Fortaleza Nobre | Resgatando a Fortaleza antiga : Zé Tatá - O Grande Chalaça que entrou no folclore da cidade (Parte II) [notification_tip][/notification_tip]
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segunda-feira, 25 de maio de 2015

Zé Tatá - O Grande Chalaça que entrou no folclore da cidade (Parte II)


Quem nesta cidade, nasceu, viveu mesmo como adventícios, não conheceu tal figuraça com porte de homenzarrão, de tez ligeiramente acinzada, com estatura de girafa e acentuada ginecofobia, que nas noites de Fortaleza fazia um tipo folclórico alegrando na sua casa de recursos, apontado, como principal recinto das mais lídimas libações nas noites enluaradas, sob um céu turquesa, onde as estrelas gravitam num faiscar brilhante qual cardume de pirilampos que, nos dias chuvosos invadem a imensidão do escuro com sua fosforescência no ar. Quem não viu, perdeu por não ter aproveitado as aprazíveis noites de “cabaré” com mariposa dengosa “cheia de requebros e molejos” numa vasta corte onde fazia parte um rei, um chalaça em caçoadas que passava as noites a distrair os que ali frequentavam em busca das meretrizes que no prostíbulo faziam o seu meio de vida, trocando carícias ou como diziam
nos seus versos o inesquecível compositor cearense - Aleardo Freitas - “vendendo amor a granel/ eu fico sem seu carinho/ me acostumo com esse papel/ sem dizer nada/ sem dizer nada”...


O que se tem de certo, é que Zé Tatá - José Vicente de Carvalho, foi o homossexual mais assumido da época, enfrentando sem destemor os preconceitos da sociedade para entrar no folclore cearense ganhando seu nome o viaduto da Avenida Alberto Nepomuceno, no cruzamento da rua José Avelino - antiga rua do Chafariz, General Mesquita ou SINGLEHURST (nome mais antigo), a denominação popular de TATAZÃO - em alusão ao trocadilho do nome ou pelo fato de se situar o último estabelecimento comercial e residencial no início da primeira quadra da rua José Avelino de logo reconhecido por todos pela opulência da estrutura e extensão do elevado ali erigido, permitindo passagem de cargas de alto porte, e demais veículos e pessoas que transpusessem por cima, por baixo e até servisse de morada dos desafortunados, que não têm onde morar.


O viaduto “Tatazão” veio aliviar sob forma o tráfego de carros e de pessoas, cortando as vias centrais Oeste-Leste, do Pirambu à AldeotaPraia.
Zé Tatá - não temia bravateadores e por vezes teve oportunidade de demonstrar sua valentia e quando forçado pelas circunstancias, era obrigado a por termo em situações vexatórias causadas por oprobiosos que se apresentavam na sua casa noturna para fazer baderna, que necessitavam urgente de corretivos.
Aí, Zé Tatá não tinha outra alternativa a não ser tomar as medidas drásticas e necessárias que o caso exigia. Por isso os que frequentavam seu ambiente noturno, não tinham receio de ser desrespeitados, porque contavam com a segurança e a valentia do dono da casa, que apesar de seus adamados gestos, na hora certa sabia defender seu estabelecimento pondo ordem e respeito a quantos lá permaneciam.


Assim o padrão de procedimento do famoso Zé Tatá somente a ele interessava, por inadmitir intromissão na sua postura porque não se mostrava “astroso”, manifestando muita astúcia no trato com os bordeleiros que reunidos em grandes número pareciam “abelha no coroamento do cortiço”, e, dificilmente, se abespinhava com os fregueses que o tratavam com respeito e cordialidade. Era uma casa de tolerância comandada por respeitado cáften, que no deslumbramento de suas atividades atraia para as “horizontais” que ali se hospedavam para o exercício da profissão.
Talvez se deva a esse conjunto de normas de conduta que pautaram sua existência, a grande popularidade que tomou conta de sua lendária personalidade, tornando-o conhecido e vulgarizando-o por suas aparências exteriores no folclorismo das tradições dos cearenses ou para investigações de folcloristas, ou, a quem pretende fazer estudo mais acurado sobre a sua personalidade, que só Freud explica ou os modernos psicanalistas.
Uma das coisas interessantes do ora focalizado, é que era conhecedor de todas as qualidades, defeitos e manias dos frequentadores, mantinha-se sereno, discreto dos segredos de alcova que tinha conhecimento e lhe eram confidenciados pelas raparigas... Era por assim dizer, confidente predileto dos casais que o amor procurava para dar alento a ilusão.Mas isso é coisa que o tempo levou e nunca mais devolveu aos corações apaixonados que acreditavam no amor da “grinfa” vendido a granel, coisa de antigamente e de cabaré!!!



