Fortaleza Nobre | Resgatando a Fortaleza antiga : Restauração descaracteriza monumento Iracema [notification_tip][/notification_tip]
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sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Restauração descaracteriza monumento Iracema




Filgueiras Lima, quando discursava em homenagem ao Presidente Castelo Branco, na Inauguração do monumento de Iracema em 1965


Trabalho, realizado por frequentador, teve resultado desastroso

A estátua da índia Iracema, da avenida Beira-mar, não é mais a mesma. O monumento, que não tem nenhuma proteção contra o vandalismo, também sofre com a ação do tempo. Cansado de esperar pelo poder público, um frequentador do local decidiu fazer uma restauração por conta própria, mas a emenda ficou, literalmente, pior do que o soneto.
Qualquer pessoa pode subir no monumento mais visitado pelo turista, um dos mais queridos do cearense. A estátua de Iracema não tem grade de proteção, não tem vigilância, logo, vira um brinquedo de crianças e adultos. Por falta de manutenção, segundo testemunhas, um frequentador decidiu restaurar a estátua. A iniciativa foi boa, mas o resultado, desastroso.
Alguns pequenos detalhes estão faltando. Precisaria fazer uma nova reforma”, afirma a esteticista Suely Ferreira.

Monumento a Iracema em 1965- Acervo O Povo

O restaurador César Teles fez o primeiro reparo na estátua, há 33 anos. O artista conhece bem a história e tem fotos que mostram as formas originais do monumento. Ele ficou impressionado com o que chamou de ‘jogo dos sete erros’: a mão esquerda da Iracema mudou de posição e perdeu os dedos; a mão e o braço emendam no corpo; o arco de ferro não foi recolocado na mão da Índia; a concha que ampara o filho Moacir está mais côncava; a cabeça do menino está desfigurada; na jangada, o remo está torto; e a perna, o braço e a mão do guerreiro Martim Soares Moreno engordaram, depois de receberem uma camada de massa.
Restaurações feitas aleatoriamente acabam fazendo uma transformação. Numa restauração, você não pode modificar o original. Seria como uma versão de uma música. Você pode dar uma nova interpretação, mas não pode mudar a letra. Ele mudou o tom, a letra, trocou as bolas”, explica César Teles.

O monumento em homenagem a Iracema, personagem do escritor José de Alencar, foi inaugurada em 1965, na Praia do Mucuripe, local onde, conta a lenda, Iracema esperava saudosa o retorno de Martins Soares Moreno.
A obra, de autoria do artista pernambucano Corbiniano Lins, foi esculpida em estilo expressionista e infelizmente não agradou a todos, sendo que alguns críticos a consideram uma combinação imperfeita do estilo moderno com o acadêmico, devido às distorções corporais: pernas grossas, longas e seios desproporcionais. O autor não retratou só a personagem símbolo do romance, ele narra o momento em que o guerreiro branco, seu filho e seu fiel cão deixam nossa praia em uma frágil jangada. As estátuas são esculpidas em concreto e revestidas em gesso e lembram a miscigenação entre índios e brancos, assim como a grandeza da obra deixada por José da Alencar.



A "recuperação" da estátua realizada inúmeras vezes antes pelo escultor e restaurador, César Perez, desta vez deixou o mesmo contrariado. Isto porque o monumento ficou totalmente descaracterizado, segundo o artista. O risco, admite ele, é que mais uma ou duas restaurações dessas, a imagem de Iracema (a virgem dos lábios de mel) já não mantenha mais nenhuma característica da obra original.



Realizada em concreto, pela ação da chuva, sol, maresia e depredação das pessoas, a estátua já necessitava de novos reparos, os quais devem ser realizados adequadamente, com material especial, uma vez que não se pode misturar cimento antigo com novo. “O filho de Iracema, Moacir, está completamente deformado. Ele havia sido quebrado e não foi possível fazer uma restauração do mesmo nível, não entendo porquê. A própria Iracema está mais gorda”, denuncia.

César Peres, que tem 54 anos, conta que desde 1976 faz restauros dos monumentos públicos para a Prefeitura de Fortaleza.

A última vez que restaurou a estátua de Iracema foi em 2005. De lá para cá, a depressão retirou vários elementos do conjunto da obra.
Restaurar é conservar o mais semelhante ao original. Basta observar um carro 2000, que se insistir em colocar um novo párachoque 2009, perde totalmente sua concepção original”.
No restauro da estátua da Praia de Iracema, recorda que sugeriu colocar peso da cintura para baixo, na estátua, a fim de evitar as oscilações do monumento, as quais favorecem a depredação.





Reportagens antigas já denunciavam o descaso:

°°°Estátua de Iracema é usada como playground e manobras de skate°°°

Apesar de ser um dos principais cartões-postais de Fortaleza, a Estátua de Iracema encontra-se em verdadeiro estado de abandono. Além da depredação por parte dos próprios cidadãos, a falta de manutenção compromete ainda mais a estrutura da estátua.

Na última quinta-feira, vi um grupo de rapazes fazendo manobras de skate nas escadas e muretas que circundam a estátua. Qual o sentido de fazer isso se eles já têm uma área ali perto para brincar de skate? Liguei duas vezes para a Guarda Municipal, mas depois de muita espera ao telefone nada foi feito” - reclama uma moradora das proximidades.

A estátua foi inaugurada por conta do centenário da obra homônima do escritor cearense José de Alencar. A estátua representa a virgem dos lábios de mel ao lado da jangada em que, de acordo com a descrição do livro, o português Martim Soares Moreno leva Moacir, o filho que ele teve com a índia e o primeiro brasileiro, de volta a Portugal.

