Fortaleza Nobre | Resgatando a Fortaleza antiga : Personalidades - Bezerra de Menezes [notification_tip][/notification_tip]
Fortaleza, uma cidade em TrAnSfOrMaÇãO!!!


Blog sobre essa linda cidade, com suas praias maravilhosas, seu povo acolhedor e seus bairros históricos.


sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Personalidades - Bezerra de Menezes



Adolfo Bezerra de Menezes Cavalcanti, nasceu na Freguesia de Riacho do Sangue, hoje Jaguaretama, em 29 de agosto de 1831 e faleceu na manhã de 11 de abril de 1900, no Rio de Janeiro.
Intelectual, médico, militar, escritor, jornalista e político de peso na sua época, teve grande atuação na capital do Império, embora seja mais lembrado pela dedicação aos pobres como médico e pela divulgação do Espiritismo, doutrina que aderiu aos 55 anos.
Entre 1842 e 1846 viveu na Serra dos Martins (RN), devido à perseguição a sua família devido à aproximação com o Partido Liberal. De volta ao Ceará, matriculou-se no Liceu do Ceará, onde concluiu o curso secundário. Em 1851 mudou-se para o Rio de Janeiro, onde fez o curso de medicina e ficou conhecido como "Médico dos Pobres" - atendendo gratuitamente os enfermos carentes. Tornou-se 2º Cirurgião-Tenente do Corpo de Saúde do Exército, membro da Academia Imperial de Medicina, membro honorário no Instituto Farmacêutico e, mesmo do Rio de Janeiro, presidiu a Sociedade Beneficência Cearense. Dez anos depois de mudar-se para o Rio de Janeiro, entra para o cenário político como vereador, pelo Partido Liberal. Representou o Rio de Janeiro ainda como Deputado Geral até 1885.
Abolicionista e opositor da monarquia, trabalhou sempre pelos mais fracos. Depois de 11 anos de intimidade com o Espiritismo, adotou-o oficialmente em 1886. E a partir desse período, passou a dedicar-se à doutrina, contribuindo para a sua divulgação e presidindo a Federação Espírita por duas vezes.
Infância e juventude

Descendente de antiga família de fazendeiros de criação, ligada à política e ao militarismo na Província do Ceará, era filho de Antônio Bezerra de Menezes (tenente-coronel da Guarda Nacional) e de Fabiana de Jesus Maria Bezerra.

Em 1838, aos sete anos de idade, ingressou na escola pública da Vila Frade (adjacente ao Riacho do Sangue), onde, em dez meses, aprendeu os princípios da educação elementar.

Em 1842, como consequência de perseguições políticas e dificuldades financeiras, a sua família mudou-se para a antiga vila de Maioridade (serra do Martins), no Rio Grande do Norte, onde o jovem, então com onze anos de idade, foi matriculado na aula pública de Latim. Em dois anos já substituía o professor em classe, em seus impedimentos.

Em 1846, a família retornou à Província do Ceará, fixando residência na capital, Fortaleza. O jovem foi matriculado no
Liceu do Ceará, onde concluiu os estudos preparatórios.

A carreira na Medicina

Em 1851, ano de falecimento de seu pai, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde, naquele mesmo ano, iniciou os estudos de Medicina na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro.

No ano seguinte (1852), ingressou como praticante interno ("residente") no hospital da Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro. Para prover os seus estudos, dava aulas particulares de Filosofia e Matemática.

Obteve o doutoramento (graduação) em 1856, com a defesa da tese: "Diagnóstico do cancro". Por essa altura, abandonou o último patronímico e modificou o "s" de Meneses para "z", passando a assinar-se simplesmente como Adolfo Bezerra de Menezes. Nesse ano, o Governo Imperial decretou a reforma do Corpo de Saúde do Exército Brasileiro, e nomeou para chefiá-lo, como Cirurgião-mor, o Dr. Manuel Feliciano Pereira Carvalho, antigo professor de Bezerra de Menezes, e que o convidou para trabalhar como seu assistente.

A 27 de Abril de 1857 candidatou-se ao quadro de membros titulares da Academia Imperial de Medicina com a memória "Algumas considerações sobre o cancro, encarado pelo lado do seu tratamento". O académico José Pereira Rego leu o parecer na sessão de 11 de Maio, tendo a eleição transcorrido na de 18 de Maio e a posse na de 1º de Junho do mesmo ano.

