Fortaleza, uma cidade em TrAnSfOrMaÇãO!!!


Blog sobre essa linda cidade, com suas praias maravilhosas, seu povo acolhedor e seus bairros históricos.


quarta-feira, 20 de maio de 2015

Zé Tatá - O Rei da noite


José Vicente de Carvalho era empresário da noite. Possuía várias casas noturnas em Fortaleza, como as pensões Ubirajara, Hollywood e Tabariz*. As casas ganharam nome e fama, ficando na história boemia da cidade. 
Zé Tatá foi o primeiro homem de Fortaleza a assumir sua homossexualidade, anunciando a quem quisesse ouvir que gostava, sim, de homem.
Com quase dois metros de altura e pesando uns 120 quilos, ele era figura de destaque no carnaval de rua. Desfilava no bloco das baianas, vestido de Carmem Miranda. Ele era de uma época em que ser homossexual era coisa do outro mundo. Pois era assumido. Usava sandálias femininas e andava se requebrando, distribuindo simpatia de leste a oeste, sob o olhar curioso das pessoas. Nunca um gaiato teve coragem de fazer piada ou soltar uma pilhéria.
Sua fama de brigão atravessou as divisas do Ceará.


Zé Tatá de baiana ajuda seu amigo "Tereza" com os adereços no carnaval de 1942.
Acervo Diário do Nordeste

"Era conhecido por exigir respeito e não tolerar desrespeitos à sua pessoa. Zé Tatá garantia, por meio da fama de valente, a liberdade de circular pelas ruas do Centro da cidade sem ser importunado pela molecagem cearense. A força física era seu salvo-conduto para ir e vir livre das zombarias contra sua homossexualidade assumida."  Érika Meneses

Participava ativamente das festas carnavalescas. Durante o período momino se fantasiava e fazia parte do Bloco das Baianas. Com seu porte gigantesco, vestido à La Carmem Miranda, ocupava posição de destaque no bloco, recebendo calorosos aplausos de quantos assistiam o corso que se iniciava na Avenida Dom Manuel, percorria a Avenida Duque de Caxias e ia até a Avenida Padre Ibiapina.

Na rua, o homenzarrão despertava a curiosidade de todos, quando circulava sua figura portentosa pelo centro da cidade, sem jamais ser importunado com vaias, assovios, piadas ou pilhérias – uma espécie de marca registrada do centro de Fortaleza – isto porque, o homossexual mais assumido da época, tinha também o seu lado macho e, quando entrava num entrevero, não levava desvantagem. Com fama de brigão e de não levar desaforo para casa, Zé Tatá atravessava o quartel general do Ceará moleque – a Praça do Ferreira – sob olhares curiosos e bocas bem fechadas.

Ficção e realidade se misturam...

A História de Zé Tatá
(Fato fictício real) 
Fortaleza, 1950.

"Zé Tatá era um negrão de mais de um metro e noventa. Chamava atenção, por onde passava, por ser um homem, negro, forte, alto e belissimamente vestido de mulher. Ninguém tinha coragem de dizer qualquer coisa que ofendesse a integridade moral de Zé Tatá (Foto ao lado do Arquivo Nirez).

Mas vamos ao início da história deste personagem sobralense que, nos anos 50 e mais, era a rainha do Carnaval de Rua de Fortaleza : Zé Tatá 
nasceu em Sobral. Aos 2 anos de idade perdeu seu pai, vítima de acidente. Filho único de mãe viúva, foi criado em Fortaleza num conjunto habitacional do Exército do Brasil. Sua mãe ganhava uma modesta pensão e tinha que trabalhar como empregada doméstica pra criar seu filho amado. Zé, como era conhecido pelos colegas, estudou no Colégio Marista, onde também ganhou o apelido de Tatá. Dizem que, quando ele ficava nervoso ao ser repreendido pela professora, dizia: 
- Ta! Ta! Dai virou o Zé Tatá.

Quando menino, passou por todas as fases, foi levado, brigão, namorador... Sempre foi um aluno mediano, mas esforçado. Na adolescência, descobriu que era diferente dos outros meninos. No início, achou estranho, mas rapidamente gostou da ideia. Ele se destacava em todas as atividades que fazia: era ótimo lutador, jogava futebol e queria participar de tudo que envolvia contato físico com os garotos.

