Fortaleza Nobre | Resgatando a Fortaleza antiga : Primeira estação radiotelegráfica de Fortaleza - Uma casa, duas antenas e 3 gerações [notification_tip][/notification_tip]
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quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Primeira estação radiotelegráfica de Fortaleza - Uma casa, duas antenas e 3 gerações


Em 1922 instalou-se a primeira estação radiotelegráfica de Fortaleza na Praia do Peixe com duas grandes torres(antenas)¹. Os escritórios ficavam no prédio da Fênix Caixeiral, na Praça Marquês do Herval, na Rua General Sampaio, esquina com Rua Guilherme Rocha, onde hoje fica o edifício do CEMJA.

Foto da época da instalação das antenas em 1922 - Detalhe que a casinha não tem nenhum vizinho próximo. A Foto faz parte do acervo de Joanna Dell'Eva

Zoom da foto anterior

Em 21 de agosto de 1927 é inaugurada a Estação Radiotelegráfica "Ceará", da Repartição Geral dos Telégrafos - RGT, sob a direção de Augusto Mena Barreto.

Uma das antenas na década de 30

Uma das antenas na década de 30

Família Mamede


Por volta de 1947 já com o fim da estação, Mozart Vitoriano Pinheiro, que foi telegrafista na época da agência, foi convidado a morar na casa, que pertencia a União²
Por ser uma pessoa muito correta e honesta, aceitou o "convite" somente mediante o pagamento de aluguel. O aluguel era simbólico, mas existia. Foi então que juntamente com a esposa Hilda Mamede e os filhos: Luís Mário, Mozart, Francisco Alísio (com 12 anos na época), Maria Hilda, Maria Júlia, Maria Plautilia e Maria Tereza, ele foi para a simpática casa na Praia de Iracema, onde criou os filhos e viveu momentos maravilhosos. Foi lá inclusive que nasceu uma das filhas do casal: Maria Celuta (Que hoje se encontra com mais de 60 anos).  

Uma das antenas na década de 30

Foto da década de 30 - Detalhe que ainda não existia nem o Ed. São Pedro e nem a igrejinha. Arquivo Nirez

A casa foi moradia de pelo menos três gerações da família Mamede.
Depois de muitos anos na casa, o patriarca resolveu se mudar, e um de seus filhos, Mozart Mamede, foi morar na casa com a família que havia constituído.

Outra foto da década de 30 vendo-se as duas antenas dos telégrafos

Década de 30

Zoom da foto anterior

Em 1973, a casa passou a ser moradia para o outro irmão, Francisco Alísio Mamede Pinheiro e sua família.
Maria Tereza Pinheiro, filha de Francisco Alísio conta:

“Não sei se você sabe, mas aquela casa tinha porão, quando nós chegamos lá em 1973, os quartos ainda eram com piso de madeira, tinha uma porta no piso claro, pra gente ir pro porão. Dava pra andar na casa toda por baixo. E dava pra entrar por fora também. Esse porão foi feito pra entrar a água do mar, que inclusive na maré cheia, o porão ficava cheio de água, e eu tinha muito medo( ressaltando). Várias vezes ficamos ilhados pela água do mar. E meu pai contava, que quando ele era criança e morava lá (ele foi morar lá com 12 anos), tinha um ladrão, com o apelido de TROÇÃO, que morava em baixo do porão, só que ele entrava por fora (baixo) da casa (claro), minha avó com muito medo dele, além de permitir que ele ficasse, ainda o alimentava de vez em quando. Minha época de moradia foi muito boa, aproveitei o máximo minha infância na praia e criei meu filhos lá, que também usufruíram bastante da praia, com muita liberdade...Morei mais de 30 anos na casa que foi agencia dos correios e telégrafos.“


Essa foto é maravilhosa! Foi a primeira foto usada por mim no painel do blog. 
Década de 30

Foto de 1931 - A antena lá atrás

Foto do final de década de 60 - A casinha (seta) que serviu de agência dos correios e telégrafos

Aquela casinha que foi tão importante, que foi a primeira estação radiotelegráfica de Fortaleza e que por anos foi o aconchegante lar da família Mamede, hoje nada mais é que escritórios de arquitetura de Luciano Cavalcante, que fez o favor de modificar totalmente a casa. Em busca da modernização, ele tirou todas as características da casa³.

