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quarta-feira, 20 de julho de 2011

Idalino foi assassinado


Fim do mistério. Depois de desenterrar dois defuntos de 52 anos, acabei descobrindo partes do corpo de quem os matou. Não esperava, mas cheguei ao cadáver de José Ramos de Oliveira, o Idalino, ex-jogador de futebol, ídolo das torcidas do Ceará e Fortaleza nos anos quarenta. Vingança. O destino do meia, que também jogou em outros clubes brasileiros, terminou de maneira semelhante ao de suas vítimas. Um desfecho tão macabro quanto ao que ele confessou às polícias cearense e pernambucana. Para o leitor que chegou agora, Idalino é aquele que premeditou, matou, decapitou e enterrou, na Barra do Ceará, dois comerciantes paraibanos, em 1950: Aluísio Milet Martins e Geraldo Cavalcante Castro. Assasinou-os para roubar um Chevrolet 50. Carro do ano. Surto de personalidade e cobiça. 

A quarta parte dessa investigação começa com um inesperado e-mail enviado por dois parentes do finado Geraldo Cavalcante Castro e da sobrevivente Luiza Cavalcante, há pouco mais de um mês. Luizinha era irmã de Geraldo e noiva de Aloísio. 

"Sr. Demitri Túlio, 
Através da sua coluna ''Das Antigas'' dos dias 20.04; 27.04 e 04.05.2002 a qual recebemos através do senhor Lavaneri, da Apiguana, relembramos um trágico fato que marcou nossas vidas. Somos sobrinhos de Geraldo Cavalcante e Luizinha, sendo que Renato é filho de Luizinha. Em breve estaremos lhe informando maiores detalhes de como foi descoberto este bárbaro assassinato e o paradeiro do monstro Idalino. Nossos telefones são... 
Marcelo Renato Arruda e Renato Castro Lago 

Em breve lhe enviaremos o novo e-mail. "


Pois bem, a ânsia por mais notícias sobre o caso fez-me ligar para Paraíba. Curiosidade, inquietação, comichões no cérebro. Era a chance de colher mais detalhes sobre o caso e finalmente ter pista para seguir o rastro do sumido Idalino. Conversei com Renato Castro Lago, 48 anos, filho de Luizinha. Nasceu três anos depois da tragédia em Fortaleza. Luiza que havia perdido o noivo, Aluísio Milet, casou três anos depois do acontecido. Na fala dele, a mãe teria escapado das mãos de Idalino, mas do destino não. Estava escrito que morreria nova. Flor da idade. Após parir Renato, faleceu. Foi-se. Outro estrondo na família de José de Brito Lira, tio de Geraldo e Luiza. O homem era comerciante, dono de fazendas de algodão e negócios na Inglaterra. Coronel do mato e chefe político lá pelas bandas da Paraíba. 

Idalino, segundo Renato Castro, havia planejado matar apenas Aluísio Milet. Legítimo proprietário do Chevrolet 50. Geraldo não tinha nada a ver com o peixe. Acontece que Aluísio acertou viajar com o ex-jogador para receber, em Fortaleza, a paga pelo automóvel. Noivo de Luiza, casamento marcado, Milet convidou a companheira para comprar, no Ceará, renda para completar o enxoval do casal. Aceitou. Porém não caia bem para uma moça donzela, em 1950, fazer viagens com o pretendente. Sabia-se lá. A tentação e a língua do povo poderiam arruinar o nome da família. Jogar na lama a honra dela. Foi aí que a morte refez seus planos. Alterou sua lista e incluiu Geraldo. Azar. 

Geraldo Cavalcente foi segurar vela. Ironia. Ia para impedir qualquer avanço de sinal do noivo ou fraqueza da virgem. Nada de coisas antes do casório. Lua-de-mel, só depois do ''sim''. Enquanto isso, podiam aquietar o facho. Nada de fornicação ou pouca vergonha. Além da missão, Geraldo também ia descansar da rotina estafante da política. Era coordenador da campanha de Argemiro de Figueiras, candidato ao governo paraibano e adversário de José Américo de Almeida, o escritor de A Bagaceira. Dias antes de sua última viagem, havia escapado de uma saraivada de balas durante um comício na Praça da Bandeira, centro de Campina Grande. Três mortos e mais de cinqüenta feridos. Sobreviveu lá para morrer aqui. 

Foi aí que Idalino se lascou. Do primeiro ao quinto. Chegou a pensar que não descobririam o crime. Desfilou, lépido e fagueiro, a bordo do Chevrolet pelas ruas de Fortaleza... Até o dia da chegada de João Arruda, irmão de Geraldo, e de um policial da confiança da família: Jovino do Ó. Cabra bom pra mãe e os pareceiros dele! Chegaram para desvendar o crime. Custasse o que custasse. 

Primeira proposta. Depois que engaiolaram Idalino, insistiram com o então secretário da Segurança do Ceará para ter um particular com o acusado. Sozinhos. Sala reservada. Conversa de pé-de-orelha. Mesa, luz e um pedaço de jucá. Desejavam torturá-lo. A afirmação é de Marcelo Renato Arruda e Renato Castro Lago. Só assim, na cabeça dos parentes das vítimas, conseguiriam arrancar a confissão. Até ali, o ex-jogador negava. Jurava inocência. Como era benquisto entre ohigh-society da Aldeia grande de Fortaleza, era considerado anjo. 

Encheram o saco até conseguir o aval do secretário. Conseguiram. Permitiu a prosa sem exageros. Inocência. Vistas grossas. Segundo Renato Castro, Idalino não agüentou ''muitas bordoadas''. O suficiente para confessar o crime e apontar o local onde estavam enterrados os corpos. A história tinha terminado. Bem, não para a família. Nem quando a Justiça o condenou a pena máxima. Pro's parentes só valeria a vingança. A morte de Geraldo e Aluísio só estaria quite quando Idalino morresse. O Talião nordestino. 

O ''monstro Idalino'', foi vítima de crime por encomenda em 1968 quando ganhou liberdade condicional. 



Continua...

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Fonte - Jornal O Povo (Demitri Túlio)

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