional da Escuela del Trabajo e em 1933 venceu o concurso para a cátedra de Psiquiatria da Universidade de Barcelona.

Uma conferência do Dr. Mira Y López em 17 de julho de 1937
No Rio de Janeiro, foi nomeado em 1947 diretor do Instituto de Seleção e Orientação Profissional (ISOP), cargo que ocupou até falecer.
Colaborou no Dicionário de Medicina do doutor Manuel Corachán.

Foto de 1949
Toda trajetória de Mira y López colaboraram para o surgimento do PMK, Partindo da Medicina, que o levou à Psiquiatria e depois à Psicologia. As atividades de Mira culminaram num período em que a Espanha estava em grande efervescência cultural. Foi escritor, editorialista, conferencista, brilhante orador, professor de Psiquiatria, de Psicologia (psicologia forense, psicologia experimental, psicopatologia infantil), membro e representante de vários conselhos de Psiquiatria na Espanha e criador de vários testes psicométricos.

Hospital Psiquiátrico "Mira y López", (Santa Fé, Argentina) em 1943. 
É um dos mais importantes do país.
Introduziu-se no campo da Psicologia, trabalhando com orientação profissional, depois com testes de psicotécnicos para seleção de motoristas. Criou seu célebre percepto taquímetro e inventou uma prova rudimentar para estudar a dispersão da atenção numa tarefa psicomotora contínua. Teve a intuição de que esses teste mediam não só a capacidade de atenção, mas também traços emocionais e aspectos da personalidade e de conduta.
Mira se concentrou em estudos nas técnicas expressivas, que se diferenciavam das projetivas por serem testes que não fogem de nosso controle, sendo alterado conforme a vontade consciente.
Inicialmente os métodos eram centrados na análise dos movimentos faciais, mas com o decorrer do tempo Mira sentiu necessário medir outras expressões mais distantes do controle consciente.

Dr. Mira em 1955
Dr. Emilio Mira y López faleceu em Petrópolis, Rio de Janeiro, em 16 de fevereiro de 1964.

De entre a sua extensa produção escrita, que compreende mais de 30 livros publicados, cerca de 200 trabalhos científicos catalogados e numerosas conferências e cursos ditados, destacam-se as seguintes publicações:


  • El Psico-Anàlisi (1926);
  • Manual de psicología jurídica (1932);
  • Manual de psiquiatría (1935);
  • Psicoterapia; Psicopatología dels estats passionals (1938);
  • Psicología evolutiva del niño y el adolescente (1941);
  • Los fundamentos del psicoanálisis (1943);
  • Cuatro gigantes del alma. El miedo, la ira, el amor y el deber (1947);
  • Educación pre-escolar. Su evolución en Europa, en América y especialmente en la República Argentina;
  • Le psychodiagnostic miocinètique (1951);
  • Psicología experimental (1955);
  • Hacia una vejez joven (1961);
  • La mente enferma (1962);
  • La doctrina psicoanalítica (1963);
  • Psicología de la vida moderna (1963).
  • Futebol e Psicologia (1964) junto a Atahyde Ribeiro da Silva - Editora Civilização Brasileira S.A; Rio de Janeiro - RJ, 1964, 1ª edição;




*Em 15 de abril de 1997, morre, aos 72 anos de idade, o médico psiquiatra Leão Humberto Montezuma Santiago (Leão Santiago), que nas horas vagas era cantor.
Era cearense do Crato onde nasceu a 21 de abril de 1925.

Editado 28/02: Soube ontem que a demolição do prédio já teve início, a parte da entrada pela Avenida da Universidade, praticamente já não existe mais, infelizmente!
É, mais um patrimônio nosso é vendido e nossa história indo para o poço do esquecimento...







Fontes: Diário do Nordeste, Álbum Fortaleza 1931, Cronologia Ilustrada de Fortaleza de Miguel Ângelo de Azevedo, Wikipédia e http://www.miraylopez.com

16 comentários:

  1. Francisco Sobreira4 de março de 2013 21:42

    É, Leila, um país que não dá o devido valor à saúde e à educação, não é um país sério, como teria dito De Gaulle (há controvérsias). Mais um caso não para se lamentar, mas para se indignar. Bom, muito bom, você trazer à luz esse fato. Um beijo.