Quando estava com 19 anos, foi convidado para se fantasiar de mulher e sair com um grupo de amigos pra desfilar no Carnaval do centro de Fortaleza. Pediu ajuda a sua mãe, que não estranhou, pois aquilo era costume de Carnaval. Ele, então, se montou e se transformou numa mulher de quase dois metros de altura. Salto altíssimo, vestido longo e maquiagem impecável. Decidiu não usar peruca, deixou seu cabelo natural, bem batido, como deve usar um militar. Foi o dia mais feliz na vida de Zé Tata. Lá foi ele realizado, se sentido uma dama. Porém, na vida, nem tudo são flores e, logo que chegou ao centro, uma turma de machões bêbados resolveram brigar com os rapazes.

- Vamos dar porrada nessas raparigas que não gosto de viado, alguém gritou.

Começou aquela pancadaria. Zé Tatá vinha mais atrás e quando chegou perto viu os amigos dele sendo surrados por um bando de bêbados gritando ofensas. O sangue de Zé Tatá nunca ficou tão quente, deu um grito e partiu pra briga. Eram mais de vinte homens cercando Zé Tatá. O primeiro que chegou perto levou um chute na cara, o salto alto de Tatá arrancou sangue do dito cujo que já caiu semimorto. Os outros, vendo aquele negrão enorme ficaram sem saber o que fazer. Zé Tatá partiu feroz para cima deles, derrubando um por um com socos, pontapés, cabeçadas, pernadas... Quando a polícia chegou, o quadro era de trinta homens no chão e uma bicha enorme, gritando, chorando e batendo em quem chegasse perto. Foi preciso mais de dez policiais para conter a ira de Zé Tatá que foi preso e autuado como agressor e perturbador da ordem pública. Ninguém mais foi preso. Só não foi pior porque o Raimundo, um dos amigos que apanharam, defendeu Tatá.

- Vocês não podem fazer isso, ele foi um herói, salvou nossas vidas. Explicou Raimundo para o delegado.

Zé passou a noite na cadeia e foi libertado no outro dia. Sua mãe ficou muito triste, dizem que, por desgosto, morreu duas semanas depois de enfarto. Zé Tata nunca falava da morte de sua mãe, mas todo mundo sabia que ele se culpava. 

O que ninguém sabia é que no dia que Zé Tatá saiu da cadeia, Raimundo foi recebê-lo. Os dois se olharam e se abraçaram. Zé sentiu que naquele abraço havia mais que amizade. Foram andando e começou a chover muito, para se protegerem da chuva, entraram em um pequeno galpão abandonado. Ficaram ali conversando, até que Raimundo arriscou um beijo na boca e Tatá não resistiu. Era a primeira vez que estava beijando um homem. Ali mesmo fizeram juras de amor eterno.

Após a morte da mãe, Raimundo então foi morar com ele. Todo mundo achou estranho, mas ninguém teve coragem de falar nada. Na intimidade, os dois estavam casados. 
Quando surgiram os rumores de que Zé Tatá e Raimundo tinham se juntado e eram gays, Zé tomou uma decisão para acabar com a fofoca, que deixou Raimundo com medo.

- Raimundo, de hoje em diante, a noite, eu só saio vestido com roupas femininas.
Dito e feito, no intimo era uma vontade de Zé, que achara uma oportunidade. Imaginem o escândalo causado, saiu até na imprensa. Todos conheciam a fama de bom de briga e tinham medo do "Grande Negrão", ninguém falava nada. Sempre que Zé Tatá chegava aos recintos noturnos, todo mundo olhava com admiração e respeito. Muitas vezes ele tinha que usar da força e deu porrada em muito bêbado abusado, tendo sido preso por agressão inúmeras vezes. Raimundo, no início, ficava meio sem jeito, mas ele era apaixonado por Zé Tatá e os dois eram um casal feliz.

Um belo dia, aconteceu uma coisa que Zé chamou de presente. Alguém deixou em uma caixa, na porta de sua casa, um bebê de poucos meses de idade, uma menina. Zé e Raimundo pegaram para criar aquele neném e deram-lhe o nome de Ísis. Os dois cuidavam de Ísis como se fossem mães. No aniversário de um ano, Zé preparou uma festa e chamou os amigos e vizinhos.