Foto de 30/05/1955 - A casinha ao lado do restaurante Lido (em reforma). Na foto, Charles Dell'Eva. Arquivo Joanna Dell'Eva

Pedro Dell'Eva em uma das sapatas que ficavam em frente ao Lido em 1955- Arquivo Joanna Dell'Eva

¹-Meus Trampolins


"Quando criança, eu adorava brincar com meu irmão gêmeo, Pedro, nas sapatas de uma das antenas dos telégrafos localizada bem na frente do Restaurante LIDO (de meus pais), ali mesmo enterradas na areia, sem ao menos sonhar que aqueles enormes blocos quadrados de cimento eram antigamente o sustento de uma antena gigante e tão importante. A segunda antena se encontrava um pouco mais distante, atrás ou ao lado do Ed. São Pedro.

Pois bem, aquelas 4 sapatas eram os “meus trampolins” ! Ficávamos sobre a tal sapata, um de “meus trampolins”, na espera ansiosa de uma grande onda, e na hora “H”, pulávamos dentro d’água como peixinhos! Era uma delícia e como era divertido. Hoje os meus saudosos "trampolins", aqueles que me deram tantas alegrias, foram cobertos pela areia e concreto e sumiram para sempre com todas suas fabulosas histórias dos anos 30, dando espaço à uma pista de patins e skates insuportável!

Joanna Alice Dell’Eva

Filha de Charles e Lúcia Paulette Dell’Eva


1968 - Foto de Nelson Bezerra

Zoom da foto anterior


Casinha que serviu de sede do serviço telegráfico em 1931 e que resistiu ao tempo. Foto de 1969 - Arquivo Nirez

²-Essa casa só poderia ter sido vendida pra gente, porque morávamos lá há muitos anos, caso a gente não quisesse, ela teria que ser leiloada, por ser Patrimônio Público, só que não foi isso que aconteceu, e após anos morando na casa, tivemos que nos mudar.
Maria Tereza Pinheiro

Iracema, final dos anos 70 - Vemos as sapatas da antena que ficava em frente ao Lido.


"Durante um tempo meus trampolins ficavam enterrados, e se escondiam de mim sob a areia...e apareciam de novo, lavados pelas águas do mar! 
como você vê Leila, quando a maré baixava lá estavam eles, imponentes e majestosos blocos de concreto, fortes e imbatíveis, mesmo com a força do mar...porém não resistiram a força brutal do Homem!" - Joanna Dell'Eva


A Casinha ao lado do Lido - Foto de 21/09/1973

Zoom da foto anterior

³-Muitas perguntas sem respostas 

"Leila fico tão "incapacitada" em não saber mais sobre estas antenas e a casinha amarela...que mistério!
E foi tão importante para Fortaleza, as primeiras antenas e a casa dos telégrafos!!!
Seria por cabo marinho na época?
São tantas as perguntas...
Quem construiu? Em que ano? O material veio de onde? Americanos, ingleses ou franceses?
Você pode observar com clareza que a casinha, era construída sobre pilotis sem dúvida por causa do mar...
Eu me lembro desta casa ainda com seus pilotis...erguida sobre a areia.
E as antenas? Se eu fosse Prefeita mandava desenterrar e faria sua historia!


Foto de 1975 - Foto do acervo de Joanna Dell'Eva

E pior ainda...não existe nem uma plaquinha dizendo "Aqui foi a casa que abrigou o primeiro telégrafo de Fortaleza com 2 antenas”.

O Luciano Cavalcante se preocupou só em modificar por completo a casinha amarela...Que pena, além de que ela era TOMBADA! Não entendo...

Joanna Alice Dell’Eva


A casinha hoje:

A casinha hoje, totalmente modificada... Foto de Pedro Paulo


Nem uma única plaquinha dizendo "aqui foi a casa que abrigou o primeiro telégrafo de Fortaleza" - Foto de Pedro Paulo

Foto de Tereza Duarte

Foto de Tereza Duarte


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Agradecimentos a Maria Tereza Pinheiro, Joanna Alice Dell'Eva e Nirez

10 comentários:

  1. Minha amiga, estou emocionada ! mais uma vez sem palavras. Você é realmente uma Nobreza, Leila NOBRE, e a cada dia que passa seu site Fortaleza Nobre fica mais rico.