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    1. Pois é amigo, muito triste!
      Mais um patrimônio que perdemos para a especulação imobiliária. É muita indignação mesmo!

      Beijos

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    2. Trabalharei neste "patrimônio". Que precisava de muitas reformas físicas e humanas. Nunca fui a favor que os hospitais fossem substituídos por CAPS. Isso é coisa de gente que não vive na realidade nem dos pacientes, nem das famílias dos mesmos. Tínhamos pacientes que foram abandonadas pelas famílias, outros largados ou quem sabe fugidos ou perdidos nas rua. Não tinham para onde ir, nem sabiam quem eram e havia todo um trabalho para buscar identificar aquela pessoa.Logicamente, há casos em que não há como o paciente viver em sociedade, pode ser arriscado para ele, para seus familiares e para qualquer um que por ele passar. Não há controle, não há como assegurar que o mesmo agirá normalmente usando a medicação, haja vista, que muitos passam a burlar, gingir que tomam e não tomam. Julgar as famílias é fácil! Mas, conviver diariamente com um paciente psiquiátrico é muito mais difícil do que se possa imaginar. Só mesmo quem entrava por aqueles portões adentro via a degradação humana através das grades de proteção. Essa vista era possível somente para funcionários. Nem todos os candidatos conseguiam permanecer nos cargos...

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  2. E assim, de pouco em pouco, o cearense vai perdendo suas referências, seus valores e sua história. Perde mais um pouco de sua identidade.

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  3. Lindo ver essa historia, apesar de nao me lembrar da figura ou jamais saber se o teria conhecido, Dr. Leão Humberto Montezuma Santiago era irmao da minha avo' Dona Maria Laura Santiago Montezuma, o que o faz meu tio-avo.

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  4. Dr. Leão Humberto Montezuma Santiago