Todos foram ao aniversario da menina e levaram presentes caros. Ninguém queria encrenca com Zé Tatá. A menina Ísis, cresceu feliz, aos cuidados destes dois homens. Eles a puseram pra estudar nos melhores colégios da cidade. O tempo passou, Ísis cresceu e formou-se em medicina. "Eram uma atípica família brasileira".

Raimundo morreu aos 70 anos. Zé Tatá viveu ainda dez anos sentindo muita saudade de seu companheiro da vida inteira. Era o sonho dele morar no Rio de Janeiro, em Copacabana e Ísis realizou esse sonho, mudando-se para lá com ele. Sua filha cuidou dele até os últimos dias de vida. 
Zé morreu, no Rio, aos 89 anos de idade, vítima de saudade da vida...

Quando se aposentou, Ísis comprou um modesto apartamento na Rua Figueiredo Magalhães, onde mora até hoje.
Copacabana, 2008"


*A Boate Tabariz ficava na Rua Pessoa Anta, 120, onde mantinha música ao vivo. Foi neste estabelecimento que Zé Tatá obteve maior êxito no ramo, pela exuberância do local e pela grande frequência.


Na Boate Tabariz – Zé Tatá era quem abria as festas, rodopiando no salão, escalando para seu par uma dançarina que bem pudesse representar o cabaré. A escolhida era quase sempre uma certa Francisca ou na falta desta, Das Dores ou Clébia. De repente todos os presentes começavam a dançar com muita animação e o cabaré se inflamava com as músicas de diversos ritmos.


Um aspecto que era rigorosamente observado pelo proprietário, dizia respeito aos frequentadores dos seus cabarés, que se porventura, com ele cruzassem nas ruas do centro de Fortaleza ou no Mercado Central, onde diariamente fazia suas compras, demonstrava que não conhecia, ou simplesmente acenava com o olhar, num cumprimento cauteloso, para não ser notado por outras pessoas nem comprometer o nome e a reputação do cliente.


Conforme Nirez, em 06 de dezembro de 1971, segundo determinação do Secretário de Segurança, todos os cabarés deveriam desaparecer do centro de Fortaleza.
A providência começaria pela Boate Fascinação, à rua Major Facundo nº 152; em seguida, a Boate Elite, na rua Floriano Peixoto nº 225; a Boate Miami, rua Major Facundo nº 170; a Boate Emília, rua Pedro Borges nº 130 e a Boate Zé Tatá, rua General Bezerril nº 150.
Posteriormente sairiam as demais.

Em 09 de agosto de 1973, tem inicio a derrubada de antigos imóveis situados na Avenida Alberto Nepomuceno, no cruzamento com a Avenida da Fortaleza de Nossa Senhora da Assunção, que corre ao lado da 10ª RM, para dar lugar às obras de construção de um dos primeiros viadutos de Fortaleza, que ligará a Avenida Marechal Castelo Branco (Leste-Oeste) à rua Franco Rabelo.
Após sua inauguração recebeu o nome oficial de Viaduto da FEB (Avenida Alberto Nepomuceno, esquina com a Rua José Avelino – antiga Rua Mesquita), mas ficou conhecido popularmente como "Tatasão", alusão ao vulto popular Zé Tatá.


Fontes/Créditos: http://www.recantodasletras.com.br/Autores.com.br/ http://blog.jornalpequeno.com.br/ Livro O Bonde e Outras Recordações de Zenilo Almada/ Portal da História do Ceará - Gildásio Sá



3 comentários:

  1. Zozimo Orzabal de la Quintana21 de maio de 2015 10:35

    Graças a Deus temos pessoas como vcs aqui viu? pessoas inteligentes, cultas, saudosistas e apaixonadas pelos velhos e bons "causos" Cearenses.

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  2. Oi vcs poderiam me enviar a receita de beijo de moca feita com fecula de mandioca acucar e leite de coco.desde ja fico agradecido

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    1. Oi Elvis!
      Só conheço com maizena.

      200g de maisena, 2 colheres de sopa de manteiga, 1 ovo e 3 colheres de sopa de açúcar.

      Misture todos os ingredientes e faça bolinhas com as mãos e depois amasse as bolinhas com o auxílio de um garfo e depois coloque para assar em fôrma untada com manteiga e farinha de trigo.
      Deixe no forno por uns 15 minutos, até que os beijinhos estejam sequinhos.

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