Fortaleza Nobre | Resgatando a Fortaleza antiga : Padaria Palmeira - História como memória [notification_tip][/notification_tip]
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terça-feira, 28 de junho de 2011

Padaria Palmeira - História como memória


Imagem meramente ilustrativa

Em caminhadas matinais pela Av. Beira Mar, encontro sempre entre os caminhantes o Sr. José Paiva Sequeira, português saudosista, acompanhado por seu dedicado filho Sérgio, que faz por obrigação esse exercício para quem tem 91 anos de idade e mantém perfeita lucidez, embora tudo isso com certa dificuldade de audição.



Quando abordado, relembra os anos 40, da Padaria Palmeira, situada na rua Guilherme Rocha com rua Senador Pompeu, e, diz que o proprietário português Albano, dizia ter grande inclinação para poesia e recitava de sua autoria a quadrinha que freqüentemente recorda: ´A Padaria Palmeira / Tirou o primeiro lugar / Fornece pão à Marinha /E ao Colégio Militar / E, mais de duas mil família / Em casa particular...´

Aliás, diziam que o dono da Padaria Palmeira - Sr. Albano, gostava de declamar versos exaltando sua casa comercial, fazendo alusão aos produtos por ele fabricados, com reclames em letras garrafais, lembrando com alguns dizeres formando slogan: ´Os melhores productos de panificação são os da Padaria Palmeira´; ´Fabricação especial de biscoitos, bolachas, tijolinhos de goiaba, banana e côco´. ;´O melhor café que se bebe em Fortaleza é da Palmeira, moído no balcão a vista do freguez...´ ;´A cútis fresca e louçã, quem quer que possuí-la queira, é tomar toda manhã o puro Café Palmeira´.

A Padaria Palmeira entronizou um Santo Antônio de Lisboa, colocando-o na parte mais visível da padaria, onde prendia a atenção dos fregueses que ali se abasteciam dos produtos por ela fabricados. Era de singular importância e motivo de constante atração dos fregueses que depositam suas esmolas no pequeno cofre abaixo do nicho, principalmente por moças, solteironas ou balsaqueanas a implorar Santo Antônio de Lisboa em comovente exaltação intima, deixando transpirar os rogos a quem dela se aproximasse no pequeno santuário, cuja iluminação refletia nos rostos dos então desamparados do amor.

Um outro espaço

O grande historiador, memorialista e escritor Mozart Soriano Aderaldo, em Historia Abreviada de Fortaleza e Crônica sobre a Cidade Amada, às fls. 168, narra também a existência de um outro Santo Antônio, no prédio da rua Castro e Silva n.º 101 - hoje Edifico Ventura, com oito pavimento, construído pelo português Julio Ventura e vendido, pouco depois, a Carlos Jereissati. Frente principal para a rua Castro e Silva, com três portas para a rua Major Facundo. Em 1845, no local do Edifício Ventura, existia uma casa habitada por Dr. Pompeu, Diretor do Liceu.

Esta antiga casa foi ocupada por esse Dr. Pompeu passou depois à propriedade de Frederico Dias da Rocha casado com Umbelina Pontes, tio paterno do naturalista Francisco Dias da Rocha, pai de D. Maria de Jesus Dias da Rocha Girão, esposa do eminente civilista conterrâneo Dr. Eduardo Henrique Girão, antigo professor da Faculdade de Direito do Ceará.

Ainda em Historia Abreviada e Crônica sobre a Cidade Amada, D. Maria de Jesus lembrava-se de quando seu pai adquiriu essa casa, há uns cem anos passados, para instalar seu estabelecimento comercial de secos e molhados, vindo do prédio da esquina nordeste da mesma rua com a rua Senador Alencar, onde se instalou a loja ´A Capital´, vizinho do irmão comerciante Joaquim Dias da Rocha, primeiro membro da família portuguesa chegando aqui no Ceará.