Mas quem subisse as escadarias de qualquer uma das casas noturnas do temível (no bom sentido) Zé Tatá, como por exemplo Pensão UbirajaraHollywood, Tabariz, General Bezerril ao lado do Departamento do Correio e Telégrafo, ou da rua José Avelino n° 309, sentia de perto que " a felicidade é como a pluma/ que o vento vai levando pelo ar/ voa tão leve/ mas tem a vida breve/ precisa que haja vento sem parar ”... plagiando assim os versos insuperáveis do samba de Antonio Carlos Jobim e Vinicius de Morais.

Naquele tempo porque era “chic” toda mulher da comédia, ou andorinha, fazia questão de oxigenar os cabelos, amarelo aleonado e fulvo para se transfigurar e não ser reconhecida no bordel, chegando mesmo a mudar de nome “preferindo usar nome de guerra”, colocando um dente capeado a ouro de preferência dos um pré-molares que dava mais encanto a boca e ao sorriso, dificultando sua identificação perante a família. Grandioso era o escândalo que poderia causar à família se fosse descoberto o seu paradeiro numa das  “pensões altas”  do Centro da cidade. Era como se o mundo tivesse desabado sobre aquele lar, antes pacato e recatado, perante toda vizinhança que contristadas, participava das desventuras dos amigos em sinal da mais alta solidariedade humana e demonstração de amizade, às vezes indo a “moça falada” parar no Bom Pastor, situado na Praça Fernandes Vieira - Liceu do Ceará, hoje Praça Gustavo Barroso, dirigido por irmãs de caridade, cujo objetivo maior
era cuidar das órfãos, que vinham de diversos recantos do Ceará, ensinado-lhes artes manuais - bordados nos diversos tipos, crochê, culinária etc. Situado no recanto da Praça ocupava grande terreno cujos fundos alcançavam as margens do açude João Lopes, como costumeiramente era chamado.



Para quem ultrapassava o portão de entrada do Bom Pastor, sentia a consternação no íntimo, estampada dentro d'alma até no percurso entre os muros que fazem ladear o caminho extenso que separa de nós visitantes até chegar à capelinha ali existente. Os que lá dentro estão a transparecer tristonhos a revelação de magoa ou aflição, da desventura que a vida lhes reservou pagando o tributo com o recolhimento ao asilo privando do convívio comum para purgação dos pecados. Triste sina que o mundo reservou a quem desafortunado e sem sorte é obrigado a dar a sua contribuição como pagamento de pecado... todas com bisonha aparência, para uma recuperação do pecado cometido e depois voltar à casa paterna, numa forma de se depurar de todas as culpas, ou, purgando os pecados cometidos nas andanças em devaneio numa cidade outrora jovem tranquila que a todos compungia, e hoje causa medo
à traição que assalta a urbe a lembrar com saudade o passado não tão distante, e cheio de vivas recordações que dão alento abrigando no peito as gratas emoções que o tempo levou, deixando tortura no presente com ausências queridas que encheram e enfeitaram nossas vidas de bilontras duma pacata cidade, outrora participativa, de tudo tomava conhecimento, registrando fatos e episódios dantescos e burlescos para transformar no fim, o cearense amolecado, nos ditos gracejadores que chegam à comicidade, tornando-os muitas vezes pela espirituosidade verdadeiros cômicos.

Mas queridos leitores, não levem a mal esta mistura de coisas e fatos, porque no fundo tem um objetivo. O de não deixar esquecer tanta coisa boa que de vez em quando devem ser resgatadas para avivar a nossa lembrança, provocadas pelo animador das noites - Zé Tatá - que sorrateiramente balançava os corações com lindas “andorinhas” que vinham fazer ninho no seu famoso lupanar. 

Ah! Zé Tatá tão trêfego, no chamariz no seu bordelengo... As atrações se renovavam e, daí o sucesso, por estar sempre atualizando o plantel das “bagageiras” como parte dessa dicotomia na linguagem metafórica própria dos prostíbulos. Quem era Antônia passava a ser Marlene; RitaMarli, Sebastiana - Meire etc.

