Fortaleza Nobre | Resgatando a Fortaleza antiga : Sociedade de Assistência aos Cegos - Tornando realidade o que parecia impossível [notification_tip][/notification_tip]
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segunda-feira, 19 de julho de 2010

Sociedade de Assistência aos Cegos - Tornando realidade o que parecia impossível


O casarão é em estilo clássico. É de cor rosa, cercado de árvores, de luz e belas sombras e uma brisa refrescante sopra suavemente. O espaço interno é enorme.

A Sociedade de Assistência aos Cegos, fundada em 29 de setembro de 1942, é uma sociedade civil sem fins lucrativos, que atua nas áreas de educação, saúde, profissionalização e inserção social da pessoa portadora de cegueira.
Com uma abordagem da problemática da cegueira nos aspectos biopsicossociais, a SAC promove uma perfeita integração do deficiente visual na sociedade. Através de sua equipe multidisciplinar trabalha na prevenção à cegueira. Na escola, educa e socializa alunos cegos e portadores de visão subnormal. Além da assistência social, no final do processo a instituição profissionaliza e proporciona a conquista da cidadania para o deficiente visual abrindo-lhes as portas do mercado de trabalho.
A história da Sociedade de Assistência aos Cegos - SAC, é feita de inúmeros atos de amor, coragem e acima de tudo, da crença de que todos os seres foram criados por Deus, não importando sua cor, raça, credo ou limitações.

Fundada em 1942, vivia o mundo sob os auspícios da 2ª Grande Guerra Mundial, época em que a marca qualitativa da valorização do homem dava-se em razão de determinados requisitos estéticos hereditários e não em razão de seus valores morais.
Foi exatamente nesse conturbado período da humanidade que o oftalmologista Dr. Hélio Góes Ferreira e seu grande amigo Padre Arquimedes Bruno, iniciaram esse sublime trabalho em favor do ser humano, visando libertá-lo de sua obscuridade e limitações, dedicando assim, grande parte de suas existências no sentido de vencer os desafios que lhes foram impostos e de provar que o HOMEM enquanto SER, é capaz de transpor qualquer obstáculo.


Portanto, no dia 02 de Agosto de 1942, foi instalada a
Assembléia Geral de Fundação da Sociedade de Assistência aos Cegos, no Clube Iracema, situado à Rua Coronel Bezerril, 751 - 2º andar em Fortaleza-CE.

1ª DIRETORIA: Presidente - Padre Arquimedes Bruno; Vice Presidente - Edite da Costa Braga; Secretária - Hélia Elery Barroso; Tesoureira - Elezira Elery; Diretor Geral - Dr. Hélio Góes Ferreira.

CONSELHO: Yanie Fontenelle Porto, Dr. José Leite Maranhão, Beatriz de Araújo Ferreira, Dr. Abner Amaral, Regina Bulhão Ramos, Maria José Moreira da Rocha, José Oriano Menescal Netto, Dr. Eugênio Avelar Cavalcante da Rocha, Dr. João Mendes Filho, Dr. Fernando Leite, Dr. Antonio Barros dos Santos, Maria José Menescal de Góes Ferreira, Dr. Sylvio Ildeburgue Leal, Luzita Albano, Lúcia Rocha, Alfeu Aboim, João Batista Saraiva Leão e Joaniuba Amaral.


A tenacidade dessas Diretorias em promover o cumprimento das metas estatutárias da SAC, fez com que cada uma delas usando os recursos existentes em seus respectivos períodos, conseguissem com muita dedicação: criar, implantar, promover a independência financeira e modernizar esta entidade, a ponto torná-la ao longo do tempo, um modelo moderno de entidade filantrópica, com atuação nas áreas de EDUCAÇÃO e SAÚDE.

ÁREA DE EDUCAÇÃO

1. INSTITUTO DE CEGOS DO CEARÁ: fundado em 1943 - escola pioneira no estado do Ceará para a educação de deficientes visuais e portadores de visão subnormal. Após o falecimento do Dr. Hélio Góes Ferreira em 1976, passou a chamar-se INSTITUTO HÉLIO GÓES, por sugestão do Dr. Fco. Waldo Pessoa de Almeida.

2. PROFISSIONALIZAÇÃO: esse setor foi criado também na época da fundação desta entidade visando promover o desenvolvimento profissional de pessoas cegas e/ou portadoras de visão subnormal. Hoje são ofertados grande número de cursos: Operador de Câmara Escura, Áudio Locução, Telefonia, Bijuteria, Massoterapia, Telemarketing, Artesanato, DOSVOX.