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  5. O Myra y Lopez atendia pelo Sus e Particular, sendo sua demanda em torno de 90% pelo SUS. Era difícil trabalhar num lugar sem respeito ao profissional, onde eram constantes reduções de salários sem acordos sindicais, com a única justificativa de que o Sus não pagava o suficiente ou pagava atrasado ao hospital. Deixando o hospital a deixar de pagar Inss e apedar de descontar FGTS em folha não o depositava. Esse Hospital foi por muito tempo mantido pelas famílias que tinham inteserre. Mas, durante muito tempo o deixaram a mercê de apenas uma pessoa. Depois, veio separação dos donos dos laços familiares. Nós pofissionais ficamos sendo pressionados a ficar de um lado ou de outro, haja vista um órgão viria fiscalizar. Não era difícil encontrar irreguralidades. Eu mesma por trabalhar num setor que fazia compras de repente me deparei com notas fiscais de materiais completamente adversos ao usado no setor. Alertei ao administrador, que ele era empregado, mas por assinar aquilo, porque eu não assinei até porque a mercadoria foi enviada para construção de uma casa de praia. Ele seria responsabilizado. Havia muita coisa errada, devio da ambulância para serviços particulares da direção, desvios de funcionários da empresa, recebendo pela empresa na casa do diretor. Era um Déspota. Um intimidador. Ameaçava os funcionários nas reuniões. Aquilo me enfurecia. Pacientes faleceram por negligência. Lembro de uma senhora gorda, estava muita edemaciada, a conteram, ou seja, a amarrararam numa cama, por mais de 24 horas sob forte medicação. Sai do trabalho cerca das 13h. Entrava de 7h. Creio que não era incomum não haver tanta atenção com o que os pacientes faziam a noite, pois um se suicidou com o leçol de joelhos na maçaneta do chuveiro do banheiro masculino e só perceberam pela manhã. Voltando a senhora, eu passei pelo seu quarto, ela estava na ala particular. Percebi que estava numa posição estranha. Por ser pesada, creio que ela tentou mudar de posição, mas acabou ficando com a circulação presa nos fios da conteção, pois estava virada quse caindo da cama do hospital e a barra de ferro lateral parecia não estar bem travada de modo que permitiu seu rolamento, deixando boa parte do seu corpo pendurado numa das laterais da cama. Eu me aproximei, percebi que os locais da conteção estavam muito edemaciados e arrochedos, mostrando falta de oxigênio naquela regiões dos braços, pernas. A toquei ela estava muito fria. Não era minha área, mas chamei a enfermagem imediatamente porque como poderia ter aquilo aontecido? Na minha concepção em algum momento ela chamou alguém, e mesmo que não tivesse chamado ela não poderia estar ali sozinha sem acompanhante. Deveria estar na observação.Mas,a senhora estava morta e a única preocupação do hospital e do diretor era resolver o problema!Dar uma boa explicação pra famíla. Gente, não havia vontade real de curar o paciente do SUS, porque o SUS era o sustento do hospital. A medicação era praticamente a mesma, Haldol,Fernergan, diazepan. Sendo que a maioria ficava impregnada e indefesa ao entrar no hospital, digo isso porque na ala masculina os mais antigos se aproveitavam sexualmente dos desorientados durante a noite. Pessoas tem problemas psiquiátricos diferentes que precisam de tratamento diferenciados e muitas vezes o hospital só piorava o estado do paciente. Alguém acreditaria que viciados também eram tratados lá? E que nos dias da visita havia pessoas que levavam drogas? Demorou pra gente se tocar. É difícil, muito difícil. Porque as famílias podiam levar bolos, alimentos diferentes. Eram muitas pessoas, não tinha como fiscalizar. Haviam coisas que ocorriam entre os muros e a rua que não havia controle, funcionários suficientes, nem estímulo para os funcionários que estavam cansados de tantos maus tratos, falta de respeito, atrasos nos salários e nos depósitos aos quais me referi antes. Na verdade uma mentira! O que houve foi um fim esperado devido a um desgaste e muita exploração por parte de um lado, o que não deita ser lamentável e antiético.

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    1. Só quem viu tudo de perto como você, pode falar com precisão tudo q ocorria atrás daqueles muros, estou horrorizada, Vitória!

      Agradeço demais o rico comentário, ele fará muita gente enxergar o que não estava tão visível a todos.

      Abraços

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    2. Otávio Alexandre
      Trabalhei no Hospital Mira Y López no período de fevereiro de 1980 até o fechamento do hospital em fevereiro de 2013. Durante o período em que trabalhei exerci as funções de enc. setor pessoal e gerente administrativo e de pessoal. Vejo com grande estranheza o comentário da Sra.Vitória à respeito do hospital, haja visto que no hospital nunca trabalhou ou prestou serviços no setor de nutrição ou em outros setores pessoas com esse nome.Não entendo como uma pessoa pode comentar sobre uma empresa sem nunca ter participado ativamente ou parcialmente dela. A direção do hospital sempre teve zelo com os pacientes e funcionários, trabalhando com ética e respeito dentro das normas estabelecidas por lei. O hospital fechou, más antes disso honrou seus compromissos com fornecedores e todos os funcionários.O que posso dizer, é que sinto muitas saudades das pessoas com quem tive o prazer de conviver, os pacientes, colegas de trabalho e os diretores do hospital. Existem pessoas que por maldade ou outra coisa qualquer, possa denigrir a imagem de uma empresa que prestou relevantes serviços nos seus 44 anos de existência.

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    3. Otávio Alexandre, boa noite!

      Vou confessar que estou bem confusa, pois achei os comentários da Vitória bem fidedignos e lendo agora o que vc escreveu, sobre ela não ter trabalhado no hospital... Se isso não for um engano, e vc por ventura não esteja se recordando dela, nem sei o que pensar, estou passada.

      Espero mesmo, de coração, que tudo tenha ocorrido como vc relatou, pois seria muito triste manchar a imagem de um hospital com 44 anos de serviços prestados.