Em 1858 candidatou-se a uma vaga de lente substituto da Secção de Cirurgia da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro. Nesse ano saiu a sua nomeação oficial como assistente do Corpo de Saúde do Exército, no posto de Capitão-tenente e, a 6 de Novembro, desposou Maria Cândida de Lacerda, que viria a falecer de mal súbito em 24 de Março de 1863, deixando-lhe dois filhos, um de três e outro de um ano de idade. 

 No período de 1859 a 1861 exerceu a função de redactor dos Anais Brasilienses de Medicina, periódico da Academia Imperial de Medicina.

Em 1865 desposou, em segundas núpcias, Cândida Augusta de Lacerda Machado, irmã por parte de mãe de sua primeira esposa, e que cuidava de seus filhos até então, com quem teve mais sete filhos.
Trajetória política

Nesse período a Câmara Municipal do Município Neutro tinha como presidente Roberto Jorge Haddock Lobo, do Partido Conservador. Ao mesmo tempo, Bezerra de Menezes já se notabilizara pela actuação profissional e pelo trabalho voltado à população carente. Desse modo, em 1860, em uma reunião política, alguns amigos levantaram a candidatura de Bezerra de Menezes, pelo Partido Liberal, como representante da paróquia de São Cristóvão, onde então residia, à Câmara. Ciente da indicação, Bezerra recusou-a inicialmente, mas, por insistência, acabou se comprometendo apenas em não fazer uma declaração pública de recusa dos votos que lhe fossem outorgados.

Abertas as urnas e apurados os votos, Bezerra fora eleito. Os seus adversários, liderados por Haddock Lobo, impugnaram a posse sob o argumento de que militares de Segunda Classe não podiam exercer o cargo de Vereador. Desse modo, para apoiar o Partido, que necessitava dele para obter a maioria na Câmara, decidiu requerer exoneração do Corpo de Saúde (26 de Março de 1861). Desfeito o impedimento, foi empossado no mesmo ano.

Foi reeleito vereador da Câmara Municipal do Município Neutro para o período de 1864 a 1868.

Foi eleito deputado Provincial pelo Rio de Janeiro em 1866, apesar da oposição do então primeiro-ministro
Zacarias de Góis e dos chefes liberais - senador Bernardo de Sousa Franco (visconde de Sousa Franco) e deputado Francisco Otaviano de Almeida Rosa. Empossado em 1867, a Câmara dos Deputados foi dissolvida no ano seguinte (1868), devido à ascensão do Partido Conservador.

Retornou à política como vereador no período de 1873 a 1885, ocupando várias vezes as funções de presidente interino da Câmara Municipal, efectivando-se em Julho de 1878, cargo que corresponderia actualmente ao de Prefeito.

Foi eleito deputado geral pela Província do Rio de Janeiro no período de 1877 a 1885, ano em que encerrou a sua carreira política. Neste período acumulou o exercício da presidência da Câmara e do Poder Executivo Municipal. Foi membro, a partir de 1882, das Comissões de Obras Públicas, Redação e Orçamento.


Vida empresarial

Foi sócio fundador da Companhia Estrada de Ferro Macaé e Campos (1870). Empenhou-se na construção da Estrada de Ferro Santo Antônio de Pádua, pretendendo estendê-la até ao rio Doce, projecto que não conseguiu concretizar (c. 1872). Foi um dos directores da Companhia Arquitetônica de Vila Isabel, fundada em Outubro de 1873 por João Batista Viana Drummond (depois barão de Drummond) para empreender a urbanização do bairro de Vila Isabel. Em 1875, foi presidente da Companhia Ferro-Carril de São Cristóvão, período em que os trilhos da empresa alcançavam os bairros do Caju e da Tijuca.

Militância intelectual


Durante a campanha abolicionista publicou o ensaio "A escravidão no Brasil e as medidas que convém tomar para extingui-la sem danos para a Nação" (1869), onde não só defende a liberdade aos escravos, mas também a inserção e adaptação dos mesmos na sociedade por meio da educação. Expôs os problemas de sua região natal em outro ensaio publicado, "Breves considerações sobre as secas do Norte" (1877). Alguns indicam que foi autor de biografias sobre o visconde do Uruguai e o visconde de Caravelas, personalidades ilustres do Império do Brasil. Foi redactor de "A Reforma", órgão liberal no Município Neutro, e, de 1869 a 1870, redator do jornal "Sentinela da Liberdade".
Bezerra de Menezes: o filme




