Fortaleza Nobre | Resgatando a Fortaleza antiga : Avenida Dom Manuel - Antiga Rua do Barreiro [notification_tip][/notification_tip]
Fortaleza, uma cidade em TrAnSfOrMaÇãO!!!


Blog sobre essa linda cidade, com suas praias maravilhosas, seu povo acolhedor e seus bairros históricos.


quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Avenida Dom Manuel - Antiga Rua do Barreiro



A Avenida é uma das mais antigas de Fortaleza. Seu traçada é do século XIX. É o início de um passeio pelo tempo, da Fortaleza de bangalôs, lambrequins e ornatos. 
Ela já foi Rua do BarreiroBoulevard* da Conceição, Rua Nº 19, Avenida Dom Luís e finalmente Avenida Dom Manuel.



Em 1888, a atual avenida Dom Manoel tinha o nome de Boulevard da Conceição por causa da Igreja de Nossa Senhora da Conceição da Prainha, que fica no seu início. Depois teve o nome de Avenida Nogueira Acióli, Boulevard Dom Manoel e Av. Dom Luiz, sendo chamada popularmente de São Luís. Em 1890, quando todas as ruas de Fortaleza receberam números em substituição aos nomes, ela recebeu o n°19, mas a inovação pouco durou. A primeira vez que a avenida se chamou Dom Manoel foi em 1934, depois foi Dom Luís e voltou a ser Dom Manoel, até hoje. A Av. Dom Manoel se inicia no encontro das avenidas Monsenhor Tabosa e Presidente Marechal Castelo Branco (Leste – Oeste), como que continuando a antiga Ladeira da Escadinha, atual rua Almirante Saldanha e até pouco terminava na rua Rocha Lima, antes da abertura da Avenida Aguanambi, que é hoje sua continuação.


Planta de Adolfo Herbster

A Avenida consta no plano urbanístico de 1875, idealizado pelo engenheiro Adolfo Herbster. O Tabuleiro de Herbster, considera o arquiteto José Capelo Filho, no livro Fortaleza Centro Guia Arquitetônico (2006) - Mantinha a concepção xadrez do engenheiro Silva Paulet, indo adiante: “Ampliava-lhe o traçado para além de seus limites de então e criava, seguindo a orientação francesa do prefeito de Paris, o Barão de Haussmann, três bulevares, situados nas atuais avenidas Imperador, Duque de Caxias e Dom Manuel”. Mas o que poderia ser, hoje, um passeio por essa bela época, torna-se apenas caminho para um trânsito nervoso, desperdiçando-se a sombra generosa dos oitizeiros.

Sobrou quase nada da Fortaleza de bangalôs, sobrados, casarões, lambrequins, ornatos, sacadas, terraços, quintais, mansardas, balaústres, platibandas, muretas... O charmoso Boulevard, misto de pista larga e paisagismo, só existe nos livros de memórias da metrópole.

Da nascente, na Avenida Monsenhor Tabosa, à desembocadura, na Avenida Aguanambi, vivem a Igreja da Prainha e o Seminário homônimo, as escolas públicas Visconde do Rio Branco e Clóvis Beviláqua

Cruzamento da Avenida Monsenhor Tabosa com Dom Manuel

Muitas casas perderam cores e ganharam o tom do asfalto e do vandalismo. Armaram-se com grades e cercas em espiral. Lacraram as janelas-quase-portas. Transfiguraram-se em clínicas, churrascarias, pousadas, kitinetes, lava-jatos, assombrações. Calaram o Clube do América, desfolharam a Praça das Esculturas.

Algumas conservam fachadas, curvas e geometrias e merecem contemplação. No quarteirão entre as ruas Costa Barros e Pereira Filgueiras, por exemplo, ainda há muros baixos e jasmins. Mas é preciso disposição para descobrir essas raridades em uma cidade de arranha-céus. Em bairros que narram a história de Fortaleza - como Centro, Aldeota, Benfica e Jacarecanga, boa parte dos bangalôs e do charme da Capital existe, agora, nos livros.