3. BIBLIOTECA BRAILLE JOSÉLIA ALMEIDA: criada nos anos 70, recebeu em 1994 o nome que hoje detém, em homenagem a essa Diretora, por seu empenho ao crescimento e modernização dessa biblioteca que continua a ser a única biblioteca Braille existente no Ceará.

4. IMPRENSA BRAILLE ROSA BAQUIT: instalada em 1993. Sua finalidade prioritária é suprir a carência de livros didáticos e curriculares em Braille. Atende a todos os deficientes visuais indistintamente no que diz respeito a transcrever livros de línguas estrangeiras, bem como na elaboração de apostilas dos diversos cursos ofertados pela SAC. Foi a partir da implantação dessa imprensa que os deficientes visuais do Ceará (ou do Brasil?) puderam ter acesso a leitura diária dos jornais “Diário do Nordeste" e “O Povo” e receberem suas contas de Energia e Água em Braille, tornando realidade o que parecia impossível.


5. ESPECIALIZAÇÃO DE DOCENTES NA ÁREA DE DEFICIÊNCIA VISUAL: criado em 1996, esse setor promove, sem nenhum ônus para o governo, a especialização de professores na área da Deficiência Visual, preenchendo uma lacuna existente na educação especial no estado do Ceará. A SAC, é a única entidade não governamental, reconhecida pelo Conselho de Educação do Ceará, para promover essa especialização.

ÁREA DE SAÚDE:

1. HOSPITAL ALBERTO BAQUIT JUNIOR: criado em 1966 pela Casa da Amizade. Em 1980 foi totalmente reformado e equipado sob os auspícios do Sr. Alberto Baquit, recebendo o nome que hoje detém numa homenagem póstuma a seu filho primogênito. Esse hospital é responsável por todos procedimentos cirúrgicos oftalmológicos de pequeno, médio e grande porte, inclusive transplante de córnea, cirurgias a laser e exames especiais. Sua clientela é oriunda de Convênios, Particulares e SUS.

2. UNIDADE DE PREVENÇÃO À CEGUEIRA CEL. JOSÉ BEZERRA DE ARRUDA: a prevenção à cegueira, foi a primeira atividade da SAC, atendimento a portadores de deficiência visual para posteriormente encaminhá-los ao Instituto Hélio Góes que como já dissemos, foi a primeira escola especializada para o deficiente visual no Ceará. Nesse setor, todos os alunos da escola, são atendidos por técnicos em Estimulação Visual / Estimulação Precoce / Fonoaudióloga / Psicóloga / Odontóloga / Terapeuta Ocupacional e Fisoioterapeuta.

3. BANCO DE OLHOS DO CEARÁ: fundado em 1976, pelo oftalmologista Dr. Francisco Waldo Pessoa de Almeida. Foi o primeiro banco de olhos do Ceará. Posteriormente, tornou-se clínica de transplantação, com o advento da central única de captação de órgãos do estado. Pela LEI Nº13.985, de 26 de outubro de 2007 ficou denominada de Doutor Francisco Waldo Pessoa de Almeida a Central de Transplante do Estado do Ceará numa justa homenagem ao seu pioneirismo.

4. UNIDADE OFTALMOLÓGICA IÊDA OTOCH BAQUIT: criada em 1985, recebeu numa homenagem póstuma o nome dessa Diretora, que durante algum tempo, ficou a frente da Tesouraria desta entidade. Modernamente equipada, atende a clientes particulares, Convênios e SUS.

"Tivemos a imensa felicidade de ter confirmada ao vivo grande parte da trajetória da SAC com imensa riqueza de detalhes, pelo seu 1º Presidente, Padre Arquimedes Bruno (1942/1946), quando visitou esta casa, em outubro/1997. Morando na França desde os anos 60, Padre Arquimedes ficou visivelmente emocionado ao rever esta entidade e definiu a SAC, como uma obra “fruto de uma série de corações sensíveis às necessidades do próximo e de vontades decididas em provar o valor do homem diminuído numa parte do seu esforço, mas íntegro na capacidade do seu espírito.” Portanto, não é a toa que dizemos: SAC, uma história que Só o Amor Constrói ..."

Fortaleza, 28/7/2008
Maria Josélia Sá e Almeida Presidente

Revista Histórias da Saúde
ESPECIAL SUS 20 ANOS - Ano XI nº 17
Outubro, Novembro, Dezembro 2008
Fortaleza - Ceará - Brasil
SAC - Breve histórico
Sociedade de Assistência aos Cegos




Assaltantes tiram a vida do “Anjo dos Cegos”

Foto Jornal JOTA ZERO

Dirigindo a Sociedade de Assistência aos Cegos, Dr. Waldo era o anjo daqueles que perderam a visão. Para uns, através de suas mãos divinas restaurou o milagre da visão. Para outros, irrecuperáveis, foi a solução ao mostrar que podiam exercer a cidadania plena pela capacitação para o trabalho.
Waldo deixa um vazio, pela perda de um amigo, e de um líder do servir.
O maior tributo que poderíamos prestar cidadão Waldo Pessoa, era iniciarmos imediatamente uma “Campanha pela Segurança e pela Paz”, tendo Waldo como patrono. Ela seria dirigida às crianças e adolescentes, objetivando por todos os meios evitar que eles se transformem nos marginais do futuro.

Foto do Jornal O POVO
Drs. Waldo Pessoa e Sérgio Augusto Carvalho

Diretor de saúde da Sociedade de Assistência aos Cegos, fundou o primeiro banco de olhos do Ceará e foi o pioneiro no transplante de córnea neste estado. Idealizou e implantou em 1970 o Programa de Prevenção a Cegueira nas Escolas, e o Centro de Estudos DOSVOX na entidade que dirigiu.Colecionou títulos como o de Reconhecimento por serviços prestados pelo Rotary Clube de Fortaleza e pela Polícia Militar do Ceará. Recebeu o Prêmio Sereia de Ouro em 1990 e Título de Cidadão de Fortaleza pela, Câmara Municipal. Homenagem postuma ao ilustre colega que na sua vida profissional dignificou o exercício da oftalmologia no nosso estado, reitera Dr. Sérgio Augusto Carvalho Pereira - Presidente da Sociedade de Oftalmologia do Ceará.
O crime. Dois bandidos entraram na clínica oftalmológica de Waldo Pessoa, localizada na Avenida Bezerra de Menezes, no bairro São Gerardo, por volta de 17 horas do dia 14 de dezembro de 2006. Eles se passaram por pacientes e depois anunciaram o assalto. Um deles entrou no consultório do médico e o ameaçou com um revólver calibre 38. Roubou uma quantia em cheques e fugiu. Waldo Pessoa, em virtude de ter sido anteriormente vítima de roubo, tinha uma arma guardada no consultório e trocou tiros com o bandido.
Já do lado de fora da clínica, o oftalmologista disparou tiros contra o assaltante, que caiu morto, ao lado do posto de combustível que fica a menos de 100 metros da clínica. O outro bandido também saiu do consultório e atirou nas costas do médico, que foi encaminhado às pressas ao Instituto Doutor José Frota (IJF) , porém não resistiu à gravidade dos ferimentos.


O oftalmologista passou nove anos à frente da Sociedade de Assistência aos Cegos, mais conhecida como Instituto do Cegos. Foi presidente da entidade de 1980 a 1986, e de 2003 até ser assassinado. Pouco tempo antes do crime, Waldo Pessoa tinha iniciado um projeto de consulta popular, no valor de 30 reais. Ele dedicou grande parte da vida profissional à filantropia.


Dr. Waldo Pessoa
recebe homenagem na
festa do RC Fortaleza
Centenário



Símbolo do Jornal O ESTADO
Sexta-feira - 16-04-2010

“Uma esmolinha para um pobre cego”. É comum o pensamento de que a mendicância ou o isolamento social são as únicas saídas para um cego. As próprias famílias dos deficientes visuais, na maioria das vezes, procuram afastá-los da presença das outras pessoas, às vezes por vergonha, às vezes por querer proteger o cego contra o preconceito da sociedade. Entretanto, várias são as provas de que os cegos são pessoas capacitadas para desenvolver as atividades mais difíceis, inclusive atividades profissionais. Dessa maneira, separar o cego do meio social ou condená-lo a viver à custa de favores pode parecer uma alternativa pouco conveniente.

Exemplos de superação:


História de um Visionário

Uma vida no escuro, uma existência nas trevas, um mundo sem luz... O que você faria se não conseguisse enxergar? Eliano Gino de Oliveira, mais conhecido como Gino, é assessor de imprensa da Prefeitura Municipal de Fortaleza, deficiente visual desde que nasceu e fez isso: foi aprender Braile na Sociedade de Assistência aos Cegos (SAC); depois fez um curso de orientação e mobilidade para aprender a caminhar sozinho pela cidade; estudou datilografia e computação; entrou para um curso técnico na área de turismo no IFCE (antigo CEFET), mas acabou se formando em Comunicação Social pela UFC (Universidade Federal o Ceará); já foi candidato a prefeito de Fortaleza e, atualmente, além de trabalhar no setor de Comunicação da Prefeitura, está estudando Pedagogia na UECE (Universidade Estadual do Ceará).

Diante do computador, os dedos ágeis digitam com facilidade. Diante das outras pessoas, um jeito de conversar e se comportar capaz de conquistar muitos amigos; tanto é que todos que entram na sala de trabalho de Gino não deixam de comentar a incrível capacidade que ele tem de “enxergar”. Uma memória capaz de gravar as datas mais improváveis e os menores detalhes. Com o rádio como companheiro desde pequeno e o amor à leitura, Gino é um jornalista que se orgulha em já ter produzido, juntamente com a sua equipe, até cinco pautas por dia.

Gino foi estudar na SAC (Sociedade de Assistência aos Cegos) ainda criança. “Lá era uma nova perspectiva de vida. Criado menino pobre do subúrbio, para enfrentar uma selva de concreto e opiniões”, lembra Gino. Na SAC, ele aprendeu com professores cegos a ler e a escrever em Braile, um sistema de leitura e escrita adaptado para deficientes visuais e no qual se utiliza o tato. Gino também teve lições de mobilidade e de como comportar-se em sociedade.
Quando concluiu os primeiros anos de escola, teve que sair em busca de uma instituição de ensino que aceitasse estudantes cegos. A falta de preparo das escolas fez com que Gino se deparasse com muitos preconceitos, vindos inclusive dos professores. E, segundo ele, a situação não melhorou muito desde essa época. “Até hoje o sistema [de ensino] é quase o mesmo”, diz Gino.

Ainda jovem, o assessor de comunicação fez um curso de locomoção na SAC, aprendendo a andar sozinho pela cidade apenas com a ajuda da bengala. Depois disso, estudou datilografia e até hoje é capaz de escrever no computador com uma velocidade impressionante. “Esses foram dois cursos [mobilidade e datilografia] que alavancaram a integração e a independência dos cegos em Fortaleza, afirma.
Aos 22 anos de idade, em 1975, Gino entrou para o curso de Comunicação Social, na UFC, fato que, pelo seu ineditismo, lhe rendeu uma colocação no Anuário do Ceará (publicação anual que fornece dados culturais, econômicos, sociais, geográficos, históricos, etc. sobre o Estado do Ceará). Mas, para fazer a prova do vestibular e ingressar na universidade, ele lembra que teve de enfrentar o preconceito de muitas pessoas, que não conseguiam entender como um cego seria capaz de fazer o vestibular.
Na universidade, Gino também teve de lidar com muitas dificuldades, como a falta de textos adaptados para deficientes visuais. E a solução era pedir a ajuda dos colegas, que liam os textos e gravavam para Gino escutar. “Talvez eu não tenha aproveitado cem por cento, como um colega qualquer, mas eu conseguia ser um aluno ‘normal’, diz Gino. E não parou por aí: instigado por uma amiga, fez vestibular para Pedagogia na UECE, curso no qual já está no sexto semestre e, mesmo assim, diz que ainda há professores que não sabem lidar com os deficientes visuais.
Um mundo sem luz talvez seja o de quem não consegue ver nos deficientes visuais um ser humano como qualquer outro, que tem direito a estudar e trabalhar e é competente o suficiente para desenvolver qualquer atividade.


Reportagens antigas sobre a Sociedade de Assistência aos cegos:

Aprovados os Estatutos e indicada a 1ª Diretoria da S. A. C.

Reuniram-se ontem pela manhã, no "Clube Iracema", os elementos que tomaram a seu cargo fundar nesta capital a Sociedade de Assistência aos Cegos.
O dr. Helio Gois Ferreira procedeu à leitura do projeto dos Estatutos, artigo por artigo, sendo discutida e aprovada a lei orgânica da nova entidade filantrópica, cuja vida era uma grande necessidade em nossa terra.
Foi Bastante animada a discussão, o que demonstra a boa vontade de quantos ali se reuniram.
Depois de aprovados os Estatutos, os socios presentes indicaram a diretoria a ser constituida, a qual é composta das seguintes pessoas:
Presidente: pe. Arquimedes Bruno, vice-presidente: d. Edith da Costa Braga, secretario: d. Helia Barroso, tesoureiro: snha. Elezira Ellery, diretor geral: dr. Helio Gois Ferreira.
A SAC. vai publicar, na forma da lei, os seus Estatutos adquirir personalidade juridica.
Como já foi publicado, o benemérito capitalista cearense sr. cel. Antonio Nunes Valente, por intermedio d`O POVO ofereceu meia quadra de terreno no bairro da Aldeiota para ali ser construido o edifício da Escola dos Cegos.