A vida de Bezerra de Menezes foi transposta para o cinema, na película "Bezerra de Menezes - O Diário de Um Espírito", com direção de Glauber Santos Paiva Filho e Joel Pimentel. O elenco é integrado por Carlos Vereza no papel título, Caio Blat e Paulo Goulart Filho, e com a participação especial de Lúcio Mauro. A produção foi orçada em 1,7 milhões de Reais, a cargo da Trio Filmes e Estação da Luz, com locações no Ceará, Pernambuco, Distrito Federal e Rio de Janeiro, tendo envolvido a mão-de-obra de uma equipe de cento e cinquenta pessoas. O lançamento do filme deu-se em 29 de Agosto de 2008.





O projeto cinematográfico Bezerra de Menezes-Médico dos Pobres utiliza reconstituições e depoimentos para transitar por uma história repleta de exemplos edificantes de amor e moral.

A vida de nosso personagem começa em 1831 na localidade de Riacho do Sangue, Ceará. No universo sertanejo forjou seu caráter e aos dezoito anos inicia no Rio de Janeiro seus estudos de medicina. Na Capital da República foi um grande abolicionista e elegeu-se vereador e deputado em várias legislaturas. Porém, o trabalho anônimo em favor dos mais humildes foi que lhe trouxe o maior reconhecimento de seu povo, que o chamava Médico dos Pobres.

Sua trajetória foi marcada pelo amor e pela caridade. Seja como o político devotado às causas humanitárias ou como o médico conhecido por jamais negar socorro a quem batesse à sua porta. Um exemplo de homem que fez da sua vida um meio de servir ao próximo e à sua pátria...

Contar a vida desse ilustre Cearense é um projeto que ambiciona, mais do que prestar tributo à um grande homem, possibilitar, através do audiovisual, o contato do grande público com as minúcias do seu pensamento e conhecer passagens relevantes de sua vida para melhor compreender a magnitude da sua obra.
Artigos e obras publicadas

 
1856 - "Diagnóstico do cancro"
1857 - "Algumas considerações sobre o cancro, encarado pelo lado do seu tratamento"
1869 - "A Escravidão no Brasil, e medidas que convém tomar para extingui-la sem dano para a Nação"
1877 - "Breves considerações sobre as secas do Norte"
"Algumas considerações sobre o cancro, encarado pelo lado do seu tratamento"
"Das operações reclamadas pelo estreitamento da uretra"
Biografia de Manuel Alves Branco, visconde de Caravelas
Biografia de Paulino José Soares de Sousa, visconde do Uruguai
1892 - publicação da sua tradução de Obras Póstumas, de Allan Kardec
1902 - "A casa assombrada" (romance originalmente publicado no Reformador e, postumamente, em livro, pela FEB)
1907 - "Espiritismo (Estudos Filosóficos)" (colectânea dos artigos publicados em O Paiz no período de 1877 a 1894, publicada pela FEB em três volumes)
1983 - "Os Carneiros de Panúrgio" (romance originalmente publicado no Reformador e, postumamente, em livro, pela FEESP)
1946 - "A Doutrina Espírita como Filosofia Teogônica" ou "Uma carta de Bezerra de Menezes" (réplica a seu irmão que lhe exprobrava a conversão ao Espiritismo, publicada postumamente, em livro, pela FEB)
1920 - "A Loucura sob novo prisma" (estudo etiológico sobre as perturbações mentais, publicado pela FEB)
"Casamento e mortalha" (romance, incompleto)
"Evangelho do Futuro"
"História de um Sonho"
"Lázaro, o Leproso"
"O Bandido"
"Os Mortos que Vivem"
"Pérola Negra"
"Segredos da Natura"
"Viagem através dos Séculos"
Morre Dr. Bezerra - O médico dos pobres


Em janeiro de 1900, Dr. Bezerra sofreu violento derrame cerebral, que o prostrou em uma cama. Durante três meses Adolfo Bezerra de Menezes Cavalcanti agonizou sem poder falar ou se movimentar. Só os olhos ainda se moviam. A notícia correu a cidade e causou verdadeira peregrinação à casa do médico, no subúrbio modesto. Assim como acontecia no seu consultório, pobres e ricos misturaram-se em sua casa para visitar o doente.
A cena era singular: cada pessoa entrava uma a uma no quarto onde estava Bezerra , sentava-se em uma cadeira, não falava nada,— já que ele não poderia responder — ficava alguns minutos e saía comovida pelo olhar que Bezerra lhe dirigia. A procissão seguiu-se dia e noite.