A estátua foi recuperada em abril de 2006, para as comemorações do aniversário de 280 anos da Capital cearense. Mas com menos de dois anos depois da restauração, a obra do artista plástico pernambucano Corbiniano Lins já está seriamente depredada pelas pessoas que visitam ou passam pelo local, além de sofrer com os efeitos corrosivos da maresia.

De acordo com o barraqueiro João Alexandre Carneiro, que trabalha logo atrás da estátua há 20 anos, durante a noite muito pais levam as crianças para ver a estátua, e elas acabam usando o local como uma espécie de playground.

Eu acho que a pessoa pode até chegar perto da estátua, tirar uma foto, mas não ficar correndo em cima como se fosse um brinquedo. As crianças pulam, sobem na estátua e os pais simplesmente deixam”, opina o barraqueiro.

O uso indevido da área provoca rachaduras na estrutura da obra, que vão aumentando com a falta de manutenção até alcançar a parte de sustentação das estátuas, que são corroídas e enferrujadas pelo efeito da maresia e do tempo.


No local onde fica a jangada, o bebê Moacir foi arrancado, sobrando apenas pequenos pedaços. A parte que representa o personagem Martim é a mais prejudicada, já que possui buracos em vários pontos, deixando a estrutura de ferro exposta. A própria Iracema não foi poupada: teve as mãos quebradas e o arco que segurava, arrancado. A placa comemorativa da estátua, onde há o registro da restauração feita há dois anos, também está quebrada.

É muito triste ver uma obra bonita como essa tão destruída, ainda mais por quem mora aqui”, lamentou a turista norte-americana Jacqueline Graves, que passeava com as duas filhas pequenas pela Beira-Mar.
A turista disse que, apesar da beleza da obra, esperava uma melhor conservação das obras públicas em sua primeira visita à Capital cearense.

°°°Estátua de Iracema precisa de uma nova reforma°°°

Passados dois anos de sua reforma a estátua de Iracema, localizada na Volta da Jurema, necessita de uma reforma. Se ela não acontecer, os turistas irão encontrar um dos ícones de Fortaleza com o ferro da armação exposto.

Perto do início da alta estação turística e do período de férias a estátua de Iracema, localizada na Volta da Jurema, está muito deteriorada. A ferrugem toma conta da armação que sustenta a obra. O arco da Iracema há muito tempo sumiu. O ferro de sustentação de sua mão também é visível. Pedaços de cimento caem dos braços e pernas de Martins Soares Moreno, que compõe a obra, deixando sua armação exposta à maresia. De Moacir, o filho de Iracema com Martins Soares Moreno no romance Iracema, de José de Alencar, resta apenas a armação de ferro. A jangada de cimento também apresenta vários buracos.

A obra foi restaurada há pouco mais de dois anos, depois que o local foi escolhido como um dos ícones de Fortaleza. O monumento foi o primeiro dos 13 presentes que a Prefeitura restaurou em comemoração aos 280 anos da Capital, em abril de 2006. Na época, a meta era entregar uma obra restaurada por mês. Em junho do ano passado O POVO publicou matéria mostrando que a estátua e outros monumentos recuperados já apresentavam desgastes.

Edimar José de Morais, 57, proprietário da barraca É, ao lado da estátua, reclama da falta de conservação do local. Ele diz que a obra foi se deteriorando aos poucos e ninguém tomou providência. De longe a estátua atrai. Mas basta chegar mais próximo para ver a deterioração da peça. "As pessoas poderiam vir mais por aqui, se estivesse mais em ordem. O policiamento melhorou bastante, falta melhorar o resto".

Quem visitou o local ontem foi o casal Célia Costa, 54, e Antônio Carlos, 56. Eles foram levar os netos para um passeio de tarde na Beira Mar. Os dois disseram que não haviam reparado muito nas estátuas quebradas. "Faz uns quatro meses que viemos aqui e não tínhamos notado. Mas olhando agora está bem ruim, muita coisa quebrada. Deveriam consertar isto aqui", diz Célia Costa, enquanto um dos netos brinca nas estátuas.



Segundo a assessoria de comunicação da Secretaria Executiva Regional II (Ser II), existe um projeto de recuperar toda a avenida Beira Mar. Em novembro deste ano a Justiça acatou um pedido do Ministério Público Federal de recuperar toda a orla da avenida em um prazo de até 180 dias. Durante este período, a Prefeitura terá que apresentar um projeto completo, incluindo os prazos de execução e os recursos para a restauração da avenida e seus equipamentos. Ainda de acordo com a assessoria, a Prefeitura deverá realizar um Concurso Nacional de Idéias, para escolher o melhor projeto de reurbanização da avenida Beira Mar.

Passados mais de 40 anos, a estátua já passou por várias recuperações, sendo que a última foi realizada em abril de 2006, em comemoração aos 280 anos de Fortaleza.

Em fevereiro deste ano, foi publicada na coluna O POVO nos Bairros a informação de que pessoas que praticavam caminhada na avenida Beira Mar reclamavam do estado de abandono da obra. Em resposta, a Secretaria Executiva Regional II informou em resposta que estava em fase final de contratação da Associação dos Artistas Plásticos Profissionais do Ceará para a recuperação da estátua.

O trabalho, segundo a assessoria, envolveria lixamento da estrutura de ferro, seguida de um banho com produto isolante; picotamento, cobertura e amassamento das fissuras e rachaduras, além da reconstituição de partes que não existem, como a mão esquerda de Iracema. O trabalho seria concluído em um mês.


Em um mês...aham...

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