Heranças lusitanas

A casa adquirida no fim do século passado por Frederico Dias da Rocha, objeto de nossas cogitações no momento, tinha um pequeno nicho com a imagem de Santo Antônio, manifestação patente da influência portuguesa sobre nossa gente, de que foi exemplo o nicho da antiga Padaria Palmeira, ali na esquina noroeste das Ruas Senador Pompeu e Guilherme Rocha.

Esse prédio da Rua Major Facundo, esquina com a Rua Castro e Silva, fechado o negócio de Frederico Dias da Rocha foi ocupado pelo armazém de John Peter Bernard, sogro do numismata Alcides Peter Santos, e, depois, pelo escritório comercial de um irmão do médico José Paracampos.

Somente há poucos anos alugou-o Julio Ventura, que terminou por adquiri-lo dos herdeiros de Frederico Dias da Rocha, há cerca de meio século, mais ou menos. Em seu lugar, seu novo proprietário construiu o Edifício Ventura.

Esquina da Rua Senador Alencar, lado par com Rua Major Facundo lado impar, prédio térreo com cinco (05) portas, uma das quais bem larga.

Serviu de rede à loja ´A Capital´, esquina nordeste das Rua Major Facundo e Senador Alencar. ´Fundos´ da casa do capitão Antônio Nunes, residente na Rua da Boa Vista, há cerca de quase um século passado, desta casa se transferiu para a esquina nordeste das Rua Major Facundo e Castro e Silva o comerciante Frederico Dias da Rocha, conforme antes dissemos; - na esquina da Rua Senador Alencar, lado impar com Rua Major Facundo, também lado impar, prédio s/n, embora devesse receber o n.º 253, hoje Edifício Jangada, com sete pavimentos, sendo inclusive o térreo também propriedade da Prudência Capitalização, construído no terreno de dois prédios antigamente existentes aí.. 

Registro de um insólito do passadoFoi época que se marcava, com os amigos, hora para tomar café com pão e manteiga de primeira qualidade, cujo encontro ocorria geralmente entre 15 e 17 horas, para isso sem grandes preocupações para conseguir tempo e sem muitos atropelos da vida.

Havia segurança e tranquilidade nas ruas do centro da cidade. Os transeuntes calmamente caminhavam sem medo de serem assaltados por amigos do alheio que quase não existiam. E quando surgia algum, toda cidade tinha ciência do fato.

Certa vez, em plena luz do dia, um larápio, conhecido por ´Aranha Negra´, revolucionou a todos quanto transitavam: viram-no escalando com pés e mãos até alcançar a janela de um antigo prédio, subindo pela parede do sobrado da rua Barão do Rio Branco esquina com rua Guilherme Rocha, onde funcionou uma pensão familiar (local hoje do Ed. Jalcy Metrópole
) do corretor de imóveis Artur Henrique de Oliveira, cujos irmãos Alfredo e Justino, juntamente com o Sr. Rafael Teófilo e Alfredo Machado, comandavam as negociações imobiliárias do centro da cidade de Fortaleza, que, assim, passava a ganhar uma nova roupagem urbana.

O Imponente Ed. Jalcy Metrópole

Um causo urbano

O fato ocorrido marcou durante algum tempo, na lembrança dos que por ali passavam àquela hora do dia, diante da coragem e audácia do gatuno, que desafiava a todos com sua destreza e ligeireza em subir as paredes com as mãos e auxilio dos pés, com a rapidez por ninguém antes nunca praticara. A casa, um velho sobrado de propriedade dentre outros da família da Sra. Jacinta Souto, mais conhecida por Dondon Souto, senhora portadora de distúrbios mentais, mas, muito rica, proprietária de vários prédios comerciais do centro da cidade, cujas posses garantiam-lhe fazer tratamento fora do nosso país, nas melhores clínicas do mundo. Os antigos conheciam bem a família Souto e sua riqueza que permitia uma vida nababesca e com bom tratamento médico psiquiátrico que por aqui ainda não existia, e, por isso era levada para centros médicos da Europa, acompanhada sempre por seu assistente clinico.



Crédito: Diário do Nordeste e Arquivo Nirez

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