Fortaleza Nobre | Resgatando a Fortaleza antiga : O nascimento de Messejana II [notification_tip][/notification_tip]
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Blog sobre essa linda cidade, com suas praias maravilhosas, seu povo acolhedor e seus bairros históricos.


quinta-feira, 2 de junho de 2011

O nascimento de Messejana II


Lagoa de Messejana - Foto de Chico Monteiro

Messejana originou-se de uma aldeia de índios Potiguaras que, segundo o historiador cearense Antônio Bezerra, no seu livro, "Algumas Origens do Ceará", já existia antes da chegada do capitão-mor Pero Coelho de Souza em 1603.
Em 1607, procedentes de Pernambuco e em trânsito para o Maranhão, chegavam ao Ceará, os padres Francisco Pinto e Luís Figueira, missionários da Companhia de Jesus. Eles desembarcaram próximo à foz do rio Jaguaribe em companhia de alguns índios cristianizados. (O Pe. Francisco Pinto já era conhecido e querido dos índios locais, tendo em vista haver estado entre eles em missão catequética). De Jaguaribe rumaram a pé, sempre afastados da costa, seguindo a rota que os indígenas conheciam para alcançar o Maranhão. À medida que caminhavam, "Iam reforçando a comitiva de novos selvagens parentes ou conhecidos que já vinham agregados a ela". Chegando à primeira aldeia potiguara, que mais tarde receberia o nome de São Sebastião da Paupina, os missionários se "limitaram apenas em comunicar-se com os índios e instruí-­los, e os deixando sossegados, prosseguiram viagem".


Conforme o Barão de Studart, na sua obra "Francisco Pinto e Luis Figueira", no dia 11 de janeiro de 1608, o Pe. Francisco Pinto era trucidado pelos índios Tocajirus. Diante disso, o Pe. Luís Figueira desistiu de prosseguir viagem e, a 19 de agosto desse mesmo ano embarcou para o Rio Grande do Norte. Escreveu o livro "Relação Maranhão", narrando a dramática viagem que fizera a Ibiapaba com o Pe. Francisco Pinto, resultando na morte deste.
De acordo ainda com o Barão de Studart na "Revista do Instituto Histórico do Ceará", Tomo XXXVIII, na seca de 1612, os índios do Jaguaribe, acreditando que o Pe. Pinto, por milagre, poderia fazer chover, foram a Ibiapaba, examinaram-lhe os ossos e "os trouxeram para umas aldeias de índios". "O chefe Potiguara, Felipe Camarão, beijou e abraçou reverentemente os despojos e fez construir uma igrejinha especial para onde foram levados num andor em procissão e ali sepultados" (esta igrejinha parece ser a primeira igreja de Messejana no local onde é hoje o centro de formação).
Segundo o historiador jesuíta Serafim Leite, citado por Aires de Montana na "Revista do Instituto Histórico do Ceará", a palavra Paupina seria a aglutinação do nome de Padre Pinto (Pai Pina), tratamento que os selvagens dispensavam à memória do grande missionário.


Essa foto é da década de 20.
Vemos a praça e a igreja de Messejana. Arquivo Nirez

Conforme Guilherme Studart , em "História do Ceará", o nome Paupina foi substituído por Vila Nova Real de Messejana da América, inaugurada em 10 de janeiro de 1760, conforme ata assinada pelo Desembargador Ouvidor Geral da Comarca de Pernambuco Bernardo Coelho da Gama Casco, juiz executor da diligência. A palavra Messejana, segundo José de Alencar ("Iracema", 2ª edição), é de origem Tupi e significa "Lagoa ao abandono" e deve ser escrita com C - Mecejana . Todavia, é um vocábulo de origem portuguesa, tendo que ser escrito com SS. – Messejana.
Foi a partir de 1870 que teve o início o processo de urbanização, transformando a vila em município, mas uma outra recolocou Messejana novamente na condição anterior até 1921, quando Justiniano de Serpa a rebaixou de novo a distrito. Vários fatores ajudaram a desenvolver o referido distrito: o comércio, a produção de algodão e o seu escoamento para Fortaleza para ser exportado, o trabalho de libertação dos escravos de Messejana, fato este graças à "Sociedade das Libertadoras Cearenses", movimento que teve participação efetiva de mulheres da terra de Iracema.
O bairro também foi berço de nomes ilustres como o escritor José Martiniano de Alencar e o ex-presidente Castelo Branco.
A primitiva freguesia de Messejana foi criada pelo Bispo de Olinda, Dom Francisco Xavier Aranha, a 05 de fevereiro de 1759, e inaugurada a 10 de janeiro de 1760, com a criação da vila nova real de Messejana da América, sob a invocação de Nossa Senhora da Conceição, invocação esta já adotada pelos jesuítas desde a edificação da capela primitiva construída pelos mesmos em 1750. Perdurou como Freguesia durante 90 anos.
A quatro de agosto de 1849, pela lei 485, a freguesia de Messejana juntamente com o vigário Pe. Pedro Antunes de Alencar foi transferida para Maranguape sob a invocação de Nossa Senhora da Penha. A igreja matriz da freguesia Paróquia Nossa Senhora da Conceição de Messejana, passou mais de duas décadas como simples capela, assistida pelo vigário de Maranguape e seus auxiliares que eram enviados a Messejana a fim de suprirem as deficiências maiores.
A atual Paróquia de Messejana é proveniente da lei 1445 de 12/10/ 1871, porém, só instituída canonicamente a 20 de fevereiro de 1873, conforme provisão episcopal de D. Luis Antonio dos Santos.
Em 1938, assume a paróquia de Messejana o Pe. Francisco Pereira da Silva que permanecendo por mais de 40 anos, foi autor de grandes empreendimentos: Reforma da Igreja abrindo uma arcada maior, entre a nave e o altar-mor, montagem do relógio na torre, construção do salão Paroquial inaugurado a 31/08/1954 com o nome Pio X, em homenagem ao Papa, construção da casa Paroquial, hoje secretaria paroquial e o Patronato Pe. Luiz Barbosa Moreira.

Em 1990, assume a Paróquia o Pe. José Maria Cavalcante. Em 1991, Pe. Álvaro e Pe. Ribamar foram residir no Parque S. Miguel e o Pe. Gilson Soares foi nomeado vigário paroquial de Messejana. Frei Martins (OFM) e o grupo de jovens iniciaram um trabalho de presença na Lagoa Redonda. Neste mesmo ano pela decisão da Assembléia Paroquial e depois regional a Paróquia de Messejana foi descentralizada em sete áreas pastorais: Palmeiras, Barroso, Guajeru, Lagoa Redonda, Pisando no Chão Novo (São Miguel, São Bernardo), área da BR e área Centro (Matriz).


Lagoa de Messejana - Foto de Chico Monteiro

Em 1760, Messejana foi elevada à categoria de Vila, passando a denominar-se Vila Nova Real de Messejana da América. De lá para cá seu crescimento foi desenfreado em todos os setores. Messejana é berço do famoso escritor José de Alencar, que muito orgulho traz para esta terra. Como ponto turístico, a Casa de José de Alencar é mantida em perfeitas condições, além de um museu histórico no local.


Lagoa de Messejana - Chico Monteiro

Messejana na atualidade

As mudanças de Messejana nunca cessaram e seu crescimento também. Sua população atual gira em torno de 45 mil habitantes e tem sua economia, principalmente, voltada para o comércio, que vem em um contínuo desenvolvimento, gerando mais emprego e renda para a população local. 
Em Messejana pode se encontrar praticamente tudo.  Na área da Educação existem bons colégios, atendendo à demanda de toda a população. Para o lazer, inúmeras churrascarias, restaurantes e casas de shows, além de incontáveis mercearias, bons supermercados e mercadinhos, muitas farmácias e agências dos principais bancos. O comércio de eletrodomésticos marca presença acentuada, com as principais lojas de Fortaleza marcando presença em Messejana. 

As indústrias de castanha, bebidas e confecções da área também estão em pleno desenvolvimento. Na área de Saúde existem o "Frotinha" (Unidade hospitalar do Instituto Dr. José Frota) o "Gonzaguinha", inaugurado no governo Gonzaga Mota, o Waldemar de Alcântara, além de outros hospitais e postos de saúde. Destaque especial para o Hospital do Coração, unidade hospitalar de referência, conhecida nacionalmente pelos serviços de alta qualidade e tecnologia que oferece ao público local e de todo o Brasil e pela competência dos profissionais que ali trabalham. 

Há que se reportar ainda, a tradicional Feira Livre de Messejana, que acontece há muitos anos aos domingos, a qual proporciona centenas de empregos diretos para feirantes além de mais 3 mil empregos indiretos. Em Messejana, que significa "lagoa abandonada", em tupi-guarani, nasceu e viveu o grande romancista José de Alencar. Diz a história que às margens da lagoa de Messejana José de Alencar se inspirou para escrever sua primeira obra, o romance Iracema, que lhe trouxe consagração. A Lagoa de Messejana recebeu melhorias no setor de urbanização recentemente, tornando-a uma das principais áreas de lazer do bairro, atraindo visitantes de toda a cidade e muitos turistas. Com a implantação da Estátua de Iracema, idealizada pelo arquiteto Leonardo Fontenele, a personagem tomou forma transformando-se no principal ícone do bairro. Com 13 metros de altura e um visual espetacular a Iracema está totalmente incorporada à paisagem de Messejana.
A Casa de José de Alencar também é um dos pontos turísticos de Messejana. Tem sua estrutura original preservada até os dias atuais. Nesse ponto histórico e cultural possui um museu onde consta um acervo composto por livros, fotografias, quadros e objetos pessoais do autor, além de restaurante aberto ao público. Vale a pena conhecer
Foto do blog Mínimo Ajuste

Pinacoteca - Arquivo http://www.cja.ufc.br

Martim e Iracema - Arquivo http://www.cja.ufc.br

As praias do litoral leste e as Tapioqueiras

Messejana é ponto de passagem para as belíssimas praias do litoral Leste. Saindo de Fortaleza pela CE-040, no prolongamento da Avenida Washington Soares, começa tudo de bom que a Terra da Luz tem para mostrar aos seus visitantes.

Na direção leste da capital cearense, após Messejana, você vai encontrar um conjunto de paisagens que a natureza guardou para você. São falésias com suas areias coloridas, praias lindíssimas e fontes de água doce para refrescar no verão ensolarado do Ceará. São quase 200 quilômetros do litoral leste com praias tão lindas que algumas viraram cenários de programas exibidos pela Rede Globo, inclusive novelas. 

Iracema na Lagoa de Messejana - Foto de Chico Monteiro

Sem dúvida, locais inesquecíveis, por onde você vai poder ver e sentir de perto este cenário mágico e o vento e a brisa do mar soprando paz e calmaria. É lá que estão as famosas praias como Prainha, Praia do Presídio (um dos carnavais mais animados do Ceará), Iguape, Barro Preto, Canoa Quebrada, Morro Branco, Porto das Dunas, Caponga e muitas outras belíssimas praias para você se encantar e curtir muito o sol do Ceará. Parada obrigatória no retorno das praias é o Centro das Tapioqueiras, local onde são servidas tapiocas de vários e deliciosos sabores, café com leite e outras guloseimas. Neste Centro também funciona uma Feira de Artesanato, que beneficia 19 artesãos. O espaço para o artesanato significa um meio de sobrevivência para as donas-de-casa da Paupina. No local são vendidas pintura em tela, bijuterias feitas de sementes, bolsas, renda de bilro, bonecas de pano e roupas. 

Esclarecimento importante:

Recebi e-mail do historiador Felipe Neto com importantes informações sobre Messejana:

"Com relação a fundação da Aldeia de Paupina pelo Pe. Fco. Pinto e Luiz Figueira esse é um erro que vem sendo cometido há muito tempo graças a conjecturas feitas no passado quando se buscava laurear a atuação dos grupos religiosos no que diz respeito a colonização. As missões catequéticas tiveram fundamental papel, mas de outras formas e em outros épocas e contextos.

No diário sobre a vinda ao Ceará escrito pelo Pe. Luiz Figueira não se faz menção textual a Paupina ou Parangaba. Outra questão é seu ponto de parada antes de seguir para Ibiapaba. Não é certo que a tribo que primeiro recebeu os Pe. foi a estacionada no que hoje chamamos de Paupina pois esse encontro ocorreu na região do Jaguaribe.

Antes do periodo holandês (1637-1654) não há documento ou menção em cartas dessa nomenclatura Aldeia de S. Sebastião da Paupina que só passa a ser mencionado depois de 1680. As aldeias do ceará se formaram após a atuação de Martins Soares Moreno a partir de 1611. Desse povoamento que depois foi removido para o que hoje conhecemos como Mondubim se formou o Arraial do bom Jesus da Parangaba. Desse grande descimento se formaram a Aldeia de Paupina e Caucaia ainda no seculo XVII.

Portanto, não se sabe exatamente, ainda quando foi fundada a Aldeia de Paupina, pelo não do que eu tenha encontrado. Ainda sobre Fco. Pinto e Luiz Figueira este último funda uma comunidade próximo a Barra do Ceará com o nome Aldeia de S. Lourenço, mas nunca Parangaba ou Paupina.

Com relação ao nome Paupina este jamais foi corruptela de Fco. Pinto. Paupina significa Lagoa descoberta ou limpa.

Como messejanense peço, por conta da audiência que seu blog tem, que ajude na recomposição dos fatos para que a historia não fique deturpada."

Felipe Neto é Historiador formado pela UECE. Nascido e criado em Messejana, onde ainda mora.
Autor do livro “Muito Além dos Muros do Forte: as dinâmicas que propiciam a anexação do antigo município de Messejana à Fortaleza em 1921 e os seus desdobramentos


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