Em 'Mansões, Palacetes, Solares e Bangalôs de Fortaleza' (ABC, 2000), Marciano Lopes preserva as “casas de grande porte”, feitas sob medida para a cidade-grande: “Foi quando as rústicas telhas de barro, produzidas nos arredores, passaram a ser substituídas pelas delicadas telhas de Marselha e até por ardósia importada da França. Da Inglaterra vinham as louças sanitárias. Portugal mandava, entre outros atavios, as pinhas, os jarrões, as estátuas e os ladrilhos de Faiança.  Algumas casas utilizavam até madeiras europeias e o precioso e agora raro pinho de Riga servia para assoalhos, portas, janelas e bandeirolas”.

A Avenida Dom Manuel é batizada com o nome do primeiro arcebispo de Fortaleza. O baiano Dom Manoel da Silva Gomes (1874-1950), conta o escritor Rogaciano Leite Filho ('A História do Ceará Passa por esta Rua' - EDR, 2002), fundou o jornal 'O Nordeste', criou o Círculo de Operários Cristãos e determinou a demolição da Antiga Sé para a construção da atual Catedral (a partir de 1939), entre outras realizações que marcaram a história local.

A avenida Dom Manuel compunha o antigo Bairro do Outeiro da Prainha.



*O nome Boulevard é de origem francesa e é o equivalente a avenida, de forma mais sofisticada. Em Fortaleza havia o Boulevard da Conceição (Avenida Dom Manuel), Boulevard do Livramento (Avenida Duque de Caxias), Visconde de Cahuype (Av. da Universidade), Boulevard Visconde do Rio Branco (Avenida Visconde do Rio Branco). 
Marciano Lopes


x_3d0132f6 
Créditos: A História do Ceará passa por esta rua - Rogaciano Leite Filho, 
Jornal O Povo, Diário do Nordeste e Fotos do Arquivo Nirez

14 comentários:

  1. Leila, atravéz do seu trabalho, eu conheço cada vez mais a minha cidade.Rezo para que voce tenha vida longa e possa sempre nos presentear com suas informações. Tenho muito orgulho de voce. Uma cearense de "peso". Que Deus te proteja e te abençoe sempre.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Muito obrigada, Derci, fico lisonjeada por suas palavras de carinho! :)
      Lhe desejo em dobro, querida!

      Forte e caloroso abraço

      Excluir
  2. Leila obrigado por você existir no facebook!
    Você nos esclarece a cada dia e eu como sou uma saudosista nata, adoro seus posts!
    Minha mãe foi uma mulher muito culta e inteligente e nos repassou o pouco que sei sobre nossa Fortaleza Nobre! Essa foto do Ivan é muito interessante, pois nos mostra como era o uniforme de um dos mais tradicionais colégios de Fortaleza!
    Na foto que você postou anteriormente, o casarão ficava em frente á Praça, e na esquina, ficava o Circulo Operário São José, sendo hoje o Teatro.
    Gostaria de conversar um dia com você pessoalmente!
    Beijos iluminados em seu coração!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Será um prazer, Angela! :)

      Obrigada pelas gentis palavras, querida!

      Beijos

      Excluir
  3. Meus parabems Leila, goste muito do seu trabalho, to na Espanha e me perdoa o meu portugues um poco errado.

    ResponderExcluir
  4. Nunca tinha visto um trabalho tao bem feito quanto este. A sensibilidade e inteligência desta guria ainda nos leva a acreditar na raça humana como não totalmente perdida. E um trabalho notório, de grande peso para quem deseja aprender a gênese de uma cidade. Seria maravilhoso se em cada cidade nascesse alguem com o talento e a coragem desta jovem escritora cearense! Parabéns, guriazinha, você é uma joia raríssima.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Eita que elogio danado de porreta, amei!!! :) rsrs
      Muitíssimo obrigada, querido(a)!

      Abraços

      Excluir
  5. Leila acho que a data do começo deste texto nao é 1988,acho que é 1898.Abraços e continue assim.
    Tambem gosto bastante de nossa Fortaleza antiga,tb tenho algumas fotos depois levo p vc ver.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá amigo(a), boa noite!
      Fiz a correção, o certo seria 1888 e não 1988 como estava anteriormente! :)

      Abraços

      Excluir
  6. Leila Nobre, excelente trabalho. Gostaria que me enviasse seu email para contato. Grata.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Obrigada! :)

      Contato: fortalezanobre@gmail.com

      Abraços

      Excluir
  7. Eu também adoro suas informações,sou saudosista nato,um abraço

    ResponderExcluir

NOTÍCIAS DA FORTALEZA ANTIGA: