Fortaleza Nobre | Resgatando a Fortaleza antiga : Os Marcos da Ceará Rádio Club - 4ª parte [notification_tip][/notification_tip]
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sábado, 1 de maio de 2010

Os Marcos da Ceará Rádio Club - 4ª parte



OS ESTÚDIOS E O AUDITORIO DE 500 LUGARES NO EDIFÍCIO PAJEÚ. PROGRAMAÇÃO ESPECIAL EM ONDAS CURTAS. O CEARÁ FALANDO AO MUNDO.

Os publicitários Manoel de Vasconcelos e Genival Rabelo, diretores da revista "Publicidade & Negócios'" vieram a Fortaleza em maio de 1949, assistir a inauguração das novas instalações da Ceará Rádio Clube, no Edifício Pajeú.
A edição de nº 96 daquela prestigiosa publicação conta para os leitores como eram "as novas instalações" da emissora, que dispunha de três estúdios, inclusive um palco-auditório, moderníssimo. A inauguração ocorreu no dia 13 de maio de 1949, reunindo no auditório, como escreve a revista, o desembargador Faustino de Albuquerque e Souza, Governador do Ceará; D. Antônio de Almeida Lustosa, Arcebispo Metropolitano de Fortaleza; dom João Daudt d'Oliveira, presidente da Confederação Nacional do Comércio", etc.

João Calmon, então Superintendente das empresas "associadas" do Ceará, sublinhou: "
Servindo a um povo que deixa sua terra para vencer em outros Estados, e em outros Países, a Ceará Rádio Clube precisava realmente levar a voz da terra-máter aos mais longínquos rincões. Já mantemos, na onda de 19 metros, um programa único de "broadcasting" nacional, de duas horas por dia, sem publicidade comercial e sem subsvenção de qualquer espécie, anunciando em cinco idiomas diferentes e dedicados exclusivamente à propaganda do Ceará e do Brasil."


Auditório da Ceará Rádio Club - Capacidade 500 lugares sentados

Esse programa, que fez sucesso junto aos sintonizadores da onda de 19 metros, anunciava em português, francês, inglês e espanhol.

Em 1949 era diretor geral; Paulo Cabral de Araújo; diretor artístico, Manuelito Eduardo; diretor do Departamento Musical, maestro Mozart Brandão; diretor do Departamento Técnico, Igor Olimpico e chefe de publicidade Virgllio Machado.

Na chefia do escritório funcionava Rômulo Siqueira, que, mais tarde, seria diretor de Publicidade da estação, e diretor, nas mesmas funções, na TV Ceará.

Participaram da festa de inauguração do auditório da Ceará Rádio Clube, no dia 13 de maio de 1949, além do grande pianista e compositor cearense Aloísio Pinto, Nelson Gonçalves, Luiz Gonzaga, Nilo Sérgio, Rosita Mir e Carmen Santos.
O setor técnico da emissora foi sempre bem diligenciado, tendo operado nele, além de Igor Olimpiew, Rômulo Proença, Gerardo Justa, Antônio Fernandes Normando (falecido em acidente no transmissor), Francisco Coelho Cabral, Francisco Danúzio do Nascimento, e, mais recente, Abdênago Batista Pereira.


Dr. João Calmon - que promete novas realizações - quando da inauguração das novas instalações da CRC.

A DÉCADA 1950-59. GRANDES CARTAZES INTERNACIONAIS:
XAVIER CUGAT E ORQUESTRA, LOS ESTUDIANTES, AGUSTIN LARA E OUTROS.


A década seguinte (1950-59) é assinalada pela competição radiofônica, que começara em outubro de 1948 com a inauguração da Rádio Iracema de Fortaleza. As funções dentro do rádio vão-se tornando independentes, passando a fase em que o mesmo radialista, por solicitação da empresa ou de seu próprio espírito de trabalho, era levado a diversificar a sua atuação, constatando-se a presença do locutor também como rádioator, organizador de programa, redator, animador de auditório, etc.

Começava o profissional do microfone a ter função especificada, a de maior liderança e apropriação quanto ao gosto e preferências do público ouvinte.

Foram os anos de grandes contratações artísticas, possivelmente o momento de maior valorização do rádio cearense, quando a emissora, que desde 1949 mudara os seus estúdios para o Edifício Pajeú, lº e 2º andares, na Rua Sena Madureira, 1047 (onde hoje funciona o Tribunal de Contas do Estado), dispunha de apreciável auditório de 500 lugares, às vezes insuficiente para receber multidões que desejavam aplaudir, de preferência, os grandes cartazes internacionais que nos visitaram.