O astuto Zé Tatá, quando na sua pensão chegava “marafona” vinda do interior do Estado, a primeira providência era promover uma festa de confraternização, coincidente ou não com a data do aniversario da recém chagada. O que importava fazer era uma apresentação condizente da mesma a fim de atrair mais fregueses e a casa faturar mais. Mas com longos vestidos da mesma cor para o grande evento que se realizava para comemorar a chegada da rapariga adventícia.
Zé Tatá nunca exerceu o proxenetismo - Gay assumido e deslumbrado mas não era proxeneta, porque não intermediava casos amorosos para ganhar dinheiro. Mantinha em sua casa mulheres e quem lá comparecia estava disposto a participar das alegrias do ambiente, bebendo, dançando, sambando porque tudo era motivo de hilariantes saudações a “Baco” ao lado de lindas “moças-do-fado” que pululavam o recinto em forma de enxame a distribuir afagos, e, com perfumadas mãos acariciavam os assíduos participantes daquele festival de amor de mulher de cabaré.


Zé Tatá - estrela maior que cintilava do alto no sobrado comandando a trupe onde predominava a alegria e a satisfação das mulheres que desde a porta principal ou na entrada da escadaria que dava acesso ao sobrado, tinha como referência o ponto luminoso de uma lâmpada de cor vermelha a indicar que a parte superior do recinto destinado às libações dos dissolutos que por serem jovens, não tinham ainda senso de responsabilidade, mas também tarimbados, que aos principiantes davam verdadeiras aulas de ensinamentos de vida, cuja orientação servia como advertência na permanecia no prostíbulo. Para isso Zé Tatá, também era mestre, e dizia: “simpatia não se compra e nem se vende, nasce com a pessoa”... Era o seu lema de vida.

José Vicente de Carvalho, nasceu na cidade de Sobral, onde residiam seus familiares e se sentia orgulhoso por ter nascido na Princesa do Norte, embora permanecido mais tempo aqui nesta cidade, que lhe prestou uma homenagem ao pseudônimo ao viaduto conhecido como Tatazão por ser gigantesco e próximo ao seu recinto que serviu de
residência.


Dentre as moças camufladas que faziam residência fixa no chateau do Zé Tatá ou sejam as de mais idade, as “balzaquianas” ou coroas com mais de 30 anos, essas davam preferência aos rapazes mais jovens que por serem menos experientes careciam de orientação na desenvoltura do amor, o que ocorria inversamente, os maduros cidadãos, velhotes ou jovens há mais tempo, que só se acompanhavam dos brotinhos, hoje gatinhas que geralmente era lançamento novo da casa. Eram mais disputadas porque procedentes de outros estados ou mesmo de cidade interioranas, que de qualquer forma causavam sucesso, porque para cavalo velho capim novo...

Zé Tatá - com passividade a tudo assistia com muita fleuma, que talvez ao antropólogo ou psicólogo servisse como subsídio para estudo mais apurado de um comportamento histrião contudo facilmente se comunicava e transmitia aos frequentadores uma serenidade de quem o desenrolar de espetáculo previamente encomendado para distração dos que faziam uma alegria inusitada deixando correr célere a fama do cabaré.
Cheios de salamaleques os jovens se apresentavam às moças nas noitadas naquele recinto de prazer mundano cuja experiência se transmitia com o correr do tempo pelo grande mestre - o mundo - que ensinava aos jovens que não tiveram ou não receberam no convívio do lar, uma orientação segura e desenturvadora do comportamento.
Mas o bom mesmo naquele tempo, era participar e sentir de perto o amor vendido pela “grinfa” que na inexperiência de vida o retalhava mesmo sabendo que tudo não passava de uma momentânea e mútua atração sexual impulsionado pelos instintos dos jovens.
Pouca gente sabia ou tinha conhecimento do seu verdadeiro nome - JOSÉ VICENTE DE CARVALHO, inupto por devoção e convicção inveterada de sua personalidade, porque a alcunha de Zé Tatá vinha de Sobral, sua terra de origem da qual muito se orgulhava.
A pessoa José Vicente de Carvalho, era um cidadão, ser humano respeitador, dizem que muito pontual e correto nas suas transações comerciais, daí o grande segredo de ser por todos muito acreditado e ter durado décadas e décadas o seu ramo de negócio sem sofrer nenhum constrangimento comercial.
Sobretudo se revela a sua parte cintilante e agradável, pitoresca, e cheia de cavilações que a todos agradava por ser a até certo ponto, misto de ingenuidade e ignorância, sendo uma pessoa de poucas letras e cheio E de ensinamentos, o que merecia as atenções de quantos com ele privassem sua amizade. 