Como decorreu a solenidade

Revestiu-se de grande brilhantismo, o ato inaugural ontem, pela manhã, da "Casa dos Cegos" confortavelmente, instalado em amplo edifício da Avenida Bezerra de Menezes.
Às 8 hs. 30, precisamente, teve lugar e benção do predio por D. Manuel da Silva Gomes, ex-arcebispo de Fortaleza.
A seguir o padre Arquimedes Bruno celebrou missa á qual estiveram presentes os cegos e numerosas pessoas da sociedade cearense, especialmente convidadas.

A INAUGURAÇÃO

A inauguração da "Casa dos Cegos" ocorreu depois de 9 horas.
Aberta a solenidade pelo exmo. sr. interventor federal, dr. Francisco de Menezes Pimentel, falando o dr. Raimundo Girão, em nome da diretoria do núcleo cearense da Legião Brasileira de Assistência e o padre Arquimedes Bruno.
Finalmente, falou o cego José Esmeraldino de Vasconcelos, que em seguida, executou em um serrote, números de música, recebendo entusiasticos aplausos.

VISITA ÀS DEPENDÊNCIAS
DA "CASA DOS CEGOS"

Encerrada a cerimonia inaugural a nossa reportagem visitou as diversas dependencias da "Casa dos Cegos".



Aspecto da sessão solene realizada ontem pela manhã no Instituto dos Cegos do Ceará, por ocasião do encerramento do ano letivo e a inauguração de três novos pavilhões. Vê-se ao lado a mesa que dirigiu os trabalhos, sob a presidência do governador Faustino de Albuquerque, o dr. Hélio Góes, quando pronunciava o seu discurso, em nome da diretoria da instituição

A história da humanitária instituição - um grupo de abnegados a serviço dos que não vêem - Seis anos de sacrifícios e luta - As primeiras vitórias - O que foi o dia de ontem no estabelecimento da Avenida Bezerra de Menezes.

O dia de ontem foi um grande dia para o Instituto dos Cegos do Ceará. É que se comemorou, solenemente, dois grandes acontecimentos: o encerramento do ano letivo e a inauguração de três novos pavilhões. Grande número de autoridades, à frente das quais se encontrava o governador Faustino de Albuquerque, e de pessoas de nossa aristocrática sociedade, com predominância do elemento feminino, compareceram aquela utilíssima instituição, levando o seu apoio moral e material aos nossos infelizes irmãos que vivem no mundo das trevas. Lá se demoraram por varias horas, acompanhando todos os festejos, que tiveram inicio com a missa e terminaram com um lauto almoço. Vale salientar, entretanto, que a parte mais atraente do programa da festas foi a sessão litero-músical no decorrer da qual os cegos demonstraram as suas habilidades: uma executando número de música e outros lendo discursos, pelo método Braille. Diante de espetáculo tão belo e comovente, todos os visitantes se mostraram impressionados, sem esconder o seu entusiasmo. Para se ter uma idéia da magnificância da festa, nada melhor do que citar uma frase do Chefe do Executivo, quando pronunciou entusiástica oração de encerramento:
- Não conheço outra instituição no Ceará que com tão, pouco renda tanto.

A HISTÓRIA DA INSTITUIÇÃO

Durante a nossa permanência no Instituto dos Cegos, localizado no bairro do Alagadiço, à Avenida Bezerra de Menezes, aproveitamos a oportunidade para fazer uma reportagem, com o objetivo de mostrar aos nossos leitores o que é aquele conceituado estabelecimento. Principalmente com a sua história. A Instituição foi criada no ano de 1943, por um grupo de particulares e com o auxilio da Legião Brasileira de Assistência, com a denominação de Casa dos Cegos. Destinava-se a abrigar os que não vêem, sem distinção de idade e sexo. Era uma espécie de asilo. No ano seguinte, os seus dirigentes idealizaram transformar a Casa dos Cegos em Instituto dos Cegos, com outro objetivo mais útil, qual seja o de adaptar os asilados à sociedade. Tarefa difícil, muito afanosa, mas que tem logrado êxito, pois no curto período de seis anos, aquela organização já tornou dezenas de cegos úteis à sociedade. Numerosos exemplos teríamos que citar, se fossemos enumerar os casos de cegos adaptados pelo Instituto, durante este espaço de tempo. Citamos, porém, dois casos bem curiosos: o primeiro é de Sebastião Belarmino mais conhecido por "Ceguinho da PRE-9", que ali tirou o seu curso e foi se aperfeiçoar no Rio, no Instituto Benjamin Constant. Depois de Concluir os estudos com brilhantismo, foi convidado pelo governador da Paraíba para lecionar numa escola de cegos. O segundo é o de Jose Alencar Bezerra, vindo do Piauí, que após a conclusão do curso, daqui também se transportou à capital da Republica, onde se diplomou seguindo posteriormente para São Paulo, onde trabalha na imprensa e no rádio.
Maiores se tornam os sucessos do Instituto dos Cegos do Ceará, ao conhecemos detalhes de sua história, toda cheia de vicissitudes. Tem sido na realidade uma luta pela subsistência. Com uma subvenção anual de dez mil cruzeiros do governo Federal e um pequeno auxílio da Legião Brasileira de Assistência, tem-se erguido aquela instituição, da qual os cearenses podem se orgulhar. É que um grupo de abnegados, à frente dos quais os drs., João Matos, Hélio Góes, Raimundo Piquet, Valdemar Alcântara e Silvio Leal e d. Maria Braga, têm sabido dirigir a nau no mar porceloso. João Matos é um grande capitão, habilíssimo na arte de arrancar donativos do nossos ricos, principalmente do Rotary Club, que sempre acorre com recursos financeiros quando o Instituto atravessa momentos dificultosos. Os drs. Hélio Góes e Raimundo Piquet, por sua vez, fazem render as contribuições conseguidas. E d. Maria Braga, finalmente, sabe apertar o cinto, dirigindo a economia interna no Instituto, sem deixar os seus pupilos e as suas pupilas passarem necessidade. Não fosse o espírito abnegado dos administradores, aquela obra grandiosa, como muitas outras de nossa terra, já teria ido de água abaixo.

FESTIVAMENTE COMEMORADA A AUSPICIOSA DATA - A REUNIÃO DE ONTEM NA BENEMERITA INSTITUIÇÃO

Viveu ontem o Instituto de Cegos do Ceará um dos seus grandes dias, com a passagem do seu 7º aniversário de existência, fundado que foi, a 19 de Setembro de 1943, por um grupo de devotados da visão.
Comemorando o grato acontecimento, a direção do Instituto, em cooperação com os professores e alunos, promoveu interessante e movimentado programa litero-musical, fazendo-se ouvir, além de atraentes numeros de recitativos e discursos, o harmonioso conjunto músical do Instituto, tão bem orientado pelo prof. José Esmeraldino de Vasconcelos.

POSSE DO CONSELHO DELIBERATIVO E ELEIÇÃO DA DIRETORIA EXECUTIVA

Aproveitando a auspiciosa data, realizou-se, antes da sesseão litero-musical a que acima nos referimos, a solenidade de posse do Conselho Deliberativo e a eleição da Diretoria Executiva da Sociedade de Assistência aos Cegos, que norteará os detinos da humanitaria entidade no biênio 1950-1952.
Por aclamação geral de todos os associados presentes, foi reeleito presidente o sr. João Matos, a quem a sociedade deve a sua properidade e o seu renome.Para a vice-presidencia foi escolhido, também por unanimidade, o dr. Silvio Ildeburque Leal, que, como secretario, teve, na diretoria passada, uma atuação digna de nota.
O nosso companheiro prof. Mozart Sobreira Bezerra foi distinguido com sua eleição para secretario da sociedade, o mesmo acontecendo com os srs. Aluisio Riquet, que foi reeleito tesoureiro, e o dr. Helio Gois Ferreira, que, pela sua relevante folha de serviços prestados a benemerita agremiação, foi conservado, por aclamação geral, no alto cargo de Diretor-Geral.
Para o Conselho Fiscal foram escolhidos o desembargador Eugênio Avelar Cavalcante Rocha, o padre Arquimedes e o sr. Afonso Cavalcante.
No final da reunião, que decorreu num ambiente de distinção e franca cordialidade, foi servido aos presentes uma taça de finas bebidas e saborosas iguarias.
A noitada de ontem deixou, como sempre, a mais grata das impressões a todos quantos compareceram a sede da grande e conceituada instiuição da Avenida Bezerra de Menezes.

Foi sepultado, às 17 horas de ontem, no Cemitério São João Batista, o conhecimento oftalmologista Hélio Góes Ferreira de 76 anos de idade. Sua morte ocorreu às 8h40min, nesta Capital, 53 dias após ser vitimado por um acidente vascular cerebral. Estava internado por na Casa de Saúde de São Raimundo, mas seu passamento verificou-se em sua residência, a avenida Tristão Gonçalves, 352 em presença de seus familiares.
Formado pela Faculdade Nacional de Medicina, em 1924, com a tese "Simulação em Oftalmologia" aprovada com distinção, o Dr. Hélio Góes Ferreira, fundou, além da Sociedade de Assistência aos Cegos, a Sociedade de Oftalmologia do Ceará, a clinica de Olhos do Instituto de Proteção à Infância do Ceará e a Casa de Saúde São Lucas, da qual foi Diretor durante 20 anos: Chefe, da Clinica Oftalmológica da Santa Casa de Misericórdia, durante 45 anos, médico da Saúde Pública, hoje Secretaria de Saúde do Estado, Presidente da Entidade de Classe dos Médicos Oftalmologistas do Ceará e Diretor do Clube Iracema.

LÍDER

Por três vezes o Dr. Hélio Góes Ferreira representou o Ceará em congressos Brasileiros de Oftalmologia, dois em São Paulo (1945 - 1950) e um no Recife (1947). Apresentou os seguintes trabalhos: “O Tracoma na Escolas de Fortaleza” e 25 anos de Cirurgia de Catarata e “Valor Social dos Cegos”.
A morte do Dr. Hélio Góes Ferreira foi bastante lamentada por todos que o conheciam. Durante o exercício de sua várias atividades ia diariamente à Sociedade de Assistência aos Cegos, que mantém o Instituto dos Cegos do Ceará. Ao seu sepultamento compareceram o vice-governador Waldemar de Alcântara, representando o governador Adauto Bezerra, os Secretário de Saúde, Segurança Pública, Industria e Comercio e Cultura e outras autoridades, colegas médicos e admiradores. O Dr. Hélio Góes Ferreira era casado com a Sra. Maria José Menescal de Góes Ferreira e deixou quatro filhos: Carmen Góes Ferreira de Arruda, casada com o Coronel José Bezerra de Arruda; Helena Menescal Góes Ferreira (solteira); Maria Lúcia Góes Ferreira de Filgueiras Lima; e Hélio Góis Filho, assessor parlamentar do Ministro de Industria e Comercio, casado com Rita Gonçalves de Góes Ferreira.

Comemorando, ontem, seus 38 anos de existência, o Instituto do Cegos do Ceará prestou homenagem ao Governador Virgílio Távora, com a aposição do seu retrato na sala destinada às fotografias das personalidades que colaboraram e apóiam aquela instituição. Além do Governador e da Primeira Dama do Estado, dona Luíza Távora, estiveram presentes o prefeito Lúcio Alcantara, o Secretário de Educação, Antonio de Albuquerque e Souza Filho, o Secretário de Obras, Luiz Marques, e outras autoridades, bem como o presidente daquela instituição, Francisco Valdo Pessoa de Almeida.

A sociedade foi aberta com um discurso de um ex-integrante e interno do Instituto, hoje cursando universidade. Falou, em seguida, o presidente da instituição, que se referiu a aposição do retrato do Governador como uma manifestação que representa ser ele um novo "filho da casa". Ressaltou a ajuda governamental ao Instituto dos Cegos, lembrando o apoio que Virgílio Távora também vem prestando.
Finalmente, falou o governador Virgílio Távora, que agradeceu a homenagem, lembrando o apoio que vem procurando dar as obras sociais do Estado, através do trabalho da Primeira Dama. Prometeu ajuda ao Instituto, com empréstimo que está contratando com o Banco Mundial.
Terminada a solenidade, o Governador do Estado e a Primeira Dama, acompanhados das demais autoridades e convidados, percorreram as dependências da instituição, visitando a biblioteca, salas de aula, refeitório e outros setores.
Em seguida, internos e externos do Instituto dos Cegos fizeram uma apresentação musical, cantando o "Manero o Pau" e, depois, um jogo de futebol de salão, disputado por times de cegos, que foram bastante, aplaudidos, em alguns lances, inclusive pelas autoridades. A banda de música juvenil da Polícia Militar do Ceará animou toda a festa.