Foram celebrados contratos altíssimos, possibilitados graças à colaboração dos grandes clubes da cidade, notadamente o Maguary Esporte Clube, seguido de perto pelo Ideal Clube, Náutico Atlético Cearense, Comercial Clube e tantos outros.

Orquestras internacionais, como a de Xavier Cugat, Augustin Lara, Los Estudiantes, Cassino de Servilha, além das grandes orquestras brasileiras, haveriam de se exibir no decorrer desse período áureo do rádio cearense, tocando ora no Teatro José de Alencar, ora no auditório do Edifício Pajeú, ou diretamente no clube social, onde consentiam, via de regra, que sócios e convidados do clube dançasssem.

Desse tempo, as temporadas de Josephine Backer, Carlos Ramirez, Vicente Celestino, Gilda de Abreu, Pagano Sobrinho, Orlando Silva, Silvio Caldas, Lúcio Alves, Isaurinha Garcia, Dorival Caymi, Carmen Costa, Luiz Gonzaga, Dalva de Oliveira, Jararaca e Ratinho, e muitos mais que viriam ao Ceará contentar não apenas os que gostavam de rádio, mas os que eram freqüentadores de cinemas e grandes "shows" no sul do país.

O público cearense teve então o privilégio de aplaudir, sem sair de Fortaleza, famosos cartazes que permaneciam como atrações nos teatros do Rio e São Paulo.


TELEVISÃO EM CIRCUITO FECHADO, EM 1951. TELEVISÃO PROFISSIONAL EM 1960, COM O ADVENTO DA TV CEARÁ, CANAL 2. PROVAÇÃO E DESAFIO.


A estação pioneira da radiodifusão no Ceará, igualmente com pioneirismo, muito antes de instalar a primeira estação de TV do Ceará, ofereceu aos freqüentadores de seu auditório, em 1951, programa em circuito fechado de televisão, operado com câmara Vidicon. Dois ou três receptores de televisão ficaram situados tanto no interior como na parte exterior do Edifício Pajeú, onde se realizou a experiência com bastante sucesso.

Manuelito Eduardo comandou essa pré-apresentação de televisão em Fortaleza, narrando vários programas, inclusive a "Hora da Saudade", animada com a voz nostálgica de José limaverde.

O ano de 1960 assinalaria o advento da TV, com a inauguração da TV Ceará, canal 2, departamento da Ceará Rádio Clube que, dando cumprimento à sua evolução, marcada de tantos êxitos, demandava o mundo fascinante do vídeo.

Daí por diante estabelecer-se-iam novas regras para o desempenho do rádio em face do advento da televisão. Já não importava o programa de auditório. Não valia mais a exibição de grandes cartazes em transmissões radiofônicas. A imagem, no vídeo, era uma espécie de cinema que proporcionava entretenimento gratificante aos que se deixavam ficar na intimidade de seus lares.

Findar-se-iam os dias de movimentação em auditórios de rádio, quando, no caso específico da Ceará Rádio Clube, eram atrações os programas "Divertimentos em Seqüência", "Festa na Caiçara", "Desfile de Calouros", ora animados por Manuelito Eduardo, ora por Toão Ramos, e "Clube Papai Noel", programa dedicado a valores novos, ultimamente apresentado por Augusto Borges, que nele começara como contra-regra.

No entanto, sofrida mas não vencida ao primeiro confronto com a televisão, a radiodifusão do microfone e do receptor haveria de reagir. O transistor, tornando obsoleta a válvula, consagrou novo alento ao rádio, dinamizando-o, tornando-o mais utilizável.

Num mundo insolidário, o receptor de pilha, transistorizado, passava a ser o companheiro mais fiel do homem. Mais depressa, que se pôde imaginar, consolidou novamente o prestígio da radiodifusão sonora.

A Ceará Rádio Clube, caminheira de muitos dias e muitas glórias, teria de sofrer a perda de sua estação de televisão, por ato presidencial, de irrecusável intempestividade, em 1980. Provação e desafio para a emissora que teve de arcar com pesados ônus para indenizar todos os funcionários da ex-TV Ceará, cuja concessão a declarara perempta o Governo Federal; -- e desfazer-se de todo o seu parque técnico, assim como de patrimônio considerável representado por imóvel e instalações que se expressavam em 3.300 metros de área construída.

Nem assim, a tamanho tropeço, se abateu a "pioneira", a mais respeitável e querida emissora do Ceará, agora em nova sede, com modernos equipametos eletrônicos, na retormada de sua marcha em direção a futuro mais promissor.

Feliz por se saber naturalmente querida pelos que sabem o que tem sido sua fulgurante jornada de meio século, a Ceará Rádio Clube é a própria história da radiodifusão do Ceará.



Continua...

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