No dia 11 de abril de 1900, na casa da Rua 24 de maio, Bezerra de Menezes falece. A cidade agitou-se com a notícia da morte, estando presente no sepultamento do Médico dos Pobres e prestando-lhe homenagens.

Sua época
“Meu Ceará, já estás mui longe (...)
Não desanimes com o abandono
em que te deixam. Teu braço de
ferro não é dos descaem diante
das dificuldades.”

“Éramos passageiros que se
acotovelavam melhor para
verem o gigante de pedra, que
guarda a entrada da primeira
Baía do Mundo.”

“É preciso ter assistido a essas cenas, ter
passado no meio delas, para poder fazer
idéia de todo o seu horror!”

“A liberdade (...) É um direito absoluto e
eterno de criação divina; a autoridade é
um fato, ou, se quiserem, um direito,
porém fato ou direito transitórios,
passageiros e contingentes, de criação
humana.”




Fonte: Wikipédia e pesquisas na internet

5 comentários:

  1. A cada "passeio" pelo seu "blog", Leila, fico mais encantada e mais surpresa. Clequei em LICEU e me deparo com foto de Bezerra de Menezes e excelente biografia. Ele estudou no Liceu na época que seu irmão mais velho, Manoel Soares Bezerra de Menezes e outro irmão Theófilo Rufino Bezerra de Menezes eram profesores daquela casa.
    Tonho orgulho (sei que é pecado!) de lhe informar que sou BISNETA materna de Manoel, portanto sou sobrinha-bisneta do Dr. Bezerra.
    B.Paiva, meu irmão mais velho, teatrólogo, partcipou do filme sobre Bezerra. Apenas para "ilustrar" sua matéria, me permita, Leila!
    Encantada!!!!
    Lúcia Bezerra Paiva

    ResponderExcluir
  2. Pois saiba que orgulhosa estou eu de está sendo presenteada com tantos comentários maravilhosos de uma bisneta do mestre Francisco e sobrinha bisneta do Dr. Bezerra, que luxo!!! rsrs

    Mais uma vez reitero o que disse, seus comentários são cheios de riqueza de detalhes, parabéns!

    Ahhhhhhh acho que vi seu irmão outro dia num programa daqui falando sobre nosso maravilhoso Teatro José de Alencar, será que falamos da mesma pessoa? rs

    Beijos

    ResponderExcluir
  3. Falamos do mesmo B. rsrsr! (B., é de Bezerra ).
    Para o tombamento do Theatro José de Alencar, foi um dos que mais lutou. Na época ele era chefe do Dep. de Cultura da então Secretaria de Educação e Cultura (juntas assim),Gov.Virgílio Távora (eu trabalhava com êle, no próprio teatro). Tempo muito rico para o teatro cearense,aquele!
    B. de Paiva, José Maria, é meu mano mais velho
    Também fiz algumas "estripulias" naquele lindo palco centenário!
    È imenso meu prazer emo trocar palavras, sobre nossa amada Fortaleza!
    Grande abraço....eu volto...rs!

    ResponderExcluir
  4. Seu irmão além de muito inteligente(herança de família, de certo!)me pareceu ser bem simpático e estava super à vontade frente às câmeras, parabenize-o por mim! :)
    E sem dúvida todos os cearenses deveriam agradecê-lo por ter lutado para o então tombamento desse que é sem dúvida um dos símbolos mais expressivos de nossa capital, o magnífico Theatro José de Alencar.
    Outro dia levei minhas filhas para conhecer o José de Alencar e elas ficaram admiradas com aquele luxo todo, tiramos várias fotos, pena que de celular, porq na pressa esqueci a máquina na cama¬¬ Elas subiam e desciam as escadarias e não se continham em elogiar o Teatro, queriam porq queriam entrar na sala de espetáculos que estava fechada, infelizmente!

    ResponderExcluir
  5. Que legal, minha Avó é Neta sobrinha do Bezerra de Menezes. E prima legitima do Humberto e Adauto Bezerra de Menezes, e também do Adhemar Bezerra Albuquerque. Hoje ela tem 90 anos, tem muito historia pra contar, uma verdadeira Historia Viva.

    ResponderExcluir

NOTÍCIAS DA FORTALEZA ANTIGA: