Fortaleza Nobre | Resgatando a Fortaleza antiga : Comunidade da Graviola [notification_tip][/notification_tip]
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segunda-feira, 11 de junho de 2012

Comunidade da Graviola



Um conjunto de casas velhas e quitinetes, no quadrilátero formado pelas ruas Nogueira Aciolli, Gonçalves Ledo, Pedralina e a Avenida Monsenhor Tabosa, também conhecido por 'Favela da Graviola', em plena Praia de Iracema, tornou-se próspero ponto-de-venda de drogas a céu aberto durante 24 horas. Há o registro ainda de 'vigias' armados na entrada dos becos.

Autoridades fecham os olhos para o crime

A toda hora, traficantes e seus 'aviões' vendem pedras de crack, cocaína e maconha a viciados, a pé ou em carros. À noite e durante a madrugada, a situação fica ainda mais grave. Até crianças agem na entrada da Favela da Graviola, sem que o Ronda do Quarteirão da área (RD-1020), PMTur, P.O.G. (1ªCia/5ºBPM), ou a Polícia Civil acabem com a 'bocada'.

Foto do Grupo Gota de Luz

Nos arredores da Avenida Monsenhor Tabosa, precisamente em uma viela na rua Gonçalves Lêdo, encontra-se, quase despercebida, a Comunidade da Graviola. Nascida no berço do contraste, ao lado de uma das avenidas mais ilustres de Fortaleza, a Comunidade se equilibra entre a contradição e o olhar singular de cada um de seus moradores.

E por que será Graviola? Uns dizem que foi por causa de uma gravioleira que existiu há muito tempo e que ao morrer eternizou a localidade. Outros disseram que havia a família do seu “Graviola” que era muito conhecido e morou ali anos atrás. A família foi crescendo... Os filhos casaram, tiveram filhos e netos e por isso o nome vingou. Na verdade não se sabe ao certo o porquê de Graviola, mas todos têm o seu palpite.

 
Foto do Grupo Gota de Luz

É aqui que vive desde criança o aposentado Francisco de Assis Maciel que trabalhou a vida inteira na construção civil. Hoje, aos sessenta e três anos se orgulha ao falar do lugar onde passou a vida: “Aqui todo mundo se conhece, é amigo e se ajuda”. Assim como ele, há sessenta e seis anos, este é o lar de dona Maria Núbia Nascimento Pontes. “Até mesmo antes de eu nascer minha mãe já morava aqui. Nasci e cresci, criei meus filhos, netos e agora já tomo conta dos bisnetos. Daqui só saio para me enterrar”, diz sorrindo.
Ela também é voluntária no Centro Comunitário que desenvolve projetos de estímulo a educação e reforço escolar para as crianças da comunidade. Ele é mantido pelos moradores com a doação de notas fiscais e a participação na Promoção “Sua Nota Vale Dinheiro” do Governo do Estado do Ceará. “Todo auxílio que recebemos para manter nossas atividades chega dessa promoção. Arrecadamos nossas notas fiscais com a ajuda de alguns amigos e pronto. Nós não temos assistência de ninguém. Falta tudo! Não tem curso profissionalizante, não tem reforço escolar, não tem emprego, não tem o apoio da prefeitura, não tem professora nessa escola. Quem dá aula ali são as voluntárias. Você sabe que descer a rua e assaltar os turistas acaba sendo fonte de renda. Quando alguém vai procurar emprego e dá o endereço daqui ninguém quer empregar, porque acha que todo mundo aqui é ladrão”, indigna-se. 

Foto do Grupo Gota de Luz

O estudante Wesley Azevedo Rocha, de treze anos, também critica a atuação dos órgãos públicos na região: “Nunca vi a prefeitura fazer nada para melhorar a vida de ninguém. Nem as campanhas de prevenção contra dengue que eu vejo na televisão chegaram aqui. A gente fica sabendo que os PM’s chegam batendo em todo mundo, das bocas de fumo que tem por aqui, de um monte de coisa...”, cochicha.

Assim vivem destemidamente seus moradores, encarando a vida e os problemas com olhos sóbrios e a boca muda, no incansável vai e vem de suas estreitas e curtas ruas, exprimindo em breves sorrisos toda a imensidão de sentimentos que não podem ser ditos, pois não há quem os escute.


Crédito: Artigo Monsenhor Tabosa de Corpo e Alma 
(Alan Regis Dantas, Iana Susan, Ônica Carvalho, Lucianny Motta, Fernando Falcão e Sâmila Braga) e Diário do Nordeste

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