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terça-feira, 17 de novembro de 2009

PADARIA ESPIRITUAL 1892-1898


O documentário resgata a história da Padaria Espiritual, o mais original e irreverente movimento artístico-literário que aconteceu no Ceará.

Em janeiro de 1890, O Bond, jornal humorístico que circulava em Fortaleza, ao focalizar Ulisses Bezerra num dos seus "Perfis elétricos", dizia dele, entre outras coisas: "É sócio do grêmio do Café Java." Parece-nos evidente que esse grêmio do Café Java era nada mais nada menos que o embrião da Padaria Espiritual, que surgiria dois anos mais tarde para ser uma das mais originais e importantes agremiações da história cultural do Ceará.


Definição: era uma sociedade literária de grande prestígio, liderada por Antônio Sales. Tinha como filosofia prover o pão do corpo e o pão da alma, passou por duas vezes no seu trajeto existencial;
Pão: Nome do Jornal que publicava os trabalhos realizados pelos membros da sociedade, era também o resultado da produção desenvolvida pelos padeiros (membros da associação).
Fundação:30 de maio de 1892, quando foi inaugurada a 1ª fornada; seu 1ºforno ou sede localizou-se na Rua Formosa N.º 105. A festa terminou com a valsa Pão Duro, composta por Henrique Jorge e a Padaria Espiritual do flautista Nascimento. A 1ª sessão preparatório realizou-se no Café Java – Praça do Ferreira ao ar livre.

Fundadores: Juvino Guedes, Antônio Sales, Raimundo Teófilo de Moura, Álvaro Martins, Henrique Jorge, Livio Barreto, Adolfo Caminha...; eram 20 ao todo, os Padeiros e cada um adotou um nome de guerra.
Composição da Mesa: Padeiro-Mor (Presidente), Juvino Guedes – de 30 de maio de 1892 a 5 de outubro de 1894; dois forneiros(secretário); um Gaveta (tesoureiro), um Guarda Livros (Bibliotecário) e um Investigador das coisas e das gentes (olho de providência). Além de Juvino ocuparam as funções de Padeiro-Mor:
José Carlos Júnior: 1894 a 29 de maio de 1896 quando faleceu ,foi o período mais brilhante da instituição.
Rodolfo Teófilo: 19 de junho de 1896 a 20 de dezembro de 1898. Houve ainda um Padeiro-Mor honorário: Juvenal Galeno, recebeu o título em 27 de setembro de 1895 , no seu 59º aniversário.
A 1ª fase da Padaria terminou em 28 de setembro de 1894 e caracterizou-se pela excentricidade dos atos e dos gestos , foi quase que somente em divertimento , boêmia e desordem (alegria, despreocupação e desordem); mesmo assim já eram produzidos trabalhos literários importantes; uma das sessões realizadas em outubro de 1892 era lido um capítulo do romance A Normalista obra de Adolfo Caminha que gerou grande polêmica.
A 2ª fase da Padaria de 25 de setembro de 1894 a 20 dezembro de 1898, data de sua extinção. Houve uma reorganização tendo sido admitido mais 14 sócios, entre eles: Rodolfo Teófilo, Antônio Bezerra, Roberto de Alencar, Cabral de Alencar e Eduardo Sabóia; foi eleita uma nova diretoria. Nessa fase apresenta-se como “uma sociedade literária grave; preocupou-se com a publicação de livros, sem eliminar o espírito brincalhão época de seriedade e trabalho.
Jornal "O Pão": periódico quinzenal e porta voz da Padaria; teve 2 fases.




Carimbo da Padaria - 1992 – Centenário da Padaria Espiritual (de 20 a 25/01/1982)


1ª fase: de 1º de junho de 1892 a novembro; estampava em suas páginas em maior escala a irreverência - espírito de troça.
2ª fase: janeiro de 1895 até outubro de 1896, nesse período publicaram alguns capítulos dos principais livros e muitos dos trabalhos principais produzidos pelos padeiros. Foi publicado inicialmente pela Tipografia da República e depois pela Tipografia Studart, na Rua Famosa 46.
Locais das Sessões: O Forno funcionou inicialmente na Rua Formosa (Barão do Rio Branco) nos n.ºs. 105, 106 e 11 consecutivamente, tinha como mobília uma mesa rústica com cadeiras utilizadas nas sessões, daí saiu e passou a realizar as sessões nas residências dos padeiros, com a presença de senhoras e cavalheiros que assistiam a leitura de versos e prosas, faziam música e acabava em urna mesa de chá e bolos. Quando não aconteciam no forno, as reuniões eram realizadas no Café Java, num quiosque preparado especialmente ao lado, pelo proprietário Mané Côco. Na última fase a em que Rodolfo Teófilo era Padeiro-Mor (1896 1 1898), a Padaria teve como única sede a sua casa e como padroeira intelectual e domestica sua esposa D. Raimundinha; as reuniões eram semanais.
Livros editados pela Padaria: Phantos, de Lopes Filho; Flocose Vargas, de Sabino Batista (1894 - 1896); Contos do Ceará, de Eduardo Sabóia; Trovas do Nordeste, de Antônio Sales; Os Brilhantes, Maria Rita e Violação, de Rodolfo Teófilo; Versos e Marinhas, de Antônio de Castro; Chromos, de Xavier de Castro; Dolentes, de Lívio Barreto; Perfis Sertanejos, de José Carvalho. A Padaria representou o período áureo da história das letras regionais, fazendo com que a intelectualidade brasileira se voltasse para o Ceará aumentando positivamente o conceito do Estado a nível nacional.

A instalação contou com programa escrito por Antônio Sales, o qual foi transcrito em um jornal da então capital federal, o Rio de Janeiro, o que deu notoriedade ao movimento. A cada domingo, um jornalzinho de oito páginas chamado O Pão era "amassado" e fez circular 36 números, até que em dezembro de 1898, depois de 6 anos de atividades, a Padaria fecha. Os títulos dos membros desta academia seguiam o padrão usado nas padarias reais:

Forno: a sede do movimento
Padeiro-mor: o presidente
Forneiros: os secretários
Gaveta: tesoureiro
Investigador das cousas e das gentes: bibliotecário
Amassadores: sócios
Em 1992, ano do centenário da Padaria Espiritual, um grupo que reuniu escritores, artistas plásticos, músicos e amantes da arte decidiu por as mãos na massa e voltar a produzir O Pão que, da mesma forma que seu antecessor, passou a oferecer alimento fino para a alma: literatura.

Alguns amassadores e seus nomes de guerra


Adolfo Caminha - Félix Guanabarino
Antônio Bezerra - André Carnaúba
Antônio Sales - Moacir Jurema
Artur Teófilo - Lopo de Mendoza
Cabral de Alencar - Abdhul Assur
Eduardo Sabóia - Braz Tubiba
Henrique Jorge - Sarasate Mirim
José Carvalho - Cariri Braúna
José Maria Brígido - Mogar Jandira
José Nava - Gil Navarra
Juvenal Galeno
Jovino Guedes - Venceslau Tupiniquim
Lívio Barreto - Lucas Bizarro
Roberto de Alencar - Benjamim Cajuí
Rodolfo Teófilo - Marcos Serrano
Sabino Batista - Sátiro Alegrete
Temístocles Machado - Túlio Guanabara
Ulisses Bezerra - Frivolino Catavento

O poeta Lívio Barreto, se vivo fosse, teria completado 139 anos em 18 de fevereiro de 2009.
  

Com o pseudônimo de Lucas Bizarro, foi um dos fundadores da Padaria Espiritual, irreverente grêmio literário cearense.

“Dolentes”, seu livro póstumo é o maior representante cearense do Simbolismo, movimento artístico de ruptura ao Realismo, cuja vertente poética foi denominada Parnasianismo. O Simbolismo, assim, redescobre a subjetividade, o sentimento, a imaginação e a espiritualidade. Em justiça à memória do poeta que faleceu aos 25 anos, a Secretaria da Cultura do Estado do Ceará publica Dolentes, único livro de Lívio Barreto, e faz o lançamento no dia 23 de abril de 2009, às 19h, na Casa de José de Alencar, dentro das comemorações do Dia Internacional do Livro.







<---1ª Edição e 


















Edição póstuma 2009--->



Saiba mais da Padaria Espiritual aqui



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8 comentários:

  1. Olá Leila meu nome é Silas, sou de Pernambuco e pernambucano dos mais bairristas, rs, também tenho uma verdadeira devoção pelo meu estado, apesar de estar vivendo longe dele. Hoje estava conversando com um tio e ele me contou sobre uma situação que viveu em um lugar chamado Padaria Espiritual em Fortaleza há cerca de vinte anos, uma situação impar que denota as maravilhas, por assim dizer, de um lugar tão singular. Tal narrativa aguçou a minha curiosidade o que me fez pesquisar sobre esta 'Padaria Espiritual', mas infelizmente só conseguí descobrir sobre a história, não encontrei informações de endereço nem informações atuais. Será que tu poderias me informar a respeito?! Preciso saber se ainda está em funcionamento, se possível o endereço, estas coisas. Desde já eu te agradeço. Eu tinha um perfil no Blog mas por falta de tempo para manter tive que apagar, mas se poderes me esponder meu e-mail é silas-maciel@hotmail.com
    Um abraço,
    Silas Maciel.

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  2. Leila, tentei te enviar um e-mail com o mesmo conteudo do meu último comentário, e o nick do e-mail é NOBREMACIEL, teu sobrenome é Maciel?!

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  3. Eu tentei te enviar um e-mail com o mesmo conteudo do meu último comentário e ví u teu endereço eltrônico, teu sobrenome também é MACIEL?!

    Silas Maciel

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  4. Oi Silas!
    A Padaria Espiritual funcionou até 20 de Dezembro de 1898 e depois foi extinta, infelizmente.

    Quanto ao meu sobrenome, sim, tbm sou uma Maciel rsrs

    Abraços e obrigada pelos comentários

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  5. Sou Roque Araujo. Parabena pelo trabalho que vejo em site!Estou buscando cópia documento da planta da praça do ferreira. Muito grato pela atenção de todos os senhoes> Elicio.

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  6. Conhecendo conteúdo Maravilhoso da página....já conhecia mas nunca visitei....aguardando tempo.Bom Dia

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  7. Leila, bom dia!
    Eu gostaria muito de saber os nomes de todos os livros da Biblioteca da Padaria Espiritual.
    Desde já, agradeço.

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