Também naqueles idos anos cinquenta/sessenta, a cidade ainda não tinha evoluído e crescido o bastante para entender ou comentar porque ainda nem se conheciam pessoas afetadas por “hábitos de consumo caro” sob aspecto formal e nem na gama de sua diversidade. Fala-se a boca miúda dos que faziam uso da “cannabis sativa”, “liamba” ou a mais conhecida e popular “maconha” no que se tinha o maior receio e cuidados para se noticiar quando alguém era apontado de fazer uso de maconha; para dar tal noticia chegava ao pé do ouvido da pessoa a quem transmitia notícia mas tinha o cuidado de em tom sutil e segredado e dizer: “sabe o filho do Sr. fulano” gente tão boa, família tão organizada, viu, estão dizendo que anda com más companhias e ainda não se tem certeza, mas, comenta-se que está fumando maconha... Oh desgraça terrível...!!!

Era um deus nos acuda a noticia dada sob o mais profundo e sepulcral segredo para que não fosse para alguém menos credenciado para receber tal revelação.
Tudo isso fruto de uma época de mais recato e pudor de vida como se dizia em respeito aos hábitos e costumes de nossa querida cidade de Fortaleza.

Hoje tão diferente! Depois que liberdade desenfreada tomou conta do nosso espaço terrestre o destemor as coisas de Deus a desobediência ao Ser Supremo e sobremodo a falta de respeito imperou sob todos os aspectos, pois, fuma-se, aspira-se os mais variados entorpecentes nos diversos recintos sem menor receio ou constrangimento de ser molestado, porque faz parte de uma juventude “descompromissada”, “alternativa”, “independente”, cujos valores morais são outros e estão pouco interessados em saber se vão ou não agradar, porque querem tão somente, mesmo inconscientes da verdade, atingir o nirvana.

Mas no Zé Tatá ou casa de José Vicente de Carvalho, não tinha disso não. A coisa lá girava de outra forma com pessoas de diversas camadas sociais de diferentes faixas etárias, mas todas com os mesmos propósitos de se divertirem e “pegar o sol com a mão” como se diziam nos velhos tempos - os jovens há mais tempo (velhotes) com a mesma euforia dos principiantes que durante a noite momentaneamente ficavam perdidos e apaixonados pela “horizontal” que só carinho tinha para dar e receber.
Também naqueles idos e recordados tempos ainda não se falava em “stress” ou “estressados”. Nem se tinha ouvido falar como hoje, em pessoas que apesar de jovens já suportam sobre si pesadas cargas emocionais que se valem dos cultores e especialistas no ramo, para tratar os “transtornos bipolares”; Naquele tempo, sobretudo, nos jovens a alegria
e a tristeza ocupavam o devido lugar nas horas certas. Mas com o mundo, mudaram as coisas também, evoluamos para ver onde as coisas vão chegar e principalmente os clones e outros inventos.
Pelo caminhar da carruagem vai chegar o tempo de se fabricar seres independentes de fecundação biológica, como exemplo já temos robôs?!... como tal, executando ordens sem pensar... fazendo miséria... teleguiados ou abúlicos? Mas fora brincadeira e deixemos de caçoada e vão pregar essa historia nos cafundós do Judas... Parece mais historia para inglês ver.
Mas o que vale a pena mesmo nesse despretensioso apanágio é o relato da figura de José Vicente de Carvalho, mais conhecido por Zé Tatá que por ser homenzarrão de corpo e estatura avantajada e que apesar de ter sido homossexual assumido, hoje “gay”, também tinha seu lado macho e quando entrava numa “imbuança” (como registra o termo Leonardo Mota) era temido e não levava desvantagem embora não gostasse de se envolver em “sururu” (brigas) porque não lhe metiam medo “os caga-baixinhos” nem suportava bafafá.
Não se perca da memória de nossa tão amada Fortaleza, quer por seus munícipes, pessoas estranhas, adventícias, nem queiram da lembrança apagar tipos que marcaram época e as que de certa forma engrandeceram com fatos e coisas de quaisquer natureza e se tornaram
valiosos, deixando registro de sua passagem no espaço de tempo que merece agora lembrar até porque insignificante que seja o relato, deve ter por todos nós o respeito pela própria cidadania e pelo aprendizado que se insere e transmite mesmo corriqueiros.