A História da Sociedade em fotos:

Inauguração de um novo Pavilhão, aparecendo dois grandes beneméritos-anos 60

Dr. Waldo Pessoa e o ex-presidente Wellington Malta

Foto do Jornal O POVO
Clínica Ieda Otoch Baquit conta com equipamentos ópticos modernos
para atender aos cegos

Foto do Jornal O POVO
Waldo Pessoa acha que é hora de acabar com paternalismo no cego

Foto do Jornal O POVO
Peça filatélica impressa em Braille

Foto do Jornal O POVO
No instituto, as crianças aprendem a conviver naturalmente com seus colegas normais - 1978

Foto do Jornal O POVO
1981- Deficientes e seus familiares prestigiaram a solenidade da campanha do Ano Internacional do Deficiente

Foto do Jornal DIÁRIO DO NORDESTE
1984- Instituto dos Cegos inaugura o Hospital Alberto Baquit Júnior

Foto do Jornal TRIBUNA DO CEARÁ
1984- Inaugurado o primeiro hospital para doenças de olhos do Estado

Foto do Jornal DIÁRIO DO NORDESTE

"É crescente o índice de cegueira, principalmente a cegueira carencial. A cada ano aumenta o número de crianças com idade entre 10 e 12 anos que ficam cegas completamente pela falta de consumo de leite, carne e demais proteínas. a Secretaria de Saúde como a de Educação têm planos de prevenção da cegueira, mas não são executados. E o que vemos é o aumento significativo de crianças cegas."

Dr. Waldo Pessoa de Almeida

Foto do Jornal DIÁRIO DO NORDESTE

1990 - Waldo de Almeida recuperou a visão de mais de mil pacientes

Foto do Jornal DIÁRIO DO NORDESTE

1990 - Sereia de Ouro - Oftalmologista Francisco Waldo Pessoa de Almeida foi apadrinhado por Alberto Baquit

Foto do Jornal DIÁRIO DO NORDESTE

Sereia de Ouro 90: Industrial Walder Ary, jornalista Eduardo Campos,
os médicos Waldo Pessoa e Aluysio Aderaldo

Foto do Jornal DIÁRIO DO NORDESTE
1992 - Dr. Waldo Pessoa mostra os modernos equipamentos adquiridos pela SAC

Foto do Jornal DIÁRIO DO NORDESTE
1994 - Instituto dos Cegos com Impressora para Braille - É o segundo equipamento no País (O equipamento importado da Noruega, representa um progresso na educação dos cegos)


Foto do Jornal DIÁRIO DO NORDESTE
1994 - Operação de catarata - Médico Valdo Pessoa: momento da cirurgia quem decide é o próprio doente



Créditos: Jornal OPovo, Site do Sac e pesquisas na internet

8 comentários:

  1. A beleza da matéria começa pelo caarão!!
    Privilégio para os videntes, neste sentido.
    Trabalho maravilhoso que essa gente abnegada faz
    naquela casa. À cada dia, melhor!
    Trabalahei 5 anos, como professora,em Educação Especial. Na minha formação, no RJ, estagiei no Instuto Bejamin Constant. Uns dos períodos mais ricos de minha vida.

    Parabéns, amiga, emociona!
    Beijo!
    Lúc

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  2. Trabalho muito gratificante, realmente!
    Ao fazer essa pesquisa, aprendi muito
    sobre a Sociedade e admirar ainda mais
    todos que estão envolvidos, é louvável.

    Beijos

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  3. Leila eu tenho mais informação sobre o Dr, Waldo Pessoa, S.E.R-1 Tem o decreto de lei do Pólo de Lazer da Av. Sargento Herminio no Bairro Monte Castelo, o Pólo Agora se chama Pólo de Lazer Dr. Waldo Pessoa, e eu estou a conpanhando a reforma do equipamento, que vai colocar algumas coisas para os Deficiente visual´o instituto dos cegos e Dr. Waldo Pessoa merece essa homenagem. eu faço parte do conselho do bairro e do movimento social, tenho 51 ano que moro no Monte Castelo,Parabéns.

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  4. Que notícia maravilhsa, Kiko!

    Muito merecido esse reconhecimento
    de um trabalho todo voltado para o
    bem do próximo!
    O Dr Waldo foi um grande homem e todas
    as homenagens são mais que merecidas realmente.

    Muito obrigada pela informação e por
    visitar o blog. :)

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  5. Leila estou fazendo um trabalho sobre o instituto dos cegos e eu queria estas fotos do seu blog mais não esta dando pra salva se você poder mandar estas fotos para o meu email eu ficaria muito feliz

    email: rebeca_quirino@hotmail.com

    obrigado!

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  6. Mandarei as fotos para vc.

    Abraços e bom trabalho!

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  7. Gostaria de saber onde posso comprar uma bengala branca em Fortaleza?

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