      Abraços

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  6. Com certeza não perdeu nada em não conhecer a figura de Heraldo Lobo, um verdadeiro déspota. Não tinha oo paciente do SUS como gente, mas como uma diária. Jamais esquecerei da entrevista que fiz com ele para trabalhar lá. Fiquei horrorizada, quando ele disse que não importava a qualidade da ração, mas a quantidade. Ele queria me convecer que deveria dar dafora com alguma coisa como prato principal todos os dias aos pacientes, sopa quando houvesse sobra, mas não era bom porque a digestão era rápida para ojantar e eles tinham muita fome devido aos remédios. Então eu tinha que pensar em coisas qu rendessem e saciacem logo. Seu olhar, não sei se era proposital, mas creio que era. Parecia de um louco. acho que era para me testar, me assustar. De ua coisa eu tinha certeza. ele não se preocupava com aqueles pacientes. Ele tinha nojo deles.

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  7. Selene de Figueiredo13 de setembro de 2013 19:19

    Sou paciente do Dr. Heraldo Lobo, não possuo recurso para custear suas consultas, sou atendida de forma gratuita por ele, que além de me atender, me dá toda a medicação necessária para o meu tratamento. Quando o conheci, estava imersa em uma depressão profunda, estava definhando a caminho da morte e ele, com seus conhecimentos, carinho, dedicação e zelo, me trouxe de volta a vida. Hoje sou uma nova pessoa e devo isso ao Dr. Heraldo e Deus, que o ilumina para que cure e amenize a dor de tantas pessoas que sofrem dos males da alma. Por essa razão, acredito que a senhora Vitória C de fato nunca conheceu o Dr. Heraldo, pois qualquer pessoa que o conheça pode perceber o amor que ele tem pela Medicina Psiquiátrica e por seus pacientes. Ele jamais veria seus pacientes apenas como cifras, pois sou uma prova de que ele vê as pessoas como seres humanos dignos de serem curados e felizes. Encaro com bastante estranheza o comentário deixado pela Sra. Vitória, pois tenho plena consciência de que ele não condiz com a realidade, pois em toda a minha vida não conheci uma pessoa tão ética, digna, humana, comprometido com seus pacientes e com seus colaboradores como o Dr. Heraldo Lobo. Se existissem mais médicos como ele, tenho certeza que haveria menos sofrimento e dor para as pessoas que necessitam de tratamento psiquiátrico. Concordo plenamente com o depoimento da Socorro Farias. Ele( dr. Heraldo) é um instrumento de Deus para realizar milagres na vida das pessoas. Assim como eu, conheço várias pessoas que recuperaram a alegria de viver por intermédio desse Grande médico. Muitíssimo Obrigado por tudo, Dr. Heraldo!!!!

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    1. Olá, Selene, bom dia!

      Vc não imagina o quanto fico feliz e aliviada por ler um comentário contrário ao da Vitória, pois fiquei chocada com tudo q ela escreveu, não só sobre o Hospital, mas sobre a figura do médico Heraldo Lobo. Ler agora o depoimento de uma paciente dele é muito bom, pois vc, mais do que ning, pode falar por experiência própria da importância do doutor Heraldo em sua vida.

      Muito obrigada pelo comentário!

      Forte abraço

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  8. Selene, este é o Dr. Heraldo Lobo que eu conheço também, uma pessoa maravilhosa. Sabemos que a saúde pública tem sérios entraves e que existem pessoas incompetentes em todo lugar, mas não concordo com este perfil de filme de terror que a Vitoria descreveu. Meu pai, Airton Monte, jamais seria conivente com esses crimes, quem conhece o seu percurso profissional e humano sabe disso. Trabalhou até ser internado, literalmente, já estava com ascite, mal conseguindo se vestir, mas ia atender seus pacientes.
    Leila Nobre, seu blog me emocionou, parabéns!!!!
    Bárbara Monte

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    1. Eu que fico emocionada com esses comentários elogiando o meu trabalho, fico feliz e com sensação de dever cumprido, obrigada, Bárbara Monte! :)

      Forte abraço

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