José Vicente de Carvalho dedicou a vida toda ao ramo negocial, cuja fonte principal era o de venda de bebidas. danceteria e casa de recurso.
Possuiu várias casas; umas melhores equipadas, mais chiques outras menos atraentes, mas todas obedeciam a certo padrão de preferência embora sem luxo, mas se comparava as que tinham bom estilo no mundo congênere.
Cultuava a boa música todas selecionadas com os cantores de sucesso da época onde desfilavam Nelson Gonçalves, Augusto CalheirosCarmem Costa, Ângela Maria, Augustinho dos Santos, Alcides Geraldi, Dircinha e Linda Batista e a famosa Araci de Almeida, Jorge VeigaDalva de Oliveira, Erivelto Martins, Carlos Augusto, Dorival CaymmiOrlando Silva, Jackson do Pandeiro, Silvio Caldas e uma gama imensa de cantores, que faziam o cancioneiro dos idos anos cinquenta/sessenta.

Tudo muda e não há nada eterno na nossa vida. A licenciosidade tinha a medida certa na sua dimensão. Naturalmente sempre houve de tudo e tudo se praticava, mas tinha local certo e não havia afronta direta em público. A turma mantinha mais respeito mesmo às raparigas que como profissionais mantinham-se dentro de uma certa linha de conduta no salão, deixando os afagos para o “quarto” - local certo para troca de carinhos. 



Dentre as casas que montou, sobressaíram muito bem durante muito tempo, - O Tabariz, casa noturna, situada na Avenida Pessoa Anta nº 120, prédio assobradado onde funcionou a Booth Line - Cia de Navegação; em seguida nos altos do prédio de rua Gal. Bezerril n° 156, em cima da garapeira - O Guará - ao lado dos Correios e Telégrafos;
depois montou nova pousada na rua José Avelino n° 309, vizinho ao Bar da Maria Cabelão; por último na rua José Avelino n° 156, ao lado do viaduto, que veio a tomar se nome, onde permaneceu até morrer, deixando lampejo do tempo, cintilando fagulha de recordações.



Mas onde quer que hoje esteja o velho “Chalaça” que não foi pária na sociedade e entrou e passou espontaneamente a fazer parte do folclore da nossa cidade, será sempre lembrado diante da homenagem tributada por populares como expressão da memória cognominando ao viaduto da Avenida Alberto Nepomuceno, lado do Quartel General, no cruzamento da rua José Avelino, que dar acesso à Avenida Mons. TabosaPraia de Iracema - Viaduto Tatazão - que por certo o imortalizará na concepção popular e se lhe for dada a feliz ventura de ouvir a música de sua maior preferência à bela página musical de Antônio Carlos JobimTom Jobim e Vinicius de Moraes, composta em 1957, inserida como
trilha sonora do filme “Orfeu de Carnaval” - A Felicidade - que repetidas vezes tocava durante as noites na Pensão Tabariz, embalou seu aprimorado gosto musical, cuja nobreza de sentimentos ainda hoje lembrada por todos que o conheceram, privaram de sua amizade, foram seus fregueses, frequentadores de suas casas noturnas.



Tristeza não tem fim/ Felicidade sim/ A felicidade é como a gota/ De orvalho numa pétala de flor/ Brilha tranquila/ Depois de leva oscila/ E cai como uma lágrima de amor/ A felicidade do pobre parece/ A grande ilusão do carnaval/ A gente trabalha o ano inteiro/ por um momento de sonho/ Pra fazer a fantasia/ De rei ou de pirata ou jardineira/ Pra tudo se acabar na quarta feira/ Tristeza não tem fim/ Felicidade sim/ A felicidade é como a pluma/ Que o vento vai levando pelo ar/ Voa tão leve/ Mas tem a vida breve/ Precisa que haja vento sem parar/ A minha felicidade está sonhando/ Nos olhos da minha namorada/ É como esta noite/ Passando, passando/ Em busca da madrugada/ Falem baixo, por favor/ Pra que ela acorde alegre como o dia/ Oferecendo beijos de amor/ Tristeza não tem fim/ Felicidade sim.

Zenilo Almada

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Fonte: O Bonde e outras recordações - Zenilo Almada



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