    Como fico feliz em ver esta história maravilhosa voltar à tona, parece contos de fada esquecidos no fundo do baú. Esta casa e suas 2 antenas fizeram e fazem parte da memória de Fortaleza e você conseguiu dar vida novamente. Estes relatos da Maria Tereza Pinheiro são inéditos e reveladores. Estou impressionada ! Eu apoio e muito, pois sou e sempre serei uma eterna conservadora e preservadora. Devemos todos muito à voce Leila ! PARABÉNS minha linda.
    Com profunda admiração e agradecimentos
    Joanna Alice Dell'Eva
    Fortaleza 02-02-2012

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    1. Saiba que você foi a responsável por essa postagem ter saído, afinal, foi graças a sua maravilhosa contribuição e ajuda que consegui reunir o máximo de informações necessárias. E foi de tanto a gente conversar sobre essa casa que resolvi falar dela no face e assim encontrar a Maria Tereza, um amor de pessoa e que abraçou de imediato essa minha vontade de falar sobre a primeira estação radiotelegráfica de nossa linda Fortaleza! :)

      Eu sinto como se a gente tivesse voltado no tempo e resgatado a verdadeira importância dessa casa. Porq olho para ela hoje e não a reconheço, é outra casa, perdeu o valor histórico, pois foi muito modificada e desvalorizada quando caiu nas mãos de pessoas erradas!

      Não precisa agradecer, foi um prazer sem igual, eu amei e me realizei muito coletando informações e depoimentos.

      Beijos amada e obrigada por esse comentário tão lindo! :*

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  2. Boa madrugada amiga leila, mais uma semana está a se findar, não pude está muito presente nas ondas, o pouco que restou dediquei-me quase a dormir sobre o teclado a festa na minha Ilha, mas não podia vir saborear um pouco da nossa história que aqui se retrata de forma tão gostosa... as antenas :) e a do faquir nota mil .... passei para dizer oi, sabes como anda nossa Fortaleza e eu a mil... beijos no coração e vê se aparece na festa da Ilha ela não para kkkkkk

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    1. Nossa, como boa anfitriã, imagino como deve ter sido corrido esses últimos dias de festa hauahuauahuhauhau :)
      Vou aparecer sim, pode aguardar!

      Beijos

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  3. Morei na Praia de Iracema entre os anos 70 e 90 e lembro bem dos imensos blocos de concreto que ficavam na praia - SOMENTE AGORA SEI A ORIGEM DELES. Tomei muito banho e mar ali junto aos blocos. Tinha a barraca do Roberto - que depois soube que foi morto e esquartejado por uma mulher, tinha Seu Martins lá no Edif São pedro, tinha o doido Bobó, tinha o Restaurante Tratoria do Alfio, tinha o Bar do Getúlio, tinha a farmácia do seu Edmundo, tinha uma boate vizinho ao posto de gasolina que não lembro o nome, tinha o Lido, tinha o taxista Garibaldo, tinha a Vila Morena e o garçon Alemão, tinha o Pirata chegando, tinha o CaisBar chegando, SAUDADES. SAUDADES. SAUDADES. Hoje moro em REBORDOSA, PORTUGAL.

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  4. Morando tão distante, imagino q a saudade deve ser enorme realmente... :)

    Abraços e obrigada por compartilhar seu momento de nostalgia conosco. :D

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  5. Leila, fiquei muito feliz em resgatar esta história que envolve minha familia. A Maria Tereza sabe de muitas outras e sempre que posso converso para ter conhecimento delas. Marcio Mamede

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    1. Eu tbm fiquei muito feliz em saber dessas curiosidades sobre o passado da família, que viveu momentos tão marcantes naquela casinha! :)

      Forte abraço e agradeço o comentário!

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  6. Morei na Praia de Iracema quando criança, na antiga Rua da Aeronáutica, hoje continuação da Rua Nogueira Acioli e esta tua magnífica publicação me remeteu a um tempo em que eu também pulava daquelas sapatas de concreto nas ondas. Inclusive, minha primeira professora (lamentavelmente não recordo o seu nome)morava naquela casinha e ensinava no Colégio Elvira Pinho, àquela época na Av. Aquidabã, vizinho ao San Pedro Hotel.
    Durante a Segunda Grande Guerra os militares americanos se utilizavam daquela antena localizada junto ao Restaurante Lido e a denominavam PC - Posto de Controle (Pi Ci, na pronúncia inglesa). Quando posteriormente a antena foi removida para as proximidades do Jóquei Clube, foi ela que batizou o bairro do Pici, já que continuou sendo chamada como era pelos ianques.
    Não me canso de elogiar este teu inestimável trabalho pela memória da nossa linda e esquecida história. Parabéns, Leila!

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    1. Oh amigo Adauto, eu que agradeço esse seu comentário tão enriquecedor e esclarecedor! Sobre a origem do nome PICI, acredite, muitos não fazem ideia que foi por causa de uma das antenas do telégrafo, a mesma que um dia esteve na bucólica Praia de Iracema. :)

      Forte abraço e volte sempre, é uma honra tê-lo por aqui!

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